A Culpa é dos Pornôs gay
7 Capitulo VI
Notas iniciais
O moreno olhou-se no espelho, ajeitou o cachecol e suspirou. A sobrecasaca era de um pano pesado e escuro, além de ser um tanto quente, mas estava frio lá fora, as noites estavam mais frias que o normal e aquela peça antiga jogada em seu guarda-roupa lhe caia muito bem.
Sacudiu a cabeça ajeitando o cabelo molhado, enfiou as mãos no bolso e saiu. Nem ao menos sabia o porquê havia aceitado o convite de Vincent, não gostava da ideia de ver muita gente, ainda mais pessoas que ele não conhecia.
Lembrou-se da tarde passada, por um momento pode sentir o perfume de Hideki mais uma vez, seu toque e como aquela sensação havia sido estranha, mas de uma maneira confortável. Lembrou-se de como não pronunciou nada, não se mexeu e mal respirou.
Viu-o se afastar e nada fez. Ficar perto do ruivo trazia certa tristeza ao rapaz, por motivos que ele não entendia, pelos sentimentos que ele ainda não conseguia explicar. E mesmo que ele tentasse compreender tudo que se passava nesses últimos dias, não podia fazer nada, a não ser querer ser o Silvio Sauntos e sair distribuindo dinheiro, porque ele havia desenvolvido esse estranho desejo.
O taxi o esperava do lado de fora.
* * *
O caminho até o local marcado demorou cerca de quarenta minutos e ele estava um tanto atrasado. De acordo com Vincent algumas pessoas da faculdade marcaram de sair para comemorar o segundo ano de “vitórias”. Alguns calouros iriam estar lá, e Akane era um deles.
O moreno desceu do taxi em frente ao que parecia ser uma boate. O som estava alto e sua vontade estava um tanto baixa, encostou-se na parede fria e encarou o céu, não haviam muitas estrelas, ao contrario, essas quase não podiam ser vistas a olho nu. Em compensação, a lua minguante estava encantadora.
– Achei que não viria mais. – Vincent estava um charme, era uma mistura de “eu sou certo” com “baby, vou te pegar fácil”. O loiro sorriu e movimentou a cabeça em direção a entrada do local onde ocorria a festa. – Vamos?
Akane sorriu sem jeito e movimentou a cabeça afirmativamente. Nietzsche empurrou a porta de vidro e deu passagem ao menor, entrando logo em seguida. Ambos caminharam em direção ao bar. O menor teve um pouco de dificuldade para se sentar no banco alto, a música estava ensurdecedora e aquilo o incomodava muito.
– O que vai querer, Senhor Nietzsche? – A mulher se inclinou no balcão oferecendo a visão de fartos seios.
– Dois Long Island Iced Tea, o meu com um pouco de limão. – O rapaz piscou para a jovem.
Akane apenas observava, nunca havia se interessado por bebidas, na verdade, na vida ele nunca havia provado nada alcoólico, era voltado a refrigerante e sucos de frutas. O moreno nem ao menos imaginava do que aquilo poderia ser feito.
Um grupo de três garotas se aproximava devagar, elas estavam trajadas de uma maneira um tanto vulgar, curtos vestidos de cores chamativas. Por um momento o menor se imaginou congelando num vestido daqueles no meio de uma noite fria como aquela.
A ruiva que estava no meio olhou para Vincent e em seguida para o moreno, as duas loiras que a acompanhavam seguraram cada uma em um braço de Akane e sorriram.
– Porque não vem dançar com a gente? – Perguntou uma das jovens. – Carne nova é sempre a melhor. – Assim dizendo mordiscou a orelha direta do pequeno.
O rapaz sentiu sua alma se debater dentro de seu corpo, ele se sentiu preso dentro de um iceberg.
– Recusar é feio. – Riu Vincent. – Aproveite a noite.
Mesmo não gostando da ideia, Akane se deixou levar, logo se via entre as três enquanto tentava movimentar seu corpo na mesma frequência que as delas.
O loiro os observava de longe, tirou do bolso uma pequena pílula e abriu um largo sorriso malicioso.
– Ei amor, o que vai aprontar? – Perguntou a mulher do bar enquanto entregava as bebidas.
– Eu também quero aproveitar a noite. – Pegou o copo de Akane e colocou o pequeno objeto dentro, o balançou enquanto via-o desaparecer aos poucos.
– Pro garotinho? – Ela arqueou uma sobrancelha.
– Pra quem mais seria? – Ele riu.
– Não sabia que cortava pra ambos os lados. – Ela ajeitava mais algumas bebidas, um tanto surpresa.
– Oh, querida. – Vincent segurou seu queixo e sorriu. – O que vier é lucro.
– Não foi o que disse quando me levou pra cama. – Ela se afastou com um copo na mão sem deixar de olhá-lo.
