A Culpa é dos Pornôs gay
3 Capitulo II
Notas iniciais
Akane fuçou seu armário e tirou do mesmo uma caixa empoeirada, da qual, na tampa, estava escrito “Mamãe, caso você ache isso estou guardando para um amigo meu”, deu uma leve e fina risada levando-a até sua cama em seguida. Bateu as costas da mão sobre o objeto fazendo uma camada de pó subir e fazê-lo espirrar loucamente por exatos sete minutos.
Após sua alma se acalmar dentro do corpo e seu nariz parar de coçar, abriu a caixa, diversas fotos, um colar estranho e bem escondido – ou não – uma bela revista porn. Coçou a nuca e sorriu sem jeito, passou os dedos pelos objetos distribuídos no pequeno box de madeira.
Juntou todas as fotos e começou algo que não fazia há muito tempo, lembrar-se da infância. Percebeu que 89% das fotos eram de um menino estranho do qual ele e sua amiga Hime, perseguiam no colegial. Lembrou-se de como a garota baixinha e de seios fartos era obcecada por garotos judiados pela vida, além de que a mesma tinha uma estranha queda por jovens de dedos tortos e bocas, exageradamente, carnudas.
Acabou que esse garoto – qual ambos perseguiam – tinha um sonho bizarro de casar com uma garota da revista JogarGaroto, e isso foi descoberto na trigésima quinta foto, na qual Yue e Akane o pegaram em flagrante batendo uma e chamando por “Buuunny”. A garota ficou tão decepcionada com tal, que jurou a si mesma que um dia seria uma Bunny, e mesmo sem saber o motivo, a escola toda começou a chamá-la por esse nome.
E o restante das fotos, seriam quase perfeitas selfies, se grandes seios não tivessem tampado a câmera. Bunny está empregada como recepcionista da editora onde o moreno trabalha, eles se veem todos os dias, apesar de não conversarem mais como antes ainda podem ser considerados bons amigos. Por alguns minutos, Akane sentiu falta daquilo.
Pegou o celular e viu o quão estava atrasado, mas talvez isso não fosse um problema hoje, já que o chefe não estava muito bem e não compareceria hoje, eles não poderiam fazer muita coisa.
Levantou-se, vestiu o casaco, um cachecol fino e em seguida pegou sua maleta substituta. Olhou para a caixa em sua cama por um ultima vez e sorriu.
O caminho para o metrô tinha sido longo e cansativo, por algum motivo estava se sentindo fraco e desconfortável nos trajes que vestia. Pode se sentar em um dos bancos e abraçar sua maleta enquanto sentia-se movimentar. Pegou uma pequena mexa do cabelo e percebeu o quão estava sujo, sentiu saudades de quando corria pelado pela casa e pulava na banheira – isso quando não escorregava antes –, eram bons tempos que não iriam voltar.
Uma hora mais tarde.
O moreno abriu a porta da sala e adentrou pela mesma sem encarar nenhum dos colegas de trabalho, ouviu soluços e se virou. Hime estava debruçada na mesa de centro enquanto Toshi e Kuro tentavam consolá-la com tapinhas nas costas.
Arregalou os olhos e aproximou-se em passos largos deixando a porta entreaberta. Olhou para a garota e a mesma o encarou, com o nariz e olhos vermelhos, a maquiagem borrada e os lábios inchados, ao fazer bico aquilo ao invés de ficar algo fofo lembrou muito a roda velha de um fusca mal cuidado.
– O que foi Bunny? – Perguntou o rapaz.
Ela pôs-se a chorar mais, aquele tipo de choro do qual se chega a soluçar e cria bolinhas de coisas, – totalmente deselegantes e desnecessárias – pelo nariz.
– O que aconteceu? – Akane voltou a perguntar, mas dessa vez aos amigos.
– Não sei. – Respondeu o loiro.
Kuro apenas movimentou a cabeça negativamente. A moça tirou o celular do bolso e abriu na caixa de mensagens, mostrando a tela logo em seguida ao moreno.
