A Demon's Fate
4 Parte IV
Notas iniciais
PARTE IV
“Touch me, yeah... I want you to touch me there. Make me feel like I am breathing, feel like I am human ...”
(A Little Death, The Neighbourhood)
2011: Rússia
Nyssa desviou-se de um soco e, no instante seguinte, sua mão direita já estava sobre o cabo de sua adaga. No próximo minuto, o homem que lutava com ela caía ao chão, morto, com o peito apunhalado certeiramente. Assim que o imenso corpanzil do homem caiu ao chão, Nyssa virou-se abruptamente para observar, de relance, Sara torcer o pescoço do seu combatente.
As duas apenas conseguiam enxergar os olhos uma da outra, mas Nyssa, mesmo assim, sorriu. Nyssa fez um pequeno sinal com a cabeça e Sara a seguiu, os mantos e capuzes negros da Liga se agitavam enquanto elas atravessaram o frio russo em direção a um bunker da antiga Guerra Fria.
– Existem três deles nos monitorando nesse momento... — Nyssa avisou impassível, sem dar o menor sinal de que sabia exatamente o que estava acontecendo. A experiência dela, facilmente, a fez perceber que estava tudo fácil demais. Sara procurou em meio à neve e logo seus olhos azuis encontraram os reflexos das lunetas das três snipers empunhadas na direção a elas. — E sim, eles têm snipers.
– E o que você sugere? Não chegaremos vivas ao bunker. — Sara comentou apreensiva enquanto olhava por cima dos ombros e caminhava mais atrás de Nyssa. A morena sorriu discretamente, a loira percebeu e ficou quieta. Minutos depois, Nyssa explodira uma granada, quilos de neve foram aos ares.
A explosão lançou o corpo de Sara para trás e logo Nyssa tomou a frente, protegendo-a como se fosse um escudo humano. Os tiros foram escutados, mas nenhum deles atingiu uma das duas.
Nyssa retirou três flechas de sua aljava, uma atrás da outra e elas, certeiramente, atingiram as gargantas dos atiradores em meio à neve que caía. Toda vez que estava presa na áurea de violência que envolvia um assassinato, Nyssa não conseguia enxergar muita coisa ao seu redor. Mas as coisas estavam, lentamente, mudando com Sara. Inclusive, podia sentir o olhar atento dela em cada movimento seu, assim como a apreensão dela diante do seu posicionamento em frente ao fogo cruzado. Sara estava preocupada.
Assim que o terceiro corpo caiu, Nyssa e Sara atravessaram os poucos metros que as separavam do bunker. Arrombaram a porta e encontraram com um único indivíduo ajoelhado. O homem, já de cabelos e barba brancos, murmurava uma prece em russo. Nyssa o observava com a expressão reflexiva, enquanto Sara a observava com curiosidade.
Segundos depois, o homem parou de falar e ergueu os olhos suplicantes para as duas. Nyssa o encarou e deu um sorriso de lado, repleto de maldade e malícia. O homem tremeu e jogou-se aos pés dela, pedindo súplicas em russo... Certamente, ele a conhecia e, provavelmente, conhecia seu pai.
Os pedidos de piedade não a amoleciam e, sim, fortaleciam suas certezas. Nyssa gostava do controle que tinha sobre a vida de suas vítimas, gostava de ser uma caçadora de almas... Gostava de brincar de Deus, gostava de ser a herdeira do demônio.
A seus pés, o homem ainda suplicava em russo. Nyssa riu discretamente e olhou para Sara, os olhos azuis estavam ilegíveis para ela... Pela primeira vez, não conseguiu determinar o que se passava dentro daqueles olhos. Porém, a sombra do desprezo passou nos orbes azulados quando Sara finalmente agiu e chutou o rosto do homem. O corpo dele bateu violentamente contra o chão, ele já sangrava profusamente.
Sara avançou furiosa em direção ao homem, sendo atentamente observada por Nyssa. Esta estava dividida entre o orgulho e a surpresa. Sara atacava o homem com uma violência que ela jamais vira, os punhos fechados esmurravam cada parte corporal do russo que ela podia encontrar... E havia aquela chama de fúria ardendo naqueles olhos azuis que, ao contrário do que o momento aparentava, eram o seu porto seguro.
