A Cura
32 Caos
Notas iniciais

Dimitri fez de tudo para encobrir o desaparecimento de Hoseok. Oficialmente, seu assistente jamais havia fugido. Nos bastidores, porém, a realidade era bem diferente. Assim que descobriu que o rapaz escapou e provavelmente retornou para a Coreia, enviou diversos homens para encontrá-lo e eliminá-lo antes que revelasse qualquer segredo sobre os experimentos de Union. O problema era que Hoseok simplesmente havia desaparecido do mapa, sem nenhum rastro, nenhuma testemunha e nenhuma movimentação bancária, registro ou pista que pudesse levar até ele.
Durante anos, Dimitri alimentou uma busca silenciosa e obsessiva, convencido de que, cedo ou tarde, encontraria o único homem capaz de comprometer toda a sua pesquisa. O que ele jamais imaginou era que Hoseok permanecia escondido sob uma nova identidade, protegido por documentos falsos cuidadosamente providenciados por Mingi. O CEO não apenas apagou todos os vestígios do passado do ruivo, como também o acolheu sob sua proteção. Com o passar dos anos, o vínculo entre os dois se fortaleceu tanto que Mingi passou a enxergá-lo como alguém precioso demais para perder. Se fosse preciso colocar a própria vida em risco para mantê-lo seguro, ele faria isso sem hesitar.
…
Já fazia alguns anos que Hyunjin e Jeongin moravam juntos em Union, a chamada Cidade Perfeita. Os dois integravam a equipe de pesquisadores do complexo e levavam uma rotina intensa, repleta de estudos, experimentos e longas jornadas de trabalho. Os únicos dias em que conseguiam desacelerar eram os fins de semana, quando finalmente podiam descansar e aproveitar a companhia um do outro sem a pressão constante dos laboratórios.
Naquela manhã de domingo, Hyunjin tentava, pela milésima vez, acordar o namorado. Desde que começaram a namorar, decidiram unir os dois quartos e comprar uma cama de casal, e nenhum dos dois jamais se arrependeu da decisão. A convivência só fortaleceu o que havia começado de forma tímida. Não demorou para que a amizade se transformasse em um amor tranquilo e sincero. Apesar de, no início, Hyunjin parecer frio e um pouco difícil de lidar, a verdade era que ele apenas tinha dificuldade para demonstrar os próprios sentimentos. Com o tempo, aquela barreira desapareceu, revelando um homem extremamente carinhoso, paciente e protetor. Sua única batalha diária continuava sendo sobreviver à bagunça que Jeongin conseguia fazer por onde passava.
— Innie... amor? — chamou baixinho, balançando-o com delicadeza. Já passava das onze da manhã e, mesmo sendo domingo, os dois haviam combinado de aproveitar o dia para limpar a casa.
Jeongin apenas resmungou algo incompreensível e, ainda completamente adormecido, procurou Hyunjin às cegas até envolvê-lo em um abraço apertado. Enterrou o rosto em seu peito e voltou a respirar profundamente, como se aquela fosse a posição mais confortável do mundo.
— Meu Deus... — Hyunjin soltou uma risadinha, acariciando os cabelos bagunçados do namorado. — Acho que meu bebê Innie não vai acordar hoje... Eu desisto.
Sem oferecer qualquer resistência, acomodou Jeongin ainda melhor contra o próprio peito, passou os braços ao redor dele e ficou ali apenas aproveitando o silêncio da manhã. O plano de limpar a casa foi completamente esquecido. Embalado pela respiração tranquila do namorado e pelo calor daquele abraço, Hyunjin acabou fechando os olhos também. Poucos minutos depois, os dois dormiam novamente, enroscados um no outro, completamente alheios ao mundo lá fora.
