A Concubina De Dorian Gray
11 Seus Olhos no Espelho
Notas iniciais
***
Dorian fez questão apenas do melhor, assim obrigando as mulheres daquele salão a me dar total atenção. Nunca me vi diante de tanto paparico em vida, me senti particularmente como a Anne Hathaway em O DIÁRIO DA PRINCESA, só que sem o titulo de princesa. Não posso dizer que não gostei de tudo aquilo, pois seria mentira da minha parte, mas aquilo tudo me assustava mais do que me agradava, afinal, por que razão Dorian estaria tentando me transformar em um modelo de capa de revista se queria apenas minha companhia para ir até o museu. Depois de tudo, de todas as suas investidas indiretas a minha pessoa eu podia e deveria no mínimo desconfiar.
Toda aquela lenga-lenga teve seu fim, e eu estava diante de um grande espelho com as roupas que Dorian havia me obrigado a vestir sendo que ordenou que meu vestido “velho” fosse posto para doação na primeira loja. Meus cabelos estavam aparados nas pontas apenas para dar um corte mais moderno aos meus fios que estavam mais lisos naquele momento devido a chapinha e escova feita nos mesmos. Tudo isso ordem do meu patrão, e provavelmente para agradar o gosto do mesmo.
Não demorou muito até que ele voltasse para me buscar, já que teria me deixado lá a sua espera enquanto tratava de outros assuntos durante o tempo que estive no salão. Com tudo acertado, nos dirigimos novamente até seu carro. Dorian não disse nada, nem sobre onde foi nem sobre alguma provável e notável mudança no meu visual, o que eu não sei exatamente se me deixou contente ou frustrada.
– Agora vamos ao museu? –eu puxei assunto ao entrar no carro.
– Vamos. –ele respondeu colocando seus óculos no rosto e dando a partida no automóvel.
Não demoramos muito a chegar ao museu principal da cidade, que havia alguns outros menores e menos sofisticado quanto aquele. Subimos as escadas principais da entrada e nos dirigimos pelos largos corredores repletos de belos quadros e esculturas de todo tipo, e de toda parte. Claro que a procedência de cada uma me foi dita pelo meu patrão, sendo que eu de nada entendia de arte. E foi diante de um dos quadros que Dorian se manifestou diretamente a mim e não como se fosse um instrutor de arte como vinha fazendo desde que entramos.
– É bonito não é? –ele fez questão de saber minha opinião sobre tal pintura.
– Pra mim são todos iguais... –respondi.
Dorian virou sua face para me olhar como se eu tivesse dito uma ofensa aquele quadro, e então continuou me encarando e se manifestou de maneira seca:
– Entende de arte Anna?
– Obviamente que não senhor Gray. –respondi de maneira polida, mas no mesmo tom.
– Nenhum quadro é igual a outro, assim como nenhum artista é igual a outro... Cada pintura reflete mais do que uma imagem, ele reflete a alma de quem o pintou, por isso é impossível que eles sejam todos iguais. –ele explicou de maneira quase apaixonada.
– Sinto muito se lhe ofendi com meu comentário senhor Gray, mas como disse eu não entendo de arte.
– A escrita é uma forma de arte Anna. –ele seguiu desviando seu olhar para o quadro. – Os livros que você lê, são obras de arte escritas. Isso quando lê bons livros obviamente...
– Então podemos falar sobre algo que eu entenda, como livros.
– Você acha que entende o que lê? –mais uma vez seus olhos cruzaram com os meus.
– Acho que assim como quem escreve dá sua visão ao que cria, aquele que lê também pode tomar sua própria visão do que está escrito, não acha?
– Touché!
