A Corrida Alucinante - Drama Sem Fronteiras
3 Etapa 2: Barcelona, Espanha
Notas iniciais
A Corrida Alucinante — Drama Sem Fronteiras
Capítulo 3
A câmera desliza pela cabine premium de uma aeronave em pleno voo. Cercada pelo luxo acolchoado, Lucina Skye encara a lente com aquele sorriso que mescla carisma televisivo calculado.
LUCINA: No episódio anterior… nossas dez duplas corredoras desembarcaram nas Ilhas Galápagos, no Equador. Algumas brilharam, outras… tropeçaram feio. Eles conheceram a fauna local, viva e também aquela feita de madeira e concreto. — Ela solta uma risada teatral, um pouco artificial demais. — No fim da etapa, os irmãos caubóis, Hank & Clint, venceram e conquistaram o cobiçado Passe Livre. Já a influenciadora Chantelle e sua assistente Mona escaparam por um fio de serem eliminadas. Mesmo que, sejamos francos, só uma delas trabalhou de verdade. E por fim, Logan & Nick, nossos nerds de estimação, foram os últimos a chegar na Zona de Relaxamento e os primeiros a perderem a chance do milhão! Restam nove duplas. Quem será eliminado hoje? Continuem assistindo, porque isto é… ‘A Corrida Alucinante – Drama Sem Fronteiras!’
*Abertura*
A câmera volta para a cabine dourada da apresentadora. Lucina Skye se inclina para frente, apoiando o queixo na mão, com seu sorriso ensaiado.
LUCINA: Após cada etapa, nossas duplas recebem 24 horas de descanso no último país visitado. Depois disso, todos embarcam juntos para o próximo destino. Mas é claro que o drama nunca descansa. Por exemplo… Chantelle. Sempre ela. Nossa querida influencer não perdeu tempo e já subornou mais um comissário para garantir um assento na Primeira Classe. — Ela solta uma risada baixa. — Só que… o drama não para por aí. Vamos dar uma olhada em como nossos competidores estão se comportando nesse voo.
A câmera gira, transição rápida de jato pelo céu até o interior do avião. O corredor lotado, cochichos, malas disputando espaço nos compartimentos. O ambiente de classe econômica pulsa com uma mistura de roncos, queixas abafadas e conversas ansiosas.
Um corte mostra os caubóis Clint & Hank já largados em seus assentos, chapéus caídos sobre o rosto, roncando em uníssono. Ao lado, Maria oferece um pacotinho de amendoins para Peter, que balança a cabeça, olhos semicerrados, quase dormindo sentado. Repentinamente, um solavanco faz uma mala-de-mão cair em cima dos coubóis, que acordam de supetão e soltam uma barragem de xingamentos.
*ENTREVISTA ON*
Hank e Clint estavam lado a lado, massageando o hematoma na cabeça.
CLINT: Apesar de termos vencido a última etapa, ainda temos que dormir nessa joça de Classe Econômica. O que não é ruim, mas poderia ser bem melhor. — Ele cruzou os braços.
HANK: Meu irmãozinho é muito do ingrato! Não seja um baitola, Clint! Já passamo a noite em lugares bem piores! E além do mais, nós temos uma recompensa boa pra dedéu! Temos o Passe Livre.
Clint respirou fundo e sorriu.
CLINT: Tem razão. O Passe Livre é a primeira de muitas vitórias, que vai garantir nosso lugar na grande final dessa corrida. Com essa belezura, nós vamos vencer, com certeza!
Os dois deram um high-five, animados.
*ENTREVISTA OFF*
Mais atrás, Becky está de braços cruzados, olhando para Danny que ajeita o cabelo com as mãos como se tivesse um espelho invisível.
BECKY: O que você vai fazer tão arrumado assim, senhor Danny? — Sua voz transbordava desdém.
DANNY: Vou confabular com o inimigo, é claro.
Becky arqueia a sobrancelha, confusa, mas antes que consiga perguntar, Danny já desliza para o corredor como um ator entrando em cena.
*ENTREVISTA ON*
A dupla de triatletas encarava as câmeras.
DANNY: Eu sou bem experiente nessa coisa de reality shows, sabem?
BECKY: Uma pena que você não é experiente em vencer os realities. — Ela interrompeu.
Danny suspirou fundo e continuou.
DANNY: Como eu dizia… eu sei que eu preciso de estratégia para vencer esse jogo. E preciso de amizades com gente que tem mais vantagens que eu. E sabem quem tem mais vantagens que qualquer outra pessoa no mundo? As pessoas ricas!
Ele deu um sorriso levado, enquanto Becky massageou as têmporas.
*ENTREVISTA OFF*
A câmera acompanha seu ponto de vista: Chantelle surge do banheiro, ajeitando o vestido, pronta para desfilar de volta ao conforto da Primeira Classe. Mas, antes que dê dois passos, Danny intercepta seu caminho com um sorriso maior do que deveria. Um copo de refrigerante quase vazio treme em sua mão, e ele se apoia na parede com pose ensaiada.
CHANTELLE: Ugh, tem como sair do meu caminho?
DANNY: Uh… Chantelle, né? Bem, eu… — Ele pigarreia. — Queria conversar com você.
CHANTELLE: Conversar? Comigo? — Ela cruza os braços, impaciente.
DANNY: É que eu pensei… talvez… você pudesse me dar uma ajudinha. Uma vaguinha ao seu lado. Só até o próximo destino. Na Primeira Classe.
O rubor em seu rosto entrega a vergonha. Chantelle o analisa como se fosse um inseto inconveniente.
CHANTELLE: Uma ajudinha? Mas você já tem assento. Na Classe Econômica. Perto da sua namorada, a Becky.
DANNY: Ah, não, não. Você entendeu errado. Becky e eu… já acabamos. Finito. Estamos juntos aqui só por contrato de corrida. A verdade é que… eu só tenho olhos pra você.
Ele pisca, exagerado. Chantelle o encarou em silêncio por dois segundos que parecem eternos. O suor brota na testa de Danny.
CHANTELLE: Você está tentando flertar comigo?
DANNY: Depende. Se estiver funcionando, sim. Caso contrário… não. — Seu sorriso desmorona.
