A Cura
9 Um Novo Assistente

Já havia se passado um mês desde que Jungkook fora inserido na escola como o “filho de um CEO recém-chegado ao país”.
Ele havia criado toda uma história convincente, dizendo que precisou largar os estudos por um tempo para cuidar da avó doente até o falecimento dela, justificando a diferença de idade e de porte físico em relação às crianças de dez anos.
Seu corpo atlético, resultado de muito treino de luta e esportes, o fazia parecer bem mais velho, facilmente passando por um garoto de quatorze ou quinze anos.
Jimin, que mal tinha amigos antes, se apegou completamente a Jungkook, já que ele sabia tudo sobre ele, gostava das mesmas coisas, entendia suas manias e medos. Não foi difícil se aproximar. Logo, estavam inseparáveis. Almoçavam juntos, dividiam os trabalhos da escola, riam de piadas bobas, e todos os dias Jungkook chegava cedo para buscá-lo em casa e o levava de volta no fim da tarde. Tinha virado rotina.
Jimin voltava para casa todos os dias empolgado, contando para Namjoon como Jungkook era incrível, como ele era forte, bom em esportes, gentil, divertido. Namjoon apenas ouvia em silêncio, fingindo surpresa, enquanto no fundo se sentia cada vez mais aliviado por ver o filho tão feliz.
…
A semana tinha sido um verdadeiro turbilhão. Além das viagens constantes para a Rússia devido ao tratamento intensivo de Jimin, Namjoon ainda precisava lidar com a pressão de ser o Ministro da Defesa, o que consumia cada minuto livre que ele tentava ter.
Foi então que chegou à conclusão inevitável: precisava de um secretário eficiente, alguém que fosse capaz de aliviar parte daquela carga.
A seleção para o cargo atraiu uma enxurrada de candidatos, todos extremamente qualificados. A concorrência era acirrada.
No dia das entrevistas, Namjoon estava particularmente tenso, ajeitando a gravata no espelho antes de entrar na sala reservada para o RH.
Ele odiava entrevistas. Odiava ter que julgar pessoas em tão pouco tempo, mas sabia que era necessário.
Já sentado atrás da mesa, ao lado da supervisora de RH e do gerente geral, ele tentava manter a postura, mesmo que o cansaço começasse a pesar.
À frente deles, três cadeiras, onde os candidatos eram chamados de três em três para serem avaliados.
As horas se arrastavam. Namjoon já tinha perdido a conta de quantos cafés tinha tomado. As respostas começavam a soar repetitivas, os discursos cada vez mais ensaiados. Ele massageou as têmporas discretamente, tentando não demonstrar o quanto estava contando os minutos para aquilo acabar.
Finalmente, restavam apenas os últimos três candidatos. Namjoon soltou um suspiro quase imperceptível, endireitou a postura e se preparou para encerrar aquele dia interminável.
Assim que a porta se abriu, três candidatos entraram um após o outro. Primeiro, uma mulher bem arrumada, de postura elegante e olhar confiante. Depois, uma senhora, mais séria e reservada, com a expressão dura de quem levava o momento muito a sério.
Por fim, um homem entrou e foi como se o tempo desacelerasse para Namjoon.
Alto, de ombros largos, trajando roupas formais escuras, que se ajustavam perfeitamente ao corpo definido. Os cabelos pretos, lisos, caíam em uma franja despretensiosa sobre a testa, emoldurando um rosto que parecia ter saído de uma pintura.
Namjoon sentiu seu corpo travar. Sem perceber, prendeu a respiração, analisando cada traço daquele rosto delicado e ao mesmo tempo intenso.
A pele era absurdamente branca, quase translúcida, em contraste com os olhos escuros e redondos que não desviavam do olhar dele nem por um segundo. E os lábios cheinhos, vermelhos como cereja, curvados em um sorrisinho de canto, descaradamente provocante.
Namjoon engoliu seco, forçando-se a respirar normalmente, mesmo sentindo o corpo inteiro hiperventilar sob aquele olhar. Parecia que o homem sabia exatamente o efeito que estava causando.