Não sei se isso foi uma piada, ou ele estava finalmente concordando comigo usando aquela expressão, que nada mais indicava a não ser um empate em nossa conversa. Significava que estávamos par a par, ou talvez no mesmo nível da discussão. Assim, com esta conversa dada por encerrada, Dorian tocou o centro da minha espinha mais uma vez me conduzindo a outro nível do museu onde ficavam os objetos mais extravagantes do lugar. Nós passamos por algumas salas, lotadas de turistas, e seguimos rumo a um salão mais amplo e claro, repleto de estatuas de mármore, ou seja, lá o que for o material usado pelos escultores para criá-las. Dorian andou de maneira imponente pelo salão quase vazio se não fosse à presença de meia dúzia de apreciadores da arte, e dois seguranças que guardavam a entrada. Diante de uma estatua que para mim pareceu se tratar de uma mulher cobrindo os seios com um pano enquanto todo o resto ficava a mostra, Dorian fez sinal para que eu me aproximasse. Os baixos murmúrios dentro daquela sala enorme era a única coisa que podia ser ouvida, com exceção a voz grave de Dorian que estava ao meu lado e naquele momento me explicava de onde vinha aquela escultura e a quem pertencia.
– Esta não é a única escultura que ele construiu desta mulher. –ele falava sobre o artista e sobre sua musa. – Consegue ver os detalhes? –ele seguiu.
– É realmente muito bonita. –eu respondi olhando o rosto da escultura.
– Não, ela não era bonita. –ele disse me surpreendendo. – Mas ele teve um caso com ela.
– Como sabe? –virei meu rosto parcialmente para ouvir sua explicação.
– Existem muitos resquícios de que esse fato é verdadeiro. Além do mais, ele a esculpiu de muitas formas... –ele estendeu sua mão e pegou a minha, exercendo assim uma leve faísca entre meus dedos.
Dorian me conduziu por entre as demais estatuas até encontrar outra em particular a qual ele buscava. Esta estava deitada sobre uma espécie de divã com os quadris descobertos, e as pernas assim como metade dos seios envoltos por tecido, tudo em mármore obviamente.
– Novamente a mesma mulher. –disse Dorian com certo brilho nos olhos. – Ele era apaixonado por ela...
– Pode dizer isso apenas olhando pra uma obra de arte?
– Como eu disse um artista sempre coloca sua alma em seu trabalho. –respondeu olhando pra mim. – Provavelmente se alguém a pintasse, ou esculpisse não desenharia apenas as formas do seu corpo, mas expressaria na imagem o que sentiu ao desenhá-la. –ele seguiu dessa vez olhando nos meus olhos.
– Acha que ele era obcecado por ela? –perguntei desviando o olhar e voltando a fitar a mulher esculpida.
O que ouvi depois disso foram apenas os baixíssimos murmúrios ao longo da sala, enquanto Dorian passava pelas minhas costas sem me tocar. Quando dei pela sua ausência, desviei o olhar da estatua e o segui, o vendo parar diante de outra escultura, dessa vez o que me parecia ser um casal entrelaçado um ao outro. Dorian mantinha as mãos nos bolsos da calça, e o olhar fixo na imagem a sua frente.
– Me diga o que vê... –ele se manifestou ao ver minha aproximação.
– Um casal. –respondi sem pensar.
– Tente de novo, dessa vez como alguém que observa e não como alguém que apenas olha.
Eu sabia que esse jogo que ele costumava jogar poderia ser divertido para ele, mesmo que pra mim fosse difícil de entender, eu tentei dar o melhor de mim para vê-lo feliz. Assim fiquei em silencio e tentei capturar daquela imagem tudo que ela poderia me dizer, enquanto os olhos de Dorian pousavam sobre mim.
– Talvez ela o amasse, mas ele estava... Distraído demais para notar. As mãos dele a toca, mas é como se ele não estivesse ali por ela... Ele parece frio, e distante, enquanto ela se esforça para chegar mais perto, para se aproximar. –segui.
– Por que acha que ELE não a ama?
– Não vê como o olhar dele esta indiferente, quer dizer, a maneira como o rosto dele está posicionado mostra que ele não quer olhar pra ela.
– Ao contrario, tudo que ELE mais deseja é o amor dela. –ele seguiu com sua explicação. – Mas ela está perdida em sua própria beleza que não percebe o quanto ele a deseja.
– Ela o toca... Está tocando a mão dele. –tentei protestar.
– Superficialmente. –senti que sua voz estava mais próxima, sobre meus ombros mais especificamente. – Você não pode ver os olhos dele, mas eles estão baixos, enquanto os dela estão fixos em um ponto indeterminado, indecifrável. É como se ele tentasse tocá-la, mas ela não permite. –ele seguia falando com sua voz baixa enquanto eu podia sentir seu peito tocando minhas costas, e seu nariz tocando meus cabelos.