CHANTELLE: E por que diabos eu ajudaria você? Você não tem nada a me oferecer. Valeu, obrigada…
Danny entra em pânico. Seus olhos correm pelo corredor em busca de salvação.
DANNY: Espera! Eu… posso oferecer… uma aliança!
CHANTELLE: Uma aliança?
DANNY: É! Nós dois juntos seríamos imbatíveis. Você com sua influência, seu estilo… eu com… bom, com minha disposição!
Chantelle quase solta uma risada, mas segura. Faz uma pausa calculada, braços cruzados, olhos levantados ao teto como se estivesse refletindo. Então, com um pequeno sorrisinho torto, ergue a sobrancelha.
CHANTELLE: Hm. Interessante.
Corte brusco.
Agora a câmera mostra Danny recostado em uma poltrona luxuosa da Primeira Classe, abraçando uma taça de champanhe que provavelmente nem pediu, apenas apareceu. Ele ri satisfeito.
Do outro lado da porta, Becky bate com força, a voz ecoando pelo corredor da Econômica.
BECKY: DANNY! Você me deixou aqui fora?! VOCÊ É UM TRAIDOR RIDÍCULO!
Passageiros ao redor cochicham, alguns gravam com o celular. Becky continua esmurrando a porta, enquanto a câmera dá um close em Danny rindo nervoso, claramente já arrependido, mas preso à cena que ele mesmo causou.
***
Em outra parte da aeronave, Antoine folheia uma revista de bordo, pernas cruzadas e expressão afetada. Martin, ao lado, tenta encaixar um travesseiro de viagem no pescoço, sem sucesso.
MARTIN: Esse negócio é muito apertadô! Estou quase sufocando!
ANTOINE: Que tal pegar um travesseiro maior, hein? Use o cérebro, mon cher. — Comentou sem tirar os olhos da revista.
MARTIN: Ah oui, porque folhear uma revistinha de compras do avião exige muito do cérebro! — Ele lança um olhar atravessado.
Antoine finalmente vira a cabeça, encarando-o com um sorriso afiado.
ANTOINE: Pardon… quem foi mesmo que resolveu a maioria do quebra-cabeça nas Îles Galápagos? Ah, oui… moi!
Martin bufou, ajustando o travesseiro até ele escapar e cair no colo de Antoine.
ANTOINE: Ugh! Preste atençón!
Antoine joga o travesseiro de volta, mas o faz com menos força do que deveria, e Martin pega fácil. Por um instante, os dois se encaram: o clima parece à beira de uma discussão explosiva… até que ambos sorriem, sem querer.
*ENTREVISTA ON*
MARTIN: Oui, é verdade… o Antoine é uma das persones mais irritante desse monde!
ANTOINE: E o sentimento é recíprocô, mon ami!
MARTIN: Porém… tenho que admitir… ele é bon no que faz. Tanto no nosso restôrrante quanto nessa corrida.
ANTOINE: É óbvio! E agora tenho que me esforçar ainda mais! A ôtra equipe tem un vantagem!
MARTIN: Oui. Estou preocupado com o que este tal de “Passe Livre” pode afetar essa competiçón. Temos que ser mais ardilosos!
Os dois cruzaram os braços, reflexivos.
*ENTREVISTA OFF*
A câmera abre com Lucina em um rooftop cinematográfico, tendo a cidade de Barcelona ao fundo. Sol dourado batendo nos telhados, a Sagrada Família surgindo majestosa. Ela encara a lente com aquele sorriso ensaiado.
LUCINA: ¡Bienvenidos a Barcelona! Cidade de Gaudí, tapas infinitas e onde todo mundo finge que entende de arte moderna. — Ela pisca. — Aqui é também o lar das danças mais apaixonadas e os touros mais caóticos. Em outras palavras: o lugar perfeito para nossas equipes sofrerem lindamente!
Imagens da cidade, um close no Camp Nou, outro em dançarinas de flamenco batendo palmas com intensidade dramática, e finalmente uma bandeja de churros mergulhados em chocolate.
LUCINA: Hoje, nossos corredores vão descobrir os sabores e as dores desta bela cidade! Vamos ver a chegada deles numa das plazas locais?
***
Corte para uma plaza de Barcelona. Ali está o standee em tamanho real de Lucina, com um vestido vermelho exagerado, uma rosa entre os dentes e uma piscadela. Ao lado, a Caixa de Pistas adornada em vermelho e dourado.
As primeiras duplas chegam ofegantes, animadas mas suadas. Hank & Clint entram trotando como se fossem cavalgar até o envelope.
As outras duplas chegam atrás.
MIKAYLA: Vai, lê logo!
Mackenzie abre o envelope e engole em seco.
MACKENZIE: Uh-oh! É outro desafio de escolha! “Opção 1: Aprender uma coreografia de flamenco e performar para jurados locais.”
Mikayla se aproximou, saltitando feliz.
MIKAYLA: Ooh! Ai, eu já sinto o drama! Sapatos batendo, saias voando, castanholas!
Do lado, Peter também estava lendo o envelope.
PETER: Ou… “Opção 2: Fazer cinco gols consecutivos em um goleiro robótico mal programado.”
*ENTREVISTA ON*
PETER: Bem, dizem que os melhores clubes de futebol são da Espanha, né?
MARIA: É… aquele tal de Messi é daqui, né?
PETER: Não, mãe. — Ele massageou as têmporas. — Ele é da Argentina.
MARIA: De toda a forma, eu jogava vôlei quando jovem! Aposto que as habilidades são bem transferíveis, não acha, meu filhote?
PETER: O quê? Isso nem faz sentido. Um se joga com o pé e outro com as mãos!
Ele cruzou os braços, confuso com a lógica da mãe. Enquanto isso, Maria sorria animada.
*ENTREVISTA OFF*
De volta à praça. As equipes começam a debater.
CHANTELLE: O flamenco é perfeito pra mim, claro. — Ela aborda a assistente. — Mas você… com seu senso de ritmo, talvez…
MONA: Talvez eu possa te surpreender, senhorita. — Respondeu com secura.
CHANTELLE: Pois bem. Então estamos alinhadas.
Enquanto isso, os chefes de cozinha decidiam.
ANTOINE: Eu non vou pagar mico dançandô.
MARTIN: Pfff… et tu prefere jogá futebol? Com tu pernas de flamingô?
