Notas iniciais
Direto das cinzas com capítulo novo muahahahahaha xDD

Era muito agradável ficar sentada nos jardins daquela mansão. De onde estava não podia ver nenhuma luz acessa nos fundos daquela casa antiga. Pelo menos ali podia ficar sozinha no escuro, apenas olhando o vazio. Havia caminhado tanto pela cidade, tentando analisar as idéias de Vergil, a refletir sobre os rumos que as coisas haviam chegado; que quando percebi já escurecera. Agora, agradecia por não encontrar ninguém nos jardins escuros; pois não era o momento certo para confrontar Vergil.

“E eu ainda pensava que ele poderia me matar quando não me achasse mais útil...”

Não sabia há quanto estava fora de casa, mas quando decidi entrar, encontrei tudo na total escuridão. Subi lentamente para meu quarto e deitei em minha cama, mas não adormeci tão rápido como queria. A última vez que olhei para o relógio marcava quatro da manhã.

Acordei tarde, principalmente por não haver uma Alice para me despertar com agilidade. Mesmo assim não escutei barulho algum pela mansão que indicasse a pequena demônio ou Vergil, nem mesmo a presença de ambos pude sentir. Depois de um banho demorado, desci e encontrei tudo tão silencioso quanto na madrugada anterior.

Quando descia as escadas para o térreo escutei um miado vindo do lado de fora, o que me chamou a atenção. Não eram raros os momentos em que demônios usavam animais como iscas ou até mesmo como receptáculos. Fui até a varanda segurando uma adaga que sempre carregava comigo e qual foi minha surpresa ao me deparar com Arkham parado não muito distante de mim, segurando um pequeno gato cinza nas mãos.

- O que está fazendo aqui? – perguntei secamente.

- Soube de seu problema. Gostaria de ajudar a clarear sua mente.

- Não há nada para clarear.

- Encontrei-me com Vergil e ele se mostrou intrigado com sua reação.

- O que ele esperava? Que eu me jogasse em seus braços? – perguntei sarcasticamente.

- Maior compreensão, talvez.

- É difícil compreender este plano. Afinal de contas, me deixaram por fora dele tanto tempo; naturalmente porque imaginavam qual seria minha reação.

Ele soltou o gato e se aproximou.

- Taria... Pense bem. De que forma você conseguiria o que tanto quer?

- Há outras formas.

- Todas difíceis e demoradas. Não há tempo para perder.

Eu ri pesarosamente.

- Como eu imaginava. Vocês pensam apenas em si mesmos.

- E você? No que está pensando?

O que mais odiava naquele demônio eram suas perguntas.

- No momento? Eu penso se vocês realmente sabiam o que planejavam quando tiveram essa idéia.

- A idéia é mais minha do que de Vergil, mas ele não se mostrou contra. Em nenhum momento – Arkham respondeu frisando a última frase.

- Eu ainda não consigo ver essa idéia com bons olhos.

- Por que não?

- Não sei por que diria isso a você.

- No momento eu sou o mais próximo de um confidente que encontrará.

- Vergil te mandou aqui para me persuadir, não é mesmo?

Arkham sorriu misteriosamente.

- Eu vim livremente. Mas diga-me, o que te aflige? Seria seu lado humano tentando se mostrar mais forte? Quem sabe memórias de sua vida anterior que retornam.

- E você saberia, não é mesmo? Sendo um humano.

- Não me importo com sua desconfiança. Você tem todo direito de se sentir assim perto de mim.

- Eu não sou fraca e nem mesmo não concordei com o plano por medo de falhar. Apenas não acho certos os meios que encontraram para terem o controle de tudo. É como se Vergil visse que seu plano envolvendo a torre tivesse grandes chances de falhar e ele quisesse um substituto melhor e com sangue de Sparda.

- Não vou negar que Vergil pense em um substituto, mas ele nunca viria seu plano como próximo de falhar. Tenho certeza absoluta. É apenas mais uma garantia futura, além de claro, uma chance de ambos verem nascer um herdeiro de Sparda de puro sangue.

- Há chances de não nascer puro. Você sabe disto.

