A Cura
8 Contrato de trabalho

Namjoon observava o garoto com admiração. Havia algo nele, algo naquele olhar corajoso e determinado, que lhe chamava atenção. Mesmo pequeno, Jeon Jungkook tinha um olhar determinado que poucos adultos tinham.
Namjoon se inclinou ligeiramente, mantendo o tom amistoso.
— E então, o que me diz? Quer comer algo bem gostoso, senhor Jeon Jungkook?
Jungkook bufou, cruzando os braços.
— Não quero, velho doido.
No mesmo instante, um som rompeu o silêncio. O estômago de Jungkook roncou tão alto que até ele mesmo ficou visivelmente desconcertado. Namjoon arqueou as sobrancelhas e sorriu de leve.
— Vejo que está com fome, meu jovem rapaz… venha, vamos. Vai gostar da comida.
Jungkook mordeu o lábio, claramente tentado pela ideia. Mas sua expressão desconfiada não se desfez.
— Você que vai pagar? — perguntou, arqueando uma sobrancelha, como se não acreditasse totalmente na proposta.
Namjoon riu suavemente e acenou com a cabeça.
— Mas é claro. Você é meu convidado de honra — Fez uma pausa antes de completar, com um sorriso confiante — Poderá comer o que quiser e o quanto quiser.
Jungkook o olhou fixamente, avaliando a proposta.
— Tem certeza? — Jungkook perguntou desconfiado.
— Sim, certeza! — Namjoon colocou a mão no peito em sinal de juramento.
— Não se recusa comida grátis! — Jungkook deu de ombros, como se estivesse apenas aceitando o óbvio.
Mas, antes de dar o primeiro passo, ele abriu a carteira de Namjoon sem cerimônia, retirou todas as notas de dinheiro e devolveu a carteira vazia.
Namjoon arregalou os olhos por um segundo, mas logo caiu na gargalhada.
— Justo! — admitiu, rindo — Venha, jovem. Vamos comer uma refeição digna de dois cavalheiros.
Jungkook revirou os olhos, mas sorriu de canto, claramente se divertindo com aquilo.
Saíram do beco estreito e voltaram à rua principal, caminhando entre as pessoas apressadas da cidade. Namjoon os guiava com tranquilidade, enquanto Jungkook mantinha um olhar atento em tudo ao redor, como se estivesse sempre preparado para fugir se necessário. Mas, naquele momento, ele não queria fugir.
Ao chegarem na lanchonete, o aroma de comida quente fez o estômago de Jungkook roncar novamente. Mas antes que ele pudesse dar um passo para dentro, dois seguranças se colocaram em seu caminho. A postura deles era rígida, e seus olhares denunciavam o preconceito imediato.
— Ei, moleque. — um deles disse, cruzando os braços. — Onde pensa que vai?
Jungkook ficou tenso na mesma hora. Seus olhos endureceram, e sua postura mudou como a de um gato pronto para fugir ou atacar.
— Ele está comigo. — Namjoon interveio com firmeza, encarando os seguranças. Eles trocaram olhares entre si, hesitantes. Afinal, Namjoon não era qualquer um. Mas ainda assim, hesitaram em deixar uma criança suja e maltrapilha entrar.
— Senhor… esse garoto claramente é um trombadinha. — disse um deles, tentando ser discreto, mas falhando.
Jungkook sentiu o sangue ferver. Ele já estava acostumado com esse tipo de olhar. Mas, por algum motivo, desta vez, aquilo o incomodou mais do que o normal. Antes que pudesse retrucar, Namjoon suspirou e lançou um olhar afiado para os seguranças.
— Vocês realmente acham que alguém que anda comigo pode ser tratado assim?
Os dois engoliram seco. Namjoon sorriu de lado, cruzando os braços.
— Se ele não pode entrar, então eu também não entro.
Silêncio. Os seguranças se entreolharam novamente. E então, com um aceno de cabeça meio contrariado, abriram caminho.
— Seja bem-vindo, senhor. — um deles murmurou.
Jungkook os encarou de queixo erguido, sem disfarçar seu orgulho.
— Agora sim isso tá certo — resmungou, entrando de cabeça erguida.
Namjoon riu baixinho e seguiu atrás. Afinal, ele havia prometido uma refeição digna de dois cavalheiros. E ele sempre cumpria suas promessas.
— Bom, agora que sabem que ele é meu convidado, quero que seja tratado como um príncipe! — Namjoon declarou, sua voz firme ecoando pelo ambiente.
O gerente do restaurante engoliu seco, os olhos arregalados.
— S-sim, S-senhor Namjoon! — gaguejou, suando frio.
