A Cura

30 Sem saída


Notas iniciais
Finalmente vamos ver o que aconteceu depois do prologo. Vamo que vamo Chim! Modo Leon S. Kennedy ATIVADO! (╯°□°)╯︵ ┻━┻


Jimin respirou fundo, mas o ar parecia não chegar aos pulmões. Seu coração martelava tão forte dentro do peito que ele tinha a impressão de que o som das batidas ecoava pelo laboratório inteiro. Precisava sair dali. Não importava como. Não importava a dor.

Com as mãos tremendo, concentrou toda a força que tinha no polegar preso à algema. Sabia que aquilo seria horrível, mas não havia alternativa. Cerrou os dentes e forçou a articulação para trás.

O estalo foi seguido por uma dor tão intensa que sua visão escureceu por um instante. Um grito escapou de sua garganta antes que pudesse contê-lo. As lágrimas brotaram imediatamente. O dedo estava deslocado.

Ainda ofegante, ele tentou puxar a mão para fora da algema. O metal apertava sua pele como uma mandíbula de ferro. A cada movimento, sentia a carne rasgar. O sangue deixava o pulso escorregadio, misturando-se ao suor frio que cobria seu corpo.

Outro grito ecoou pelo laboratório. Não tinha tempo para sentir dor. Aquela coisa estava cada vez mais perto. O som dos passos arrastados se aproximava lentamente, acompanhado por um ruído úmido e irregular que fazia o estômago de Jimin se contorcer.

Ele puxou novamente, com mais força, até que sentiu a pele ceder. A sensação foi horrível. Parte da carne ficou presa ao metal enquanto sua mão finalmente escapava da algema.

Jimin quase vomitou ao ver os filetes de pele arrancados de seu pulso. Mas estava livre, ou pelo menos metade livre.

Quando ergueu a cabeça, o rapaz já estava sobre ele. Tudo aconteceu rápido. O peso do corpo atingiu a maca com violência, fazendo a estrutura inteira tombar. Jimin sentiu o mundo girar enquanto ambos despencavam no chão.

O impacto roubou o ar de seus pulmões. A criatura caiu sobre ele. Jimin tentou empurrá-lo com a perna livre, desesperado para manter aquela coisa longe de seu rosto. Por um instante pareceu funcionar. Então a criatura agarrou sua perna com aqueles dedos frios, e antes que Jimin pudesse reagir, a boca da criatura se abriu, mostrando dentes manchados de sangue e pedaços escuros de carne presos entre eles.

E então Jimin sentiu a mordida. A dor explodiu em sua perna como fogo. Um pedaço inteiro de sua carne desapareceu sob aqueles dentes. O grito que saiu de sua garganta foi tão alto que chegou a machucar seus próprios ouvidos.

A criatura mastigou sua carne, Jimin podia ouvir. Aquilo quase o fez enlouquecer.

As lágrimas embaçavam sua visão enquanto ele procurava qualquer coisa ao redor para se defender. Sua mão encontrou algo cortante, um pedaço de vidro. Sem pensar e movido apenas pelo instinto mais primitivo de sobrevivência, ele atacou. Enfiou o caco de vidro no olho do rapaz, ou onde antes havia um olho, mas agora era só um espaço vazio do globo ocular.

Jimin continuou empurrando o pedaço de vidro até sentir algo estalar dentro da cabeça daquela coisa. Um líquido escuro escorreu por seus dedos. A criatura estremeceu violentamente e depois ficou imóvel.

Jimin permaneceu caído no chão por vários segundos, incapaz de se mover. Respirava de forma descompassada, como se estivesse se afogando. Seu corpo inteiro tremia. O vidro ainda permanecia cravado no rosto da criatura, ou do que um dia havia sido uma pessoa.

Ele encarou aquele corpo sem vida e sentiu o estômago revirar. Tinha acabado de matar alguém, ou talvez não, porque aquilo não parecia humano. E era justamente essa constatação que o aterrorizava. O que quer que fosse aquela coisa, ela havia tentado devorá-lo, e de certa forma, conseguiu um pouco.

A descarga de adrenalina havia sido tão intensa que a névoa das drogas começou a se dissipar. Aos poucos, os pensamentos de Jimin voltaram a fazer sentido. Sua respiração ainda estava acelerada, mas já conseguia raciocinar sem a sensação constante de estar preso em um pesadelo febril.

Foi justamente por isso que a lembrança de Nikolai voltou.

Jimin permaneceu sentado no chão frio do laboratório, observando o corpo imóvel da criatura que havia acabado de matar. Por um instante, os dois rostos se misturaram em sua mente, o rapaz morto à sua frente e Nikolai parado ao lado de Dimitri. Os olhos vazios. A pele deteriorada. O mesmo olhar perdido.

