A Culpa é dos Pornôs gay
8 Capitulo VII
Notas iniciais
Os dias eram frios, a neve branca cobria o chão e tudo parecia igual. O acanhado garotinho esfregou os olhos enquanto admirava a nova estação pela janela, calçou as pantufas e correu escada a baixo.
– Mamãe! – Ele saltitou. – Papai Noel já veio deixar a neve!
A mulher bem vestida estava ao telefone e ignorou a criança. O loirinho encarou-a durante longos minutos e em seguida seguiu para o quarto do pai, o mesmo também segurava o aparelho próximo à orelha.
– Pai! – Assim dizendo segurou o casaco do senhor alto. – Podemos fazer bonecos de neve?!
– Agora não Vincent. – O homem o empurrou e pegou a maleta.
A casa era grande, seu amplo quarto estava cheio de brinquedos, mas aquilo parecia tão pouco. Tudo parecia tão insuficiente e tanto ao mesmo tempo. O garotinho trajou uma roupa mais quente e colocou suas luvas preferidas, apanhou a mochila da escola e segurou-a com firmeza.
Havia escutado uma conversa de seu pai com uma moça estranha e a mesma dizia que mulheres gostam de ações e que ela não esperaria por ele para sempre. Então o menor decidiu que iria confessar seus sentimentos para a garota da qual gostava. Não tinha muito tempo, afinal as aulas acabariam em menos de uma semana.
Despediu-se de seus pais, porem os mesmos ignoraram-no novamente, mas não era um problema, eles estavam ocupados. O criado abriu o portão para o pequeno, que correu para o carro que o esperava.
Robert, um senhor calvo e simpático era o motorista que levava-o para a escola todos os dias. Eles eram grandes amigos, aparentemente o único amigo de Vincent. O garoto contou ao senhor que hoje seria um grande dia e o velho desejou sorte.
Não demoraram muito para chegar à escola, o loiro abriu a porta e saiu em um salto. Acenou para o amigo que partiu em seguida. Segurou as alças da mochila e percorreu seu trajeto sobre a neve fofa, como se aquilo fosse uma corrida e ele estivesse próximo da vitória.
Cathelyn estava próxima da quadra com suas amigas, ela era baixinha e tinha lindos olhos azuis, acompanhados a um longo cabelo negro. Usava seu vestidinho rosa preferido e um casaco aparentemente novo. As pernas de Vincent estavam tremulas e seu coração batia forte.
O menor respirou fundo e aproximou-se rapidamente, evitou olhar diretamente para a garota, mas sentiu os olhos da mesma sobre ele.
– Ca-Cathelyn! – Ele mordeu forte o lábio inferior. – Eu gosto muito de você!
A menina encarou-o durante longos e intermináveis segundos, as bochechas de Vincent estavam vermelhas, assim como seu nariz. O que não poderia se dizer se era consequência do tempo ou de seu movimento.
– Desculpe... – Ela respondeu sem jeito. – Mas eu gosto do...
Um grupo de garotos se aproximava e Vincent viu a jovem correr em direção a um rapaz ruivo. Suas amigas continuaram encarando o loiro e riram por algum tempo, até se juntarem ao outro grupo.
O menor enfiou as mãos no bolso do casaco e dirigiu-se a saída da escola, ele não precisava de nenhuma garota, da atenção dos pais ou muito menos amigos. Ele estava feliz da maneira em que se encontrava, ou ao menos queria acreditar que sim.
Caminhou por horas, e nem ao menos sabia para onde estava indo. Estava se sentindo mal, mas nem ao menos sabia o porquê, ou talvez não quisesse ver o que estava em sua frente.
– Psiu! – Ouviu uma voz chamar, aquela estranha voz fina e masculina soou um tanto engraçada.
Vincent olhou para o beco ao seu lado esquerdo e viu uma caixa de papelão se mexer. Pensou em correr, mas algo segurou seu pé e o puxou. O pequeno tentou gritar, mas a mão fina e gelada tapou sua boca.
– Shi! – O garoto moreno usava um capacete de papelão e segurava uma espada feita do mesmo material. – Eles vão nos ouvir...
– Quem? – Sussurrou tirando a mão do outro de sua boca.
– Os ET’s! – Torceu o nariz. – Quem mais seria?!
– ET’s não existem, seu bobo! – Vincent cruzou os braços.
– Você quem pensa... Eles estão lá o tempo todo. – O moreno segurou a blusa do loiro e olhou-o nos olhos. – Eles comem nossa comida e roubam os presentes que o papai Noel deixa! Mas eu sei o segredo deles... – Assim terminando o soltou.
– Uh... – O pequeno engoliu um seco. – E qual é?
– A fraqueza deles é... Gato com pão e manteiga! – O maior riu num tom de vitória enquanto levantava a espada.
– Legal! – O loiro animou-se também.
– Vamos, recruta! – Assim dizendo, o capitão pegou uma caixa de papelão e colocou-o na cabeça de Vincent, segurando seu braço e correndo em seguida.