Era impossível não sentir um certo temor por aquele homem. Além de ser o Ministro da Defesa, Namjoon tinha uma presença imponente, uma postura que exigia respeito sem precisar elevar a voz.
— Perdoe nossa insolência, Senhor Ministro. — o gerente se curvou ligeiramente. — Por favor, nos acompanhe.
Namjoon lançou um olhar de advertência aos seguranças, deixando claro que não toleraria mais nenhum desrespeito a Jungkook.
Em silêncio, eles apenas assentiram, sem ousar contestar. O gerente os guiou até uma mesa reservada, em um canto mais tranquilo do restaurante. O local ainda estava vazio, pois não era o horário de pico do almoço.
Jungkook olhou ao redor com desconfiança, como se a qualquer momento alguém fosse jogá-lo para fora. Mas Namjoon agia com naturalidade, sentando-se à mesa e pegando o cardápio. Ele o abriu com calma, observando Jungkook pelo canto dos olhos. O menino, apesar da postura durona, estava visivelmente desconfortável. Provavelmente, nunca tinha estado em um lugar como aquele antes.
— O que gosta de comer, menino Kook? — Namjoon perguntou sem olhar para ele, apenas olhando o menu.
— Tudo! Tudo que for comestível! — Jungkook respondeu sentindo seu estômago se contorcer de fome.
— Ok ok… vou pedir hamburguers com bacon, batata frita, anéis de cebola frita e… o favorito de Jimin, Milk Shake de Morango.
— Jimin? — Jungkook perguntou curioso — Que Jimin?
— Meu filho. Deve ser um pouco mais novo que você. Ele tem dez anos e você?
— Tenho treze.
— Treze… — Namjoon sorriu ao confirmar que Jungkook tinha uma idade próxima a de Jimin. Ele chamou a atendente e fez os pedidos — Bom, agora é só aguardarmos eles preparem nossos lanches… mas então Jungkook, me diga… onde você mora?
— Na rua.
— Na rua? — Namjoon parecia horrorizado com aquilo.
— Na verdade eu morava em um orfanato, mas eu fugi de lá.
— E por que você fugiu de lá?
— Aquele lugar era um inferno — Jungkook olhou pro chão com um semblante triste.
— E você estava lá desde quando?
— Desde de que me entendo por gente…
— E seus pais?
— Não sei. Me acharam enrolado em alguns jornais no banco do metrô quando eu tinha dois anos. Pelo menos é isso o que me disseram. Desde então eu moro naquele lugar.
— Entendo… mas nunca foi adotado por alguma família?
— Já, algumas vezes, mas eu sempre fugi. Todos que me adotaram não eram pessoas legais. O último que me adotou era um maldito velho porco que abusava da própria filha. Na primeira noite em que dormi lá, ele tentou me pegar à força, mas eu enfiei uma faca no pulmão dele — Jungkook falava com uma naturalidade assustadora, principalmente para uma criança de treze anos.
— Ele o que? Você o que? — Namjoon tentou esconder o horror que sentiu.
— Sim, Senhor Namjoon… é assim que o mundo é. Aquele velho ia me estuprar, então me defendi. É uma pena que ele não tenha morrido. Depois disso eu fugi daquela casa e fugi do orfanato, desde então estou vivendo livremente na rua.
Namjoon observou Jungkook com atenção, refletindo sobre tudo que o garoto havia dito.
— Fez o certo ao se defender. — disse, sua voz carregada de seriedade. — Mas a rua não é um lugar perigoso?
Jungkook sorriu de canto, um sorriso cheio de malícia e ironia, e então, ergueu levemente a blusa, revelando uma pequena faca presa ao cós de sua calça.
— Já vivi em lugares piores. — respondeu com naturalidade, como se não estivesse falando nada alarmante. — Então não sei o que é um lugar seguro.
Seus olhos eram afiados, duros para uma criança.
— A única coisa que sei é que só os mais fortes sobrevivem.
Namjoon sentiu um aperto no peito. Ele tentava não demonstrar o impacto que aquelas palavras causaram, mas por dentro, seu coração pesava.
Aquele menino deveria estar na escola. Deveria estar brincando. Deveria estar vivendo uma infância normal, e não carregando facas para sobreviver nas ruas. Mas ali estava ele. Forte, ágil, desconfiado.
Namjoon sabia que não poderia mudar o passado de Jungkook. Mas talvez pudesse mudar seu futuro.
— Eu não posso imaginar tudo o que passou. Mas sei que não foi fácil. Vejo que é um menino muito forte — Namjoon suspirou, fez uma pausa e continuou — Tenho uma proposta para você, menino Kook.