Aquilo não podia ser verdade. Nikolai não podia ter terminado daquela forma. As lágrimas voltaram antes que pudesse impedi-las.

— Niko... — sua voz saiu fraca, quase um sussurro. — Não...

A imagem do garoto que conhecera anos atrás invadiu sua memória. As risadas. As brincadeiras. As conversas intermináveis. O sorriso fácil que sempre parecia iluminar qualquer ambiente. Tudo aquilo havia desaparecido. Substituído por algo que nem parecia humano.

Jimin abaixou a cabeça.

— Por que teve que acabar assim...? — murmurou entre soluços.

As lágrimas pingavam sobre o piso branco manchado de sangue. Ele ainda não entendia exatamente o que Dimitri havia feito. Não entendia a natureza daquela doença. Não entendia aquelas criaturas. Mas uma parte de seu coração já sabia a verdade, Nikolai não voltaria. Talvez seu corpo ainda andasse, seus olhos ainda estivessem abertos, seu coração ainda batesse de alguma forma absurda criada pela obsessão de Dimitri. Mas o verdadeiro Nikolai, o garoto que ele conhecera. Já tinha partido há muito tempo.

Jimin chorou em silêncio por alguns minutos, deixando a dor sair. O laboratório parecia ainda mais frio agora. Quando as lágrimas finalmente começaram a cessar, ele passou as mãos pelo rosto e respirou fundo. Precisava continuar, precisava sobreviver.

Com esforço, segurou o próprio polegar deslocado. A simples ideia do que precisava fazer já embrulhava seu estômago. Cerrou os dentes e empurrou a articulação de volta ao lugar. O estalo ecoou pelo cômodo. Uma nova onda de dor atravessou seu braço.

— Merda... — sibilou entre os dentes.

Mas a dor durou pouco. Jimin observou enquanto seu corpo fazia aquilo novamente. Os cortes nos pulsos fecharam lentamente, a pele arrancada pelas algemas se refizeram e a mordida monstruosa em sua perna, que minutos antes havia arrancado um pedaço inteiro da carne, já não passava de uma lembrança. A pele estava intacta. Não havia sangue, cicatriz e muito menos dor. Aquilo deveria confortá-lo, mas só o assustava mais. Porque cada vez que seu corpo se regenerava daquela forma, ele lembrava das palavras de Dimitri.

"Eu criei o humano perfeito."

Jimin sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele não era um experimento.

Ergueu-se com dificuldade, apoiando uma das mãos na maca tombada. As pernas ainda tremiam, mas agora havia algo diferente dentro dele, determinação. Não tinha tempo para chorar, e nem tempo para sentir pena de si mesmo. Precisava encontrar uma saída, mesmo que tivesse de atravessar aquele inferno sozinho.

Seu pai ainda estava esperando por ele. E, por mais doloroso que fosse admitir, havia outra pessoa que ocupava seus pensamentos, Jungkook. A imagem dele surgiu em sua mente com uma força inesperada, era a certeza de que ele ainda o amava. E, se conseguisse sair vivo daquele lugar, queria olhar nos olhos dele e dizer isso. Queria dizer que estava com raiva, magoado e que ainda doía. Mas também queria dizer que o perdoava. Por isso não morreria ali, não depois de sobreviver ao câncer.

Jimin respirou fundo, enxugou as últimas lágrimas e apertou os punhos.

Caminhou até a porta e pousou a mão na maçaneta. Por alguns segundos permaneceu imóvel, reunindo coragem para sair. Respirou fundo e abriu a porta lentamente, fazendo o metal ranger em um som baixo que pareceu absurdamente alto naquele silêncio.

O contraste o deixou desconfortável imediatamente.

Poucos minutos antes, aquele lugar havia sido tomado pelo caos. Pessoas corriam pelos corredores, vozes gritavam ordens em idiomas que ele não compreendia, alarmes disparavam sem parar. Agora não havia nada. O silêncio era tão profundo que parecia ter peso.

A única coisa que conseguia ouvir eram alguns estalos espaçados vindos de algum lugar distante. Pequenos ruídos secos, como madeira queimando lentamente. O cheiro de fumaça pairava pesado no ar, invadindo suas narinas e irritando sua garganta. Seus olhos começaram a arder imediatamente. Alguma coisa estava queimando, ou talvez várias coisas.

