A Cura

13 Union - A Cidade Perfeita



Alguns dias se passaram até que Jeongin finalmente desembarcasse no aeroporto de Moscou, Rússia. O ar frio bateu em seu rosto assim que atravessou as portas de desembarque, mas foi rapidamente distraído por uma figura ruiva acenando com uma plaquinha onde se lia seu nome: Dr. Yang Jeongin.

— Olá, você é o Doutor Jung? — perguntou Jeongin, aproximando-se com uma expressão cordial.

— Sim, sou o Hoseok — respondeu o ruivo com um sorriso simpático — Sou o assistente do Dr. Ivanov. Bem-vindo à Rússia, Dr. Yang. Estarei acompanhando você e o restante da equipe daqui pra frente.

— Equipe? — Jeongin arqueou uma sobrancelha, surpreso.

— Ah, sim… — Hoseok fez um gesto com a cabeça e olhou para o lado. Jeongin seguiu seu olhar e viu um rapaz alto, encostado em uma pilastra, de braços cruzados. Os cabelos loiros e lisos caíam até a altura do queixo, o olhar sereno e firme contrastava com sua aparência elegante.

— Esse é o Doutor Hwang. Ele também fará parte da sua equipe.

— Prazer em conhecê-lo, Dr. Yang. Mas me chame apenas de Hyunjin — disse o loiro, aproximando-se e estendendo a mão.

— O prazer é meu, Hyunjin. Pode me chamar só de Jeongin — respondeu ele, sorrindo com um toque de timidez enquanto apertava a mão do outro.

Hoseok os observava com um ar satisfeito.

— Tenho um bom pressentimento sobre vocês dois — comentou, piscando com leveza — Venham. Vou levá-los aos seus aposentos e apresentar Union. Aposto que vão se encantar com a cidade perfeita.

Entraram no carro e seguiram viagem rumo à misteriosa Union, uma cidade isolada nos arredores de Moscou. À medida que se afastavam do centro urbano, a paisagem mudava radicalmente. Prédios desapareciam, o sinal de celular oscilava, e tudo ao redor passou a ser apenas vegetação densa, pinheiros altos e uma estrada estreita e silenciosa. Não parecia haver sinal de vida por quilômetros.

Jeongin mantinha os olhos curiosos na janela, mas, vez ou outra, espiava discretamente o homem sentado ao seu lado. Hyunjin, por outro lado, parecia alheio a tudo, concentrado em um livro de capa preta que lia com seriedade. Não trocara mais que duas palavras desde que entraram no carro. Ainda assim, Jeongin sabia, pelo leve franzir do cenho e pela forma como os olhos do loiro desviavam sutilmente da página, que ele percebia cada um de seus olhares.

A viagem foi longa e em silêncio quase absoluto, até que, depois de horas cruzando aquela paisagem desolada, Hyunjin finalmente ergueu os olhos do livro, curioso com o que via pela janela.

No horizonte, algo monumental surgia entre as árvores: muralhas. Enormes estruturas de cimento, absurdamente altas, cercavam um perímetro vasto. Não se via onde começavam nem onde terminavam. Eram sólidas, sem janelas, pareciam pertencer mais a uma fortaleza militar do que a uma cidade. Jeongin arregalou os olhos, tirando os fones de ouvido, encantado com a visão.

— Esse lugar é gigante! — exclamou, quase colado ao vidro, como uma criança diante de um castelo.

Hyunjin lançou um olhar rápido para fora e murmurou, seco:

— É o que parece.

Sem tirar os olhos da janela, Jeongin franziu o nariz, fez uma careta e pensou em silêncio: “Idiota”. Voltou a encarar a muralha, tentando ignorar a frieza do colega e também o leve arrepio que subiu por sua espinha.

Ao chegarem, o carro atravessou os imensos portões de aço das muralhas. A segurança era visivelmente rígida, guardas armados patrulhavam as passarelas elevadas, e câmeras acompanhavam cada movimento. A entrada exigiu uma série de protocolos, documentos, escaneamento facial, revista completa. Hoseok lidava com tudo com tranquilidade, como quem já estava acostumado. Jeongin e Hyunjin receberam crachás provisórios e puderam, enfim, seguir em frente, ainda no conforto silencioso do carro.

À medida que adentravam Union, seus olhos varriam cada detalhe com espanto e curiosidade. A cidade era surpreendentemente limpa, quase artificial em sua perfeição. Não havia lixo nas calçadas e nem pichação. As ruas eram impecáveis, os carros se moviam com precisão quase coreografada, obedecendo aos sinais com um rigor quase inumano. Era como observar uma maquete viva, perfeitamente funcional.

Embora a cidade ainda estivesse longe de atingir sua capacidade total, algumas pessoas podiam ser vistas indo e vindo: mães com crianças, trabalhadores bem vestidos, jovens atravessando ruas com mochilas nos ombros. Tudo parecia... normal. Mas talvez normal demais.

