Notas iniciais
Boa noite, pessoal (isso é, se existisse alguma pessoa lendo isso aqui ainda :X)! Como vocês estão? Antes de tudo, gostaria de pedir milhões de desculpas pela demora na atualização... Mas estava com sérios problemas para escrever sobre Nyssa e Sara, ainda bem que essa ausência de inspiração foi solucionada com a volta da Nyssa para a série o/ Portanto, os feelings desse capítulo estão bem intensos, espero que gostem! Ah, eu escrevi esse capítulo com uma "trilha sonora": Belong (Cary Brothers), Somebody To Die For / Stay (Hurts), Shattered (Trading Yesterday) e Forgiven (Within Temptation). Caso gostem de ler com música, sugiro essas. Boa leitura!

PARTE VIII

“I’ve been so lost since you’ve gone... Why not me before you? Why did fate deceive me? Everything turned out so wrong, why did you leave me in silence? You gave up the fight, you left me behind... All that’s done’s forgiven. I know deep inside, all that’s done’s forgiven.” (Forgiven, Within Temptation)

2013: Nanda Parbat

Nyssa não tinha noção de quanto tempo havia se passado desde que libertara Sara da Liga e, consequentemente, abandonara seu coração e o que restara de sua humanidade em Starling City. Ela não era capaz de contar o tempo passado quando tudo que enxergava a sua frente era feito de trevas e às suas costas tinha um peso incomparável a qualquer um que um dia carregara dentro de si.

Sua alma, depois de sua volta de Starling City, estava reduzida ao necessário para que ela voltasse a ser a assassina fria, cruel e respeitada dentro da hierarquia da Liga dos Assassinos. Nyssa percebeu que os olhares desconfiados desapareceram conforme ela afogava em suas sombras e abandonava, de vez, a luz que Sara Lance trazia para a sua vida.

Nyssa compreendeu que talvez não existisse algo naquele mundo que pudesse aplacar a dor que acumulava dentro de seu peito e que fizesse desaparecer o gosto amargo que restara em sua boca desde a última vez que vira Sara. A felicidade de Sara, o seu maior desejo, deixara cicatrizes que Nyssa sabia que seriam impossíveis de serem apagadas... Deixar Sara ir embora e ser feliz era um preço enorme para que a alma remanescente de Nyssa pudesse pagar.

Portanto, dessa forma, a assassina apagou qualquer resquício de humanidade que possuía e entregou, de vez, a sua alma ao demônio. Permitiu-se afogar e queimar dentro das chamas do seu inferno e se entregou às trevas com as quais tanto lutara desde que conhecera Sara Lance... Nyssa prometeu a si mesma que, se não fosse capaz de tê-la, ao menos, se tornaria uma mulher que Sara seria incapaz de amar de novo.

Não era por ódio, muito menos por mágoa... Nyssa não se achava mais digna do coração e, muito menos, da alma de Sara. Não existia perdão para Nyssa, ela não poderia viver de forma que esperasse por ele. Os pecados de seu passado ecoavam em seu presente e definiam o seu futuro. Um futuro sem Sara e sem qualquer forma remanescente de amor.

Nyssa encontrava-se meditando à beira de um abismo próximo às ruínas de Nanda Parbat quando escutou os gritos em árabe e os passos apressados ecoarem na escuridão obscura da montanha. A assassina permaneceu de olhos fechados, sentada em posição de lótus, respirando profundamente e de forma ritmada, concentrando-se em seus batimentos cardíacos e isolando-se do mundo material.

Escutava os sons vindos de espadas que se digladiavam e sentia a vibração dos arcos a cada flecha que era lançada. Sabia que batalhas se desenrolavam próximas a ela, mas não se deixava abalar porque sabia que, quando tivesse que matar, seus instintos falariam por ela. Porém, Nyssa não previu o que viria a seguir.

Não escutou os passos, mas sentiu a vibração no solo. Não enxergou a movimentação, mas a direção do vento lhe entregou o movimento de seu agressor. Antes que o mesmo pudesse erguer a mão em direção a ela, Nyssa estava em pé, em toda a sua glória como Herdeira do Demônio. Tão logo seus pés ergueram seu corpo, Nyssa apanhou o pescoço de seu agressor encapuzado e levou-o ao chão, ao mesmo tempo em que sacava a sua adaga e a apertava fortemente contra o pescoço do mesmo. O agressor tentou revidar, mas Nyssa apertou a adaga de encontro à pele alva, gotículas de sangue escorreram e um murmúrio de dor foi escutado. Irada com a falta de competência daqueles que deveriam ser a sua guarda, Nyssa esbravejou:

– Espero que algum de vocês possua uma explicação decente para o fato de que um forasteiro tenha entrado em nossa cidade!

