Notas iniciais
é isso o que acontece quando escrevemos um capítulo ao som de “End of Me” do Apocalyptica...

Duas semanas havia se passado sem maiores surpresas para mim. Vergil constantemente sumia por várias horas e aparecia de madrugada com ferimentos. Nesses momentos ele tentava fugir, mas eventualmente era eu que tratava de seus machucados. Nestes momentos tentei fazer com que falasse, mas foi em vão. Ele continuava evasivo como sempre.

Sabia que estava relacionado ao seu plano e que Arkham deveria ter influência naquilo, contudo não consegui mais nenhuma informação. Ele parecia distante e cheio de mistérios que não revelava e eu sabia que havia algo de estranho e preocupante. Acreditava que a idéia da abertura do portal encontrara algum tipo de empecilho e isto causava sérios problemas para Vergil, mas este não revelava ser qual o problema. Continuava intrigada e sabia que ele somente se abriria para mim depois de ter certeza que tudo caminhava bem.

Com o tempo passando me preocupava com outras coisas também... O plano em gerar um descente de Sparda, eu sentia, não havia sido concretizado e nada levava a crer que carregava em meu ventre um herdeiro do grande Cavaleiro.

Pousei o livro em meu colo e olhei para a janela. A casa estava tão silenciosa e pude perceber pelas cortinas da biblioteca que o sol começa a se pôr. Antes que pudesse sentir adormeci...

“Estranho”

Despertei, mas continuei com meus olhos fechados. Não sabia há quanto tempo dormira, contudo não estava sozinha. Ele estava sentado ao meu lado no divã... Por quê?

Mantive meus olhos fechados e percebi que ele tirara o livro de cima de meu colo e agora o folheava, pois pude escutar o som das páginas sendo viradas. Era impossível que ele não pudesse perceber que estava acordada, pensei. Logo, o que Vergil queria comigo?

Apesar da vontade de abrir meus olhos continuei quieta, apenas escutando do som o papel em movimento. Depois de alguns segundos ele se movimentou, mas não se levantou. Pelo contrário, pude sentir seus dedos deslizarem pelo meu braço... Ele estava tão próximo de meu rosto que pude sentir seu hálito.

Abri meus olhos e Vergil continuou a me observar, mas não se afastou.

- Senti que estava me olhando...

Ele se endireitou no divã, ignorando minha frase. Eu me levantei também e disse:

- Por que você foge?

- Eu não sei do que está falando – respondeu friamente.

- Por que me olhava, então? Por que me tocou?

- Não... – respondeu num sussurro.

- Vergil...? – meramente disse ao perceber o conflito evidente que ele se encontrava. – Não existe nada errado... Por que se culpa?

- Você não sabe como eu me sinto.

- Eu tenho uma idéia de como... Não é muito diferente do que sinto. Mas eu poderia lhe ajudar mais se você se abrisse. Por que ainda esconder seus sentimentos assim...?

- Eu não posso me permitir continuar com esses pensamentos – respondeu friamente olhando para o chão pensativo.

Eu me aproximei dele e disse num sussurro sem temer sua reação:

- Vergil... Fique comigo.

Ele me encarou com seus olhos azuis claríssimos, talvez por não esperar aquela declaração. Pensei que fosse sair e me deixar sozinha e envergonhada, mas ele continuou me olhando, talvez apenas com medo de tomar alguma atitude considerada irracional para ele. Então, me beijou e percebi, finalmente, que seu gesto não era mecânico ou falso. Talvez o plano pudesse ter saído da mente de Arkham, mas era apenas Vergil que me beijava; não para completar alguma meta e sim dando fim à sua vontade.

Ele me deitou novamente no divã e tirou as diversas peças de roupa que usava – seu casaco, colete e camisa. Depois passou a me beijar intensamente enquanto me ajudava a tirar meu vestido bege de algodão.

Ele não precisava dizer para que eu entendesse o que sentia.

Olhou-me profundamente após me desnudar e temi que desistisse, apesar de seu olhar demonstrar o desejo em estar ali. Passou seus dedos por toda minha coxa me fazendo estremecer e logo me preparou para receber seu membro. Soltei um gemido enquanto seus braços fortes levantavam minhas mãos e a seguravam.

O prendi com minhas coxas o forçando mais em minha direção e, entre beijos e suor, senti Vergil atingir o orgasmo. Ele respirava profundamente e logo voltou a se sentar no divã. Depois de algum tempo olhando o vazio, virou-se na minha direção e me fitou, mas permaneceu sem dizer nada. Eu decidi arriscar, ao perceber que Vergil voltara novamente suas costas para mim. Sentia que ele queria dizer algo, mas lutava contra seu lado frio.

- Não precisa se sentir culpado e nem mesmo tentar apagar o que sente. É um pouco tarde para isso... – disse me sentando no divã.

- Eu não... – parou antes de completar a frase, talvez temendo dizer algo que revelasse demais de si mesmo para mim.

- Bem – me levantei e coloquei meu vestido que se encontrava no chão. – Até mesmo demônios já se mostraram capaz de amarem, não é mesmo?

O que era verdade, pensei. Para Vergil, com seus problemas e traumas, era difícil compreender aquilo, mas eu esperava quebrar com aquele gelo. Nunca pensei que me veria naquele jeito... Prestes a me entregar completamente para outra pessoa. Uma pessoa, que mesmo que não demonstrasse seus sentimentos, eu sabia o que se passava em seu âmago. Vergil não era mais um mistério. Aos poucos podia percebia quão semelhante éramos.

Ao sair da biblioteca me vi colocando a mão em minha barriga... Nunca havia me imaginado como mãe e se aquilo acontecesse seria uma situação delicada. De qualquer forma, não precisava pensar nisto no presente. Não sabia se aquilo daria certo e se seria realmente necessário.

Sem nem mesmo sentir acabei rindo de mim mesma. Era uma situação estranha rir num período como este e algo que não fazia há muito tempo, mas não pude deixar de sentir-me mais leve. Apesar dos problemas havia ainda um pouco em mim que se alegrava com pequenas coisas.

Pena que não será algo que durará por muito mais tempo...

Havia um assunto que precisava tratar com Vergil e que agora poderia ser o momento ideal: Arkham e o mistério que pairava em seus desaparecimentos. Sentia que havia algo de errado e precisava saber o que era. Trataria daquele assunto mais tarde, antes que Vergil saísse novamente em mais uma de suas excursões noturnas.

Eles não podem me manter afastada somente porque pensam que preciso ser mantida afastada de problemas, como uma boneca de porcelana, até que tudo fique seguro. Tenho interesse neste plano tanto quanto Vergil.

Notas finais
Enfim, nem sei se ficou bom >< Tenho uma impressão que não sou boa nesse tipo de coisa.