– Não foi? – O maior massageou a nuca. – Bem, eu digo muitas coisas.
– Você é terrível, Vincent.
– Talvez. – Ele pegou os copos. – Mas deve ser por isso que consigo tudo.
– Um dia essa mascara cai. – Ela suspirou. – Não serão todos que caíram no seu papo e você não vai ter esse rostinho bonito pra sempre.
– É... – Antes de tomar seu caminho em direção a Akane, olhou uma ultima vez para a mulher. – Por isso tenho que aproveitar para tirar a virgindade de vadias carentes enquanto posso, não?
A moça abriu a boca, mas a fechou logo em seguida. Tirou seu avental e passou pela porta ao lado do armário de bebidas. Nietzsche dirigiu-se para onde o moreno estava, ao perceber a presença do loiro, as mulheres se despediram e foram cada uma para um lado. O som estava ainda mais alto.
– Toma. – O maior ofereceu-lhe a bebida.
– O que é isso? – Perguntou enquanto cheirava o liquido.
– Coquetel. – Ele sorriu. – Ah, e não vale dar um golinho, a graça da coisa é beber rápido e máximo possível.
– Parece forte... – O moreno hesitou por alguns segundos.
– Vamos, não é tão ruim. – O loiro virou o copo, chegando a beber pouco mais que a metade. – Sua vez.
Akane respirou fundo, olhou para o copo e o virou, o liquido era de um gosto forte, amargo e horrível, aquilo de certa forma ardeu sua garganta e o fez querer parar, mas mesmo assim prosseguiu, chegando a tomar pouco a mais que seu amigo.
O moreno fez uma careta ao terminar e Vincent riu.
– Eu prefiro refrigerante... – Resmungou.
As garotas que antes o acompanhavam voltaram para recolher os copos, Vincent sorriu e começou a se movimentar conforme a batida da música, o menor sem saber o que fazer, olhou as pessoas em volta e fez o mesmo. Os flashs de luz pareciam ficar mais fortes com o passar do tempo, até mesmo começaram a tomar formas.
– Eu acho que é melhor eu ir indo... – O moreno esfregou os olhos, jurando ver um ET no lugar do DJ.
– Por quê? – O loiro arqueou uma sobrancelha como se não estivesse entendendo. – A festa mal começou.
– Eu sei, mas eu não me sinto bem. – O menor sentiu seu corpo pesar e ver aranhas douradas pelo teto do local.
– Você pode se deitar um pouco. – Vincent segurou o braço do rapaz. – Vem comigo.
Akane pode ver Hideki entrar pela porta da frente antes de ser puxado pelo amigo, eles caminharam até os fundos, Nietzsche Pegou o pequeno no colo e carregou-o pelas escadas, abriu uma ultima porta num largo corredor e jogou-o na cama. O moreno sentia o mundo girar e nem estava armado para se defender dos alienígenas.
– Vincent, eu preciso ir pra casa. – O rapaz sentou-se na cama.
– Por quê? Fique mais um pouco.
– Estou... Cansado.
– Eu sei que está. – O loiro deitou-o e segurou seus pulsos, posicionando-se de quatro por cima de Akane. – Mas está tudo bem, você está comigo.
– O que está fazendo? – O moreno sentia-se como uma geleia em decomposição após ser atropelado por uma manada de búfalos furiosos depois de ouvir um CD da Xuxa.
Vincent segurou-o um pouco mais forte e se aproximou, beijando-o em seguida. O menor tentava de alguma maneira se soltar, mas seu corpo estava mais fraco que o normal. Seus olhos lacrimejaram e ele os fechou forte desejando não estar ali. Ao abri-los viu um ET em cima de seu corpo esfregando suas mãos de três dedos no mesmo.
O desespero foi tanto que o rapaz conseguiu chutá-lo. Vincent caiu da cama e Akane correu enquanto gritava como uma menininha assustada, capotou nas escadas e bateu a cabeça no muro em frente a mesma.
Ao ver que o ET se aproximava rapidamente enfurecido, levantou-se e voltou a correr. Atropelou a todos no salão enquanto mirava na porta de vidro por onde não deveria ter entrado, logo vários ET’s o perseguiam e seu desespero apenas aumentava.
– Eu juro que nunca mais vou desafiá-los! – Akane choramingou enquanto corria. – Eu nunca mais vou culpá-los! Me desculpem!
Logo se via livre do lugar, mas não de seus inimigos. Correu quarteirões até conseguir despistá-los. Estava cansado, sua testa estava sangrando, ele via criaturas estranhas andando pela rua e o olhando como se o mesmo estivesse louco. Enfiou a mão no bolso da sobrecasaca e viu que havia perdido seu celular e a carteira.
