Notas iniciais
Bom dia, pessoal! Tudo bem com vocês? Espero que sim. Aqui está mais um capítulo de "A Demon's Fate", esse mostra uma parte importante no relacionamento das duas... Eu espero que ele agrade a todos vocês porque foi extremamente difícil escrevê-la! Boa leitura!

PARTE II

“You keep me waiting for the promise that is mine. Please, stop debating... Please, stop wasting your time!”

(When The Body Speaks, Depeche Mode)

2009: Nanda Parbat

– Mais rápido! Mais força!

Nyssa esbravejou impaciente, caminhando ao redor daquela que já não era mais uma desconhecia. Observando-a lançar uma flecha atrás da outra e errar os alvos, miseravelmente, da mesma forma que estava errando há pelo menos duas horas.

Um ano havia se passado e as duas eram próximas, o mais próximo que uma relação “mestre-aprendiz” poderia determinar. Nyssa apenas sabia que o nome dela era Sara e que ela adotara Ta-er al-Asfer para a Liga. Como sempre, a curiosidade a aguçava, ainda mais se tratando daquela garota que ainda mexia misteriosamente com ela.

Naqueles 365 dias passados, muitos, perdidos com a recuperação física e psicológica de Sara, Nyssa viu nascer uma alma teimosa e forte, impossível de ser quebrada. Sara não permitia que ela se aproximasse e, também, não se abria. Nyssa queria desvendá-la e possuía, em meio a toda a sua obscuridade e escuridão, um desejo insaciável de protegê-la. Um desejo que ela procurava manter o mais calado possível, ignorando todo e qualquer pensamento pessimista em relação à sobrevivência de Sara na Liga.

Sara era sua pupila e logo deixaria de ser, caso não estivesse mortal o bastante para enfrentar outro membro da Liga dali a alguns dias, naquele que podia ser considerado o “batismo de fogo” da organização.

A garota olhou de esguelha para ela. Os olhos azuis que, anteriormente, lhe conquistaram por causa da fragilidade e do medo que traziam dentro deles, estavam escuros e repletos de uma fúria fria naquele momento. A postura estava ereta e tensionada, os sentidos de Sara estavam mais aguçados... Mas a fraqueza ainda podia ser enxergada através do tremor de suas mãos ao empunhar uma arma.

Nyssa respirou fundo, presa entre a preocupação e a impaciência. Assim que Sara parou os exercícios com arco e flecha, as duas olharam uma para a outra. De um lado, a reprovação de Nyssa semeada por aqueles sentimentos conflituosos que ela procurava manter em segredo e, do outro, Sara com sua fúria contida que exigia ser libertada. Nyssa abrandou a expressão, ato que só fazia perto dela e comentou mais calma:

– Eu não preciso reforçar o aviso. Você sabe que somente seu esforço vai evitar que você morra.

– Eu estou me esforçando! — Sara rebateu irritada, a fúria que deixava todo seu corpo tenso foi extravasada quando ela jogou o arco de lado e ele caiu ao chão, um baque curto e seco. Nyssa fechou os olhos, procurando encontrar calma e paciência. Sara afastou-se dela, os punhos fechados e o olhar perdido para os alvos. — Isso é o meu melhor, não há como melhorar!

As palavras derrotadas da garota fizeram Nyssa abrir os olhos abruptamente. A escuridão presente dentro deles flamejava, caminhou até o arco que Sara havia jogado e o arremessou de volta para a garota que, assustada, o apanhou por puro reflexo. Os movimentos de Nyssa estavam sendo guiados por uma força sobrenatural, tornando-a ameaçadora e violenta em cada atitude.

Nyssa viu a surpresa nos olhos de Sara quando ela mesma apanhou seu arco e as flechas de sua aljava e as lançou repetidamente e certeiramente em cada um dos cinco alvos que Sara errara nas últimas duas horas. Em cada flecha lançada, a expressão de Nyssa permaneceu dura e todo o seu corpo estava consciente apenas da flecha que era lançada. Ela pode, temporariamente, esquecer seus sentimentos e concentrar-se naquilo que fora criada para fazer.