Ambos correram para a base quartel general Nasa covil tartaruganinja ultrassecreto, vulgo casa da mãe do moreno. Entraram deixando um rastro de neve pelo corredor. No quarto havia apenas uma cama simples e alguns brinquedos velhos, um gato bege e preto, um pão e uma colher com manteiga. O plano era simples, passar manteiga no pão, amarrar o pão nas costas do gato e tacar ele nos inimigos. Como o gato sempre cai em pé e o pão sempre cai com a parte da manteiga pra baixo, eles criariam uma massa infinita de destruição giratória.
Após explicar o plano, o capitão soltou uma risada maligna e começou a executa-lo. Vincent apenas observou, mas estava tão empolgado com a ideia quanto o outro.
Após terminarem, foram para a rua muito bem armados, o moreno segurou com força o gato e mirou para cima, quando ia jogar o felino o mesmo grudou em seu rosto com suas lindas unhas nem tão afiadas.
O maior correu desesperadamente pela rua enquanto xingava os alienígenas por estragarem seu plano. Algum tempo depois o animal o soltou e já começava a escurecer. Dona Yoko, a visinha do moreno chegou em casa junto a seus dois filhos, fez alguns curativos no menino e conseguiu ligar para os pais de Vincent, após ele explicar como havia chegado ali.
– Não pode sair sem a companhia de um adulto! – Brigou a mulher. – E você, Senhor Ikeda! Pare de caçar ET’s!
– Mas Dona Yoko, eu estou salvando a comida desse mundo! – Resmungou levantando sua espada.
– Salve a si mesmo antes. – Ela acabou rindo, tirou o papelão da cabeça de seu vizinho e passou a mão por seus cabelos, ajeitando-os. – Amanhã você vai à escola, certo?
– É... – Ele revirou os olhos.
– Aposto que aquela sua amiga sentiu sua falta hoje. – Continuou à senhora.
– Ela entende que eu tenho coisas mais importantes pra fazer e disse que estaria torcendo por mim!
Vincent observava tudo em silencio, mas se sentia bem em estar ali e ainda mais por estar perto do novo amigo, ou capitão. Um carro preto parou em frente a casa e o loiro despediu-se de ambos ali presentes. Antes de entrar no carro, parou e olhou para trás.
– Capitão! – Gritou. – Qual seu nome?
O moreno sorriu e seus lábios se mexeram.
Vincent acordou em um pulo e viu que havia dormido na boate, sua cabeça latejava, o mesmo massageou a nuca dolorida, não lembrava-se direito da noite passada e na verdade não queria lembrar. Olhou para as três mulheres das quais dividiam a cama consigo e suspirou.
– Qual seu nome, capitão...
* * *
Akane virou e assustou-se ao beijar o chão, uma péssima maneira de acordar. Sentiu sua cabeça estalar, seu corpo e sua alma. Sentou-se e apoiou a mão no chão de madeira, fechou os olhos e respirou fundo, abrindo-os em seguida. O quarto estava muito bem organizado, a mobília era excelente e aparentemente cara.
O moreno se levantou e caminhou pelo local, explorando-o, não se lembrava de nada da noite passada, apenas de sair de casa, o que não era um bom sinal. Cambaleou até a cômoda e olhou fixamente para o porta-retratos.
Ele se sentia diferente, algo estava completamente errado. Seu corpo queimava e ele sentia uma necessidade grande de se tocar, o suor frio escorria por seu rosto pálido. Olhou para as próprias calças notando certo volume.
A porta do quarto se abriu, Hideki olhou para o pequeno e sorriu. Akane sentiu seu coração parar por um segundo, correu e jogou-se na cama, cobrindo-se com a coberta logo em seguida.
– Não se aproxime! – Gritou o mesmo, olhou para suas calças novamente e sussurrou. – Amigo, isso não é hora, local, circunstancia, não é pra ativar agora.
– Qual o problema, Akane? – O ruivo sentou-se na ponta da cama e arqueou uma sobrancelha. – Vem, vamos tomar café.
O menor fechou os olhos e segurou com força a coberta que o cobria, sentiu seu membro brigar com a cueca e sua calça querendo sair, ver o ambiente e brincar com os amigos. Logo a imagem de Hideki nu passou por sua cabeça, com uma folha de bananeira cobrindo aquilo que não deve ser nomeado.
O maior suspirou e puxou a coberta e assim começou a terceira guerra mundial. De um lado Brasil e do outro Alemanha. A campainha tocou algumas vezes, mas ambos estavam ocupados demais brigando para fazer qualquer coisa.
– Socorro! – Gritou Akane cruzando as pernas e puxando uma parte do tecido.
– Pare com isso! – Retrucou Hideki enquanto puxava um pouco mais forte.
Logo o som de passos pode ser ouvido, mas ambos ignoraram isso. O moreno pode ver então um loiro baixinho pular no maior e assim derrubá-lo caindo junto. Toshi se levantou ajeitou o cabelo e segurou com firmeza a bolsinha rosa com fivelas e começou a bater em Hideki com a mesma.