ANTOINE: E você sabe dançar per acaso?
MARTIN: En fact… oui. — Ele faz uma pose exagerada.
Antoine bufou mais uma vez, resignado.
ANTOINE: Bon… creio que non temos opçón.
Perto dali, os ex-namorados debatiam sua estratégia.
BECKY: Hah! Escolha óbvia. A gente vai detonar no futebol!
Surpreendentemente, Danny apenas acenou em concordância. Um raro momento de paz entre os dois. Mas esse instante se quebrou quando Chantelle tossiu alto, teatral, chamando atenção.
CHANTELLE: Perdão… eu pareço ter ouvido alguma besteira.
BECKY: Ugh! O que foi agora, Chantelle?
CHANTELLE: Eu juro que escutei vocês dizendo que vão no desafio do futebol.
BECKY: Isso mesmo. — Cruzou os braços, já irritada.
CHANTELLE: Pois Mona e eu vamos dançar flamenco. E preciso que você… cumpra sua parte do acordo, para garantir que não fiquemos em último lugar nesta etapa.
BECKY: Cumprir acordo? Eu não fiz acordo nenhum!
CHANTELLE: Pois é, então não falei com você. — Sorriu friamente.
E apontou para Danny, puxando-o pelo braço antes que Becky explodisse.
DANNY: Uh… que acordo?
CHANTELLE: Simples. Você e sua parceira esquentadinha vão para o flamenco. E… fracassem. Só depois que Mona e eu conseguirmos nossa pista vocês podem avançar.
DANNY: Você tá pedindo pra eu sabotar minha própria dupla?
CHANTELLE: Não é pedir, é negociar. Lembre-se: um assento VIP não se paga sozinho. E, se eu quiser, posso garantir que você e Becky passem o resto da corrida brindando na Área Premium.
Danny olha em volta, em busca de qualquer escapatória.
DANNY: Olha, Chantelle, eu sou atleta. Eu não me autossaboto. Foi mal, mas eu recuso.
CHANTELLE: Você recusa? Ah, que gracinha. — Riu baixinho. — Talvez eu não tenha sido clara. Eu sou Chantelle Pirelli. Meu nome está na ‘FORCEPS 30 Under 30.’ E se, hipoteticamente, você me desapontar… eu posso pagar para que você fique preso na Espanha sem voo de volta. Posso fechar as portas de todas as academias da cidade para você. Posso riscar seu nome de cada liga de triatlo da América do Norte. Quer mesmo brincar comigo, garoto?
Danny engole em seco, pálido.
CHANTELLE: Ótimo. Então temos um entendimento. — Ela ergueu a voz de propósito, virando-se para Becky. — Vejo vocês na pista de dança.
Mona surge logo atrás, seguindo-a cúmplice.
A câmera corta para Becky, olhos faiscando, punhos cerrados. O olhar dela para Danny poderia perfurar aço.
*ENTREVISTA ON*
BECKY: Você tá feliz? É isso que você conseguiu com sua confabulação? Uma influencer maldita te chantageando? Não, pior. Chantageando a nós dois! Você me arrastou para essa cilada! — Ela berrou sem pausar para respirar.
Danny apenas ficou cabisbaixo.
DANNY: Olha, Becky, eu também não estou feliz com todos os pontos desse acordo, mas sabe, isso pode nos beneficiar a longo prazo. Se a gente considerar que…
Becky tapou a boca dele com o dedo.
BECKY: Se você ousar justificar essa pataquada mais uma vez, eu acabo com sua raça agorinha.
Acuado, Danny apenas calou-se.
*ENTREVISTA OFF*
A câmera corta direto para um campo improvisado numa praça de Barcelona. Um goleiro robótico de aparência duvidosa está posicionado na trave. Olhos piscando em LED, braços metálicos que se mexem com delay. O desafio parece simples: cinco gols consecutivos. As coisas não estavam indo tão bem assim.
*ENTREVISTA ON*
PETER: Quando eu vi o campo, pensei: “ótimo, mamãe faz tudo e eu descanso.”
MARIA: Como sempre! — Ela forçou um riso. — Não que eu me importe. Eu adoro cuidar do meu filhinho!
PETER: Pois é… só que as regras diziam que cada um tinha que chutar. Alternando. Genial. Perda de tempo total.
MARIA: Ah, filho, pelo menos a gente se divertiu.
PETER: Se você acha. Talvez você tenha se divertido. Já eu…
Peter encara a câmera em silêncio, expressão morta.
*ENTREVISTA OFF*
No campo, Willow mete um chute seco. Bola na rede. O robô solta sua voz metálica: “Bom trabalho!”
WILLOW: Dois já foram. Sua vez, pai!
Larry, em vez de chutar, estava frente a frente com o robô, semicerrando os olhos.
LARRY: Filha… esse troço aí não tá meio abusado, não? Quem ele pensa que é pra ficar te elogiando assim? “Bom trabalho!”... — Ele caçoou da voz robótica. — Ele tá flertando contigo?
Willow suspira alto, mão na cara.
WILLOW: Você só pode estar de sacanagem.
LARRY: Eu tô sério! Esse treco tem intenções esquisitas. Você não sabe que as Inteligências Artificiais estão tão avançadas que acham que tem personalidade? Eu vi no noticiário, aquela matéria sobre o jornalista de Whistler que ficou apaixonado por um robô de conversas da Shandra Jímenez e…
WILLOW: Pai. Fica quieto. Chuta a bola. Agora.
Ela praticamente arrasta o homem até a marca de chute, o que é surpreendente considerando o tamanho imenso de Larry.
LARRY: Tá bom… mas só porque esse lata-velha precisa aprender a respeitar a mim. E especialmente, você!
Ele acerta um chute poderoso. Gol limpo. Outro chute. Gol de novo.
LARRY: Toma essa, sucata atrevida! Vê se aprende com quem você tá lidando!
Willow ajeita o cabelo, meio vermelha de vergonha, meio rindo da cena.
Do outro lado do campo, Peter corre para a bola. Ele chuta com força… e erra feio, batendo só no ar. Maria assume a vez, acerta fácil, e dá um pulinho animado.
MARIA: Uhul! Gol da mamãe! — Ela logo ajeita o sorriso, olhando pro filho. — Mas eu tenho certeza que você consegue também, querido.
