Notas iniciais
Boa noite, pessoal! Como vocês estão? Desculpe pela demora, fiquei um tempinho sem internet... Tanto é que tenho que atualizar meus seriados Hahahahaha Aqui começa, oficialmente, a participação da Nyssa na season 2 de Arrow. Espero que gostem! Boa leitura! ;)

PARTE VI

“Who I am? Who are you? What are we anymore? Just the darkness in my life like a hole in the floor...”

(A Fool’s Dance, Phillip Phillips)

2013: Nanda Parbat

A noite caía nas montanhas do Tibet e os olhos escuros conseguiam apenas distinguir os contornos das enormes massas de terra que circundavam Nanda Parbat. Nyssa encarava o abismo, sentindo a imensidão escura dentro de si engolir toda a sanidade que ela adquirira naqueles quase cinco anos... Estava em uma espécie de torpor, de insensibilidade. Na verdade, a única coisa que conseguia sentir era o frio, era o mais humano que seu coração repleto de sombras conseguia sentir naquele momento.

O vento tocou seus ombros, ela arrepiou-se, mas não demonstrou reação alguma. Suas mãos tremiam enquanto apertavam firmemente o cabo de sua adaga. A ponta de seus dedos formigou e a sua ânsia de esmagar uma vida qualquer em suas mãos se fez presente. Sua respiração não vacilou quando um único filete de lágrima escorreu por sua face esquerda.

Seus pés agitavam-se perigosamente diante do abismo, secretamente, Nyssa desejava que aquele abismo pudesse engolir a sua existência. Sua certeza caíra por terra, aquilo que guiara suas batalhas mais recentes a abandonara... Naquele momento, Nyssa Al Ghul não sabia mais quem era. A assassina estava chorando à beira de um abismo com vontade de matar, a herdeira do demônio fora praticamente deserdada pelo pai e, principalmente, a mulher apaixonada tivera seu coração estraçalhado, sem piedade alguma, naquela noite.

Fechou os olhos apenas para que mais lágrimas caíssem de seus olhos. E para que as lembranças a atingissem mais uma vez. Em sua mente, olhos azuis materializaram-se e o sorriso brincalhão também, lentamente, sua mente reconstruiu a figura de Sara Lance com a precisão cirúrgica. Nyssa enxergou a sua Sara que, de fato, nunca lhe pertencera.

Nyssa salvara a vida de Sara e achava que era dona do coração dela, mas estava enganada... Existia um laço que era mais importante do que as duas sentiam, um laço que Nyssa corajosamente negara a existência, mas que Sara colocara acima de tudo. O laço familiar, a Família Lance. Esta era uma verdade que estava delicadamente inserida nos olhares perdidos da loira, na expressão desolada e nos pesadelos freqüentes em que, com tanta dedicação, Nyssa a consolara.

Nyssa negara o pai tão corajosamente, assumira o que sentira e, principalmente, lutara por ele. A herdeira perdeu todo o respeito conquistado na Liga para que pudesse viver em paz com Sara... E fora recompensada com uma negação de sua companheira. Sara, covardemente, a abandonara na escuridão da noite anterior.

Sara desertara. Abandonara aqueles que a acolheram. Deixara a Liga que lhe ensinara a sobreviver. E, principalmente, Sara abandonara Nyssa.

Os membros da Liga estavam procurando em cada desfiladeiro das montanhas do Tibet. No calor de sua fúria, Nyssa ordenara que eles encontrassem Sara de qualquer jeito, porém, a loira fora ensinada pela melhor... Nyssa sabia como se camuflar no meio de qualquer ambiente e passara isso a Sara. Ela jamais seria encontrada enquanto não chegasse ao seu destino.

Starling City.

A cidade que, naquele momento, estava embaixo de poeira e pedras por causa de um terremoto provocado pela loucura de um antigo membro da Liga. Ra’s estava furioso, não só pelo que Merlyn provocara, mas também, pela deserção de Sara. Nyssa sabia que, em situações como aquela, a Liga só exigia a morte daqueles que iam contra seu código de honra.