— Uma proposta? — Jungkook fechou o cenho — Não me vendo por sexo. Já tentaram isso, mas eu não faço de jeito nenhum.
— Não! Meu Deus, que horror! Não é isso. Odeio esse tipo de coisa nojenta. Minha proposta é a seguinte… — Namjoon fez uma pausa — Quero te contratar para ser amigo do meu filho.
Jungkook arqueou as sobrancelhas, surpreso.
— Espera… o quê?! — exclamou, incrédulo.
Namjoon manteve a postura calma e repetiu com firmeza:
— Preciso que seja amigo do meu Jimin.
Jungkook olhou ao redor da lanchonete, analisando o ambiente. Era um lugar requintado, claramente frequentado por gente rica.
Ele estreitou os olhos, desconfiado.
— Seu filho parece ter tudo o que quer. — disse, voltando o olhar para Namjoon. — Por que ele precisaria de um amigo falso?
Namjoon suspirou, baixando os olhos por um instante.
— Jimin tem câncer. — sua voz soou baixa, carregada de dor.
Jungkook endureceu a expressão.
— E não importa o dinheiro que eu tenha… — Namjoon continuou. — Não consigo curá-lo.
Ele levantou os olhos, fitando Jungkook com uma sinceridade que não podia ser ignorada.
— Só quero que seus últimos dias sejam felizes. Quero que ele tenha ao menos um amigo.
Jungkook mordeu o lábio, processando aquelas palavras. Por um momento, nenhum dos dois disse nada. Então, Jungkook cruzou os braços e soltou uma risada seca, fria.
— Um amigo de mentira?
Namjoon sentiu o peso daquelas palavras. Jungkook o encarava diretamente, seu olhar penetrante e maduro demais para uma criança de treze anos.
— Tem certeza de que quer mentir para seu filho em seus últimos dias?
Namjoon se sentiu falando com um adulto. Aquela criança conhecia a vida de um jeito que nenhuma criança deveria conhecer. Sabia o que era solidão, dor, abandono. Mas isso não fez Namjoon mudar de ideia.
— Sim, eu sei que é uma mentira. — Namjoon admitiu, o peso da culpa transparecendo em sua voz.
Ele odiava mentir para Jimin. Mas tinha medo de que seu filho partisse sem nunca ter conhecido a sensação de ter um amigo de verdade.
— Quero que ele saiba como é ter um amigo na escola. — continuou. — Quero que tenha alguém que o proteja e faça companhia.
Jungkook soltou um longo suspiro, sabia que aquilo não daria em boa coisa. Mas se houvesse pagamento envolvido, não via motivos para recusar.
— E o que eu ganho com isso? — perguntou, direto ao ponto.
Namjoon sorriu de canto, já esperando essa pergunta.
— Muito. Eu garanto que muito — Ele se inclinou ligeiramente para frente — Além de ter abrigo em uma casa confortável e segura, terá alimento em abundância, do bom e do melhor.
Fez uma pausa estratégica antes de acrescentar:
— E, obviamente, serei muito generoso com o pagamento.
Jungkook arqueou uma sobrancelha, claramente interessado.
— É uma proposta tentadora…
Namjoon respirou fundo, ansioso.
— E então, o que me diz?
Jungkook sorriu de canto, um sorriso esperto e calculista. A resposta era óbvia.
— Aceito! — declarou com convicção.
Mas, antes que Namjoon comemorasse, ele ergueu um dedo em advertência.
— Porém, já vou avisando… — acrescentou Jungkook, o tom sério. — Não vou me apegar a ele. Tudo será apenas um contrato de trabalho.
Seus olhos eram frios, vazios de qualquer emoção.
— Não sou de fazer amigos. Mas sei fingir muito bem.
Namjoon manteve o olhar fixo em Jungkook, avaliando suas palavras.
— Só quero que você faça ele se sentir bem e feliz.
— Isso eu posso fazer. Sou bom fingindo sentimentos. Mas se algo der errado, a responsabilidade não é minha. Sou apenas seu empregado.
— Não se preocupe, me responsabilizo por qualquer coisa, só preciso que faça o seu trabalho.
— Sem problemas. Só preciso ser amigo dele, não é? — Jungkook perguntou, indiferente, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
Namjoon assentiu, satisfeito com a aceitação rápida.
— Exato… — Ele cruzou os dedos sobre a mesa, assumindo um tom mais sério. — Mas, para isso, teremos que fazer algumas mudanças.
