A Décima Terceira Esposa

2 Beleza e Sofrimento


Notas iniciais
Soooooooooooooooolta negada, Cheguei com mais um cap prontinho para vocês. Como foram os quinze dias? Eu amei os comentários que vocês deixaram no primeiro cap, eu li cada um e quando me der tempo procurarei respondê-los. Vcs arrazam demais. Então, cap de hoje muitas coisas acontecem, então vamos com calma com o andor que o santo é de barro! Sobre atualizações e informações adiantadas sobre minhas fics, as fics da DiAngelo e outras coisas da vida, só procurar a gente lá na page. Segue o link: https://www.facebook.com/sociedadeprovadoresgaspacho/ Vamo q vamo

Quando completei doze anos, minha mãe decidiu que eu precisava estudar para me tornar alguém importante, enquanto meu pai queria me proteger das pessoas. Quanto a mim? Eu apenas tentava manter viva em minha memória aqueles momentos especiais que eu vivera ao lado daquele menino que eu nunca mais vira. De toda forma, meu destino estava tão certo quanto o cair das folhas naquele outono.

Ele veio, numa noite que o céu estava desagraciado pela falta da lua, em uma carruagem se aproximou de nossas terras, uma cheia de pompa e riqueza. Eu estava do lado de fora, pegando água do fosso, quando daquela carruagem desceu uma mulher. Eu já imaginava que tão incrível carruagem tinha saído dos meus sonhos, então, quando vi aquela mulher usando um kimono tão belo e tão brilhante, por um segundo acreditei que estava dormindo.

Ela era loira, os cabelos bem arrumados num coque admirável, com adornos que cintilavam a cada passo, como se fossem estrelas, e nem seu kimono muito bem ajustado conseguia esconder seus fartos seios. Em sua mão, atrás de suas unhas garbosamente pintadas de vermelho, estava um lindo leque com desenhos de meninas dançando com o vento. Gentilmente colocado em seus braços estava algo aparecido com uma capa de pele de algum animal muito peludo e muito bonito. Uma mulher e tanto, devo dizer.

A mulher me viu, mas desviou o olhar quando eu corri para dentro de minha casa. Fiquei na cozinha, por ondem de minha mãe, mas não pude evitar de ouvir a conversa que acontecia na sala, regada a chá. Eu queria saber quem era aquela mulher.

—Boa noite, Minato e Kushina. — falou alto, sem restrições — Como me pediram, aqui estou! O que querem com tanta urgência que me faz seguir para esse lugar tão afastado?

—Precisamos que cuide de nosso filho, Tsunade-sama. — disse meu pai — Pagaremos, se for preciso, mas leve-o daqui… Já não é mais seguro para ele, como nunca foi para mim. — a voz de meu pai soava muito preocupada. — Ele sabe o que é, mas não entende a dimensão disso.

—Compreendo… — a mulher baixara o tom de voz.

—Em respeito a Jiraya, padrinho de Naruto, por favor, Tsunade-sama, leve-o daqui, proteja-o, Naruto é um bom menino e muito respeitador, ele vai aprender tudo o que ensinar… — era minha mãe e sua voz estava embargada — Só leve-o daqui… Há dois anos um grupo de caçadores do país vizinho tentaram sequestrá-lo, mas Naruto foi salvo pela providência divina… Desde então, andamos ouvindo rumores de novos ataques…

Então silêncio.

—Eu o levarei… — Tsunade falou — Lhes custará apenas o valor da travessia pela fronteira e a produção do documento oficial de venda. — disse e ousei arriscar uma olhadela para dentro da sala — Levarei a criança para o meu okiya e lá eu cuidarei melhor dele. — eu arregalei meus olhos e engoli em seco — Eu estou atualmente na Cidade Imperial, lá ele ficará seguro.

Cidade Imperial? Voltei para dentro da cozinha, indo até a pia e buscando um pouco de água, para tentar entender essa possibilidade. Se eu não me engano, o colete e os protetores do meu salvador tinham símbolos pertencentes a realeza. Meu pai o tratou como um lorde. E se lá ele morasse? Talvez fosse a minha chance de revê-lo. Meu coração palpitou mais forte e eu senti a centelha da esperança se reacender em meu corpo. Talvez eu visse o menino! Será que ele se lembraria de mim?

Era uma oportunidade que os deuses me enviavam.

Meu pai apareceu dentro da cozinha, sorrindo de forma dolorosa para mim. Franzi meu senho quando ele sentou-se a mesa e fez um gesto para que eu me aproximasse. Seu olhar não me parecia transparecer sentimentos bons. Era plena preocupação.