– Peço perdão, herdeira... Mas, esse forasteiro parecia conhecer cada pedaço de nossa morada. — Um dos assassinos da Liga respondeu trêmulo, mas repleto de uma coragem que Nyssa silenciosamente apreciou. A assassina colocou-se em pé, arrastando o seu agressor e pisando no ombro esquerdo do mesmo, mantendo-o com o rosto de encontro ao chão. — Não percebemos que estávamos sendo invadidos até encontrarmos o forasteiro perambulando pelos corredores de Nanda Parbat.

– De qualquer forma, eu já estava quase terminando antes de ser rudemente interrompida. — Nyssa resmungou fria, voltando à adaga à bainha e olhando para cada um de seus assassinos, os seis encapuzados abaixaram a cabeça em inferioridade. A herdeira nocauteou o agressor com um golpe na nuca e olhou para o corpo que desabou ao chão. — Coloquem-no em uma das celas e comuniquem meu pai, ele decidirá o que deverá ser feito.

Sem dizer mais nada, Nyssa agitou a capa ao redor de si e entrou nas ruínas. Nenhum dos assassinos ousou questioná-la quando ela deu a ordem.

Todos ali sabiam que a Herdeira estava cada vez mais próxima de seu trono, todos sabiam que não existia mais nada que a impedisse de abraçar sua natureza demoníaca.

# # #

Nyssa estava preparando-se para dormir quando foi, novamente, interrompida. Escutou os passos apressados no chão coberto de pedras e, em seguida, batidas firmes na madeira de sua porta. A assassina revirou os olhos e jogou sua manta de dormir para fora da cama quando se levantou, seus passos eram decididos e em sua expressão estava presente o desagrado.

Além da frieza que, nos últimos tempos, não deixara de habitar os olhos negros.

A herdeira abriu a porta com violência e fechou o robe de seda negro que usava. Olhou para um dos seus assassinos enquanto cruzava os braços, Nyssa pode escutar quando o homem engoliu em seco e anunciou amedrontado:

– O seu pai lhe chama, herdeira.

– Eu não vou me deslocar até o trono a essa hora da noite. — Nyssa resmungou contrariada, deixando que seus olhos negros fuzilassem e dilacerassem a alma do pobre homem encarregado de levá-la até seu pai. A assassina não relaxou a postura e o estudou atentamente enquanto ele, nervoso, apanhava o punho de sua espada.

Nyssa sorriu maléfica para o pequeno gesto do homem a sua frente. Seu pai estava cada vez mais impaciente diante de qualquer assunto que remetia a ela. A assassina, antes que o homem pudesse prever, apanhou a espada que encontrava-se ao lado de sua porta e direcionou-a em direção à garganta do homem. O assassino recuou, mas a espada rasgara um pedaço de seu capuz e ele foi incapaz de reagir ao receber um chute no estômago e ser jogado para fora do quarto. Nyssa estava prestes a avançar novamente quando sentiu outra espada ser apontada para a base de suas costas. Mais um sorriso preencheu os lábios finos, o sarcasmo ocupava toda a sua postura corporal quando ela disse risonha:

– Resolveu se exercitar um pouco, pai?

– Não é hora para seus caprichos. Eu vim lhe buscar em paz, por mais que você não venha merecendo qualquer coisa que eu possa lhe dar. — Ra’s tinha a postura calma, porém, o tom frio de sua voz denunciava a sua decepção em relação a sua herdeira. Nyssa ergueu as mãos, rendendo-se. Sua espada caiu no chão, o som metálico da lâmina tocando as pedras distraiu o assassino que batera em sua porta.

Nyssa movimentou-se rápido, mais uma vez. Abaixou-se quando eu pai recuou a espada e acertou o joelho do outro homem com um chute, o grito de dor denunciou que aquela articulação acabara de ser quebrada. Nyssa apanhou a espada do homem diretamente da bainha e apontou-a para seu próprio pai, Ra’s interceptou o golpe e os dois tinham as espadas entrelaçadas, os olhares negros travando batalhas silenciosas e furiosas.