Não sabia onde estava, o que estava acontecendo ou como voltaria pra casa. Caminhou um pouco mais até chegar a um pequeno parque, sentou-se no balanço e encostou a cabeça na corrente que o segurava, fechou os olhos por medo. Não queria ver nada mais.
– Akane! – Chamou.
O moreno abriu os olhos e viu um tipo de lobisomem, que de alguma maneira o lembrava muito do homem nu de seu sonho, o pequeno fechou os olhos e se encolheu no lugar onde estava sentado.
– Por favor, não me machuque.
– Eu não vou te machucar. – Hideki se aproximou e puxou-o pra si. – Por que estava fugindo de mim?
– Eu estava fugindo dos ET’s, eles querem me matar porque eu não fiquei com o líder deles. – O moreno recusou-se a abrir os olhos.
– Quem te convidou? – O ruivo passou o dedo pelo corte na testa do rapaz. – Quem fez isso?
– Foram eles... – Akane sentiu seu corpo pesar um pouco mais, mesmo com os olhos fechados tudo ainda parecia girar e foi assim que sua noite havia acabado. Ao menos a parte em que ele se encontrava consciente.
O maior segurou-o antes de caísse e o pegou no colo. Suspirou e começou a caminhar. Felizmente o apartamento do mesmo era próximo da boate onde havia ido, infelizmente ele havia corrido muitos quarteirões para alcançar o pequeno.
O ruivo suspirou, as poucas pessoas que ainda estavam na rua o olhavam, mas ele preferiu ignorar, tinha que chegar rápido em casa para poder ajudar o seu... Amigo? Decidiu tomar um caminho que não passasse em frente á boate, Vincent e os amigos ainda poderiam estar o procurando e mesmo que achassem não o tirariam de Hideki tão facilmente, mas cinco contra um, séria algo um tanto injusto.
Foram mais de quarenta minutos de caminhada, no prédio só havia visto uma moça que folheava um livro distraidamente. Hideki chegou ao seu apartamento em pouco tempo, infelizmente teve que colocar Akane sobre um ombro, como geralmente se segura um saco, para pegar a chave.
– Desculpe. – Sussurrou o maior.
Entrou no apartamento e ajeitou-o em seu colo em seguida. Subiu a escada e abriu uma porta no lado direito do corredor, deitou o moreno em sua cama e dirigiu-se ao banheiro onde encontrou uma pequena caixa de primeiros socorros.
Os músculos de todo seu corpo estavam um tanto doloridos, por mais que Akane não fosse pesado, havia demorado muito para chegar. Voltou para o quarto e limpou o sangue no rosto do menor, ajeitando um pequeno e improvisado curativo em seguida.
Sentou-se na cama de casal e ficou observando-o por longos minutos, o celular em seu bolso vibrou, o rapaz retirou o mesmo de lá e olhou para o numero na tela. Era sua irmã, pela trigésima vez apenas naquela noite, o ruivo suspirou e desligou o aparelho.
– Você me ama?
Hideki assustou-se ao ouvir e voltou a olhar para Akane, o mesmo ainda dormia. O maior abriu um sorriso torto e cobriu-o, o viu dar umas risadinhas enquanto se mexia, fechou as cortinas na janela e caminhou devagar em direção à porta.
– Ôh, Nicki Minhanavej, não seja boba! – Resmungou o pequeno. – Não é que eu não goste de repolho, mas eu já estou apaixonado.
O ruivo riu e desistiu de sair, voltou para a cama e se deitou ao lado do moreno. Seria apenas para ter certeza que estava tudo bem, provavelmente Akane acordaria acabado no dia seguinte e ele queria estar ali pra ajudar. Afinal, não faria mal, ou foi o que pensou.
Hideki queria descobrir o que havia acontecido para tudo chegar a esse ponto e esperava que o amigo falasse assim que acordasse, poderia fazer algo, ou tentaria. Olhou para Akane, segurou uma mexa de cabelo castanho e colocou-a atrás da orelha.
– Não fique brava. – O pequeno sussurrou. – Eu o amo mais que miojo, um dia alguém vai te amar assim também.
– Será? – O maior riu novamente e passou a mão pelo cabelo do moreno.
– Eu espero que ele me ame. – Ele balançou a cabeça afirmativamente. – Não que o preço da nutella seja relativo a um golfinho, mas eu gosto bastante de Alfred. – E repetiu o movimento.
– Faz sentido. – Hideki imitou o movimento.
Akane moveu-se para o lado e abraçou o ruivo, que o olhou sem entender, mas logo viu que o mesmo ainda dormia. Atreveu-se a abraçá-lo também, o cabelo do moreno estava levemente úmido, mas não era um problema. Puxou-o um pouco mais e com cuidado para não acordá-lo, ele estava protegido. Está tudo bem agora, Akane.
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