Como acontecia em praticamente todos os domingos, Hyunjin não conseguiu acordar cedo para aproveitar a folga. Na verdade, ele até despertou no horário em que havia planejado, mas Jeongin não tinha a menor intenção de sair da cama. O mais novo fazia questão de mantê-lo ali, agarrado em seus braços, insistindo em mais "cinco minutinhos" que quase sempre se transformavam em horas. Hyunjin jamais conseguia negar. Gostava demais daqueles momentos de preguiça e das conversas sonolentas e, claro, de tudo o que costumava acontecer quando os dois resolviam passar o dia inteiro debaixo das cobertas.
Quando finalmente criaram coragem para levantar, o restante do domingo foi dedicado à faxina da casa. No fim da tarde, ambos estavam completamente exaustos. Enquanto Jeongin terminava de organizar a sala, Hyunjin preparava um jantar simples, mas feito com todo o carinho. Acendeu algumas luzes mais suaves, abriu uma garrafa de vinho e transformou aquela refeição em um pequeno encontro romântico. Os dois amavam a vida tranquila que levavam em Union. Tinham bons empregos, uma casa aconchegante, estabilidade e a oportunidade de trabalhar diariamente ao lado da equipe científica liderada por Dimitri. Acreditavam sinceramente que viviam em um dos melhores lugares do mundo. O único detalhe que desconheciam era que, muitos metros abaixo de seus pés, existia um segredo capaz de transformar aquela cidade perfeita em um verdadeiro pesadelo.
Na manhã de segunda-feira, os dois acordaram cedo e iniciaram mais uma rotina de trabalho. Como quase sempre acontecia, Jeongin acabou se atrasando enquanto procurava alguma coisa que havia perdido pela casa e saiu correndo com um pedaço de pão entre os dentes, tentando terminar o café da manhã no caminho. Hyunjin apenas balançou a cabeça, já acostumado com o jeito desorganizado do namorado, e os dois seguiram juntos para o complexo de pesquisas.
Ao chegarem ao laboratório, tudo parecia absolutamente normal. Pesquisadores caminhavam pelos corredores, computadores funcionavam sem interrupções, equipamentos eram calibrados e os experimentos seguiam a rotina de sempre. Nada, absolutamente nada, indicava que aquela seria a última manhã comum que viveriam em Union.
Naquela manhã, Dimitri entregou a Hyunjin alguns tubos de sangue e pediu que fossem levados a outro médico pertencente à sua equipe mais restrita. Entre os pesquisadores, aquele grupo era conhecido apenas como "a equipe super secreta", pois eram os únicos autorizados a acessar os andares subterrâneos do complexo. Hyunjin colocou os tubos sobre sua bancada, ao lado de diversas outras amostras que analisaria ao longo do dia. Cumpriu a tarefa sem questionar, entregando o material ao colega indicado, e retornou ao próprio laboratório. Pouco depois, iniciou a análise de uma nova amostra no microscópio. Entretanto, sem perceber, havia trocado os tubos. A amostra que agora observava não era a que costumava examinar diariamente, mas justamente o sangue que Dimitri lhe entregou.
Hyunjin ajustou o foco do microscópio mais de uma vez, acreditando que estivesse cometendo algum erro. As células não se comportavam como qualquer tecido sanguíneo saudável. Elas apresentavam uma atividade metabólica absurda, dividindo-se em velocidade incompatível com a biologia humana. Mais perturbador ainda era o fato de algumas estruturas celulares perderem completamente sua organização e, segundos depois, reorganizarem-se em formas totalmente diferentes, como se estivessem se reescrevendo em tempo real. Era uma mutação contínua, agressiva e aparentemente inteligente, ignorando todos os princípios conhecidos da genética e da fisiologia. Hyunjin afastou o rosto da ocular por alguns segundos, respirou fundo e voltou a olhar, esperando encontrar um erro de focalização. Mas a cena permanecia exatamente igual. Aquilo era impossível. Nenhuma célula humana deveria ser capaz de fazer aquilo.