– Sua amiga? – Indagou.
Ela movimentou a cabeça afirmativamente, em reposta.
– Quer se encontrar com você? – Continuou.
E novamente ela repetiu o movimento.
– E porque você ta chorando?
A baixinha respirou fundo e tomou uma posição de soldado.
– Porqueelaquerconhecermeunamoradoporqueeudissequetinhaumnamoradomaseunão
tenhoumnamoradoeelavailevaronamoradodelaeeunãoseioquefazersemumnamoradoelavai
saberquefoitudoumamentiraequesouencalhada! – Parou por alguns segundos pra respirar voltando a chorar em seguida. – E eu não sei o que fazer Akane!
Quando se deu conta, havia sido trocada por Tatsuo que entrou pela porta trazendo consigo uma caixa de papelão e um gatinho dentro da mesma. Akane fazia carinho no animal enquanto os outros três davam risadinha de sua fofura.
– Akane!
* * *
O moreno suspirou e tirou o celular do bolso para checar as horas, não fazia ideia de como e nem o porquê de estar ali, na verdade ele sabia. Afinal, quem se esqueceria do momento em que seu casaco preferido virou um pedaço de papel higiênico?
Suspirou e guardou o celular no bolso, mas esqueceu de ver as horas então retirou-o novamente. Eram dez e alguma coisa, o sol estava escondido atrás de algumas nuvens. O vento frio soprava o local e soltava algumas flores da cerejeira, o parque estava quase vazio, a não ser por alguns casais perto do pequeno lago.
– Ai Haru... E se alguém ver? – Disse a mocinha.
– E qual o problema? – Perguntou o jovem baixinho. – Vamos, abra a boca.
– Mas... É tão grande.
– Você acha?
Ao ouvir o dialogo, Akane sentiu um arrepio subir toda sua espinha. Ele olhou para trás e olhou para a moita, uma moita alta e assustadora que escondia algo mais alto e mais assustador ainda. Ele foi dando passos discretos para trás.
– Talvez eu devesse olhar só um pouquinho. – Pensou. – Ele pode... Estar machucando ela, é, é por uma boa causa.
O moreno se abaixou e abriu um pequeno buraco na moita, o que estava sendo muito difícil, então pegou um gravetinho para mantê-lo aberto. A cena que viu foi chocante, a mulher estava roxa e sendo sufocada por um bolinho enorme de peixe em sua boca, o amigo, amante, namorado, vizinho, seja lá o que for dela, estava desmaiado na grama.
Akane pulou desesperadamente em direção à mulher sem saber o que fazer, ela apontou para suas próprias costas e o rapaz foi em até lá, abraçou-a com força por trás e praticamente a encoxou, e foi nesse dia em que o mundo descobriu que encoxadas podem salvar vidas.
A mulher cuspiu o bolinho e puxou o máximo de ar possível, até sua cor voltar ao normal. Hime estava parada olhando fixamente para Akane enquanto seus olhinhos verdes brilhavam.
– Você a salvou Kan! – A garota baixinha de cabelos longos e dourados pulava enquanto seus seios acompanhavam o movimento. O moreno via a hora em que Bunny seria nocauteada por suas próprias melancias.
– Obrigada... – A jovem se abaixou e começou a sacudir o namorado. – Acho que bati nele sem querer na hora do desespero, mas logo ele acorda. – Ela olhou para o salvador. – Muito obrigada mesmo.
– Ah... Imagina. – Ele sorriu sem jeito.
– Kan, temos que ir! – Hime segurou seu braço e o puxou, deixando a mulher e o homem naquele mesmo local.
– Aonde vamos? – Perguntou o rapaz enquanto arrumava o cachecol.
– Maid coffee! – Ela sorriu.
* * *
Akane se sentou em uma das mesas enquanto Bunny conversava com alguém no balcão. Pegou o cardápio e olhou, não estava prestando muita atenção, era sábado, estava frio e ele costumava dormir até mais tarde quando não tinha que trabalhar.