PETER: Tanto faz. Você pode marcar todos os gols, por mim.
Ele bufou, tentou mais uma vez… e errou de novo, olhando para o chão como se fosse culpa do gramado.
Em outra parte do campo, o casal de idosos estava bem focado. Betty aperta o coque. Raymond ajeita a faixa atlética.
Betty acerta dois gols seguidos, friamente calculados. Então ela vai até o marido e sussurra estratégias no seu ouvido.
BETTY: Sem enrolar. Mira no canto, sempre no canto.
Raymond, para surpresa geral, também manda a bola pro fundo da rede, apesar do chute desengonçado.
Eles conseguem os quatro gols, mas antes de continuar, saem mancando juntos, jogando-se num banco da praça para recuperar o fôlego.
Outra dupla que ia bem no desafio eram os irmãos, Clint e Hank. Eles rapidamente fizeram três gols e Hank trabalhava no quarto.
*ENTREVISTA ON*
HANK: Ah, isso foi mais fácil que tirar leite de cabra, sô!
CLINT: E teje dito! — Ele gargalhou. — Se continuar desse jeito, nem vamos precisar usar nossa vantagem.
HANK: Imagina só, o bilhete do Passe Livre voltando com nós pra roça?
E os dois riram imaginando a cena, contentes.
*ENTREVISTA OFF*
O sol de Barcelona já estava se pondo quando a câmera corta para um salão pequeno, decorado com lenços vermelhos e guitarras penduradas. Dois instrutores locais, sérios e cheios de pompa, apresentam a rotina rápida de flamenco para os competidores. Palmas, batidas de pés, giros.
INSTRUTOR: Lembre-se, todos vão dançar ao mesmo tempo. Quem completar a dança de forma correta, ganha o envelope com a pista, enquanto as outras duplas devem continuar tentando.
Logo, a música começa e as duplas entram em ação.
Becky e Danny se encaram como se fosse duelo. O ritmo do flamenco parece perfeito para eles descontarem a tensão. Ela gira, ele segura firme sua mão. O olhar trocado é tão intenso que poderia incendiar o chão. Por alguns segundos, a coreografia parece natural, quase romântica. Mas no final…
DANNY: Oop! Foi mal! — Ele pisa no pé de Becky, sem querer.
BECKY: Olha onde pisa, garoto!
A pose final é congelada, com Becky sorrindo falsamente para a câmera, enquanto dá um beliscão doloroso na cintura dele.
Chantelle e Mona tentam seguir os passos, mas a harmonia é inexistente. Chantelle gira desajeitada, quase tropeça, e pisa no pé da assistente.
CHANTELLE: Presta atenção, Mona! Culpa sua, você ficou muito perto.
Mona estreita os olhos, respira fundo… e na sequência do movimento, devolve o pisão. Forte.
MONA: Ai, que distração boba minha. — Sua voz era forçada.
A música acaba com Chantelle posando exagerada para a câmera, enquanto Mona força um sorriso cansado.
As gêmeas Mackenzie e Mikayla entram na maior empolgação. Palmas fora de ritmo, giros errados, passos trocados.
MACKENZIE: Espera, não era pra virar agora?!
MIKAYLA: Eu tô tentando seguir, mas você parece um pião descontrolado!
Ainda assim, a energia delas é tanta que arrancam risadas dos instrutores. Na pose final, uma das duas quase cai, a outra segura e ambas explodem em gargalhadas.
No canto do salão, Antoine e Martin. Os dois começam relutantes, mas logo se ajustam. O ritmo bate com a precisão de um serviço de cozinha: passos rápidos, giros sincronizados, batidas de pé firmes. A química entre eles é óbvia.
A coreografia culmina num giro elegante, que termina com os dois frente a frente, respiração acelerada, rostos próximos. Tão próximos que bastaria um movimento mínimo para…
Um dos instrutores invade o quadro e bate palmas, entregando o envelope com a próxima pista. A tensão é cortada.
ANTOINE: Uh… Eu… Martin…
MARTIN: Non importa! — Ele tosse e pega o envelope. — Estamos na front! Vamos ler essa pista!
O chefe começa a ler e seus olhos arregalam. Antoine tomou a frente e leu em voz alta.
ANTOINE: “Sigam até a arena de tourada no centro da cidade. Porém prestem atençón, há uma reviravolta! A primeira dupla a chegar lá enfrentará uma decisón difícil que pode mudar os rumos desta corrida…”
Ele franziu as sobrancelhas.
ANTOINE: Reviravolta?
Martin e ele se entreolharam, confusos.
*ENTREVISTA ON*
MARTIN: Ótimo! Outra reviravolta. — Ele bufou, sarcástico. — Esse dia non poderia ficar pior!
Ele cruzou os braços, visivelmente incomodado.
Um produtor pigarrou atrás da câmera.
PRODUTOR: Uh… Martin?
ANTOINE: Oui?
PRODUTOR: Você não vai comentar sobre o que aconteceu no fim da dança de flamenco?
Martin ficou vermelho até a orelha. Antoine tossiu como se tivesse engasgado.
MARTIN: Non aconteceu nada! Absolutamente nada! Você deve estar confundindo, non?
PRODUTOR: Nada? E aquela parte que vocês quase se bei-
Antoine passou as mãos pelos braços, nervoso.
MARTIN: Corta essa entrevista! Corta agora!
*ENTREVISTA OFF*
Enquanto isso, Mackenzie e Mikayla milagrosamente haviam conseguido terminar a coreografia e já disparavam porta afora. Danny e Becky ainda penavam no salão.
Depois de incontáveis tentativas, Becky girou para a pose final e os dois ficaram frente a frente. Ofegantes, olhos em chamas de raiva.
O instrutor entregou o envelope. Becky agarrou na hora e já se virava para correr… até ser interrompida por uma tosse forçada.
CHANTELLE: Qual a pressa, queridinha? Não esqueceu do nosso acordo, né? Vocês só saem daqui quando a imprestável da Mona e eu terminarmos!
Becky cerrou os punhos.
BECKY: Vocês nunca vão terminar isso! Vocês têm química zero!
Chantelle lançou um olhar fulminante, mas Mona respirou fundo, cansada.