Hyunjin recuou um passo, sentindo um frio percorrer sua espinha. Sua mente começou a ligar acontecimentos que até então pareciam desconexos. O acesso proibido ao subsolo. A equipe isolada de Dimitri. Os experimentos secretos. O desaparecimento repentino do doutor Jung. Pela primeira vez, uma hipótese aterrorizante começou a ganhar forma em sua cabeça. Se aquele sangue realmente pertencesse a um experimento conduzido nos laboratórios subterrâneos, o que quer que estivesse sendo desenvolvido ali representava um risco inimaginável. Não apenas para Union, mas para qualquer pessoa que entrasse em contato com aquilo.
"Preciso tirar o Innie daqui... agora." O pensamento surgiu com tanta força que fez seu coração acelerar.
"Agora eu entendo por que nunca temos contato com o mundo lá fora... nós não estamos protegidos... estamos presos." A lembrança de Hoseok também lhe atravessou a mente.
"O doutor Jung desapareceu... Meu Deus... tomara que ele tenha conseguido fugir. Espero que não tenham feito com ele o mesmo que estão fazendo com essa suposta amostra.”
Hyunjin mal teve tempo de organizar os pensamentos. No instante em que segurou a maçaneta para sair e correr até o laboratório de Jeongin, uma explosão ensurdecedora sacudiu todo o complexo. O chão vibrou violentamente sob seus pés, as luzes piscaram e as paredes estremeceram, parecia um terremoto. O impacto foi tão forte que o lançou para trás. Hyunjin caiu no chão, instintivamente protegendo a cabeça com os braços, enquanto o teto rangia acima dele e objetos despencavam das prateleiras ao redor.
— INNIE! — O grito escapou antes mesmo que Hyunjin pudesse pensar. Levantou-se com dificuldade, ainda sentindo o impacto da explosão, e correu para fora de sua sala.
O laboratório havia mergulhado no caos. Pesquisadores e funcionários corriam desesperados pelos corredores, tentando alcançar a saída enquanto alarmes ecoavam por todo o complexo. Pessoas gritavam ordens, outras choravam e algumas ajudavam colegas feridos. Hyunjin, porém, fez exatamente o oposto. Ignorando a multidão que corria em direção à superfície, atravessou o fluxo de pessoas, abrindo caminho entre elas enquanto seguia para a sala de Jeongin. Seu olhar percorria cada rosto que cruzava, na esperança de encontrá-lo antes de chegar ao destino. Cada segundo aumentava sua angústia.
Quando finalmente entrou no laboratório de Jeongin, encontrou o namorado encolhido debaixo de uma mesa, protegendo a cabeça com os braços. O rosto estava pálido, e lágrimas escorriam livremente por suas bochechas.
— AMOR! — Jeongin gritou assim que o viu, a voz carregada de desespero.
— Innie! — Hyunjin correu até ele e o envolveu em um abraço apertado. Sentia o corpo do namorado tremer contra o seu. — Você está bem? Se machucou? Sente alguma dor?
— E-eu... eu estou bem... — respondeu entre respirações trêmulas. — Só... só estou com muito medo. O que aconteceu? O que tá acontecendo com esse lugar?
— Eu também não sei... — Hyunjin acariciou seus cabelos, tentando transmitir uma calma que nem ele próprio possuía. — Mas eu prometo que vou tirar você daqui.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, outro tremor sacudiu violentamente o prédio. A explosão inicial parecia ter desencadeado uma reação em cadeia, e novos estrondos ecoaram pelas estruturas subterrâneas. Luminárias se desprenderam do teto, placas metálicas se retorceram e fragmentos de concreto começaram a cair. Sem pensar duas vezes, Hyunjin puxou Jeongin para junto do próprio corpo e o protegeu com os braços, recebendo sobre si parte dos pequenos destroços que despencavam ao redor. Permanecer ali significava correr o risco de serem soterrados a qualquer instante.
Quando os tremores diminuíram por alguns segundos, Hyunjin soltou lentamente o abraço e voltou a olhar para Jeongin, certificando-se de que ele continuava inteiro.
— Precisamos sair daqui agora. — Segurou sua mão com firmeza. — Consegue correr?