A assassina podia sentir cada parte de seu corpo inflamar pela adrenalina que preenchia sua corrente sanguínea, a espada que empunhava tremia em sua mão, mas ela sabia que não vacilaria se tivesse que lutar por sua vida. Ra’s olhava para a filha com a expressão indecifrável, mas um pouco de orgulho preenchia seu interior. O líder bateu as lâminas e sorriu de lado ao dizer:

– Gostaria de ver esse brilho mais vezes em seu olhar.

– Tente se meter mais uma vez em minha vida e a cada tentativa, meus olhos brilharão assim que eu levar a vida de mais um dos seus para o inferno. Comigo. — Nyssa não temeu sua resposta, pelo contrário, sentiu o seu interior ser preenchido com uma coragem inconseqüente que em nada se assemelhava a obediência cega que dedicara ao seu pai.

A herdeira não podia deixar de pensar que aquele comportamento era reflexo da ausência dela. Nyssa sentia o controle escapar de suas mãos a cada momento que a partida de Sara tornava-se ainda mais evidente em sua memória, seu coração e o pouco que restava de sua alma... Sabia que Sara jamais voltaria, portanto, estava fadada a enlouquecer dentro de sua escuridão.

– Como eu disse, eu vim aqui em paz. — Ra’s repetiu, o ar cansado que ele interpretou fez os sentidos de Nyssa sobressaltarem rapidamente. O líder abaixou a espada e caminhou até a porta do quarto, agitou a capa atrás de si enquanto ajudava o homem a se levantar. Nyssa observou enquanto seu pai dava ordens em árabe para dois outros integrantes da Liga que logo retiraram o homem dali. Depois, Ra’s tornou a olhar para ela, os olhos misteriosos. — Sugiro que me acompanhe, Nyssa... Temo que essa será a última vez que enxergarei esse brilho furioso em seu olhar.

A curiosidade inflamou dentro de Nyssa e, no instante seguinte, ela colocou-se a caminhar atrás do pai. Entretanto, não abandonou a espada e carregou-a consigo. Ela não confiava no pai e sabia que, afinal, dois demônios não podiam governar, juntos, um mesmo inferno.

Nyssa não se surpreendeu quando entendeu para onde estava sendo levada. Assim que as imensas e pesadas portas de ferro da câmara principal se abriram, seu pai parou em frente ao portal e fez um gesto para que ela entrasse. A herdeira, confusa, o obedeceu e também não se assustou quando as portas fecharam-se atrás de si.

O tremular das chamas das tochas que iluminavam o aposento tornavam a cena sombria. Nyssa caminhou até o centro da sala onde dois postes de ferro maciço foram posicionados lado a lado e, no meio deles, a figura encapuzada que invadira Nanda Parbat encontrava-se acorrentada, o corpo sendo sustentado sofregamente pelas pernas frágeis. A assassina olhou por sob os ombros, procurando encontrar alguma resposta para as dúvidas que a perturbavam, mas encontrou somente o silêncio e as portas fechadas. Nyssa pigarreou e, desconfortável, vociferou:

– É melhor que diga o que veio procurar aqui. A verdade será dita, por bem ou por mal.

Nyssa escutou um inspirar profundo, seguido de tosses secas. Depois, uma gargalhada curta e cheia de vida preencheu o ambiente. Os olhos negros se arregalaram enquanto Nyssa atravessava a distância que a separava da figura. Suas mãos trêmulas abaixaram o capuz com violência e ela encontrou, mais uma vez, olhos azuis a observarem-na.

O azul estava claro, límpido e animado. A vida habitava e iluminava a imensidão azul que Nyssa conhecia tão bem. As pontas de seus dedos desenharam cada detalhe da face pálida para, em seguida, percorrerem as raízes dos cabelos loiros. Nyssa a observou fechar os olhos, a respiração dificultosa e o cansaço vencendo-a lentamente. A assassina engoliu em seco e afastou-se quando percebeu que seu coração quase arrebentava o seu peito. Nyssa suspirou e rosnou:

– O que veio procurar aqui, Ta-er al-Asfer?

– Encrenca, pelo visto. — Sara respondeu ácida, erguendo os olhos azuis e remexendo os ombros, ajustando a postura. Nyssa olhou aflita para as algemas que apertavam e já provocavam escoriações na pele pálida, apenas por breves momentos antes de se virar novamente para Sara. A loira sorria, o mesmo sorriso cheio de luz do qual Nyssa se recordava. — Eu precisava falar com você.