MONA: Odeio concordar… mas ela tem razão. Se continuarmos, vamos ficar horas aqui e vamos ser eliminadas.
Chantelle endureceu o olhar, depois suavizou, quase sorrindo.
CHANTELLE: Pois bem. Parece que chegou a hora do plano B.
Ela marchou até os instrutores.
CHANTELLE: Vamos negociar. Quantos anos de maquiagem grátis vocês querem? Cinco? Dez?
Os dois instrutores trocaram olhares cúmplices e sorriram, aceitando sem pestanejar.
—
A cena corta para Becky e Danny disparando pelas ruas estreitas até a arena de tourada. Chantelle e Mona vinham logo atrás, exaustas, mas coladas na perseguição.
Ao entrarem na arena, os quatro pararam de repente. Todas as outras duplas já estavam ali, reunidas. No centro, Lucina os esperava com seu sorriso, em frente a uma enorme placa repleta de linhas e colunas, como uma tabela de classificação.
DANNY: O que tá acontecendo aqui?
Lucina ergueu os braços dramaticamente.
LUCINA: Finalmente, as últimas duplas chegaram! Aproximem-se, porque eu vou revelar a próxima grande reviravolta da corrida!
Peter resmungou com desdém.
PETER: Ah, isso vai ser ótimo…
LUCINA: Meus corredores, chegou a hora de apresentar… um item especial! Tcharãããm! — Ela tirou do nada uma chave dourada, ornamentada, brilhando sob o sol. — A Chave Mestra! Estão curiosos? Pois deveriam estar!
Ela sacou algumas fichas, balançando-as como se fosse cartas de pôquer.
LUCINA: O próximo desafio será individual. Atrás de mim, no centro desta arena, vocês terão que montar… um touro! Cada competidor, um por vez. Quem resistir pelo tempo exigido ganha a pista e corre direto para a Zona de Relaxamento. Quem cair antes… passa a vez para a próxima equipe na fila.
Os competidores reagiram em uníssono.
MARTIN: Montar num tourrô?! Que coisa bárbara! Tinha que ser os espanhóis…
Já os irmãos bateram palmas, confiantes.
HANK: Agora sim! Coisa de homem!
CLINT: Uhum. — Ele já estalava o pescoço.
LUCINA: É um touro mecânico, é claro! Não aguentaria outra polêmica de maus tratos animais nas minhas costas. — Ela tossiu e ignorou o assunto. — Notem que eu falei que devem montar o touro por um tempo específico. Isso mesmo, cada corredor vai montar o touro por um período de tempo diferente! Começando de 30 segundos até 3 minutos!
Um murmurinho correu pelo grupo.
LUCINA: E quem decide esses tempos? A primeira dupla que chegou aqui! A dupla que agora detém a Chave Mestra! E os vencedores são…
Martin e Antoine até chegaram a ajeitar as roupas, confiantes.
LUCINA: …Hikari e Yumi!
As duas meninas acenaram discretamente para a câmera, impassíveis.
PETER: Sério, eu sempre esqueço que elas ainda estão na corrida.
Lucina ergueu uma sobrancelha, mas seguiu no ritmo.
LUCINA: Então, funciona assim: uma dupla terá 30 segundos. Duas duplas, 45 segundos. Outras duas duplas, 1 minuto. Depois, duas com 1 minuto e meio. O oitavo lugar encara 2 minutos… e, finalmente, a última dupla terá que aguentar 3 minutos no touro!
Ela entregou a chave para as japonesas.
LUCINA: Agora é seu dever decidir os tempos! Meninas, façam suas escolhas e escrevam no quadro atrás de mim. E, claro, sejam estratégicas! Lembrando que quem não competiu no último desafio individual nas Ilhas Galápagos precisa competir neste!
Hikari e Yumi trocaram sinais discretos com as mãos, movimentos quase invisíveis. Em segundos, já estavam diante do quadro preenchendo as linhas. Nenhum dos outros entendeu como chegaram à conclusão.
***
LUCINA: Pois bem! O panorama é o seguinte:
Hikari & Yumi — 30sBetty & Raymond — 45sAntoine & Martin — 45sPeter & Maria — 1mMackenzie & Mikayla — 1mLarry & Willow- 1m30sBecky & Danny — 1m30sHank & Clint — 2mChantelle & Mona — 3mLUCINA: Escolhas interessantes! Por quê será que elas tomaram essas decisões? Seria interessante saber se elas falassem! — Ela reclamou meio exasperada. — Enfim, vamos começar! Yumi, você primeiro!
***
A menina se inclina com calma diante do touro e sobe com tranquilidade. Lucina pega um cronômetro do bolso.
LUCINA: Pronta, Yumi? Pode começar!
A apresentadora aperta o botão do cronômetro, e o touro começa a se convulsionar com força. Mesmo assim, isso não parece afetar Yumi em nada. A japonesa parecia acompanhar os movimentos do animal com naturalidade, quase como se estivesse em uma meditação. O tempo corria, tic-tac.
LUCINA: Não é possível… — Sua boca ia se abrindo mais a cada segundo. — Ela vai conseguir na primeira tentativa!
De fato, os 30 segundos acabam e Yumi desce do touro sem esforço.
LUCINA: Uau! Eu nunca imaginei que veria isso. Então, Yumi e Hikari podem seguir na corrida!
As meninas se reúnem e são abordadas por um assistente de produção vestido de toureiro. Ele entrega um envelope com a próxima pista para elas. Seus olhos se movem enquanto leem, mas, claro, elas não leem em voz alta, o que deixa a apresentadora um pouco frustrada.
LUCINA: Ah, meu Deus... — ela solta um suspiro e logo tenta sorrir de novo. — Enfim, Betty, agora é a sua vez!
Ela ajeita a faixa esportiva e prende o coque grisalho, enquanto faz um pequeno alongamento. Do lado dela, Raymond fica com o punho fechado, torcendo animadamente.
RAYMOND: Vai, Betinha! Você consegue, meu amor! — ele grita com entusiasmo.
A idosa sobe no touro que começa a tremer, pronta para o desafio. Betty sorri com confiança nos primeiros segundos.
BETTY: Isso é tudo?! Hah! Dar parto foi bem mais difícil que isso! — Ela se gaba, cheia de segurança.