Jungkook arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Vou mexer meus pauzinhos e conseguir sua guarda secretamente. — Namjoon continuou. — Providenciarei uma casa confortável com empregados, roupas novas de grife e um orientador.
Jungkook esticou um sorriso divertido.
— Orientador? Pra quê?
Namjoon riu de leve.
— Porque você terá que entrar na escola de Jimin.
Jungkook fez uma careta.
— Urgh, escola…
— Será fácil. — Namjoon garantiu. — Mas a escola é só para a elite, então você terá que se passar por um garoto rico.
Ele estreitou os olhos, observando Jungkook com atenção.
— Seu orientador vai te ensinar boas maneiras.
Jungkook deu de ombros com desdém.
— Isso vai ser fácil.
Namjoon sorriu de lado, satisfeito com a confiança do garoto.
— Acho que encontrei a pessoa certa.
Jungkook se inclinou para frente, cruzando os braços sobre a mesa.
— Com certeza você encontrou a pessoa, tio.
Namjoon revirou os olhos, mas ignorou o “tio”. Naquele momento, tudo o que importava era saber que seu filho finalmente teria um amigo. E, por mais atrevido e problemático que Jungkook parecesse ser, ele era esperto e corajoso. Talvez ele fosse exatamente o que Jimin precisava.
A atendente chegou à mesa, equilibrando uma grande bandeja recheada de pratos. Assim que pousou a comida na mesa, Jungkook não perdeu tempo. Faminto demais para qualquer cerimônia, ele atacou a comida sem hesitação, devorando cada pedaço com rapidez impressionante.
Namjoon assistia em silêncio, ligeiramente surpreso com o apetite do garoto.
Como se uma bandeja cheia não fosse suficiente, Jungkook chamou a atendente de novo e pediu mais uma porção de cada.
Depois de finalmente saciar sua fome, Jungkook se recostou na cadeira, satisfeito.
Mas o dia ainda estava longe de terminar. Seguiram para um shopping de luxo, onde Namjoon o levou direto para um esteticista. Jungkook estranhou o ambiente no início, mas logo percebeu que não tinha escolha. Tomou um banho quente, teve as unhas cortadas e lixadas, fez limpeza de pele, cortou e hidratou os cabelos. Tudo com um tratamento digno de um verdadeiro herdeiro da elite.
O que antes era um garoto sujo e maltrapilho, agora parecia outra pessoa. E, por fim, veio o banho de loja. Namjoon fez questão de escolher apenas roupas de grife, das marcas mais caras e sofisticadas. Quando Jungkook saiu do provador, vestindo um blazer elegante, sapatos de couro e um relógio refinado, ele realmente parecia um menino rico, filho de CEO.
A postura ereta e o olhar determinado, que ele já possuía naturalmente, ajudavam a completar a ilusão.
Namjoon o observou de cima a baixo, satisfeito com o resultado.
— Agora sim, senhor Jeon Jungkook. — disse, com um pequeno sorriso.
Jungkook se olhou no espelho, analisando sua nova aparência com um sorriso convencido.
— Acho que posso me acostumar com isso. — murmurou, ajeitando o colarinho da camisa.
…
Durante aquele longo mês, Namjoon treinou Jungkook intensivamente. Não apenas com aulas de boas maneiras e etiqueta, mas também com informações detalhadas sobre Jimin — seus gostos, sua personalidade, suas manias. Queria que Jungkook estivesse preparado para desempenhar seu papel com perfeição.
Certa noite, Namjoon lhe entregou uma foto recente de Jimin, tirada durante a viagem à Disney. Jungkook pegou a foto e, por alguns segundos, ficou apenas observando-a. Na imagem, Jimin sorria alegremente, os olhos brilhando de empolgação. Se Jungkook não soubesse da doença, jamais imaginaria que aquele menino fofo e radiante estava vivendo seus últimos meses de vida. Ele passou os dedos pela borda da foto, absorvendo cada detalhe do rosto delicado e da expressão inocente de Jimin.
“Tão frágil… mas ao mesmo tempo tão cheio de vida”.
— Tudo bem, Jungkook? — Namjoon perguntou, notando o jeito aéreo com que ele olhava a foto.
Jungkook piscou algumas vezes, despertando de seus pensamentos.
— Sim, sim… — respondeu rapidamente, virando a foto. — Só estava estudando bem o rosto dele para não me confundir quando o conhecer.
Namjoon assentiu, satisfeito com a resposta.
Nos dias seguintes, Namjoon seguiu com o plano. Ele correu atrás de toda a papelada para a falsa adoção, tomando o cuidado de não deixar nenhuma conexão direta com seu nome. Também garantiu a matrícula de Jungkook na escola de Jimin, preparando todos os documentos falsos para sustentar sua nova identidade. E, assim, seu estranho plano estava cada vez mais perto de se concretizar.