—Naruto, meu filho, eu preciso lhe conta uma coisa.

Temi que ele fosse dizer o que eu já tinha ouvido. Engoli em seco e me sentei a mesa também, perto dele. Meu pai sorriu e segurou as minhas mãos.

—Sim, papai… — falei baixando meu olhar.

—Lembra-se do seu padrinho? O senhor Jiraya? — eu assenti — Antes de morrer, o seu padrinho se envolveu com uma senhora muito distinta dona de uma casa de chá muito famosa em nosso país. Ela foi como uma esposa para ele, os dois se amaram bastante, como eu amo a sua mãe… Ela é como sua madrinha, entende?

—Sim papai. — o tom daquela conversa não me parecia muito promissor, aliás, aquela noite não parecia significar boas coisas. — Eu entendo sim.

—Talvez você tenha que morar com ela a partir de hoje, meu filho, para sua própria proteção, talvez você nunca mais retorne a esse lugar. — eu engoli em seco, estremecendo completamente com as palavras de meu pai.

Minha felicidade foi por terra quando entendi o real motivo que eu estava sendo “vendido”. Meus pais queriam me proteger, cuidar de mim, evitar que problemas como o de dois anos atrás, por causa da minha condição de nascimento.

Apertei a mão na altura do meu peito e entendi que não era a oportunidade que eu queria, talvez eu visse o menino, talvez não. Talvez eu ficasse preso dentro do okiya de Tsunade-sama até os últimos dias de minha vida, escondido do mundo. Eu não podia esperar mais do que isso. O destino fora generoso comigo até agora, mas parece que ele deixará de ser. Não pude evitar algumas lágrimas tristes. Eu seria privado de minha liberdade e da companhia de meus pais.

—Quer dizer que eu vou embora, papai… E nunca mais poderei voltar? É porque eu sou o que sou, não é? Por eu ser diferente das outras pessoas… — eu senti vontade de chorar, mas não chorei. Se a minha partida fosse deixar meus pais em segurança, então eu não choraria.

—Sim, Naruto e espero que compreenda bem a situação. Estando longe de nós, você ficará seguro e, ao mesmo tempo, estará nos protegendo, pois sabe que as pessoas vem até nós apenas para saber de sua existência. — meu pai tomou as minhas mãos e as apertou com força — Eu não queria que esse dia chegasse, Naruto, mas chegou e, infelizmente, não há mais nada que eu possa fazer para te proteger… Perdoe-nos…

Levantei-me da cadeira e saltei para o colo de meu pai, abraçando-o com força. Por minha causa eles podiam morrer? Era ainda mais assustador do que antes! Tão logo eu me encolhi no colo de meu pai, minha mãe entrou na cozinha e entendeu com sabedoria o motivo de minhas lágrimas, enfim, derramadas. Eu não pude dormir naquela noite, arrumar a minha mala para viajar nunca fora tão doloroso como naquele momento.

Com os primeiros raios do sol, depois de dar longos abraços em minha mãe e ouvir os últimos conselhos de meu pai, eu deixei as terras onde nasci com a real sensação de que eu nunca mais voltaria. Em minha companhia, estava aquela bela senhora e nós seguíamos pela estrada de terra que levava para a zona urbana usando a carruagem.

Meu coração palpitava lento, meio vazio, triste com ver o bosque onde eu tanto brincara ser deixado para trás, juntamente com as minhas lembranças e com os meus pais. Eu não chorei mais, mas meu coração se partia em pedaços. Viajei quieto, apenas segurando com firmeza o último presente que minha mãe me dera. Um leque feito de madeira branca que fora passado de geração em geração de Uzumakis. O leque de meu clã.

A senhora Tsunade me observava, mas nada dizia, parecia avaliar a situação a qual eu me encontrava, talvez pensando no que poderia ser feito de mim. Eu nada sabia e nada mais esperava. Adormeci na carruagem e tive sonhos com os quais não me lembro, mas acordei no dia seguinte, já na cidade imperial.

Não pude deixar de me encantar com a grandiosidade do lugar. Eu, sempre acostumado com a natureza e com casas distantes umas das outras, mal conseguia acreditar na quantidade de prédios e tantas casas bonitas. Como estávamos numa colina, onde ficava o que me pareceu ser um dos portões das grandes muralhas que circundavam a cidade, eu pude ver que bem ao centro estava o enorme castelo que dava nome a cidade.

O Castelo do Imperador. Arregalei meus olhos com sua imponência e grandiosidade. Eu nunca tinha visto um castelo em toda a minha vida, ao estilo imperial japonês. Senti a mão da senhora Tsunade e eu fitei-a.