Enquanto as duas mulheres ao lado faziam suas perguntas usuais aos primeiros candidatos, Namjoon tentava recuperar o foco, seus olhos fugindo instintivamente para o último candidato vez após vez.
Então chegou a vez dele. Namjoon pegou o currículo do rapaz, que estava debaixo de uma pilha de papéis. O silêncio caiu na sala enquanto ele lia cada linha, tentando disfarçar o nervosismo crescente.
Mas o olhar preso nele do outro lado da mesa deixava claro que aquele jogo só estava começando. E, por algum motivo, Namjoon já sabia que estava em desvantagem.
Namjoon leu o nome destacado no currículo e ergueu os olhos para o homem à sua frente.
— Senhor Kim… Kim Seokjin, correto?
— Sim, Senhor Park. — Jin respondeu com um sorriso gentil, carregado de uma naturalidade quase provocativa.
Namjoon tentou manter o profissionalismo, mas sua mente já estava longe dali.
"Trinta anos… dois anos mais novo que eu… solteiro… meu Deus, o que estou pensando?"
Ele fechou os olhos por um breve segundo, tentando se recompor, e então retomou a leitura.
— Vejo que é um profissional muito qualificado. — disse, impressionado. — Estudou em Harvard… trabalhou na Tesla como assistente direto de Elon Musk!?
Namjoon ergueu as sobrancelhas, sinceramente surpreso com aquele currículo.
— Além disso, é poliglota. — comentou, folheando o documento. — Que idiomas você domina?
Jin inclinou-se levemente para a frente, com um sorriso profissional, mas com os olhos brilhando como quem sabia que estava impressionando.
— Obrigado, Senhor Park. — disse com gentileza. — Além do coreano, falo fluentemente inglês, russo, japonês, espanhol, francês e atualmente estou aprendendo mandarim.
Namjoon forçou a expressão, tentando disfarçar o sorriso que ameaçava escapar.
— Hum, isso é… excelente. — disse, se inclinando um pouco na cadeira. — Como assistente e secretário, será essencial se comunicar com pessoas do mundo inteiro.
Depois de mais algumas perguntas objetivas, Namjoon finalizou a rodada de entrevistas, como havia feito com todos os outros candidatos.
— Agradeço a presença de vocês. Retornaremos em breve para informar os aprovados para a segunda etapa, que será uma entrevista apenas comigo.
Todos se levantaram, agradecendo.
Jin saiu por último, mas não sem antes lançar um último olhar confiante, acompanhado de um sorriso discreto e certeiro, como se já soubesse que a vaga era dele.
"A vaga já é minha, amores. Lamento."
O pensamento parecia escorrer em cada passo que ele dava, enquanto fechava a porta de forma sutil, mas deixando Namjoon completamente desarmado.
Namjoon desviou o olhar, sentindo seu rosto esquentar.
…
Dois dias depois, Jin já se arrumava como quem já sabia o final da história. Ao som de uma música leve tocando no fundo, ele ajeitava a gravata com um sorriso no rosto. Havia recebido a ligação no dia anterior confirmando sua presença na fase final da seleção. Nenhuma surpresa. Ele já sabia que passaria. Pelos olhares que Namjoon lançava para ele, já estava em suas mãos.
Mas Jin não era só aparência. Era inteligente, extremamente qualificado, experiente e tinha um Q.I. altíssimo, apesar de ainda ser jovem para o cargo.
Colocou sua melhor combinação: uma calça social ajustada, uma camisa lilás clara, uma gravata fina roxa e o cabelo penteado para trás, deixando alguns fios caírem de forma calculadamente casual. O visual era impecável, equilibrando seriedade e sedução na medida certa.