O primeiro dia de aula do mais novo "filho de CEO" recém-chegado à Coreia finalmente havia chegado. Mas para Jungkook, aquilo não passava de um trabalho comum. Ele estava tranquilo, despreocupado, vestindo seu uniforme impecável e mantendo a postura perfeita que havia aprendido no último mês.
Um dos auxiliares de Namjoon o deixou na escola, e logo ele foi recepcionado pela professora, que o guiou até a sala de aula.
Ao entrar, todos os alunos já estavam sentados em silêncio, esperando a aula começar.
A professora se virou para a turma, sorrindo gentilmente.
— Classe, quero que deem boas-vindas ao seu novo colega — Ela lançou um olhar encorajador para Jungkook — Apresente-se, meu anjo.
Jungkook caminhou até a frente da sala, parando de costas para a lousa. Todos os olhares estavam sobre ele. Os alunos o observavam com curiosidade, analisando o novo colega. Jungkook, sem hesitar, abriu um sorriso charmoso, deixando suas covinhas à mostra.
— Olá, meu nome é Jeon Jungkook. — disse, sua voz doce e segura. — Me mudei há pouco tempo para a Coreia e espero fazer muitos amigos aqui.
Foi o suficiente. Os alunos se derreteram na hora. O sorriso encantador. As covinhas. A voz suave. A beleza inigualável.
Murmúrios começaram a surgir na sala. Algumas meninas coraram, outras se entreolharam animadas. Até mesmo os meninos pareciam impressionados.
Mas, no meio de todos aqueles olhares… Jimin era o único que não conseguia desviar os olhos. Nunca tinha visto um menino tão bonito antes. Seu coração bateu forte, sem que ele soubesse explicar o porquê.
"Ele nunca vai querer ser meu amigo…"
O pensamento desanimado ecoou na mente de Jimin enquanto observava o novo aluno ser recebido com entusiasmo pela turma.
Os alunos bateram palmas e deram boas-vindas animadas a Jungkook, que respondeu com uma reverência educada e um sorriso impecável.
A professora sorriu gentilmente para ele.
— Seja muito bem-vindo, Jungkook. — disse. — Fique à vontade e, se precisar de algo, me chame.
Jungkook assentiu com um aceno educado.
— Pode se sentar ali. — Ela apontou para uma mesa vazia.
A mesa de Jimin. O único aluno que não tinha um parceiro. Jungkook seguiu o olhar da professora e encontrou Jimin. Seus olhares se cruzaram por um breve instante. Jimin desviou rapidamente, envergonhado. Jungkook o reconheceu de imediato. O menino da foto. Mas ali, diante dele, Jimin parecia menor, mais frágil e triste.
Ele caminhou até a mesa e, ainda observando Jimin discretamente, colocou seus livros e cadernos sobre a mesa.
— Com licença. — disse, sentando-se ao lado dele.
Jimin engoliu em seco e murmurou baixinho:
— Fique à vontade.
Sua voz era tímida, carregada de um nervosismo que Jungkook não esperava.
O novo aluno se ajeitou na cadeira, folheando o livro até a página indicada na lousa. Então, se virou ligeiramente para Jimin.
— Sou Jungkook, como já deve saber. E você? Como se chama?
Jimin piscou algumas vezes, confuso.
— M-meu nome?
Ninguém na escola nunca tinha perguntado isso antes.
— Sim. — Jungkook insistiu, sorrindo. — Preciso saber seu nome, afinal, seremos colegas, não é mesmo?
Jimin abaixou o olhar por um momento, sentindo o rosto esquentar, mas então abriu um pequeno sorriso. Um sorriso fofo e genuíno. Jungkook o observou em silêncio por um instante.
— Meu nome é Park Jimin. — respondeu, animado pela primeira vez. — Pode me chamar só de Jimin.
Jungkook sorriu de volta, de forma gentil.
"Esse serviço vai ser fácil. Só preciso ser amigo dele e conquistar sua confiança. Vai ser muito fácil..."
Mas então, se pegou olhando novamente para Jimin. Seu sorriso tímido, os olhos brilhando com um toque de inocência...
"Ele é… bem bonitinho, na verdade."
— Jimin… é um nome muito bonito. — disse, mantendo o tom tranquilo.
Ele estendeu a mão, formalmente.
— Prazer em conhecê-lo, Jimin.
Jimin olhou para a mão estendida, surpreso. E então, pela primeira vez, apertou a mão de alguém na escola.
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