—Aqui será o seu novo lar. — ela me fitou e sorriu — Para sua proteção, você é meu mais novo escravo e irá trabalhar para uma casa de chá. Nada mais que isso. — eu assenti e nós voltamos para a carruagem.

Seguimos pelas ruas da cidade, as ruas eram de pedra e em cada esquina havia um soldado bem armado, alguns deles sorriam para os transeuntes, outros se mantinham sérios e quietos, mas todos eles exibiam com orgulho o Selo Imperial no peito. Será que pertencia a mesma família daquele menino? Voltei-me para a senhora.

—Diga-me, Tsunade-sama. — ela me fitou, fechando seu leque — O Selo Imperial… — apontei para um soldado aleatório — A qual família ele se refere?

Ela sorriu para mim e manteve-se em silêncio. Eu ainda quis lhe questionar mais, no entanto seus olhos me diziam que eu tinha que ficar quieto e apenas esperar. Assim o fiz, mesmo sentindo-me incomodado e desconfortável com todo esse silêncio.

—Estamos no Hanamachi. — disse-me Tsunade — Aqui estão as casas onde todas as geishas vivem, bem como as casas de chá. Você jamais deve deixar esse bairro sem minha permissão, tampouco andar por ele sem uma companhia de minha confiança. Entendeu?

—Sim, Tsunade-sama. — virei-me para a janela de novo e esperei mais uma vez em silêncio o nosso destino chegar.

Depois de mais trinta minutos de viagem, a carruagem parou e eu fui levado para dentro da casa de chá da senhora Tsunade. Eu usava as roupas de lavra a terra, então logo me senti estranho ao ver belas moças vestidas de forma tão elegantes, caminhando para lá e para cá pelos arredores do lugar, já que na minha condição de escravo eu não podia entrar. Fui levado para os fundos da casa de chá, onde havia uma casa guardada por grandes carvalhos.

—Aquele será o seu novo lar. — Tsunade apontou para a casa no típico estilo japonês tradicional, com uma fonte na entrada, e um de segundo andar. — Aquele é o meu Okiya. — paramos a marcha no meio do caminho e eu olhei para as duas estruturas de madeiras — E aquele é o meu Ochaya. Você, como escravo, terá como função limpar o Okiya. Não deve importunar as geishas e nem falar com os meus clientes. — ela me fitou e eu assenti com veemência — Não deve, também, erguer seu olhar para ninguém, sempre de cabeça baixa e com os cabelos cobertos, para que ninguém te reconheça.

—Sim, Tsunade-sama. — respondi sem forças.

Ela se abaixou, colocando-se de joelhos diante de mim, porém quase se sentando sobre os calcanhares, para poder me olhar nos olhos. Afagou-me os cabelos e me puxou para um abraço apertado, afagando-me as costas. Suspirei e descansei meu rosto sobre seu peito.

—Não se preocupe, menino, esta fase ruim passará. É apenas momentâneo. — ela me segurou pelos ombros e me fez olhá-la. Tsunade ainda sorria de modo gentil para mim. — Pense que aqui aprenderá e protegerá seus pais de homens como aqueles que tentaram lhe sequestrar anos atrás. — pisquei e sorri para ela, me sentindo um pouco melhor — Ficando aqui e tornando-se meu aprendiz, poderá cuidar de sua família.

Sorri mais para ela e Tsunade se levantou, chamando um senhor e pedindo que ele me levasse para onde eu ficaria alojado pelos anos que se seguiriam.

Tsunade não era simplesmente uma exímia empresária, ela era uma das mais famosas geishas de toda a Cidade Imperial. Por não poder abandonar seus estabelecimentos, todos aqueles que desejavam sua companhia ou queriam assistir às suas apresentações, vinham para o Ochaya. Com isso, as geishas do Okiya também tinha oportunidade de mostrar seus dotes e assim ganhar com isso.

Na minha nova condição de vida, tudo havia uma hierarquia e todos deviam segui-la para que todo o lugar funcionasse harmonicamente, do contrário ou se era punido ou se era posto para fora, como um cão sem dono.

Eu estava no nível mais baixo, como escravo de uma geisha, nos quais os ganhos eram apenas para pagar o que eu comia e a roupa que eu usava. Todo trabalho braçal e de limpeza era feito por mim e por mais alguns escravos que haviam por ali. Logo após, estavam as assistentes. Mulheres responsáveis por cuidar das vestimentas e de arrumar as moças que iriam se apresentar nesse ochaya, ou em qualquer outro lugar. Mais acima estavam as maikos, aprendizes de geisha, jovens moças que sonhavam com a vida voltada para as artes e para o mundo misterioso das geishas. Em segundo lugar, estavam, obviamente, as geishas, que pagavam para utilizar os kimonos pertencentes a Tsunade, bem como de todos os privilégios que o lugar poderia oferecer. Naturalmente, o mais alto posto era da própria Tsunade, okaa-san e geisha mais respeitada da casa.