– Sua liberdade foi assegurada pelo meu próprio sangue. Você não deveria estar aqui. — Nyssa respondeu amarga, aparentemente, seu corpo reagiu às lembranças e ela sentiu a ferida em suas costelas, logo abaixo de seu pulmão, formigar. A cicatriz avermelhada, com cerca de 10 cm era apenas uma lembrança da punição física que sentira, por meio da espada de seu pai, quando voltara de mãos vazias.

Ninguém mais abandonava a Liga dos Assassinos e aqueles incapazes de manter esse juramento sofriam com a própria dor.

Sara conhecia as leis da Liga o bastante para perceber quando Nyssa trocou o peso do corpo em seus pés, o lado esquerdo, logo abaixo do pulmão parecia, de fato, incomodá-la. Nyssa observou quando os olhos de Sara semicerraram-se e enxergaram além de seu robe preto, a assassina encolheu o corpo e Sara remexeu-se violentamente, as correntes rangeram ruidosamente em seus punhos.

– Eu estou aqui por sua causa, Nyssa. Eu preciso de você.

– Deixamos nossa situação bem clara e finalizada quando eu lhe libertei em Starling City. — Nyssa respondeu com o tom de voz neutro, dando às costas para Sara somente, para enfim, permitir-se respirar fundo. Podia sentir as lágrimas embaçarem seus olhos, mas recusou-se a derramá-las. As correntes voltaram a ranger, Nyssa escutou a respiração ofegante de Sara, seguida do desespero em sua voz:

– Por favor, Nyssa!

– Estou ciente a respeito do que se passa em Starling City, mas eu não posso mais intervir, Sara. — As palavras saíram da boca de Nyssa com mais frieza do que ela esperava, a assassina respirou fundo enquanto os sons da luta de Sara com as correntes e algemas que a seguravam preenchiam seus ouvidos. Blasfêmias, rangidos metálicos, respiração ofegante... Nyssa fechou os olhos, sua postura rígida disfarçava muito bem a agonia que estava presente em seu interior. Seu coração, por mais ferido que estivesse, reagia diante do sofrimento de Sara. — E, infelizmente, você não é mais afiliada à Liga para exigir a nossa proteção.

Os sons cessaram-se no exato momento em que as palavras foram proferidas por Nyssa e Sara as compreendeu. O silêncio entre elas pesava e, principalmente, sufocava. Nyssa tentava a todo custo aprisionar seu coração que parecia querer se manifestar depois de todo aquele tempo... Aquele descontrole não lhe era familiar e, portanto, era extremamente difícil de lidar. A assassina sentia suas emoções a flor da pele, sentia todo aquele amor... Aquele maldito e infernal amor inflamar e reviver o que ela já enterrara e, principalmente, amaldiçoara.

Nyssa não precisava abraçar e nem aceitar o seu inferno pessoal quando o trouxe para a sua vida por livre e espontânea vontade. Sara era seu demônio porque lhe tornava fraca e suscetível, mas também parecia ser o mais próximo que ela poderia encontrar de redenção e salvação naquela vida.

Sara tinha tanto dela... E Nyssa não sabia como reaver os pedaços de si. Sara não ceifava almas, mas era a dona de seu coração. A herdeira poderia aprisionar essências e mudar destinos, mas Sara detinha o poder de despedaçá-la porque o seu coração estava nas mãos dela e nem todos aqueles meses mudaram esse fato.

– Eu não vim até aqui para pedir a proteção da Liga. — As palavras de Sara foram baixas e quase impossíveis de serem escutadas naquele silêncio denso que se interpunha entre elas. Nyssa, confusa pelas palavras de Sara, virou-se abruptamente para enfrentá-la. Seus olhos negros semicerrados encontraram Sara observando o chão, frágil. A assassina a observou erguer os olhos azuis lentamente, a inquietude e, principalmente, o medo a atingiram. Sara engoliu em seco e Nyssa deu um passo em direção a ela. — Eu vim a Nanda Parbat para pedir seu perdão, sua clemência e, principalmente... Eu vim até aqui para pedir por você.