Apanhou a sexta flecha e a mirou em direção a Sara. A garota encolheu-se, amedrontada. Novamente, a fragilidade nos olhos azuis atingiu Nyssa em cheio. A assassina, desconcertada, desviou um pouco a mira e a flecha foi lançada a centímetros da orelha esquerda de Sara, atingindo a parede às costas dela. Nyssa recebeu um olhar chocado que só a fez dar de ombros, friamente, explicou:

– Você não pode concentrar-se em duas coisas ao mesmo tempo. Ou você enxerga os alvos, ou você enxerga o seu passado. Ou você enxerga a morte ou você enxerga seus sentimentos. Não há lugar para meio-termo aqui, Sara. Ou você entrega-se completamente a isso ou vai morrer naquela arena.

Sara engoliu em seco e permaneceu calada. Nyssa não desviou os olhos dela, completamente intocável diante das duras palavras que saíram de sua boca. Inconscientemente, Nyssa dera voz às palavras que estava repetindo incansavelmente em sua mente desde quando conhecera Sara.

As duas permaneceram em silêncio. Nyssa desviou os olhos de Sara e voltou-se para as flechas que estavam certeiramente fincadas em cada alvo, seu coração estava acelerado e sua respiração estava ofegante, sensações que ela não costumava lidar quando empunhava uma arma. Sensações tão humanas que não cabiam bem para uma pessoa como ela.

Escutou um barulho atrás de si e Sara estava, novamente, com o arco em mãos. Ainda estava trêmula, ainda estava frágil, mas existia um pouco mais de insistência em seus olhos. Nyssa suspirou e abandonou o próprio arco e a aljava, posicionando-se às costas da jovem. Sara tremeu quando as mãos frias de Nyssa tocaram sua cintura, a assassina pigarreou e murmurou:

– Relaxe. Esqueça de qualquer coisa existente fora dessa sala e não escute nada além da minha voz. Concentre-se apenas na tensão aplicada no arco e no peso da flecha em seu poder...

Sara ao menos parara de tremer e Nyssa sorriu discretamente diante do efeito que possuía sobre ela. A assassina tocou-lhe os ombros delicadamente e continuou:

– Sinta o vento tocando sua pele. Marque as batidas de seu coração e a freqüência com a qual respira... E solte a tensão do arco entre uma batida e outra, lentamente.

Sara remexeu-se em sua posição e Nyssa afastou-se dela. No segundo seguinte, Sara finalmente libertou a flecha que, precisamente, atingiu o alvo mais distante delas. Sem conseguir se conter, o interior de Nyssa foi preenchido por uma energia quente que se tornou ainda mais insustentável quando Sara, enfim, virou-se para ela.

As duas se olharam e Sara abriu um sorriso orgulhoso, Nyssa não se conteve e sorriu discretamente para ela, entregando-lhe uma nova flecha.

O toque entre as duas peles foi inevitável e Nyssa surpreendeu-se quando seu corpo falou mais alto que o seu controle e, ela sentiu os pelos de seu braço arrepiarem. Sara, envergonhada, corou discretamente e voltou a se virar para os alvos. Nos próximos minutos, ela acertou todos com uma precisão impressionante.

Quando a última flecha foi lançada, de mãos vazias, as duas se encararam. Nyssa logo desviou os olhos e procurou se concentrar nas próximas armas que entregaria a Sara. Porém, Sara a pegou desprevenida quando, insegura, murmurou:

– Obrigada, de novo.