Em algum momento, Nyssa teria que ser punida pelo seu erro de julgamento. E não havia nada melhor do que ser enviada para a busca a Sara. A vida da loira se extinguiria pelas mesmas mãos que, um dia, salvaram-na na Ilha de Lian Yu. O destino de Nyssa estava traçado, ela teria que ser capaz de matar Sara ou acabaria morrendo pelas mãos de seu próprio pai.

“Sua alma será destroçada naquela ilha!”

As palavras daquele homem ecoaram em sua mente, os olhos negros derramaram mais algumas lágrimas diante do entendimento que, agora, possuía. Não fora somente sua alma que se perdera naquela ilha, desde que conhecera Sara, Nyssa estava presa em um purgatório em que todos seus pecados e todas as suas afrontas foram julgadas e ela, imperceptivelmente, foi condenada ao inferno.

Uma existência sem Sara. Uma despedida sem adeus. Uma vida no inferno sem ser a herdeira.

Nyssa estava confusa, desolada e, principalmente, machucada. Não sabia o que faria, só tinha consciência da dor que preenchia e devorava suas entranhas, consumindo seus órgãos como fogo em brasa, arrebentando seu coração em mil pedaços... Ela sequer tivera a chance de se preparar. Tão rápido quanto Sara trouxera um significado a sua vida, ela o levara sem que ela pudesse lutar a favor da vida dele.

Afinal, o que mais existia na vida de Nyssa?

Os pés balançaram-se perigosamente à beira do abismo. Nyssa encarou a escuridão que estava abaixo de suas pernas apenas para chegar à conclusão de que ela não era, por mais profundo que fosse aquele abismo, infinita quanto àquela que estava presente em seu interior. Um buraco negro estava sugando sua existência, seu demônio pessoal, afinal, conseguira arrancar sua alma e jogá-la aos carniceiros.

– Você não se assemelha à jovem que conheci, herdeira. — A voz de Al Owal soou distante, extremamente formal e como Nyssa percebeu, curiosamente, preocupada. Ela não olhou para o homem, seu punho fechou-se ainda mais em torno do cabo da adaga. Nyssa apenas olhou por sobre o ombro, a escuridão da noite a encontrou e seus sentidos aguçados escutaram quando o homem se aproximou dela. — Não importa o quanto você a ama, ela não merece ser querida por você.

– Veio aqui apenas para dizer que já havia me avisado antes? — Nyssa questionou sarcástica, a dor pesando e embebendo cada uma de suas palavras. Mais um filete teimoso escorreu por sua face, ela o limpou rudemente e continuou a observar o abismo. Al Owal se aproximou ainda mais, respeitando seu espaço, apesar de tudo. O assassino suspirou e disse sereno:

– Não é necessário lembrar-se do aviso que seus companheiros lhe dizem, Nyssa. Estou aqui para que você reencontre o sentido de sua existência, você se manteve viva antes e sem conhecê-la. Não a torne parte de sua vida, ela não era necessária naquela ilha e não é necessária agora.

A raiva finalmente se manifestou em Nyssa. Diante das palavras cruéis e verdadeiras de Al Owal, ela avançou cega de fúria atacando o homem que, com a frieza que lhe era característica, defendeu-se e deixou que ela o atacasse até ele jogá-la longe, no cascalho do Tibet. A poeira grudou na face de Nyssa que estava molhada pelas lágrimas de dor que ela derramara, os braços caíram inertes ao lado de seu corpo e ela desabou sendo imediatamente segurada por Al Owal.

O homem que, até então, era um de seus maiores adversários na Liga, aproximou-se desolado e a amparou em seus braços. Nyssa sentiu a preocupação dele enquanto a colocava em pé e removia a sujeira de seu rosto, o homem a observava preocupado e não ousava desviar os olhos dela.

Nyssa envergonhou-se de suas atitudes, pela primeira vez. Abaixou a cabeça e respirou profundamente, seu interior doeu pela ausência de Sara e pela ausência de si mesma. Al Owal ergueu seu rosto e até mesmo abriu um discreto sorriso ao dizer:

– Você já se recuperou de ferimentos piores, herdeira.