– É só uma estátua. –cuspi as palavras desviando meu olhar da imagem para o chão sem mover meu rosto. – É impossível colocar sentimentos em uma escultura de pedra.
– Os sentimentos postos em uma escultura como esta são quase impossíveis de se decifrar, mas isso torna a motivação em descobrir ainda mais divertida. –ele disse ao pé do meu ouvido mantendo o nível de sua voz aveludada. – A arte pode ser vista de muitas formas, o interessante é como cada um a vê... Pra você, por exemplo, é como se o sentimento dele por ela não passasse de uma coisa efêmera. Enquanto ela o espera...
– E o que você vê? –arrisquei em perguntar.
– Eu vejo você.
Essa revelação me fez girar meu corpo, e parar diante dele em exatos três centímetros de distancia entre nós dois. Os olhos castanhos, praticamente negros de Dorian me olhavam profundamente e era como se um sorriso ilegível estivesse preso no canto dos seus lábios, pronto para sair, embora sua expressão fosse neutra.
– Perdida em um universo tranquilo e seguro construído pra que nada além do que planejou aconteça. –ele seguiu com sua leitura sobre mim, ou sobre a estátua atrás de mim. – Impedindo de todas as formas que algo fora do seu plano seja possível, ou que alguém atravesse a linha imaginária imposta por você.
– Todo mundo precisa de certa segurança. –rebati sentindo minha voz fraca.
– Aqueles que temem arriscar um passo em uma direção diferente, perdem a oportunidade de desbravar novos horizontes.
– Isso não tem sentido... –disse tentando desviar dele, mas senti sua mão segurando meu antebraço.
– Às vezes é necessário se arriscar na vida pra alcançar algo mais... Prazeroso.
– Eu quero ir embora. –disse em tom seco. – Se não se incomoda.
Dorian me olhou novamente de um jeito frio, como se estivesse frustrado por minha resposta e então apertou parcialmente os lábios. Eu tentei ignorar seu olhar, e aproveitei seu silencio para me afastar. Andei em direção à porta, e logo notei que ele me seguia. Depois disso, ele não voltou a falar comigo até chegarmos à mansão. Perguntei se ele ainda precisaria de mim naquela noite, e ele respondeu apenas que me chamaria se precisasse, depois sumiu rumo ao escritório. Subi as escadas e fui para meu quarto, onde fechei a porta e me dirigi ao banheiro retirando os sapatos apertados no caminho, ficando descalça e diante da pia onde lavei meu rosto. Escorei minhas mãos nas laterais da pia enquanto baixava os olhos vendo a água descendo pela torneira. Havia algo errado comigo porque eu sempre acabava me arrependendo das coisas que dizia a Dorian, e isso me deixava ainda mais frustrada.
Ouvi um ringir da porta, e ergui meu rosto fitado o espelho a minha frente, e foi através dele que vi o reflexo de Dorian assim que ele se aproximou da porta do banheiro. Seus olhos olhavam diretamente nos meus, enquanto ele permanecia em silencio. Virei-me depois de fechar a torneira e perguntei:
– O que faz aqui? –ele não me respondeu apenas permaneceu onde estava me encarando de maneira seca. – Não deveria entrar no meu quarto sem bater. –disse enquanto andava apressada em direção à porta.
Quando atravessei a moldura da porta, Dorian me fez parar segurando firmes meus braços e me encostando contra o marco fazendo com que minhas costas batessem contra o mesmo. Senti um arrepio atravessar minha espinha, enquanto o corpo dele se aproximava do meu, e me manifestei:
– O que tá fazendo? –minha voz saiu com um suspiro embutido.
Dorian continuou sem dizer uma só palavra e então aproximou seu rosto do meu, e selou meus lábios com um beijo inicialmente suave e tranquilo. Senti o calor da boca dele buscando os limites da minha, enquanto sua língua buscava a minha de maneira inquieta. Eu não podia negar que gostava daquilo, da sensação que me causava seus lábios tinham um toque intenso, e sensual, sua boca se movia de maneira firme como se soubesse exatamente o que aqueles movimentos estavam provocando em mim, então ele interrompeu o toque e me olhou nos olhos me vendo com ambos parcialmente cerrados. Minha respiração estava fraca, e meu coração batia forte no peito como relâmpago seguido um por outro.