Passaram pelo centro comercial, onde prédios modernos se erguiam com fachadas de vidro refletindo o céu acinzentado da Rússia. Um grande shopping se destacava ao fundo, e Jeongin não pôde deixar de notar uma escola com alunos entrando ordenadamente, nenhum grito, nenhuma correria. Só silêncio e rotina. Havia academias, bares, supermercados, tudo que uma cidade precisa para funcionar. Mas tudo parecia novo e estranho.

A zona residencial era quase surreal. Milhares de casas idênticas enfileiradas lado a lado, todas com cercas brancas e jardins perfeitamente aparados. Union era uma cidade plana, sem ladeiras, e lembrava aquelas cidades cenográficas de filmes americanos, bonitas demais para serem reais.

Por fim, afastando-se das áreas residenciais, chegaram diante de uma construção colossal: um centro de pesquisa imponente.

— Enfim, chegamos — anunciou Hoseok, estacionando o carro com um sorriso tranquilo no rosto, como se estivesse apresentando uma joia rara. — Bem-vindos ao coração de Union.

Hyunjin fechou o livro com calma e o guardou na mochila. Seu semblante permanecia neutro, quase entediado, ou talvez apenas reservado. Já Jeongin mal conseguia conter a empolgação. Espreguiçou-se com energia assim que saiu do carro, e seus olhos brilharam ao encarar o imponente edifício diante deles.

A estrutura era surpreendente, um prédio inteiramente branco, com detalhes espelhados que refletiam o céu nublado como se fossem portais para outro mundo. Era o tipo de construção que parecia ter vindo do futuro.

— Mal posso esperar pra começar a trabalhar aqui! — exclamou Jeongin, deslumbrado.

— Legal — respondeu Hyunjin, seco, sem sequer levantar o olhar.

— Vai ser uma grande oportunidade pra nossa carreira, né? — continuou Jeongin, tentando puxar conversa.

— Hum… é… — murmurou o outro, ainda sem muita emoção.

Jeongin suspirou e revirou os olhos discretamente, desistindo de puxar papo. Saiu correndo para alcançar Hoseok, que caminhava um pouco à frente, e passou a enchê-lo de perguntas. O ruivo, sempre simpático, respondia com paciência e um sorriso tranquilo, parecendo já acostumado com a curiosidade dos recém-chegados.

Hoseok os levou até suas acomodações. Diferente dos outros moradores de Union, os profissionais da área médica e científica ficavam em uma ala separada, com acesso facilitado ao centro de pesquisa. Cada dupla recebia uma casa própria, o que facilitava a logística e mantinha um certo controle sobre o ambiente.

A casa de Jeongin e Hyunjin era compacta, mas elegante. Dois quartos, uma cozinha bem equipada e uma sala com móveis minimalistas, todos em tons claros, predominantemente branco e cinza. Tudo parecia novo, limpo demais, como se nunca tivesse sido usado antes.

Jeongin olhou ao redor da casa, franzindo a testa ao notar a disposição dos cômodos.

— Por que dois quartos? — perguntou, curioso.

— Um pra você e outro pro seu companheiro de casa — respondeu Hoseok com naturalidade. — No caso, o Dr. Hyunjin.

— EU VOU MORAR COM ELE?! — exclamou Jeongin, apontando para Hyunjin como se ele fosse uma peça de decoração. O loiro, no entanto, nem se deu o trabalho de responder. Apenas atravessou o corredor em silêncio e entrou no quarto mais próximo, fechando a porta atrás de si com um clique seco.

— Viu? — Jeongin fez um beicinho, quase choroso. — Ele é chato!

— Ele só é mais reservado — disse Hoseok com um sorriso tranquilo. — Vocês acabaram de se conhecer, talvez ele só precise de um tempo. Vai ver é tímido.

— Tímido ou mal-humorado… — resmungou Jeongin, cruzando os braços.

— Bom, enviei por e-mail o cronograma de vocês para amanhã. Descanse por hoje, o dia será corrido. Qualquer coisa, é só me chamar.

— Obrigado, Senhor Jung.

— Só Hoseok está ótimo — disse ele, com aquele sorriso simpático que já parecia sua assinatura.

— Ok, Hoseok — Jeongin retribuiu o sorriso, um pouco mais animado.

Com a casa agora silenciosa, Jeongin resolveu se acomodar e descansar. Tentou ligar para seu pai, mas o celular insistia em mostrar “Sem sinal”. Franziu o cenho e andou pela casa procurando por algum ponto com melhor sinal, sem sucesso.

— Deve ser problema com a torre… — murmurou para si. — Falo com o Hoseok amanhã.

Ligou a TV para se distrair, mas outro detalhe estranho chamou sua atenção: nenhum canal aberto, apenas opções de filmes pré-selecionados em canais fechados que passavam em rotação contínua.

Mesmo intrigado, o cansaço venceu. Deitou-se no sofá com o som da TV baixo e, em poucos minutos, caiu no sono profundo, embalado por um filme que nem sabia o nome e que provavelmente nem lembraria ao acordar.