O sangue espirrava pelo chão, murro após murro e os sons dos ossos faciais que se quebravam não conseguiam mistificar a audição de Nyssa. Ela tinha certeza que estava escutando a respiração acelerada de Sara entrecortada por um choro pseudo-silencioso de fúria.
Sara estava animalesca diante daquele homem. Tudo porque ele se jogara aos seus pés... Algo tão irracional fez nascer uma onda quente no corpo de Nyssa, essa se propagou em direção a todas as terminações de seu corpo, chegando, finalmente, em seu coração.
Nyssa removeu o capuz da Liga e recebeu Sara com um sorriso. Uma Sara que tinha respingos de sangue e os punhos manchados de sangue, essa Sara que removeu o capuz abruptamente e avançou com violência em sua direção.
O beijo chegou voraz, Nyssa abaixou a guarda e abandonou suas armas. Sentiu-se ser empurrada e seu corpo encontrou a parede do bunker com uma força além da convencional. Sara mordeu seu lábio inferior e abriu os olhos azuis que estavam elétricos... Ela suspirou e afastou-se ofegante, a expressão tinha a fúria silenciosa que guiara minutos atrás e o desejo latente do último beijo.
Ela se aproximou de novo e Nyssa sentiu tudo em volta de si esquentar... Ela estava queimando dentro das chamas de seu próprio inferno.
# # # # #
A névoa de desejo que escurecia os olhos de Nyssa e guiava suas ações não a deixou perceber e, muito menos, compreender como seu corpo fora levado de volta para o quarto de hotel. Somente percebeu onde estava quando suas costas bateram de encontro à fria porta de metal de seu quarto.
As mãos de Sara, tão hábeis para matar e torturar, estavam prendendo seu corpo, empurrando-a em direção ao abismo de prazer que somente ela podia lhe proporcionar. Os lábios de Sara mordiam seu pescoço e Nyssa procurava reagir enquanto sentia todo seu desejo elevar-se ao insustentável.
Ambas as mãos de Nyssa traçaram as laterais do corpo de Sara antes de enlaçarem a cintura da loira, possessiva e carnal como somente ela podia ser quando estava inebriada pelo desejo. No beijo, mordeu o lábio de Sara antes que ela pudesse se afastar para retomar o fôlego. Sentiu o corpo em seus braços se debater quando inverteu as posições e puxou-lhe os cabelos da nuca, Sara arqueou o pescoço e os lábios de Nyssa se apossaram dele. A herdeira sugou o ponto de pulso e, ofegante, próxima a pele pálida, perguntou:
– O que aconteceu com você hoje?
– Não me peça para explicar meus instintos, Nyssa. — Sara murmurou sôfrega, puxando o manto da outra violentamente e arranhando-lhe os ombros em seguida. Nyssa grunhiu de dor e mordeu a pele do colo de Sara que gemeu. Os traços vermelhos da violência do desejo de cada uma destacavam-se em suas peles. Sara puxou Nyssa pelos cabelos e os rostos foram postos ao mesmo nível, olhos azuis nublados encontraram os orbes negros de desejo. — Não me faça falar enquanto podemos fazer.
Nyssa sorriu cheia de malícia enquanto puxava as pernas de Sara para cima, ela rapidamente compreendeu o recado e envolveu-as em sua cintura. Às cegas, entre beijos e gemidos, Nyssa conseguiu encontrar a cama e jogou o corpo de Sara sobre os lençóis negros, o quarto estava escuro e ela conseguia apenas enxergar os contornos do corpo que se remexia embaixo do seu.
Sara manteve os olhos em Nyssa enquanto, lentamente, removia suas calças. A blusa preta simples também foi removida sobre o observar atento e repleto de malícia da morena... Nyssa não repetiu nenhuma das atitudes da outra, aproximou-se para beijá-la quando sentiu as unhas de Sara arranharem dolorosamente seu abdômen. A loira mordeu-lhe a bochecha e observou imperativa:
– Você ainda está vestida.
