Os batedores estavam nas colinas fazendo a ronda diária, visitando os clãs souberam de um fato preocupante e fizeram o caminho de volta até Winterfell, um castelo enorme que dentro de suas muralhas era possível abrigar toda a população que vivia nas vilas ao redor.


Rodrick estava no salão atendendo a plebe e alguns fidalgos de nascimento elevado, quando Martin entrou e falou que Marshal tinha algo importante para lhe falar, então atendeu mais uns suplicantes e se retirou para falar com o batedor.


– O que é tão importante para interromper meu atendimento a população? — Marshel estava assustado era fácil perceber, seu rosto pálido parecendo neve e ele tremia, podia ser só frio mas todas as lareiras da sala privada estavam com as chamas crepitando.


– Senhor! Desculpe-me, mas hoje de manhã durante a ronda, todos do clã Flynt estavam desesperados, disseram que na noite anterior quando faziam sua caça na floresta assombrada próximo ao punho dos primeiros homens avistaram de longe algo que parecia um urso caído.


– Que mal há em um urso caído, ele podia estar morto ou apenas descansando.


– Mas quando eles chegaram mais próximo viram que era um gigante, o pior é que ele não estava morto e sim com os outros em cima dele! O gigante se debatia em vão por causa do número de vagantes branco, o que faremos senhor?


– Nos preparar para a guerra, vá tomar um pouco de vinho quente com especiarias — Não posso deixar que meu subordinado veja que estou muito preocupado — E não comente com ninguém sobre isso, entendeu? Todos saberão na hora certa.


– Sim vossa graça, não o decepcionarei.


Após Marshel sair, Rodrick mandou chamar Cleon, que chegou alguns minutos depois.


– O que houve? — Rodrick estava tenso, Cleon nunca viu o irmão assim. — Martin disse que era importante.


– Eu não disse pro intendente que era importante, mas isso não interessa agora porque o assunto é serio. O clã flynt já viu os primeiros vagantes!


– Isso quer dizer que devemos nos preparar, tá na hora de convocar os vassalos?


– Sim, convoque-os e diga que tragam todas as lâminas de obsidianas que tiverem, quero que eles saibam o que se passa. — Saiu e foi atrás de seu filho. Brandon gostava de escalar e fazer castelos em miniaturas ele dizia que era o seu reino particular, já o disse que um dia esse império que eu comando será dele.


– Bran venha cá! — Como sempre ele estava construindo um castelo de neve que batia em sua cintura. — Eu e seu tio vamos ter que sair por um tempo para reforçar as defesas do reino, quero que obedeça o sor Jorah que irá cuidar de tudo enquanto eu estiver fora.


– Sim, mas, eu gostaria de ir com vocês para aprender.


– Ainda não é hora de você sair. — Bran estava louco para ir se aventurar fora dos muros de Winterfell, mas era jovem e os perigos agora são diferentes. — Essa não é uma simples caça, os outros estão se movendo, se acontecer algo comigo preciso que você esteja aqui para cuidar do reino.


– Nada irá acontecer a você, e também tem o tio Cleon que te defenderá se tiver algum perigo.


– Pode acontecer comigo ou com qualquer um, quero que você entenda o perigo que estamos correndo agora.


– Eu entendo só estou com medo.


– Um pouco de medo no homem não faz mal, isso que nos mantem atento aos perigos.


– O décimo terceiro dia de meu nome está chegando, o senhor voltará a tempo?


– Volto sim, não vou ficar muito tempo fora. — Não posso dizer a ele que não sei, se não vai ser difícil eu sair daqui.


Rodrick deu um afago em sua cabeça um abraço o beijou na testa e saiu. Naquela noite teve um banquete para os vassalo e reis de toda Westeros no jantar havia pato mergulhado no mel, cebolas recheadas com batatas amassadas, um imenso javali assado com uma maça tão vermelha que parecia uma bolha de sangue, os vinhos saborosos da árvore, cerveja preta e marrom tão refrescante que parecia ter acabado de engolir uma bola de neve.


Na manhã seguinte Rodrick estava pronto para partir, quando de repente ouviu uma voz angelical te chamar.


– Rod? — virou-se e se deparou com sua esposa.


– Tricya? Achei que não iria me procurar hoje. — Uma mulher esplêndida, um homem jamais poderia reclamar de ter uma esposa dedicada igual a ela ao seu lado, seus cabelos eram castanhos e brilhosos, olhos cor de mel, rosto liso como a superfície de uma maçã, nariz afilado, lábios carnudos e pele clara, tinha umas sardas que até ficavam lindas em seu perfeito rosto, não havia no mundo mulher mais linda que essa.


– Achou que eu deixaria passar um costume nosso?


– Por um momento? Sim! — Todas as vezes que eu tina que sair em alguma missão importante, nós nos encontrávamos no bosque sagrado.


– Isso jamais ira acontecer, eu tenho uma surpresa para você.


– Prossiga, boas emoções são bem vindas diante de momentos críticos.- Foi fácil perceber sua ânsia misturada com medo.


– Não sei se fico feliz ou preocupada, eu... estou grávida!.


Foi um choque de felicidade, mas esses são dias difíceis ainda mais pra uma criança que nascerá no inverno. — Isso é uma maravilha meu amor.


– Mas e o inverno? Esse frio será um perigo até para homens feitos, imagine à recém nascidos.


– Dentro de nossas muralhas ninguém corre perigo, nós temos um castelo aconchegante, em algumas partes passa correntes das termais que tem em nossas terras, você tem conhecimento disso!


– Volte logo estou com medo, eu lhe suplico.


– Voltarei meu amor, voltarei.


Se despediu de sua esposa com um bom e duradouro beijo, um abraço apertado mas ao mesmo tempo reconfortante.


Chegando no estábulo Martin já havia selado sua montaria, um garanhão malhado marrom e branco com as crinas negras que pareciam a escuridão. Quando chegou ao portão principal seus vassalos estavam preparados fazendo filas e mais filas, não tinha convocado só os nortenhos mas também mandou um corvo para cada canto de Westeros.


– Reis e fieis vassalos! Fiz essa convocação para vocês nos ajudar a defender os reinos, com o longo inverno chegando não só os nortenhos correm perigo e sim todos os sete reinos, se o norte cair todos cairão, querem morrer em casa ou no campo de batalha? — Rodrick viu estandartes de todos os reinos, Veado empinado dos Baratheons, truta saltitante dos Tullys, o leão dos Lannisters entre outros. A multidão gritava com ansiedade e medo do que enfrentariam.


Quando Rodrick começou a marcha para o extremo norte com os senhores mais importantes de todo Westeros ao seu lado deu a última olhada para seu imenso castelo e viu Bran no alto da torre das gárgulas olhando e acenando para ele.


O fim do outono é uma coisa linda de se ver quando se está no norte, as folhas soltas ao vento, os pinheiros e carvalhos tão grandes que seus galhos despidos pareciam arranhar o céu, a cada passo dos cavalos e homens com lanças as folhas secas que caíram estalavam, martelos de guerra, maça, espadas de obsidiana reluzindo a cada fio de luz do sol que conseguia atravessar as nuvens, estavam prontas para serem usadas.