As palavras de Sara encontraram Nyssa e penetraram em sua carne, cravando-se em seu coração. Seu cérebro lutava para compreender aqueles pedidos que não eram racionais nos milhões de cenários que ela imaginara para aquele reencontro. Sara estava pedindo aquilo porque precisava dela e não porque a queria... Era impossível que Sara a quisesse de volta, não fazia sentido. E por mais que ela repetisse tudo e repasse todas as atitudes anteriores de Sara em sua mente, seu coração estava batendo acelerado em seu peito e seus olhos foram ocupados por um discreto brilho que substituiu completamente o vazio escuro dos dias anteriores.

Naquele instante, Nyssa nutriu, inconscientemente, a esperança. Permitiu que ela penetrasse em seus poros e acalentasse seu coração. Porém, não se deixou levar muito longe e permaneceu imóvel. Sara fez mais um movimento e deu os dois únicos passos que as correntes que a prendiam permitiam e esgotada, continuou:

– Eu sei o que escolhi da última vez que nos encontramos... Mas eu não sou nada daquilo que achei que pudesse ser. Eu escolhi a Liga, eu tive você. Eu sou sua.

– Pare com isso! — Nyssa exclamou sôfrega, aproximando-se perigosamente de Sara que sequer deixou-se levar pela fúria que ela nutria. As duas olharam-se firmemente, travando uma luta mortal. Nyssa tinha o fogo queimando dentro dos olhos negras enquanto Sara lhe oferecia a calmaria em seus orbes azuis. A assassina respirava com dificuldade e Sara, mesmo diante do perigo, disse:

– Eu não estou lhe dizendo isso porque a quero do meu lado no campo de batalha. Eu estou lhe dizendo isso porque preciso que você me perdoe... Eu sei o quanto lhe custou me libertar e sei o quanto você teve que enfrentar por essa decisão. Mas eu também sei que eu não posso ir a lugar algum se você me amaldiçoou o bastante para querer ficar do seu lado.

– Eu lhe amaldiçoei?! — Nyssa questionou indignada, as mãos selvagens agarraram o corpo de Sara a puxando para perto. O cheiro da loira invadiu os olfatos da assassina, nublando ainda mais a sua racionalidade. Sara permanecia intocável e decidida. Forte, da forma como Nyssa a ensinara. — Você me tornou dependente de tudo que você representava. Eu cedi e entreguei a você mais de mim do que eu podia carregar e você jogou fora. Você foi embora quando tudo que eu queria era lhe ter por perto! Eu não sou capaz de dar um fim a sua vida, mas também, nunca vou admitir em voz alta o que você é para mim. O que você foi... O que você é vai ficar impregnado em mim, mas eu não deixarei que isso me corrompa. Eu não serei fraca de novo.

O silêncio, mais uma vez.

Nyssa deu as costas a Sara e recompôs-se da melhor maneira que pode. Caminhou em direção a porta, incapaz de sentir alguma coisa além de Sara. Entretanto, escutou o estrondo e também, os passos que a interceptaram no meio do caminho. As mãos de Sara a puxaram, bruscamente, pela cintura. Nyssa virou o corpo, pronta para se defender, mas seus lábios colidiram com os de Sara.

A assassina lutou o máximo que pode, mas seus golpes foram bloqueados e recebidos por Sara que se concentrou em beijá-la e fazê-la esquecer do mundo. Nyssa, exatamente como uma viciada, não resistiu à droga e logo a adrenalina a preencheu, entregou-se ao seu vício e envolveu-se no corpo de Sara. Beijou-a de volta e permitiu-se sentir o que era, até então, seu purgatório.

Nyssa sentiu os lábios de Sara deixarem os seus quando o ar faltou a ambas. A loira escorregou as mãos pelo seu robe e apertou os dedos em torno de sua cintura, a herdeira fechou os olhos e respirou fundo. Sara beijou-lhe o queixo e, rouca, murmurou:

– Por favor, me perdoe... Admita que ainda me ama porque é justamente isso que eu estou fazendo agora. Eu não estou escolhendo a Liga, muito menos, Starling City. Eu estou escolhendo você.

Nyssa tinha os olhos umedecidos quando acenou para Sara que sorriu, o sorriso brilhante que chegou aos olhos azuis e, mais uma vez, iluminou a existência escura da herdeira. Nyssa suspirou e juntou sua testa a de Sara, fechou os olhos e, sentindo mais um pouco de si ser entregue àquela mulher, respondeu:

Ana Behibak. *

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* “Eu te amo” em árabe (de acordo com o Google).

Notas finais
E aí? Estou perdoada pela demora? :X Espero que tenham gostado, comentem! Beijos e até a próxima, FerRedfield