Nyssa não respondeu e não sorriu, incapaz de pensar em algo, tentando, em vão, controlar toda a irracionalidade que passava através dela. Sara precisava desvencilhar-se dela, assim como Nyssa precisava que ela se tornasse outra pessoa. E a única coisa que podia mudar tudo aquilo era o ódio. Portanto, Nyssa estendeu o bastão Bō para ela e ameaçou:

– Eu não vou errar dessa vez,

Nyssa não acreditou nas próprias palavras assim que as mesmas deixaram sua boca, naquela instante, diante da fragilidade de sua ameaça, compreendeu que seria incapaz de desgarrar-se de Sara. A jovem olhou confusa e traída para ela, mas apanhou o bastão e o girou em suas mãos. Nyssa deu às costas a ela e respirou fundo, depois, virou-se abruptamente e sacou sua adaga, partindo para cima de Sara que, corajosamente, defendeu-se e contra atacou.

Enquanto tentava golpeá-la, Nyssa enxergou os olhos azuis serem embriagados pela paixão e pela força. Depois, eles foram tomados pela sobrevivência e, por fim, pelo ódio. Nyssa escutou o choro raivoso da jovem ao golpeá-la. Sara finalmente estava lutando pela própria vida, ali, naquela sala. Nyssa sentiu o primeiro laço que as unia ser destruído quando Sara a venceu e conseguiu atingi-la com um golpe na face.

Nyssa ergueu-se do chão com dificuldade enquanto sangrava e observou atônita aquela jovem que, naquele momento, não parecia em nada com aquela que encontrara nas areias da Ilha de Lian Yu. E que, inexplicavelmente, era ainda mais tentadora do que aquela Sara frágil que despertara nela a humanidade.

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O corpo caiu ao chão com um baque seco e quase inaudível. Minutos antes, existiam duas pessoas lutando pela própria vida naquela arena. Agora, apenas uma figura encapuzada permanecia em pé. Assim que o pescoço foi quebrado, Nyssa observou a figura que restara retirar o manto da Liga e revelar cabelos loiros e um olhar gélido que, imediatamente, voltou-se em sua direção.

Nyssa sustentou o olhar por alguns minutos, até ser incapaz de encarar a escuridão que ocupou os olhos de Sara logo após o seu primeiro assassinato.

– Você jura fidelidade eterna à Liga dos Assassinos, Ta-er al-Asfer?

A voz de Ra’s al Ghul fez Nyssa voltar à realidade. A resposta de Sara veio tão rápido quanto o primeiro assassinato que ela cometera. A jovem acenou com a cabeça e, em meio a alguns aplausos que recebera, saiu da arena.

Nyssa ignorou os chamados do pai e saiu ao mesmo tempo, encontrou Sara parada do lado de fora, a cabeça baixa e lágrimas escorrendo pelos olhos que observavam o sangue que ela, pela primeira vez, trazia em mãos.

A assassina nunca soube explicar racionalmente o que aquela visão provocara em si, muito menos, tentou compreender a sua atitude seguinte.

Nyssa apenas caminhou até Sara e limpou-lhe as mãos ao envolvê-las com as próprias, o sangue tocou a sua pele e ela sequer notou, acostumada com o líquido vermelho que vira tantas vezes. Sara ergueu os olhos para ela e ali estava a fragilidade que Nyssa encontrara pela primeira vez.

Guiando-se pelos seus instintos que desde sempre conduziram suas atitudes e determinaram seus sucessos, Nyssa a envolveu em um abraço. As palavras não chegaram aos seus lábios, procurou concentrar-se nas mãos que apertavam violentamente seu corpo e que, pediam, em silêncio, o consolo que ela era incapaz de dar naquele momento.

Nyssa abraçou a dor de Sara junto ao seu corpo e, ao mesmo tempo em que Ta-er al-Asfer nascia, Nyssa al Ghul mudava, para sempre.

Notas finais
O que acharam? Expressei-me bem diante das mudanças para a Sara e para a Nyssa? Espero que sim, aguardo comentários! Aliás, muito obrigada a Carol B e Daughter of Fortune pelos comentários tão carinhosos *-* No mais, até a próxima, FerRedfield