– Dorian... –minha voz saiu como um pedido de socorro.
Então ele segurou firme meu queixo, e voltou a me beijar, mas dessa vez sem a mesma tranquilidade de antes. Sua boca tomou a minha com sede, de maneira faminta e possessiva. Tentei protestar, tentei lutar contra, mas o corpo dele apertava o meu contra aquela porta de um jeito que eu poderia sentir seu coração batendo em seu peito de maneira frenética. Seus dedos apertavam meu rosto de maneira quase agressiva, enquanto sua mão livre descia pela minha silhueta rumo as minhas pernas. Dorian ergueu a barra do vestido que eu usava, e agarrou minhas coxas com força em seguida erguendo-a e encaixando-a ao redor do seu quadril.
Seus lábios deixaram minha boca e partiram rumo ao meu pescoço, espalhando por todo seu contorno beijos, e chupões mistos de mordidas, e lambidas. A maneira selvagem como seu corpo me prensava contra a madeira da porta, me deixava sem ar e sem ação, e sem resistir aos seus apelos, minhas mãos agarraram-se aos seus cabelos enquanto meus olhos reviravam nas cavidades. Eu tentava conter minha respiração, mas era impossível. Dorian soltou meu rosto enquanto mordia o canto do meu pescoço, e segurou firme meu seio me deixando imediatamente com as roupas íntimas úmidas. Ele usou seus dedos para abrir o zíper do meu vestido, e em seguida desceu ambas as mãos rumo as minhas pernas me erguendo do chão e me levando para dentro do banheiro onde ele me deixou diante da pia. Dorian parou de me beijar e retirou meu vestido deixando-o cair ao piso do banheiro, depois me girou me colocando com as mãos sobre a pia, e se pôs a beijar minhas costas, enquanto suas mãos apertavam meus seios. Eu inclinava minha cabeça para trás, enquanto sentia minha barriga roçar na louça gelada. Senti seus lábios subirem rumo a minha nuca, e em seguida tomarem meu pescoço novamente, mas dessa vez não senti apenas, pois Dorian me fez olhar tudo através do espelho a minha frente que cobria pelo menos do meu quadril para cima.
Ele desceu sua mão direita rumo ao meu umbigo e dele deslizou para dentro da minha calçinha, logo enfiando seus dedos abaixo dela e estimulando aquela área. Com a mão livre Dorian segurou meu pescoço fazendo com que minha nuca tocasse seu ombro. Através do reflexo do espelho eu podia ver o jeito como ele me olhava, era como se seus olhos estivessem ainda mais negros, e ele pudesse me devorar com eles. Meus quadris se moviam conforme ele me tocava intimamente acariciando meu clitóris de maneira firme me causando uma dor prazerosa. Meus dedos firmaram a louça da pia, enquanto eu sentia os quadris de Dorian me empurrando contra a mesma. Minha face se contorcia em um misto de prazer e dor, e antes que eu chegasse ao clímax diante dos movimentos de seus dedos, Dorian os retirou de dentro da minha calçinha e me olhou nos olhos aproximando seus lábios do meu ouvido e disse em voz sussurrada:
– Não pode negar o que você quer.
Depois disso ele simplesmente depositou um beijo quente sobre meu ombro e se afastou, saindo do banheiro e me deixando ali, sozinha, estática depois de me proporcionar aqueles poucos minutos de prazer que quase me enlouqueceram. Respirei fundo, enquanto ainda tentava me acostumar com a ausência dele, e enquanto meu corpo gritava por socorro. Eu estava pronta para me entregar a ele, pronta pra senti-lo dentro de mim, mas ao invés de saciar aquele desejo absurdo do meu corpo, ele simplesmente me deixou ali, com cara de quem nada entendia. Eu só conseguia pensar no porque de Dorian estar fazendo aquilo comigo... O que ele queria afinal?
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