Soltou o objeto e apoiou o queixo na palma da mão, o local era bem movimentado e as garotas fofas, nada de muito diferente, não que garotas fofas fossem normais, mas ele nunca tinha ligado muito pra isso.
Logo ouviu o som do sino e olhou para a porta, uma mulher alta e bem vestida entrou junto a um homem do estilo wow sou um galã de dorama, eles sorriam e caminharam até a mesa onde o rapaz estava, pediram licença e se sentaram.
– Akane, né? – A garota sorriu, os cabelos avermelhados caiam sobre o decote da blusa branca.
– Ah sim... – O pequeno arqueou uma sobrancelha. – E vocês?
– Eu sou Kin e esse é Konny, meu namorado.
O rapaz abriu um sorriso torto.
– Sou amiga da Hime.
– Entendo...
Bunny ao perceber, aproximou-se rapidamente para a mesa e se sentou ao lado da moreno.
– Olá! – A baixinha abriu um largo sorriso.
– Oi Hime. – Ela deu uma breve risadinha. – Vejo que acertou ao menos uma vez.
A loira forçou uma risada enquanto Akane encarava Kin.
– Então, estão juntos há quanto tempo? – Perguntou Konny.
– Ahn? Nós... – O moreno tentou falar, mas foi interrompido pela amiga.
– Há quatro meses!
– Legal, eu e Kin estamos juntos a dois.
Akane suspirou já entendendo o que estava acontecendo, como sabia que não poderia deixar a garota na mão, apenas sorriu. Mal havia percebido que um homem esperava para anotar os pedidos, o que pareceu pouco estranho por ser maid coffee, olhou para cima e deu de cara com o jovem de cabelos vermelhos. O mesmo sorriu e pegou a caneta do bolso.
– Vão querer o que, Hime? – Perguntou Hideki.
– Pode trazer alguns manjus e mochis, Hide?
– Claro!
Assim dizendo o rapaz se retirou, e por alguns segundos Akane esqueceu como se respirava. Olhou para a janela ao seu lado esquerdo e suspirou mais uma vez.
Mais de uma hora se passou com Kin dizendo o quão boa estava sua vida, quantos bens materiais tinha conseguido durante tão pouco tempo, quão o seu ex-namorado não a respeitava e sempre que possível tentava fazer Hime se sentir menor.
– Com licença. – O moreno se levantou e dirigiu-se em direção ao banheiro, o local aparentemente estava vazio.
Foi até o lavatório e olhou-se no espelho a sua frente, abriu a torneira, inclinou-se e lavou o rosto.
– Estava louco pra conhecer o namorado da Him, mas não achava que seria você. – Aquela voz lhe soou muito familiar, e novamente o frio lhe subiu a espinha.
Olhou para o espelho e viu Hideki sorrindo próximo a porta.
– Achei que ela gosta-se de caras... – Ele torceu o nariz.
– Ela gosta de caras feios. – Akane massageou a nuca.
– Vocês são amigos, não é? – O ruivo se aproximou.
O moreno encarou-o pelo espelho por algum tempo e em seguida fechou a torneira.
– Conheço a Him desde pequeno, ela sempre foi meio estranha. – Ele continuou. – Não mudaria agora, ela gosta de como é, só sente vergonha às vezes...
– É... Eu sei. – O pequeno forçou um sorriso.
– Ela tem namorado. – Falou o maior. – E eu tenho certeza que não é você.
– Sou amigo dela.
Hideki encostou-se ao lavatório, cruzou os braços e olhou para o moreno.
– Porque está fazendo isso então?
– Porque ela estava mal...
– Isso é bom. – O ruivo sorriu.
– Ela estar mal? – O moreno arqueou uma sobrancelha.
– Ela ter um amigo como você.
Akane massageou a nuca sem saber o que dizer. Ambos ouviram a porta do banheiro se fechar, mas ninguém entrar.