Depois de aplicar um leve toque de perfume, pegou o celular e as chaves do carro, seguindo para o prédio da última entrevista. Ao chegar, a recepcionista o levou até a sala reservada, onde Namjoon já estava à sua espera. O primeiro ministro parecia atarefado, cercado por pilhas de documentos espalhados pela mesa, o rosto carregado de cansaço e estresse. Ainda assim, quando viu Jin entrar, deixou de lado tudo aquilo, forçando um sorriso gentil e educado.
— Bom dia, Jin. Sente-se, fique à vontade. Aceita um café?
Jin correspondeu ao sorriso com a mesma gentileza calculada.
— Bom dia. Aceito, obrigado, Senhor Park.
Namjoon riu como um bobo, claramente gostando da formalidade, mas tentou se recompor rapidamente.
— Não precisa me chamar de senhor… pode me chamar apenas de Namjoon.
Jin notou o pequeno deslize de Namjoon, mas apenas manteve o sorriso profissional, enquanto se acomodava na cadeira.
Namjoon pegou uma xícara de café para ele, e assim a entrevista começou. Dessa vez, totalmente em inglês. Namjoon queria testar a fluência de Jin, precisava ter certeza de que ele estava à altura da função. Jin dominou cada palavra com naturalidade, sem travar ou hesitar uma única vez. Sua pronúncia, entonação e vocabulário eram impecáveis, o que deixava Namjoon cada vez mais satisfeito. Ao final da entrevista, Namjoon se recostou na cadeira, cruzando os braços com um sorriso satisfeito. Jin era perfeito para o cargo.
— Gostei de entrevistá-lo, Senhor Seokjin, você é realmente muito qualificado. — Namjoon declarou com um sorriso sincero, tentando manter a compostura.
Jin sorriu de volta, confiante, mas controlado.
— Obrigado, Se… digo, Namjoon. — Ele corrigiu com naturalidade. — Se eu for contratado, darei o meu melhor… mas pode me chamar apenas de Jin.
Namjoon riu de leve, gostando da forma como o nome soava em sua boca.
— Ok… Jin… — Namjoon começou a responder, mas interrompeu-se ao sentir uma fisgada forte na nuca, fazendo uma careta involuntária.
Jin franziu levemente o cenho, atento.
— Está tudo bem, Namjoon?
Namjoon levou a mão até a nuca, massageando o local com um suspiro de incômodo.
— Está sim… só um mal jeito. — respondeu, tentando minimizar. — Essa semana foi tão corrida que nem consegui descansar direito.
Jin o observou por um momento, pensativo, antes de falar:
— Se me permitir… posso ajudá-lo.
Namjoon ergueu uma sobrancelha, curioso e desconfiado ao mesmo tempo.
— Me ajudar? Ok… — respondeu, cruzando os braços, como quem não esperava muito daquilo.
Mas não teve tempo de reagir.
Jin se levantou e caminhou lentamente até atrás da cadeira de Namjoon, ficando próximo. De repente, as mãos de Jin pousaram sobre seus ombros, fazendo Namjoon se sobressaltar levemente com o toque firme e quente.
— Apenas relaxe… Senhor Ministro… — Jin sussurrou ao pé do ouvido dele, a voz baixa e arrastada, carregada de um veneno sedutor que fez os pelos da nuca de Namjoon arrepiarem.
Namjoon fechou os olhos, sentindo o calor subir pelo rosto e pelo corpo. Jin aplicou pressão nos pontos certos, como se soubesse exatamente onde massagear, fazendo Namjoon soltar um gemido baixo, completamente rendido ao alívio que sentia.
— M-meu Deus… Jin… você é muito bom nisso… — Namjoon arfou, a voz rouca e trêmula.
Jin sorriu de canto, inclinado perigosamente próximo à orelha dele.
— Obrigado, Mi-nis-tro… — respondeu pausadamente, em um tom tão provocante que parecia uma carícia nas palavras. — Sou bom em muitas… outras… coisas.
Namjoon sentiu o corpo inteiro arrepiar. E, naquele momento, não tinha mais certeza se era ele que estava conduzindo aquela entrevista ou se já tinha sido completamente dominado desde o início.
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