Jimin deu um passo para fora da sala e observou o corredor. A cena parecia saída de um pesadelo. O longo corredor estava mergulhado na penumbra. As luzes do teto haviam falhado em diversos pontos, deixando grandes trechos envoltos pela escuridão. Apenas algumas chamas espalhadas iluminavam o local de forma irregular. O fogo escapava por portas abertas e janelas quebradas, projetando sombras distorcidas que dançavam pelas paredes.

Jimin engoliu em seco. Agora se lembrava da explosão. Antes de despertar havia ouvido um estrondo poderoso, tão forte que chegou a fazer o chão tremer. Naquele momento não havia conseguido entender o que estava acontecendo, mas agora imaginava que aquela explosão fosse a responsável pelo incêndio que consumia partes do complexo.

Um arrepio percorreu sua espinha. Aquilo não parecia um simples acidente, parecia o começo de algo muito pior.

Ele olhou para os dois lados do corredor e não viu nenhum sinal de médicos, enfermeiros ou até mesmo do próprio Dimitri. Nenhum sinal de vida e aquilo o incomodava, aquele lugar parecia abandonado. Parecia que todos haviam desaparecido às pressas.

Jimin não fazia ideia de onde estava. Sabia apenas que não era um hospital comum. Pelas conversas que ouviu enquanto estava sedado, pelos rostos dos médicos e pelos idiomas que reconhecia ocasionalmente, suspeitava cada vez mais que sequer estivesse na Coreia, talvez estivesse na Rússia ou em qualquer parte do mundo, e ninguém sequer soubesse onde encontrá-lo. Aquele pensamento apertou seu peito. Mas não havia tempo para desespero, precisava encontrar alguma pessoa, alguma pessoa normal, que pudesse ajudá-lo.

Respirando o mais silenciosamente que conseguia, começou a avançar pelo corredor. Seus passos eram cautelosos, quase inaudíveis. Cada sombra parecia esconder algo. Cada porta entreaberta parecia observá-lo. E, quanto mais caminhava, mais tinha a estranha sensação de que não estava sozinho.

Enquanto avançava pelo corredor, Jimin avistou uma figura parada ao longe. Seu coração acelerou imediatamente. Havia alguém no fim do corredor, parado, completamente imóvel.

A pessoa estava de costas para ele, com a testa encostada na parede. Os braços pendiam ao lado do corpo de forma estranha, como se não houvesse força alguma neles.

Por um instante, Jimin sentiu alívio porque era um policial. Reconheceu a farda mesmo à distância. Talvez finalmente tivesse encontrado alguém normal, alguém que pudesse explicar o que estava acontecendo ou ajudá-lo a sair daquele inferno.

— Olá? — chamou, mantendo certa distância.

Nenhuma resposta. A figura permaneceu imóvel, nem sequer pareceu ouvir.

— Senhor policial?

O silêncio continuou. A única resposta foi o crepitar distante das chamas consumindo alguma parte do prédio.

Uma sensação ruim começou a se formar em seu estômago. Ainda assim, continuou avançando.

— O senhor está bem?

Seus passos ecoavam baixinho pelo corredor. Quanto mais se aproximava, mais estranho aquilo parecia. O policial não se movia, não respirava e não reagia. Parecia uma estátua abandonada no meio do corredor.

Jimin parou atrás dele, a poucos centímetros. Agora conseguia sentir um cheiro estranho, algo queimado e podre. O nojo fez seu estômago revirar. Com hesitação, estendeu a mão.

— Ei...

Tocou o ombro do homem, que estremeceu imediatamente, não como alguém despertando de um sono, mas como um cadáver recebendo vida novamente.

Lentamente, a cabeça começou a girar na sua direção, primeiro o pescoço, depois os ombros e depois o resto do corpo. Jimin sentiu o sangue gelar. O rosto do policial surgiu diante dele, ou o que restava dele.

Metade da face estava completamente carbonizada. A pele havia derretido em alguns pontos, revelando partes do osso escurecido por baixo. A boca se abriu e um som horrível escapou dela. Algo entre um gemido e um rosnado. Então o policial avançou. A mão queimava de tão quente quando agarrou o braço de Jimin.

— AAAAAH!

Jimin gritou e se afastou violentamente. O policial tentou agarrá-lo novamente. Movia-se de forma errática, cambaleante, mas havia uma agressividade animalesca em seus movimentos.

Aquela coisa queria alcançá-lo, queria morder seu braço. Jimin não pensou, seu corpo simplesmente reagiu e ele arrancou a arma presa ao coldre do policial. As mãos tremiam tanto que quase deixou a arma cair, mas conseguiu destravá-la. Apontou e atirou. O disparo ecoou pelo corredor como um trovão. A bala atravessou a têmpora da criatura e o corpo tombou imediatamente. Dessa vez não se levantou.

