Notas iniciais
Depois de um bom tempo sem Nyah, eu trouxe o capítulo novo pros que leem no Nyah ^.^ Espero que gostem
Logo posto mais

“O que você está fazendo, Taria?”

Era essa a frase que meu pai falaria se estivesse vivo, e foi o que pensei enquanto me afundava em minha banheira. Meu pai... Há tanto tempo que não me via pensando naquela figura. O humano que amou minha mãe, indiferente de ser quem ela era. Eu, entretanto, nunca tivera esta chance. Sempre menti minha origem para todos ao meu redor.

Passei a rever o que acontecia comigo... Ultimamente nada que fiz poderia ser considerado correto. E agora, brincava de Deus, estando prestes a gerar e talvez criar uma criança por simples e pura ambição. Não era algo que no passado pudesse conceber, mas agora lá estava eu concordando com aquela idéia de Arkham. Tudo para provar não só meu valor e força, mas também para ajudar Vergil. Eu me sentia com esta obrigação; talvez pela consideração que tinha pela única pessoa que me acolhera e que realmente ajudou a me conhecer e compreender ou porque, apesar das dificuldades, eu me sentia ligada àquela figura fria e apática, que em tantos pontos se parecia comigo.

Já fazia quase uma hora que estava afundada naquela banheira e mesmo assim não sabia ao certo se queria sair. Engraçado aquilo tudo... O pedido de Vergil parecia algo comum para seu padrão, mas não comum para mim. Não queria concordar, mas agora era claro que não estava somente confusa; realmente gostava daquele estranho homem que me acompanhava. O tempo em que vivi tão próximo a ele me fez pensar diversas coisas: eu respeitava seu olhar distante, mesmo não sendo agradável, pois sabia que ele tinha motivos para ser como era. Também compartilhava das mesmas idéias que ele, e acima de tudo, conhecia sua dor; mesmo que nunca tivera dito algo para mim.

Agora, depois do ultimo diálogo que tive com Vergil, acabei por pensar em algo... Eu senti, brevemente, que sua máscara de frieza quase despencara ao escutar minha resposta. Talvez, ele ainda possuísse alguma humanidade.

Sai da banheira e suspirando, decidi acabar com aquilo de uma só vez. Desde que decidi realmente seguir à diante com o plano de Arkham estive enrolando em meu quarto. Dormi a tarde toda e depois de um banho demorado era mais que a hora de deixar de fugir.

Enquanto colocava uma camisola que se encontrava em cima de minha cama, acabei rindo de minha situação. Era engraçado me ver naquele estado. Parecia uma adolescente preocupada em causar uma boa impressão para as pessoas ao meu redor. Assustada com o que poderia ocorrer de errado e, ao mesmo tempo, curiosa com as ações de Vergil...

Era melhor ver aquela situação séria desta forma; pelo menos me causaria menos dor de cabeça.

Fechei a porta do quarto e caminhei pelo corredor que me levaria até o quarto de Vergil. Não me preocupei em passar despercebida, pois era claro que ele sentiria minha presença. Além do mais, o que eu poderia esconder?

Abri a porta e caminhei lentamente pelo quarto fracamente iluminado pela luz do sol que entrava pela cortina. Não podia ver Vergil, mas então ouvi sua voz:

- Então você veio...

- O plano é tão perfeito, por que deveria abandoná-lo? – perguntei sem esconder minha ironia.

Vergil deve ter notado meu tom, pois surgiu por detrás de uma pilastra, perto de sua cama e disse:

- Você ainda não concorda plenamente com tudo isso, não é? Por que então vem até aqui?

Pude notar que vestia uma túnica azul e preta com ricos detalhes bordados, por cima de uma calça de tecido fino, que o deixava atraente e elegante.

- Por ser inevitável e necessário, talvez? Porque, apesar do que pode ocorrer de errado, as chances de vitória ficam maiores. Não sei... No final das contas, são vários motivos. Desde as grandes ambições até mesmo os motivos de cunho pessoal...

Falei isso enquanto caminhava até próximo a ele. Ao me aproximar disse:

- Mas você também quer isso, não é mesmo?

Ele não me respondeu. Mas não precisava, pois eu podia sentir que ele também me desejava. Em vez de dizer alguma coisa, ele apenas passou a mão pelos meus cabelos e a desceu até a alça da minha camisola.

Depois de olhar aquele gesto eu acabei por beijá-lo. No começo, parecia que ele estava indo contra seus princípios, pois o beijo parecia distante e mecânico. Contudo, apesar de sentir que ele lutava para não mostrar seu interesse, vi que ele cedia.

Senti minha camisola ser solta e cair, ao mesmo tempo em que seus beijos se intensificavam. Tirei sua túnica, revelando o peito musculoso a qual passei a beijar, enquanto percebia que Vergil deslizava seus dedos lentamente por minhas costas desnudas.

Foi então que ele me guiou até sua cama e se colocou por cima de mim. Primeiro, como se planejasse seu próximo passo, me fitou demoradamente. Talvez acabasse de pensar que não parecia tão apático naquele momento...

Eu esperei que ele me penetrasse e quando o fez, gemi baixo, mordendo meus lábios. Vergil curvou-se em minha direção e passou a acariciar meus seios ao mesmo tempo em que o pressionava com minhas coxas.

Pedi para que me beijasse antes de atingirmos o orgasmo e ao terminar ele ainda permaneceu em cima de mim, passando a mão suavemente em meus cabelos. Mas logo, talvez vendo suas demonstrações de afeto, se soltou e deitou-se na cama. Eu suspirei profundamente e pensei, quando vi Vergil ao meu lado, que dificilmente, mesmo depois de tudo, ele deixaria cair sua máscara de frieza. Sentei-me enquanto recuperava meu fôlego sabendo que aquilo havia sido melhor que imaginava.

- Espero que não se arrependa do que fez. Se tudo seguir como planejado, não há como voltar atrás – ouvi Vergil dizer novamente com seu ar superior.

- Eu fiz isso porque queria. Aliás... Nós dois fizemos o que queríamos – respondi sem olhar para Vergil, mas sabia o que se passava em sua cabeça. Ele estava confuso e tentava inutilmente reerguer sua armadura de gelo. Contudo, para mim, o estrago já estava feito e ele nunca mais seria o mesmo.

Quanto a mim... Eu sabia o que queria. Finalmente a nuvem de dúvida que pairava em minha mente havia se dissipado e compreendia meus sentimentos.

Levantei-me e desci os poucos degraus até a parte baixa do quarto. Peguei minha camisola no chão e a vesti. Somente então, olhei para Vergil e disse:

- Suponho que queira revelar o que aconteceu para Arkham.

- Você sabe qual é minha resposta.

Eu sorri levemente e conclui:

- Vergil... Mesmo sendo difícil eu espero um dia que consiga quebrar com essa redoma que criou ao seu redor. Quando fizer isto, sabe que eu estarei te esperando.

Dito isso, não esperei que ele dissesse alguma palavra e caminhei em direção à porta. Ainda antes de fechá-la suspirei profundamente.

“Por que as coisas tinham que ser tão complicadas daquela forma?”