Porém, à medida que o tempo passa, seu sorriso começa a desaparecer. Parece que o relógio não avança nunca.
LUCINA: Ainda se sente segura, minha senhora? — Ela sorri de forma maliciosa.
BETTY: Acho que mudei de ideia… — Sua voz treme por causa do movimento do touro.
Ela segura até o fim, mas sai ofegante. Betty vai cambaleando até chegar perto do marido, que bate nas suas costas em sinal de congratulação. Logo após, eles recebem a próxima pista.
BETTY: Leia você, meu amor. — Falou entre arfadas. — Preciso respirar um pouco.
Raymond acata, rasgando o envelope.
RAYMOND: “Sigam até os fundos da arena, onde a Zona de Relaxamento desta etapa aguarda vocês!” Uhuul! Vamos Betinha, estamos tão perto!
Com energia renovada, o casal de idosos corre em direção a seu objetivo. Enquanto isso, Lucina chama o próximo competidor.
LUCINA: Antoine, está pronto?
O chefe de cozinha sobe no touro, entre resmungos.
ANTOINE: Que assentô desconfortável! Tinha que ser desse paizinho, a Espanha! — Provocou.
MARTIN: Aproveite seus 5 segundos aí em cima. Hmpf. Eu deveria ter a chânce de competir neste desafio. O Antoine nunca conseguirá!
Antoine finge que não ouviu nada quando o cronômetro dispara. O touro dá um tranco violento e ele arregala os olhos, agarrando-se firme.
ANTOINE: Bon… esta coisa tem força, hein?
O movimento chacoalha como montanha-russa, arrancando um berro dele. Martin, que começou rindo, troca a expressão para algo bem menos divertido.
MARTIN: Est pô extremo, non?
O touro gira em 360º e quase arremessa Antoine, que gruda no assento com pura teimosia. O tempo corre, até que finalmente…
LUCINA: Tempo! Antoine cumpriu os 45 segundos! Parabéns. Embora… isso esteja começando a ficar meio chato. Todo mundo conseguindo o tempo certinho… — Ela boceja teatralmente.
Antoine salta, trêmulo, tentando disfarçar a perna bamba. Martin corre até ele e o segura pelo braço.
ANTOINE: Non disse? — A voz sai rouca.
MARTIN: Disse o quê? — O tom é de preocupação genuína.
ANTOINE: Que eu aguentarria o tempo todo! — Ele pisca, ainda ofegante.
MARTIN: Ah, putain! — Ele dá um tapa forte no braço do parceiro.
Eles se encaram por alguns segundos, intensos demais. A tensão explode em gargalhadas, quebrando o clima, quando recebem a pista.
ANTOINE: Allez, lê isto logo!
Martin abre e, ao ver o conteúdo, os olhos brilham. Os dois disparam em corrida, passando Betty e Raymond no caminho. Ofegantes, batem juntos no tapete dourado oblongo.
De repente, como se fosse mágica, Lucina já está lá, elegante, esperando. Um copo de espumante na mão, e outro vazio ao seu lado.
MARTIN: Hein?! Como você tá aqui? Você tava do lado do torrô há dois minutos!
LUCINA: Magia da televisão, querido. — Ela sorri. — O que importa é a notícia de verdade! Antoine e Martin, parabéns. Vocês são a primeira dupla a chegar à Zona de Relaxamento. Logo, são os vencedores da etapa!
Os dois cozinheiros explodem em comemoração, abraçando-se de forma caótica. Martin se solta logo depois, coçando o queixo, confuso.
MARTIN: Ma como? As japonesas estavam na nossa frente!
Lucina apenas dá de ombros.
LUCINA: Pois bem, falando nelas… olhem aí.
Eles se viram e quase levam um susto: Hikari e Yumi já estão atrás deles, caminhando tranquilamente.
ANTOINE: AAAHH! Hein?!
As duas passam serenas, pisam no tapete e se curvam.
LUCINA: Hikari e Yumi, parabéns! Vocês são a segunda dupla na Zona de Relaxamento.
Enquanto as meninas se afastam sem dizer uma palavra, a câmera volta para os vencedores.
LUCINA: Antoine e Martin, além da vitória, também têm um prêmio especial.
Um assistente puxa uma cortina vermelha improvisada. Ao som de tambores mal ensaiados, Lucina revela o prêmio: um DVD pirata com um casal dançando na capa.
LUCINA: Tutoriais de dança espanhola! Assim, na próxima temporada, vocês finalmente saberão como fazer a bachata!
Os dois apenas se entreolharam, claramente pouco impressionados com o prêmio. A cena foi interrompida pela chegada ofegante de Betty e Raymond, que finalmente pisaram no tapete dourado em terceiro lugar.
LUCINA: Parabéns, Betty e Raymond! Vocês seguem firmes na corrida. Quem diria, esses velhinhos ainda têm gasolina, não? — Riu, de um jeito ensaiado.
BETTY: Obrigada, Lucina. — Disse, arfando.
RAYMOND: Isso foi… puxado. — Comentou, apoiando as mãos nos quadris enquanto recuperava o fôlego.
*ENTREVISTA ON*
Os chefs apareciam sorridentes diante da câmera.
ANTOINE: Mon Dieu! Nós vencemos esta etapa da corrida!
Martin bateu as palmas nas coxas, vibrando.
MARTIN: E sem vantagem nenhuma, diferentemente daqueles irmãos! Só força de vontade, câlisse!
Do outro lado, os produtores trocaram olhares.
PRODUTOR: Os cowboys não tinham nenhuma vantagem quando venceram. Isso não faz sentido.
Martin emburrou.
MARTIN: Bah, tanto faz! O importante é que nós vencemos… e eles perderam!
Ele deu um high-five em Antoine.
— — —
Corte para a entrevista de Betty e Raymond.
RAYMOND: Bem, a corrida tá ficando mais difícil a cada etapa.
BETTY: Mas ainda estamos indo muito bem! Dois terceiros lugares seguidos não é nada mal.
Ambos sorriram, os olhos semicerrados de cansaço.
*ENTREVISTA OFF*
As três primeiras duplas deixaram a Zona de Relaxamento, e a câmera voltou para Lucina.
LUCINA: Bem, fico curiosa para ver como as outras duplas estão se virando no touro mecânico.