— Consigo... — respondeu, respirando fundo para recuperar o controle da própria voz. — Vamos embora logo... eu... eu estou com um pressentimento muito ruim.
Antes que pudessem deixar a sala, Hyunjin percebeu uma fina rachadura atravessando o piso. De seu interior escapava uma fumaça arroxeada que se espalhava lentamente pelo ambiente, formando pequenas nuvens próximas ao chão. O pesquisador franziu a testa imediatamente.
— Innie, rápido! As máscaras! Não sabemos que substância é essa.
Jeongin não hesitou. Correu até o armário de equipamentos de emergência, pegou duas máscaras de gás e entregou uma a Hyunjin. Os dois as colocaram rapidamente enquanto observavam, apreensivos, a fumaça roxa continuar escapando pelas rachaduras que surgiam cada vez mais pelo laboratório.
Hyunjin fez um sinal para que Jeongin o seguisse, e os dois saíram da sala o mais rápido que puderam. Assim que alcançaram o corredor, encontraram-no quase completamente tomado pela fumaça arroxeada. A suspeita de Hyunjin se confirmou imediatamente. Aquela substância era altamente tóxica. Bastava uma única respiração sem proteção para que as pessoas cambaleassem, levassem as mãos à garganta e caíssem no chão sem vida. Algumas ainda tentavam correr por alguns metros antes de desabar, enquanto outras simplesmente desmoronavam onde estavam, como se seus corpos tivessem desligado de uma hora para outra.
Jeongin caminhava agarrado ao braço de Hyunjin com tanta força que seus dedos chegavam a doer. Estava apavorado. A respiração acelerada ecoava dentro da máscara de gás, tornando o próprio desespero ainda mais alto em seus ouvidos. Ao redor deles, pesquisadores, médicos e funcionários tombavam um após o outro, e tudo o que ele podia fazer era continuar seguindo em frente. Seus olhos ardiam ao assistir aquelas mortes, e a vontade de chorar apertava seu peito, mas sabia que, se parasse por um único instante, provavelmente teria o mesmo destino. À sua volta, centenas de pessoas corriam desesperadas, tentando escapar da fumaça que avançava pelos corredores como uma criatura viva.
Quando finalmente conseguiram deixar o prédio, Hyunjin acreditou, por um breve segundo, que o pior havia ficado para trás. A ilusão durou apenas alguns instantes. Diante de seus olhos, um homem que havia acabado de morrer ergueu lentamente a cabeça, apoiou as mãos no chão e tornou a ficar de pé. Seus movimentos eram estranhos, rígidos e completamente antinaturais. Sem emitir uma única palavra, ele se lançou sobre uma mulher que tentava ajudá-lo e cravou os dentes em seu pescoço. O grito desesperado ecoou pela rua, enquanto o sangue jorrava sobre o asfalto. Jeongin fechou os olhos imediatamente, incapaz de suportar aquela cena, enquanto Hyunjin o puxava pelo braço, obrigando-o a continuar correndo o mais longe possível dali.
Os dois atravessaram as ruas em meio a uma multidão tomada pelo pânico. A fumaça roxa já escapava do complexo e começava a se espalhar rapidamente por Union, envolvendo quarteirões inteiros. À medida que avançava, mais corpos caíam e, momentos depois, voltavam a se levantar para atacar qualquer pessoa viva que encontrassem pela frente. Os automóveis perderam completamente o controle. Alguns motoristas desmaiavam ao volante, outros desviavam bruscamente das pessoas que cruzavam as ruas, provocando colisões em sequência. O som de metal sendo esmagado misturava-se aos gritos de dor e aos alarmes dos veículos. Quem conseguia sair dos carros era imediatamente cercado pelas criaturas e devorado ainda vivo. Os que escapavam dos mortos acabavam inalando a fumaça tóxica, tombando poucos metros adiante para, pouco depois, se juntar ao mesmo horror. Em questão de minutos, a cidade perfeita mergulhou em um caos absoluto. Por todos os lados só havia fumaça, sangue, destroços e os gritos desesperados daqueles que ainda lutavam para sobreviver.