– Nenhum deles envolveu minha alma. — Nyssa respondeu imediatamente à fala dele, sem pestanejar. Deu às costas ao homem e voltou a encarar a imensidão escura, os contornos das montanhas eram imperceptíveis na noite, o céu estava escuro e nuvens pesadas se formavam acima de suas cabeças. Al Owal caminhou até estar ao lado de Nyssa e rebateu:

– A herdeira do demônio nunca teve uma alma, Nyssa Al Ghul...

As palavras de Al Owal fizeram Nyssa virar a cabeça rapidamente em direção a ele, o homem tinha um sorriso vitorioso nos lábios, sabendo que a intensidade de suas palavras atingiu Nyssa inteiramente. A mulher deixou que as palavras ecoassem em sua mente e a racionalidade as aceitou. O interior de Nyssa preencheu-se pela dor fria e agonizante, a dor contida que ela pretendia manter calada em seu peito.

Assim como todo o sentimento que, um dia, ela nutrira por Sara.

Al Owal suspirou e reassumiu a expressão séria, depois, virou-se para caminhar para as sombras antes de dizer:

– Irei atrás dela enquanto você recolhe seus pedaços, Nyssa... Lembre-se apenas de uma coisa: ninguém pode determinar o seu futuro enquanto você tem a alma dele em suas mãos.

As palavras dele fizeram Nyssa afastar-se do abismo e caminhar para junto dele. Al Owal a recebeu com um aperto nos ombros e ele logo se juntou à caravana que saía de Nanda Parbat.

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Dias mais tarde, a porta do quarto de Nyssa foi aberta bruscamente pela figura imponente de Ra’s Al Ghul. O homem a olhou superior e disse:

– Al Owal foi encontrado morto em Starling City.

– Suponho que esse é o momento em que você pretende me entregar aos meus demônios, não é? — Nyssa rebateu insensível, apanhando uma mala em seu guarda roupa e colocando algumas peças dentro dela. Ra’s impediu seus movimentos segurando-a pelo braço direito, Nyssa desvencilhou-se e apanhou uma das flechas, apontando-a para seu próprio pai. O mestre sorriu e proclamou:

– Não, querida. Esse é o momento em que eu lhe envio para proclamar algo que é seu, por direito. A alma dela lhe pertence, Nyssa. Você é a minha herdeira, traga-a de volta para a Liga ou coloque a alma dela junta às muitas que você carrega em seus ombros.

Ra’s saiu tão rapidamente quanto entrara. Nyssa deixou-se sentar em sua cama e envolveu-se mais uma vez na escuridão de seus sentimentos. A dor que ela havia contido finalmente extravasou e ela gritou, descontrolada.

Atravessou o quarto e apanhou a mala, colocando o sobretudo e o chapéu no corredor. Caminhou através do galpão enquanto as outras figuras da Liga a observavam, no centro dela, esbravejou:

– Eu preciso de alguns para me acompanharem. Vou reaver algo que me pertence.

Três figuras negras se materializaram a sua frente. As três silhuetas se curvaram diante da herdeira e disseram:

– Estamos aqui para lhe servir, herdeira.

Nyssa agitou o sobretudo em volta de si e eles a acompanharam. Quando saíram de Nanda Parbat, a caravana se separou.

E foi sozinha, dentro de um avião, que Nyssa permitiu-se encarar a noite europeia estrelada. Seus olhos estavam úmidos, mas não derramavam lágrima alguma. Ela respirou fundo e deixou que seus sentidos a guiassem. Não pensou duas vezes quando desembarcou.

Preferiu pensar que era só mais um trabalho. Só mais uma alma. Só mais uma pessoa.

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Notas finais
Gostaram? Estive meio receosa quanto aos sentimentos da Nyssa... Espero que tenha conseguido expressá-los bem e, principalmente, dentro da realidade da personagem. Comentem por favor, até a próxima, FerRedfield