– Bem... Melhor eu ir. – Akane se afastou aos poucos.
Hideki movimentou a cabeça e observou-o ir embora. O moreno voltou rapidamente para a mesa, onde eles ainda conversavam, mas nada parecia muito bom.
– Eu sabia que você não tinha um namorado. – Kin riu.
– Eu... Tenho sim! – Hime olhou para Akane, prestes a chorar. – Diga a ela.
– Eu o ouvi falar que era só seu amigo. – Konny cruzou os braços.
Bunny secou as lágrimas que começaram a escorrer, se levantou e começou a caminhar para a saída do estabelecimento.
– Onde vai Hime? – Chamou Kin. – Encontrar seu namorado imaginário?
– Ela tem um namorado. – Akane enfiou as mãos no bolso da calça. – Não sou eu, mas tenho certeza que é um cara simpático e que a faz muito feliz, que eles vivem algo verdadeiro e que ninguém precisa dar palpite, ela não precisa andar por ai com ele pra fazer imagem. Hime é uma garota incrível que consegue gostar de coisas diferentes do normal. Felizmente, ela não vive de mentiras, como vocês. – Ele sorriu. – Você já percebeu a aliança no dedo dele, não? Pois foi a primeira coisa que eu vi.
Kin mordeu forte o lábio inferior e se levantou, olhou para mesa ao lado e pegou um copo com um liquido esverdeado.
– Você é um cretino. – Assim dizendo jogou o chá quente no moreno e em seguida o objeto, a moça moveu-se em passos largos para a saída, onde Hime observava tudo, chocada. – Não fale mais comigo, sua vadia estúpida.
Konny rapidamente levantou e seguiu a mulher, enquanto o restante das pessoas em volta olhavam para Akane.
Hideki aproximou-se rapidamente e puxou o moreno, Hime seguiu ambos enquanto as maid conversavam com os clientes. O ruivo levou-o até os fundos e ofereceu uma cadeira para que senta-se, Akane o fez sem dizer nada.
Hime olhou para o garoto que se encontrava molhado e abaixou a cabeça.
– Bunny. – Chamou o mesmo.
Ela o olhou.
– Pare de ser idiota e trate de ser feliz.
Os olhos da garota voltaram a se encher, e novamente ela chorou.
– Obrigado Kan...
Hideki pegou uma toalha e deu ao moreno, que começou a se secar. Tirou o cachecol molhado e o casaco, ficando apenas com uma fina blusa de manga ¾, úmida.
O ruivo observou-o sem dizer nada, encostou-se na parede e cruzou os braços.
– Melhor eu ir. – Disse o moreno, pegando a roupa molhada e sentindo o cheiro de chá no cabelo.
– Está frio lá fora! – Hime tirou seu cachecol rosa. – Toma!
– Não, obrigado.
– Mas Kan...
O moreno sentiu algo cair sobre sua cabeça, e segurou o casaco macio. Olhou-o e em seguida para o dono da roupa.
– Me devolva amanhã, lembre-se que também tem que pegar sua maleta. – O jovem alto sorriu.
* * *
Akane jogou um pouco de comida para seu peixinho e atirou-se na cama em seguida. Abraçou o travesseiro e deixou que o cansaço o dominasse novamente, olhou para o casaco de Hideki em cima da cadeira e suspirou. Após chegar do passeio, havia dormido a tarde toda. E mesmo após acordar ainda estava cansado.
Ouviu seu celular vibrar e olhou-o por algum tempo até decidir pegá-lo. Uma mensagem de um número desconhecido e outras de Hime, olhou ambas na mesma sequencia em que havia recebido.
“Akane, não vou trabalhar amanhã, se quiser pode vir aqui em casa.”
“Kan, muito obrigada por hoje! Você é meu herói, depois do Goku, claro... Ah e Hide pediu seu numero e eu dei!”
“Eu dei o número, ta?!”
“Kan, me responde! Não entenda errado!”
“Oh, senta berinjela!”
Oh, santa berinjela...
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