Todos os dias eu acordava cedo e dormia tarde, completamente envolvidos nos afazeres da casa, mas eu podia acompanhar um pouco o dia-a-dia das geishas e estudar os seus costumes, entender como era a vida delas. Seis meses se passaram desde o dia que eu chegara a Cidade Imperial, meus pais estavam em paz e seguros, torcendo sempre por mim com votos positivos, então pude aproveitar minha estada, mesmo sendo um escravo. Não havia nada mais belo nesse mundo do que geishas flutuando ao dançarem.

Vê-las assim era uma mistura de sonho com realidade, pois realmente era difícil a vida de uma moça que queria se tornar uma geisha, ela tinha que passar por muitas provações e muitas restrições. Era como domar um cavalo selvagem: levava tempo e muita dedicação.

Eu já me pegara algum par de vezes imaginando como seria se eu estivesse vestido e arrumado como elas, se eu fizesse parte desse mundo mágico regido pela arte e pela dor, dançando ao movimentar graciosamente os leques. Eu mal começava meus sonhos, para dar fim a eles. Um homem não podia ser uma geisha.

—No que tanto pensa, Naruto? — indagou-me Tsunade, me assistindo esfregar o chão de seu quarto enorme. Eu parei e fitei-a.

—Nada, senhora, apenas sonhava.

—Com o que? — ela se aproximou e se sentou na cama.

Fiquei meio envergonhado de lhe contar de meu desejo impossível, mas cheguei a conclusão de que não havia mal algum, uma vez que não se realizaria.

—Estava me imaginando vestido como uma geisha, dançando e conversando com os nobres, usando aquelas maquiagens e os lindos kimonos.

Ela me olhou com demora, analisando-me e eu logo tornei a limpar, querendo dissipar o ardor que se apossara de meu rosto. Não queria pensar nas implicações de minha confissão. Ela riria de mim, julgaria-me um tolo por querer algo que nunca terei, algo que não combina com a minha condição natural. Ouvi seu riso e a olhei de canto.

—Para se tornar uma geisha, Naruto, para alguém que nada tem se tornar uma geisha, é preciso que essa pessoa tenha um propósito muito valoroso, que a motive a seguir sempre em frente, sem jamais desistir. — parei o que fazia, sentei-me em meus calcanhares e a fitei melhor — Uma geisha sempre canta para alguém, sempre dança para alguém, sempre toca para alguém… Uma verdadeira geisha, no mais profundo de seu coração, tem alguém especial para quem ela dedica cada dia de sua vida. — ela sorriu — Existe alguém em seu coração que seja digno de toda essa dedicação?

Baixei meu olhar para pensar a respeito. Meus pais? Sim, eu faria tudo por eles, mas, de repente, algo me ocorreu. Uma lembrança, que eu fizera questão de nunca esquecer. O meu aniversário de dez anos, o menino que me salvara e sua companhia que me fazia sentir bem, aquele menino que me encantara surgiu em minha mente.

Mordi meu lábio ao me imaginar usando um finíssimo quimono de seda, movendo-me pelo palco, enquanto fazia dos leques as minhas asas, ao som de um afinado shamisen, indo e vindo, girando e deslizando, mas sempre meus olhos encontravam os daquele menino. Eu dançava para ele e somente para ele. E ele olhava só para mim. Ouvi um pigarro e recordei-me que Tsunade ainda estava aqui, esperando a minha resposta. Fitei-a e assenti.

—Então realmente existe. — ela continuava sorrindo para mim — Um alguém muito especial, não é? — assenti de novo — Então eu mesma lhe ensinarei.

—Mesmo eu sendo um menino posso ser uma geisha? — indagou, um pouco confuso.

Tsunade riu e abriu seu leque num movimento que acabou me assustando.

—Será o disfarce perfeito. Ninguém desconfiará que por trás de pó e de leque há um menino da sua estirpe, que dançará e encantará a todos. — ela sorriu por trás do leque — Talvez eu possa explorar um pouco de seus dons...

Naquele momento eu senti que a oportunidade que eu procurava para rever aquele menino finalmente me fora dada e eu a agarraria com todas as minhas forças.

Notas finais
Naruto vai virar geisha, negada?! E aí? E o menino que salvou ele? Será que ele encontra? Tantas perguntas e um só cap. Dá vontade de ler lendo pipoca. Até a próxima, negada.