***
Peter subiu no touro resmungando.
PETER: AAah! Eu sou sedentário! Eu não faço essas coisas!
Da lateral, Maria berrava, já vermelha.
MARIA: Uhuuul! Vai, meu campeão!
Peter tentou revirar os olhos, mas o touro começou a sacudir com violência. Ele soluçou e começou a se agarrar como podia, girando os braços feito boneco de posto inflável.
PETER: AAAAAHHHH!!!
Na fila, Hank e Clint discutiam.
CLINT: Eu tô dizendo, mano, precisamos usar o Passe Livre agora. Já perdemos o Top 3!
HANK: Claro que não, fio! Cê não confia em mim? Eu aguento esse troço numa boa.
CLINT: A gente tá em oitavo, Hank! Eu não quero ficar em oitavo!
Nesse meio-tempo, Peter já estava exausto. Forçou os braços no pescoço do touro, mas foi arremessado para fora. Uma sirene soou.
HANK: Viu? Metade desse povo nem vai completar o desafio. Relaxa! Vamos guardar o Passe Livre pra depois.
Clint grunhiu, contrariado.
LUCINA: Uh-oh! Peter não conseguiu o tempo e vai direto pro fim da fila com a mãe. — Anunciou, aparecendo do nada como sempre. — Próximo!
Mikayla subiu rápido no touro, sob aplausos de Mackenzie.
MACKENZIE: Vai, Kayla! Você manda muito! Yeehaw!
O cronômetro marcou um minuto. Mikayla manteve o foco, mas o touro parecia mais cruel a cada segundo. Nos últimos instantes, estava só na força da teimosia.
LUCINA: Cinco, quatro, três, dois, um… e tempo!
O touro parou. Mikayla tinha conseguido.
LUCINA: E parece que nossas gêmeas passaram no desafio!
As irmãs se abraçaram forte. Clint, na fila, batia o pé impaciente.
CLINT: Viu isso? Essas duas passaram da gente! E elas mal dividem um neurônio entre os dois cérebros delas!
HANK: Calma, mano. Vai dar certo… — Ele assegurou, mas sua expressão mudou ao ver as duas correndo e pegando o quarto lugar no tapete.
***
Willow foi a próxima. Subiu firme e cumpriu o tempo sem vacilar.
Na lateral, Larry quase explodia de orgulho.
LARRY: Isso! Vai, minha garotinha!
Willow completou o tempo e desceu com calma. Ele correu até ela, vibrando.
LARRY: Você foi incrível, minha pequena…
WILLOW: Ugh, para com isso, pai. — E enfiou o envelope na cara dele. — Vamos logo pro tapete.
Entraram na Zona de Relaxamento, deixando os cowboys cada vez mais tensos.
*ENTREVISTA ON*
Hank estava com os braços cruzados e em silêncio, enquanto Clint encara a câmera com intensidade.
CLINT: Foi mais ou menos naquele momento que eu comecei a surtar totalmente. — Ele admitiu. — “Nós precisávamos usar nosso Passe Livre”, eu pensei.
HANK: Já eu disse que isso era besteira. Tinham ao menos duas duplas atrás da gente e eu confiava na minha habilidade no touro.
CLINT: Pois eu não confio! Eu conseguiria realizar o desafio bem mais rapidamente. Mas as drogas das regras me impedem de competir em dois desafios individuais consecutivos.
HANK: Enfim… quando a Becky subiu no touro, é, vou admitir. Minha tensão estava nas alturas.
*ENTREVISTA OFF*
Danny gritava incentivos exagerados, irritando Becky.
BECKY: Cala a boca, Danny! Preciso me concentrar!
O touro parecia mais violento, e num giro inesperado Becky foi arremessada para fora da arena.
LUCINA: Uff! Becky e Danny vão pro fim da fila!
Becky bateu no chão, furiosa, enquanto Danny se encolhia, cabisbaixo.
Na fila, os cowboys respiraram aliviados. Hank subiu no touro com pressa.
O tempo começou. Ele resistiu bem no início, mas conforme o cronômetro avançava, sua confiança desmoronava. Estava suando, quase chorando.
HANK: Por favor… por favor…
O apito soou. Ele tinha conseguido. Hank despencou de cara no chão, mas Clint já pulava e jogava o chapéu para o alto.
Correram até o tapete dourado.
LUCINA: Parabéns, cowboys! Estão na próxima fase… mas só em sexto lugar. Caindo cedo, não?
Clint grunhiu, frustrado.
HANK: Não esquenta. Vamos voltar ao topo. E ainda temos nossa arma secreta.
Lucina ergueu a sobrancelha.
LUCINA: O Passe Livre não é bem uma “arma secreta”, vocês sabem, né? Todo mundo sabe que vocês têm ele.
HANK: É só uma expressão! — E cuspiu no chão para pontuar.
*ENTREVISTA ON*
CLINT: Bem, essa não foi a nossa melhor etapa. — Coçou o queixo.
HANK: Pra quê tanta negatividade? Nós seguimos na competição e está só no início dessa corrida. Ainda temos muito para mostrar.
CLINT: Espero que a próxima rodada seja melhor.
*ENTREVISTA OFF*
Finalmente chegou a vez de Chantelle. Ela nem percebeu, ocupada lixando as unhas sobre um pedaço de entulho. Mona se aproximou com a paciência já no limite.
MONA: Uh… senhorita Chantelle? É sua vez.
CHANTELLE: Minha vez de quê?
MONA: Do desafio. O touro mecânico.
A influencer olhou para a assistente como se a palavra “touro” nunca tivesse feito parte do seu vocabulário.
CHANTELLE: Do que você tá falando, Mona?
MONA: Do desafio? — Ela então respirou com força. — O desafio da Corrida Alucinante? O reality que estamos competindo neste momento. Por um milhão de dólares?
CHANTELLE: Um milhão de dólares? Por quê aceitamos competir por tão pouco? — Fez um muxoxo. — Enfim, por que você não faz isso?
MONA: Não posso, senhorita. São as regras.
CHANTELLE: Hah! — Gargalhou. — Regras? Isso não existe pra gente como eu. — Virou-se para a câmera. — Quem eu preciso subornar agora?
Um produtor, atrás da câmera, balançou a cabeça.
