A Cura
48 Escolhas
Notas iniciais

Jungkook não tirava os olhos de Nikolai, observando atentamente cada movimento do menino, preparado para reagir a qualquer instante.
— O que fizeram com ele? — perguntou Jungkook, encarando-o horrorizado.
Jimin não respondeu. Não conseguia pronunciar uma única palavra, tamanha era a tristeza que sentia. Um nó se formava em sua garganta, e ele se recusava a acreditar que aquilo estivesse realmente acontecendo.
— N-Niko? — A voz de Jimin saiu fraca e trêmula. — Niko... sou eu, o Jimin.
Jimin tentou inutilmente se comunicar com ele, na esperança de que ainda existisse alguma parte de seu antigo amigo naquela criatura.
— Me desculpa, meu amor — disse Jungkook, tentando manter a voz suave. — Mas ele não é mais humano. Desculpa dizer isso de uma forma tão fria... mas precisamos acabar com isso.
— Eu sei, Kookie, eu sei. É que é tão difícil... Apesar de o corpo dele estar se decompondo, ainda tem a mesma aparência de quando o conheci. Ele continua parecendo apenas uma criança — Jimin suspirou tristemente. — Ele nem teve a chance de viver... — Algumas lágrimas escorreram por seu rosto.
— Eu queria muito abraçar você agora, mas não posso baixar a guarda. Precisa ser forte, amor. Ele pode nos matar sem hesitar, e eu não vou deixar que machuque você.
— Só... por favor, Kookie... não deixa ele sofrer ainda mais.
— Vai ser rápido e indolor. Eu vou cuidar disso e tirar você daqui.
Jimin assentiu, com o semblante abatido, e se escondeu atrás de uma pilastra para se proteger. Não queria presenciar aquilo. Ver o próprio amigo naquele estado já era doloroso demais, e assistir à sua morte seria ainda mais difícil.
Jungkook suspirou, compreendendo o quanto aquele menino havia sido importante para Jimin. Guardou sua Magnum na cintura e sacou as duas espadas. Se realmente precisava acabar com aquilo, faria da maneira mais honrosa possível.
Nikolai o encarava sem demonstrar qualquer emoção. Jungkook então avançou com as espadas, desferindo um golpe em sua direção, mas o menino se esquivou com uma velocidade impressionante. Por ser pequeno e leve, seus movimentos eram muito mais ágeis que os de Jungkook, tornando difícil acompanhar cada uma de suas reações.
Todos os ataques de Jungkook pareciam inúteis e apenas o deixavam cada vez mais cansado. Depois de algum tempo, já estava ofegante, sentindo o suor escorrer pelo rosto, enquanto Nikolai permanecia imóvel por alguns instantes, com a mesma expressão vazia, como se aquele confronto não exigisse dele o menor esforço.
Jungkook respirou fundo e assumiu novamente sua posição de combate. Não permitiria que Nikolai machucasse Jimin, independentemente do que precisasse fazer. Entretanto, seus planos foram por água abaixo quando o menino, que até então apenas se defendia, avançou repentinamente e desferiu um golpe certeiro em seu estômago, fazendo-o cair de joelhos no chão.
Jungkook ainda tentava se recuperar do impacto quando Nikolai agarrou seu pescoço e começou a apertá-lo com uma força assustadora. Desesperado, tentou se libertar de todas as maneiras possíveis, mas o menino possuía uma força sobre-humana, muito superior à que seu pequeno corpo aparentava ter.
Jungkook tentou arrancar os dedos de Nikolai de seu pescoço, sentindo o ar faltar cada vez mais. Sua visão começava a ficar turva, mas ele continuava lutando para se libertar. Precisava salvar Jimin e levá-lo para casa. Naquele momento, era a única coisa em que conseguia pensar.
Foi então que ouviu um disparo. Ainda encarando Nikolai, viu um pequeno buraco de bala surgir em sua testa, que por pouco também não pegou em sua própria cabeça. Os dedos do menino perderam a força, soltando lentamente seu pescoço, até que seu corpo tombou e caiu no chão.
Massageando o pescoço dolorido depois de quase ser estrangulado, Jungkook olhou para Nikolai, agora estendido no chão. Em seguida, voltou o olhar para Jimin, que permanecia com a arma erguida, ainda apontada na direção do menino. Estava assustado, tremendo e chorando silenciosamente. Havia usado sua última bala para salvar Jungkook, atirando no próprio amigo.
Jungkook se levantou rapidamente e correu até ele, envolvendo-o em um abraço apertado e impedindo que continuasse olhando para o corpo de Nikolai.
— Está tudo bem... tudo bem — sussurrou Jungkook com a voz doce e acolhedora, tentando acalmar Jimin, que chorava descontroladamente em seus braços.
Quando Jimin finalmente conseguiu se acalmar um pouco, Jungkook se afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos.
— Vamos, meu amor. Não há mais nada o que possamos fazer. Niko está descansando agora.
— Está bem, mas eu quero me despedir dele.
— Jimin... amor, não guarde essa imagem dele. Prefira se lembrar de como ele era em vida, dos momentos que passaram juntos, de quando ele ainda era seu amigo.
— Mas eu preciso dar um último adeus.