– Não ouse estur... Abusar do meu amigo, seu troglodita! – E assim continuou o movimento, junto de sons que soaram como vários “ia!”.
– Toshi?! – Surpreendeu-se o amigo.
– Fuja! Salve sua vida quirido!
– Toshi! – Akane pulou da cama.
– Não se preocupe, minha bolsa tem várias fivelas!
– Toshi se acalme! – O moreno puxou-o. – Você entendeu errado.
– Somos amigos para o que der e vier, eu vou te ajudar!
Hideki aproveitou o momento para segurar a bolsa do rapaz, tirá-la do mesmo e levantar-se em seguida, sentindo uma leve ardência nos locais onde foi atingido pelas fivelas. O maior agora com uma feição assustadora encarava o agressor. O loiro olhou para o ruivo , para sua bolsa e por ultimo para Akane e depois correu.
– Salve-se quem puder.
– Toshi! – Chamou mais uma vez o amigo e seguiu atrás do garoto.
* * *
Depois de uma longa perseguição, tudo se acalmou quando acidentalmente o loiro tropeçou e fez uma breve visita ou chão. Com a correria, Hideki não teve a oportunidade de explicar nada ao moreno e o mesmo não tinha ideia das coisas que haviam se passado na noite anterior.
Akane recusou-se a ficar naquele local mais um segundo, queria tomar um café forte e algumas aspirinas, deitar e dormir mais um pouco ou só assistir algum filme e mofar jogado no sofá.
Toshi e o moreno se dirigiram a porta, Akane foi à frente, deixando o amigo para trás. O loiro pegou a bolsa rosa de sua mãe e abriu-a tirando de lá uma caixinha de remédio. Estendeu-a dando a Hideki.
– O que é isso? – Perguntou sem entender.
– Pra passar onde te bati... – O menor encheu o peito e segurou com força a bolsa. – Desculpe!
– Mas... – Hideki encarou a caixinha. – Isso é pra hemorroidas.
– Oh... O que vale é a intenção! – O loiro apressou-se para alcançar o amigo. – Tchau!
Ambos caminharam em silencio por um longo tempo, Toshi ajeitou a bolsa mega chique em baixo do braço esquerdo e enfiou as mãos no bolso do casaco.
– Kan. – Chamou.
– Diga. – Respondeu seco.
– O que estava fazendo na casa daquele cara? – O loiro olhou-o.
– Eu... – O maior torceu o nariz. – Não me lembro.
– Nossa, a noite deve ter sido ótima! – Gargalhou o amigo.
– Não pense besteiras! – Bracejou.
– Eu nem disse nada. – Nós olhos de Toshi era possível ver um mar de pessoas nuas numa cama, numa guerra de espadas enquanto chovia morangos e chantilly. Mordiscou o lábio inferior enquanto imaginava uma cena entre a mortadela-kun e o pão senpai, num amor forte e sensual. – Hohoho...
Akane parou por um momento e pousou as mãos nos ombros do menor, sacudindo-o fortemente em seguida.
– Pare de pensar besteiras, seu pervertido! – Bufou.
– Eu estava pensando no que vou comer no almoço, viado. – Toshi deu uma leve bolsada no ombro do maior, e aproximou a boca da orelha do amigo, onde sussurrou. – Nunca mais me chacoalhe desta maneira, eu tenho uma bolsa rosa com muitas fivelas e não tenho medo de usá-la.
– Essa bolsa não é da sua mãe? – Akane cerrou os olhos enquanto voltava a caminhar.
– Sim! Não é um charme?! – Toshi tossiu. – Quero dizer, tenho que levar pra ela no trabalho, você sabe, ela sempre esquece.
– Vai agora? – O moreno encarou-o.
– Pretendo.
– Tudo bem então, quer passar lá em casa mais tarde? – Convidou. – Vou ver se alugo uns filmes.
– Tarde de filmes?! – Saltitou. – Marcado, amiga! Quero dizer, é nóis, mano.
O loiro sorriu e tomou um caminho diferente, mas antes que se afastasse mais do amigo, ouviu o moreno chamá-lo. Virou-se e o encarou.
– Como sabia? – Perguntou Akane.
– O que?
– Onde eu estava.
– Acreditaria se eu te dissesse que eu recebi uma chamada com numero restrito? Por mais que eu achasse que fosse um trote e fiquei até com certo medo de ser uma armadilha pra mim... Mas tive que arriscar já que você não atendia o celular. – Toshi torceu o nariz e voltou a caminhar. – Depois conversamos, até mais tarde!
Akane enfiou as mãos em todos os bolsos a procura de seu aparelho, mas não havia nada, seus documentos, sua carteira ou seu celular. Cerrou os punhos e mordeu forte o lábio inferior enquanto tentava pensar onde poderia estar. No apartamento de Hideki talvez, ou na boate, ou em qualquer lugar do universo.
De longe uma figura conhecida o observava, apenas o observava.
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