PRODUTOR: Foi mal, Chantelle. Aqui não tem suborno que resolva.
CHANTELLE: Você tem certeza? Eu tenho muito a oferecer.
***
Corte seco: Chantelle já estava montada no touro. Lucina levantou o braço e ligou o cronômetro.
CHANTELLE: Calma, espera! Tem certeza que não dá pra negoci—AAAAHHH!
O touro sacudiu com violência.
CHANTELLE: MEU DEUS! EU NÃO FUI FEITA PRA ISSO!
A cada giro, a voz dela ficava mais aguda. Na fila, Danny sorria de canto.
BECKY: Por que você tá sorrindo, idiota?
DANNY: Não é óbvio? Ela nunca vai durar três minutos. E ainda tem o Peter, que não chega nem perto de você.
BECKY: Tsc. Talvez eu bata o Peter, é verdade. Mas você esqueceu que fez um acordo com a Chantelle, e a gente só avança se ela completar o desafio, seu completo IMBECIL?!
Danny engoliu seco, fechando a cara.
BECKY: Melhor rezar pra aquele fracassado do Peter cair ainda mais rápido, ou eu arranco sua língua e faço você engolir.
Danny ia retrucar, mas congelou. Chantelle já passara de um minuto.
DANNY: Como ela tá aguentando tanto tempo?
A câmera mudou de foco. Mona estava encostada na cerca, murmurando instruções.
MONA: Isso, senhorita Chantelle! Segura como eu disse!
Chantelle apertou o touro com força redobrada.
*ENTREVISTA ON*
Mona sorria com orgulho.
MONA: Essa foi minha jogada de mestre.
CHANTELLE: Por favor. Quem segurou fui eu. Como sempre. — Cruzou os braços.
Atrás da câmera, movimento.
PRODUTOR: Mas o que você falou para convencer a Chantelle?
MONA: Foi simples. Apenas disse para a senhorita fingir que o touro era uma bolsa exclusiva da Melissa Galore e em liquidação. Ela apenas precisava se segurar por 3 minutos e a bolsa seria dela. E funcionou como um charme!
*ENTREVISTA OFF*
O cronômetro chegou ao fim.
LUCINA: Três… dois… um! Chantelle completou o desafio!
Chantelle desceu do touro descabelada, mas ajeitou a postura como se tivesse acabado de sair de um desfile. Mona correu para recebê-la, vibrando ao pegar o envelope.
Do outro lado, Becky mordeu o ar de raiva.
BECKY: Eu vou ter uma síncope.
LUCINA: Bem, uma reviravolta! Pois bem, enquanto eu recepciono Chantelle e Mona no tapete, Peter, é sua vez!
A câmera focou no rapaz e sua mãe. Ele estava trêmulo e ansioso.
PETER: E agora, mamãe? Eu não queria isso. Eu não queria ser o segundo eliminado! Que humilhante!
Maria olhou para o filho com compaixão.
MARIA: Não diga isso, filho! Ainda temos uma chance!
PETER: Como, mãe? Eu nunca vou conseguir me segurar o tempo todo. E a Becky é quase uma máquina. Ela sempre vai me vencer.
Sua mãe piscou meio tristonha, até que teve uma ideia.
MARIA: Já sei! Você precisa fazer igual aquela garota rica!
Peter piscou, confuso.
MARIA: Imagina que tá agarrado em algo que você ama. Tipo… abraçando sua mamãe.
O rosto dele iluminou.
PETER: Valeu, mãe. Mas eu tenho uma ideia melhor.
Ele subiu no touro. Assim que o bicho começou a girar, Maria jurou ouvir o nome “James” escapando baixinho, mas preferiu ignorar.
Na fila, Becky e Danny assistiam boquiabertos.
DANNY: Não… impossível.
O cronômetro corria. Peter, olhos fechados e sorriso leve, não soltava de jeito nenhum. Becky cerrava os punhos, furiosa. Danny desviou o olhar, derrotado.
***
Quando finalmente chegaram ao tapete dourado, Becky e Danny carregavam no rosto um misto de dor, exaustão, raiva e frustração. Tudo ao mesmo tempo.
Lucina se aproximou devagar, batendo palmas lentas e exageradamente condescendentes. O gesto só aumentou a irritação da dupla.
LUCINA: Ora, ora, ora… parece que não foi dessa vez, né?
Becky mordeu os lábios para não explodir.
LUCINA: Becky e Danny, lamento informar, mas vocês foram a última dupla a chegar à Zona de Relaxamento. Isso significa que estão eliminados da Corrida Alucinante. — Anunciou, com a ênfase de sempre.
Danny baixou a cabeça, derrotado. Becky deixou escapar um grunhido doloroso.
LUCINA: Querem dizer algo? Talvez para os fãs?
Eles trocaram um olhar rápido, cruzaram os braços e viraram de costas um para o outro.
*ENTREVISTA ON*
Ainda visivelmente humilhados, começaram a entrevista final.
DANNY: Segundo eliminados… segundo! Isso é uma vergonha. Nunca passei tanta humilhação em realities como hoje. Eu sempre cheguei até o fim. Dessa vez, nem cheguei ao quarto episódio.
BECKY: Talvez, se eu tivesse um parceiro mais focado e que soubesse tomar decisões racionais, eu teria chegado ao fim. — Ela lançou um olhar venenoso para Danny.
DANNY: E talvez, se eu tivesse uma parceira com mais paciência e que soubesse manter a calma para pensar em estratégia, eu teria chegado ao fim. — Retrucou, rosnando.
O silêncio pesado se instalou. Um produtor pigarreou ao fundo, desconfortável.
BECKY: Isso não tá certo. Não era assim que deveria ser.
DANNY: Concordo. Eu quero… não, eu preciso. Eu preciso de uma redenção. Eu preciso da minha honra novamente.
Ambos encararam a câmera com intensidade.
*ENTREVISTA OFF*
Lucina se virou para a câmera, assumindo sua pose teatral de encerramento.
LUCINA: Hoje vimos que intensidade, estratégia e preparo físico não são garantia contra a boa e velha má sorte! A corrida continua, e ainda estamos só no começo. Quem será o próximo a dar o fora? Descubram no próximo episódio!
Ela piscou, e a câmera abriu num zoom dramático para o fade-out.
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