Jungkook suspirou, compreendendo que aquilo era importante para Jimin, e então abriu caminho para que ele pudesse se aproximar do corpo de Nikolai.
Jimin caminhou lentamente até o menino e se ajoelhou ao seu lado. Nikolai estava realmente morto, mas seus olhos permaneciam abertos, encarando o vazio. Jimin o observou em meio às lágrimas, sentindo o coração se apertar diante daquela imagem. Mesmo assim, tentou reunir forças. Queria se despedir do amigo pela última vez.
— Obrigado por tudo, Niko. Você foi meu primeiro amigo. Sinto muito por ter partido tão cedo... — Jimin mal conseguia falar entre os soluços. — Quero acreditar que agora você está em um lugar melhor, junto da sua mãe, como sempre dizia que gostaria de estar. Nunca vou me esquecer de você, Niko.
Jimin fechou delicadamente os olhos de Nikolai e acariciou seu rosto em um último gesto de carinho. Então, apesar da tristeza, conseguiu esboçar um sorriso terno.
— Sem mais lágrimas, né, amigo? Adeus, meu querido Niko.
Jimin se levantou e voltou para perto de Jungkook, envolvendo-o em um abraço apertado, buscando o conforto e a segurança de seus braços. Jungkook o acolheu com ternura, acariciando suas costas enquanto o mantinha junto ao peito. Queria poder ficar abraçado com Jimin para sempre, protegendo-o de toda aquela dor, mas sabia que ainda não estavam seguros.
— Precisamos ir, meu amor.
— Sim... precisamos — murmurou Jimin tristemente.
Jungkook segurou sua mão com carinho e, por fim, os dois deixaram aquele lugar para trás, seguindo em direção ao shopping.
…
— Vejo que estão aderindo aos meus experimentos — Dimitri comentou com uma risada maldosa ao notar o braço deformado de Taehyung.
— DESGRAÇADO! — Yoongi gritou, tomado pelo ódio. — Eu vou te matar!
— Pode tentar, mas garanto que não será tão fácil. E, pelo que estou vendo, seu namorado não deve durar muito tempo — Dimitri respondeu com uma risada debochada.
— Matar você seria um favor. Vou arrancar seu braço e fazer questão de mantê-lo vivo para sentir cada segundo dessa dor — Yoongi mantinha a balestra apontada para Dimitri, sentindo o sangue ferver de tanta raiva. Estava tão consumido pelo desejo de vingança que quase se esquecia do verdadeiro motivo de estar ali.
Dimitri desviou o olhar para as telas de monitoramento e ficou completamente imóvel ao ver seu filho ser atingido por uma bala na cabeça. O sorriso debochado desapareceu de seu rosto, dando lugar a um silêncio perturbador.
— Então é assim que termina... — Dimitri murmurou, esboçando um sorriso fraco.
— Sim, é assim que termina. Com o seu fim — Yoongi disparou uma flecha, atingindo o ombro de Dimitri e atravessando-o de um lado ao outro. Não pretendia matá-lo naquele instante. Seu desejo de vingança falava mais alto, e tudo o que queria era fazê-lo sofrer.
Dimitri soltou um gemido de dor, mas logo agarrou a flecha cravada em seu ombro e a arrancou com um movimento brusco, lançando-a aos pés de Yoongi.
— Vou morrer... mas vou levar ele comigo — disse Dimitri antes de correr na direção de Taehyung, que permanecia encurvado, tão debilitado e febril que mal conseguia manter os pensamentos em ordem.
Em uma fração de segundo, Dimitri se lançou contra Taehyung e o empurrou para o enorme abismo que cercava o centro da sala.
— TAE! — Yoongi gritou desesperadamente, correndo até a borda do precipício.
Taehyung estava pendurado, agarrando-se a uma saliência logo abaixo da borda com sua mão terrivelmente deformada. Dimitri, por sua vez, permanecia agarrado à perna dele, aumentando ainda mais o peso que precisava sustentar.
— Tae, amor! — Yoongi estava à beira do desespero. — Eu vou tirar você daí! Me dê a sua mão!
— Yoon, vai embora!
— Não! Tá maluco? Vamos, rápido! — Yoongi se debruçou sobre a borda, estendendo o braço na tentativa de alcançá-lo.
— Acabou pra você! — Dimitri soltou uma gargalhada enlouquecida e começou a se balançar violentamente, tentando fazer Taehyung perder o apoio e despencar com ele.
— Yoon, ele tem razão... Acabou pra mim. Eu não quero me transformar em uma daquelas criaturas. Está tudo bem, só... por favor, sai daqui em segurança.
— Vai à merda, Taehyung! Eu vou tirar você daí, nem que seja a última coisa que eu faça!
Yoongi olhou desesperadamente ao redor, procurando qualquer coisa que pudesse ajudá-lo. Quando virou a cabeça para a direita, avistou a maleta de Dimitri, aberta e abandonada perto da borda do abismo. Preso entre alguns fios soltos, estava o último frasco do vírus, próximo de despencar nas profundezas.
Agora Yoongi precisava escolher entre salvar o homem que amava ou concluir a missão pela qual havia arriscado a própria vida.
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