Jimin permaneceu imóvel por alguns segundos, encarando o cadáver estendido no chão. Sua respiração estava descontrolada e seu coração parecia querer escapar pela garganta. Era a segunda vez que precisava matar alguém para sobreviver.

As mãos tremiam enquanto ele observava o rosto destruído da criatura. O que quer que estivesse acontecendo naquele lugar, era muito pior do que imaginava.

— Que merda é essa...? — sussurrou para si mesmo.

Seus olhos pousaram novamente sobre a arma, ela ainda estava em suas mãos.

— Vou precisar disso.

Agachou-se ao lado do corpo, o cheiro era ainda pior de perto. Precisou prender a respiração enquanto retirava o cinturão de munições e o prendia ao próprio corpo. Pegou também a faca de combate presa à cintura do policial e uma lanterna tática que ainda funcionava.

Por fim, seus olhos caíram sobre os coturnos, olhou para os próprios pés descalços, depois para os corredores escuros à frente. Não pensou duas vezes e alguns minutos depois já estava usando as botas. A combinação era cômica, pijama de hospital, coturno, cinto de munição, faca, lanterna e arma na mão. Imaginou que se passasse por um apocalipse zumbi um dia, seria com uma roupa sexy e reveladora igual as protagonistas dos jogos. Mas, naquele lugar, a aparência era a menor de suas preocupações.

Levantou-se lentamente, respirou fundo e encarou a escuridão que se estendia adiante. Tinha a sensação de que aquilo era apenas o começo e que existiam coisas muito piores escondidas naquele laboratório do que dois cadáveres ambulantes.

Jimin seguiu adiante, avançando pelo corredor com a arma firme entre as mãos. A cada passo, o cenário parecia se tornar mais perturbador.

O lugar estava destruído. Papéis cobriam o chão como folhas mortas espalhadas pelo vento. Armários haviam sido derrubados. Monitores estavam quebrados. Cacos de vidro refletiam as chamas distantes que consumiam partes do laboratório. Havia marcas de tiros nas paredes, móveis tombados e rastros escuros que atravessavam o piso branco. E claro, sangue, muito sangue. Mais sangue do que deveria existir em qualquer lugar. Algumas manchas pareciam antigas. Outras ainda brilhavam úmidas sob a luz trêmula dos incêndios. Parecia uma cena de guerra ou um matadouro.

Jimin sentia o coração bater tão forte que chegava a doer. A pulsação ecoava em seus ouvidos, abafando qualquer outro som. Mesmo assim, continuou.

Ao chegar a uma bifurcação, encostou-se rapidamente à parede e segurou a respiração. Com cautela, inclinou apenas parte do rosto para além da quina. Primeiro olhou para a esquerda, não tinha nada, apenas o fim do corredor. Então olhou para a direita e congelou. Por um instante, seu cérebro se recusou a processar o que estava vendo.

Haviam muitas pessoas, dezenas delas paradas no corredor, completamente imóveis.

A escuridão era tão densa naquele trecho que Jimin conseguia enxergar apenas suas silhuetas.

— Isso não pode estar acontecendo... — sussurrou para si mesmo.

Seu instinto gritava para correr, para dar meia-volta imediatamente. Mas outra parte dele precisava entender, saber o que eram aquelas pessoas ou se ainda eram pessoas.

Respirou fundo, apertou a lanterna na outra mão e a acendeu. O feixe de luz atravessou a escuridão do corredor. No mesmo instante, todas as cabeças se viraram, como marionetes puxadas pelo mesmo fio invisível.

Jimin sentiu o sangue desaparecer de seu corpo. A luz revelou dezenas de rostos destruídos, peles rasgadas, olhos esbranquiçados, ferimentos abertos e partes do corpo em decomposição. Alguns ainda usavam jalecos, outros uniformes militares e outros roupas de pacientes.

O corredor inteiro permaneceu imóvel por um segundo. Tempo suficiente para Jimin perceber que todos estavam olhando diretamente para ele. Então ouviu o primeiro grunhido, depois outro. Até que o silêncio foi substituído por dezenas de sons guturais e famintos.

As criaturas começaram a avançar, como uma maré de cadáveres famintos inundando o corredor. Jimin sentiu as pernas fraquejarem e seu coração parou por um instante.

Notas finais
RUN RUN RUN Look do Jimin para o apocalipse zumbi: pijama de hospital, coturno e arma na cintura. Divônico, labubônico, faraônico. Queria muito fazer um desenho dele com esse look rsrsrsrs, na minha cabeça isso ta engraçado rsrsrsrs porém, BELISSIMO, pq é impossível esse homi ficar feio.