– Eu não percebi você querendo tirar minhas roupas. — Nyssa murmurou resistente, seus braços movimentaram-se e logo estavam embaixo das costas de Sara, obrigando-a a arquear o quadril em direção a sua boca. Nyssa beijou-lhe e lambeu-lhe o abdômen, escutando o ofegar cada vez mais intenso da respiração de Sara. Sua nuca foi arranhada e novamente foi puxada em direção a face da outra.
Os lábios colidiram mais uma vez, quentes e mais vorazes do que antes. As pernas de Sara envolveram o quadril de Nyssa e ela impulsionou o corpo para frente, a morena não se deixou cair ao colchão por pura teimosia e dominância. Sara terminou em seu colo, as mãos de Nyssa estavam presas em suas coxas e, lenta e sofregamente, subiram pela sua pele até alcançarem suas nádegas.
Sara sentiu o aperto possessivo em sua carne e ofegou na boca de Nyssa. A morena sorriu maliciosamente e mordeu-lhe o lábio inferior, puxando-a novamente de encontro aos seus lábios. Sara se viu sem oxigênio e sendo alimentada apenas pela saliva, pelos dentes e pela língua de Nyssa que não estavam mais concentrados em sua boca, mas em seu pescoço.
Nyssa sentiu sua pele arder quando as unhas de Sara arranharam seu ombro, o simples toque da ponta dos seus dedos no ponto que tanto pulsava na loira fez os níveis de desejo atingirem níveis insustentáveis. A morena sentiu seu corpo ser rudemente empurrado de encontro aos lençóis. Ao mesmo tempo em que caía, puxou os quadris de Sara de encontro aos seus, prontamente, Sara aproximou-se ainda mais de si.
O calor do corpo de Sara, assim como as mãos afoitas da loira, fizeram o corpo de Nyssa sobressaltar-se imediatamente. Nyssa apenas observou quando todas as suas roupas foram removidas e jogadas no chão do quarto.
Elas estavam em pé de igualdade agora. Não existia mais nada entre suas peles a não ser o calor. Estava frio do lado de fora, mas uma fina camada de suor formava-se na superfície da pele morena e da clara... Sara deixou que os instintos guiassem seu corpo, como sempre fora aconselhada a fazer.
E, naquele momento, seus quadris moviam-se em direção aos dedos de Nyssa que a acariciavam de uma forma tão delicada que não combinava com todos os pensamentos nublados de desejo que passavam em sua mente. Nyssa sorria enquanto sentia Sara pulsar de encontro a sua mão.
Na escuridão de seus desejos e na imensidão do sexo, ambas conseguiram sentirem-se humanas.
Nyssa olhou profundamente nos olhos de Sara enquanto, lentamente, o orgasmo a preenchia e ia, aos poucos, abrandando a escuridão desejosa que tomava os olhos azuis. O ofegar da respiração de Sara foi como uma jorrada de ar puro em seus pulmões. O tremer do corpo da loira foi imediatamente sustentado por seus braços fortes que tanto já mataram, mas que, naquele momento, apenas eram capazes de envolver o corpo que sucumbia diante da “La petite mort”...
Sara fechou os olhos mediante a observação atenta e até mesmo, admirada de Nyssa. A morena não desviou os olhos da face que estava serena, respirando lentamente e do corpo suado que estava relaxado sobre o seu. Nyssa retirou algumas mechas que caíram molhadas em frente ao rosto de Sara, a loira abriu os olhos e a imensidão azul, clara e límpida atingiu Nyssa por completo.
E a herdeira do demônio sorriu. Em momentos como aquele, o coração de Nyssa acelerava, seu interior gritava e a sua alma, ou pelo menos, o que restava dela acabava se manifestando. Sara era dona daquela pequena parte de si que ansiava, pedia e até mesmo temia.
Sara era dona do pouco de humanidade que existia dentro dela e, naquele momento, encontrando olhos azuis límpidos a observando... Nyssa compreendeu que Sara era muito mais, ela era a dona de seu amor.
# # # # #
Fale com o autor