…

Na manhã seguinte, Hoseok os guiou por todo o centro de pesquisa, ou ao menos o que eles acreditavam ser o centro de pesquisa. Nenhum deles sequer imaginava que, bem abaixo daquela estrutura moderna e impecável, existia praticamente outra cidade oculta.

A visita serviu apenas para familiarizá-los com o espaço e com os colegas de trabalho. Foi um dia leve, com apresentações e explicações gerais sobre como tudo funcionava e quais seriam suas futuras responsabilidades.

Os dias passaram tranquilos naquela primeira semana. Jeongin estava radiante com sua nova rotina. Gostava dos colegas de trabalho, se divertia com as conversas no refeitório e já se sentia parte da equipe. Era animado, simpático e logo se tornou querido por todos.

Em determinado momento, Hoseok o designou para uma tarefa simples, mas que deixou Jeongin um pouco desconfortável. Ele deveria coordenar um grupo específico de pessoas que receberiam uma “vacina preventiva”, desenvolvida sob orientação direta do Dr. Ivanov. Segundo explicaram, era parte do protocolo de saúde da cidade.

O que lhe causou estranheza foi o local do procedimento. Jeongin não tinha autorização para acompanhá-los até a aplicação. Sua única função era conduzir os pacientes até o elevador, apertar um botão específico e voltar ao trabalho. A porta se fechou e ele não os viu mais. Nenhuma outra informação lhe era dada.

Jeongin achou aquilo suspeito, mas tentou afastar as dúvidas. Afinal, estava apenas começando ali. Convenceu-se de que não era seu lugar questionar os métodos de um dos maiores cientistas do mundo.

Seguiu com suas tarefas, tentando ignorar o incômodo que sentia toda vez que via as portas do elevador se fecharem lentamente, engolindo os pacientes em silêncio absoluto.

…

O elevador desceu suavemente até os andares subterrâneos. Quando as portas se abriram, os oito participantes do grupo foram recebidos por Dimitri, que os aguardava com um sorriso gentil no rosto, o mesmo sorriso ensaiado que aprendera a usar como uma máscara.

Assim como o restante do prédio, aquele andar mantinha a estética impecável, paredes em tons brancos e nude, móveis minimalistas e uma limpeza clínica. O ambiente era silencioso, frio, como se o próprio ar hesitasse em circular.

— Sejam bem-vindos. Por favor, me acompanhem até a sala de espera — disse Dimitri, guiando-os com passos calmos.

Lá, fez uma breve apresentação. Falou sobre a suposta "vacina preventiva", uma medida padrão, segundo ele, para garantir que todos os habitantes de Union estivessem protegidos contra doenças comuns. Explicou que seriam chamados um por um e que o processo seria rápido e indolor.

Chamou o primeiro nome da lista. Um jovem de pouco mais de vinte anos levantou-se confiante e o seguiu sem suspeitar de nada.

Ao entrarem na sala de aplicação, Dimitri trancou a porta e indicou a maca.

— Pode deitar, meu jovem. Será apenas uma picadinha — disse com tom suave, manipulando o líquido viscoso em uma seringa.

Aplicou a substância lentamente na veia do rapaz e então recuou, observando. Os efeitos foram rápidos e devastadores. O rapaz começou a tremer violentamente, teve uma convulsão, suando em febre alta, até entrar em parada cardíaca. Seus olhos vidraram, a boca entreaberta tentando puxar um ar que não vinha. O coração do rapaz parou e ele por fim, morreu. Dimitri, impassível, observava cada reação, como se lesse um relatório invisível em sua mente.

— Agora vem a parte difícil — murmurou.

Prendeu o corpo do rapaz à maca com tiras reforçadas. Minutos depois, como esperado, o rapaz despertou. Mas algo estava diferente. Seus olhos, agora esverdeados e turvos, estavam imóveis, sem foco. Não havia batimentos cardíacos, mas o monitor apontava fracas ondas cerebrais. Ele havia "voltado", mas não era mais o mesmo.

Dimitri suspirou, frustrado. Aquilo ainda estava longe da cura que ele buscava.

Pegou uma pistola com silenciador de uma gaveta. Aproximou-se e, sem hesitar, atirou na cabeça do rapaz.

— Segunda morte. Irreversível dessa vez — anotou em seu caderno, com a calma de um cirurgião experiente.

Guardou a arma e limpou o suor da testa.

— Parece que ainda tenho um longo caminho pela frente… — olhou para a ficha do próximo paciente e esboçou um sorriso — Felizmente, tenho muitas cobaias.

Notas finais
AHHHH MEU CASAL! HyunIN. Eu amo esse shipp kkkkkk (só não mais que MinSung hihi) Innie, tu vai morar com esse gato belíssimo. Só aproveita, meu amor! ALGUÉM PARE O DIMITRI... A COISA TA FICANDO SÉRIA! Ele começou a usar humanos pro teste e a merda vai acontecer!