Hyunjin concentrava toda a sua atenção em manter Jeongin vivo. Enquanto todos corriam sem direção, dominados pelo pânico, ele obrigava a si mesmo a pensar com frieza. Seguir a multidão significava disputar espaço com centenas de pessoas desesperadas, além de permanecer próximo da fumaça e daquelas criaturas. Precisavam sair do nível da rua. Quanto mais alto estivessem, menores seriam as chances de serem alcançados. Se a fumaça continuasse se espalhando rente ao chão, talvez os andares superiores ainda estivessem seguros. Era uma aposta, mas era a melhor que tinha.
Sem perder mais um segundo, apertou a mão de Jeongin com força e o puxou para dentro do prédio mais próximo. Os dois atravessaram o saguão praticamente vazio e começaram a subir as escadas correndo. Os degraus pareciam intermináveis. O ar queimava dentro dos pulmões, as pernas imploravam por descanso e o coração batia tão forte que chegava a doer, mas nenhum dos dois diminuía o ritmo. Naquele momento, parar significava morrer.
Quando finalmente alcançaram o último andar, encontraram um corredor mergulhado na penumbra. O silêncio ali era quase perturbador depois do caos que haviam deixado lá embaixo. A fumaça arroxeada ainda não havia chegado até aquele nível, e, pelo menos por enquanto, também não havia sinal dos mortos vivos. Hyunjin escolheu rapidamente uma das salas, entrou com Jeongin e trancou a porta. Antes de relaxar, fez um gesto para que o namorado permanecesse junto à entrada enquanto ele inspecionava o ambiente. Caminhou lentamente pelo cômodo, verificando os cantos, armários e janelas. Não havia ninguém. Somente então retirou a máscara de gás e voltou até Jeongin, ajudando-o a remover a dele também.
— Innie... você tá bem? — perguntou entre uma respiração e outra, ainda tentando recuperar o fôlego.
— Acho que... na medida do possível... sim... — respondeu, respirando profundamente o ar limpo da sala. Seus olhos ainda estavam marejados de medo. — Meu Deus... o que foi aquilo? O que está acontecendo?
— Eu ainda não tenho certeza... mas desconfio que...
A frase morreu no meio do caminho. Um ruído seco ecoou no fundo da sala. Hyunjin reagiu imediatamente e empurrou Jeongin para trás de si.
— Quem está aí? — perguntou, mantendo os olhos fixos na direção do barulho.
Por alguns segundos, ninguém respondeu. Então, lentamente, uma figura surgiu debaixo de uma das mesas. Era um rapaz loiro, de baixa estatura, completamente pálido. O rosto estava coberto de lágrimas secas, e suas mãos tremiam tanto que mal conseguia mantê-las paradas. Seus olhos percorriam os dois com uma mistura de esperança e medo.
— Vocês... são o resgate? — perguntou com a voz quase falhando.
Hyunjin respirou mais aliviado, percebendo imediatamente que se tratava apenas de um sobrevivente.
— Não, infelizmente não. Somos pesquisadores do complexo científico. Houve uma explosão nos laboratórios... e lá embaixo virou um inferno. — Respirou fundo antes de continuar. — Meu nome é Hyunjin... e este é o Jeongin. Como você se chama?
O rapaz abaixou a cabeça. Apertou as próprias mãos com força, como se tentasse impedir que continuassem tremendo. Quando voltou a falar, sua voz saiu baixa e quebrada.
— Eu... eu sou o Felix... — respirou fundo, contendo um soluço. — Meu pai... ele... ele ficou para trás… — As lágrimas voltaram a escorrer. — Ele se sacrificou para que eu conseguisse fugir. Aquelas pessoas... elas... elas devoraram ele na minha frente.
A sala mergulhou em um silêncio pesado. Lá fora, ao longe, ainda era possível ouvir gritos e, misturados a eles, os grunhidos daqueles que já não eram mais humanos.
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