- Não podemos descartar essa hipótese. Mas naturalmente ele seria descartado. Não queremos um humano.

Fiquei calada por alguns segundos. De fato, apesar da crueldade, não seria natural um humano nascer desta união.

- Você sabe que estou certo, Taria. Por que continua lutando contra o inevitável?

- Não é uma decisão fácil. Se falhar, não serei a única a sofrer.

- Nenhuma decisão que fazemos daqui para frente será fácil, mas foi o caminho que escolheu. Caso contrário, deveria voltar para o lado de Dante...

Tentei falar alguma coisa, mas não saiu nenhum som da minha boca. Logo Arkham desaparecera e todo o local sumia lentamente através de uma névoa.

Acordei em minha cama, assustada com o sonho que tivera e que parecera ser tão real.

- Não é possível...

Levantei-me ainda zonza do despertar súbito e fui até o banheiro. Olhei-me no espelho, ainda pensando no sonho e na visão de Arkham. Como se fosse um sinal do que deveria fazer... Seria possível?

“Seria possível Arkham adentrar em meus sonhos assim? De que outra forma eu poderia sonhar algo do gênero...”

Não... Não era possível. Descartei a idéia, mesmo não sendo totalmente absurda, e decidi ver o sonho como uma resposta racional para meus problemas.

Depois de um banho, aceitei confrontar o problema e encontrar-me com Vergil; pois como Arkham havia dito no sonho, não havia tempo a perder.

Desta vez, diferentemente do sonho, senti a presença de tanto Vergil quanto Alice vinda da sala de estar. Quando cheguei perto da entrada pude escutar a voz infantil da menina quase gritar:

- Você não vê? Tudo mudou! Culpa dela! Por que está assim, Vergil?

Cheguei até a porta, mais interessada em terminar com aquela discussão, vendo Alice ajoelhada perto de Vergil, que meramente a olhava com seu jeito frio e distante.

- Você!!! – Alice gritou quando me viu surgir na porta.

Vergil me fitou, mas eu decidi olhar diretamente para Alice.

- O que está acontecendo? – perguntei entediada.

- Você me traiu!!! – Alice se levantou e veio até minha direção. Parecia enfurecida. – Vergil não é mais o mesmo e é tudo culpa sua!

- Não agora... – reclamei.

Vergil também se levantou, mas desta vez se dirigiu até Alice e disse de forma arrogante:

- Pelo seu próprio bem, eu espero que pare com este comportamento.

Alice o encarou chocada com suas palavras.

- Você pode gostar dela. Mas eu vou mostrar que a única pessoa em que pode confiar sou eu! – dizendo isso saiu correndo em direção à porta de entrada e desapareceu a deixando aberta.

- O que aconteceu aqui, Vergil? — perguntei assim que senti a presença de Alice desaparecer.

- Nada que valha a pena discutir.

- Ela pode fazer algo prejudicial a você.

- Duvido. Ela não tem essa força.

- Espero que esteja certo.

Depois que Vergil voltou a se sentar em sua poltrona, disse:

- Você se encontrou com Arkham depois de nossa última conversa?

- Por que quer saber?

- Só para clarear algo em minha mente.

- Sim, estive.

- Como imaginei.

- O que aconteceu?

- Eu apenas tive uma sensação diferente. Esqueça. De qualquer forma, eu já tenho minha resposta.

- Eu sonhei que Arkham conversava comigo e tive a impressão de que meus problemas foram discutidos de forma muito clara. Não sei até onde aquilo que sonhei foi mesmo fruto de meu subconsciente ou algo vindo de Arkham, mas serviu ao seu propósito: ajudar-me.

Suspirei e continuei:

- Eu aceitarei o plano de Arkham à respeito da criança.

- O que ele lhe disse em seu sonho para você mudar de idéia?

- Ele disse que nenhuma decisão tomada daqui para frente seria simples, mas foi o caminho que escolhi. Felizmente, eu não sou fraca.

Vergil se levantou novamente, mas desta vez parou ao meu lado e disse:

- Agradeço sua sinceridade.

Antes de partir disse friamente:

- Quando estiver pronta, eu estarei esperando. A qualquer momento.