A Concubina De Dorian Gray

7 Como Gostaria de Ser Tocada


Mais uma tarde na mansão Gray, e meus pensamentos não se afastavam um minuto sequer da última conversa que tive com Dorian. Tinha quase certeza que ele estava tentando me dizer alguma coisa com aquelas palavras, como se quisesse se confessar diante de mim, tentando me contar o que ele havia feito. Tive medo de pensar demais naquilo e constatar que meu patrão havia apreciado tanto um livro a ponto de trazer seus fatos para a realidade, para a sua realidade. Estava distraída com esses pensamentos, tentando buscar cada detalhe da noite que me senti sendo observada no meu quarto, para associar aquilo a algo que Dorian teria me dito, mas eu preferia acreditar que ele não seria capaz de cometer tal loucura. Admitir aquilo na minha cara seria a cima de tudo doentio da sua parte, ou uma tentativa direta de me avisar de suas intenções. Outra coisa que me incomodava era o fato de ele poder acreditar que eu me sentia atraída por ele, quando disse aquelas palavras, em que se referia a Felicity:

“Talvez ela quisesse ser violada”

“Ela também o observava quando ele não estava atento”

“Provavelmente ela sabia que ele estava olhando pra ela quando ela se despiu.”

Aquilo era como insinuar que na noite em que ele poderia supostamente ter me observado, eu soubesse de sua presença naquele cômodo, e isso me incomodou profundamente. Será que Dorian era tão pervertido a ponto de acreditar que eu me despi na segurança do meu quarto esperando ser vista?

– Anna? –fui retirada dos meus pensamentos pela voz de Monie. – Está amarrotando o lençol.

– O que?

– Está sacudindo o tecido com muita força, parece que está com raiva. –disse ela.

– Ah, me desculpa Monie, eu estava com a cabeça longe. –disse enquanto a ajudava a cobrir a cama com um lençol de algodão.

– Está distante a tarde toda. Você tá bem?

– Estou! –respondi sorrindo. – Vamos acabar logo com esse cômodo que ainda temos muitos pra organizar. –segui.

Assim que tudo estava bem organizado naquele cômodo, Monie e eu saímos do quarto e seguimos pelo corredor sem falar sobre muita coisa, até que eu decidi lhe fazer algumas perguntas que provavelmente ela acharia no mínimo estranhas.

– Monie, você não trabalha aqui há muito tempo não é?

– Não, minha avó se adoentou e pediu que eu ficasse no lugar dela, e o senhor Gray aceitou a troca por eu ser da família. Ele julgou que eu seria confiável eu acho, pelos anos em que minha avó serviu os Gray.

– Entendi. Escuta alguma vez você já conversou diretamente com o senhor Gray?

– Ah... Não, só quando vou lhe servir café, ou algo do tipo, somente coisas do trabalho. Tipo, aceita mais uma xícara senhor Gray! –ela riu ao repetir as palavras. – Nada muito emocionante não é?

– É mesmo! –eu retribuí o sorriso.

– O senhor Gray não costuma falar muito com os empregados. Ele só conversa com Madeleine por ela estar aqui há mais tempo, assim como os outros empregados mais velhos, mas só o necessário. Por quê?

– Não, nada. –sorri tentando não demonstrar nenhuma reação.

– Ele fala com você não é?

– Às vezes. –a encarei.

– Madeleine me disse. –ela baixou os olhos para o piso.

– O que mais ela te disse?

– Nada. –ela voltou a me encarar, com a mesma expressão assustada que mantinha sempre que entravamos em um dialogo perigoso sobre Dorian.

– Monie você sabe alguma coisa sobre o senhor Gray que Madeleine não quer que você me conte?

– Não, eu não sei de nada não Anna. –ela desviou o olhar.

– Mesmo? Por que você pode me contar eu não vou falar sobre o assunto com ninguém.

– Eu não sei de nada Anna. E você também não deveria ficar perguntando. –disse ela como quem me avisava de algum risco e logo apressou os passos.

– Monie?

Antes que eu pudesse segui-la uma voz masculina me chamou no fundo do corredor, logo atrás de nós duas. Monie parou e se virou olhando para as minhas costas enquanto agarrava os lençóis sujos contra o peito como uma menina assustada, enquanto eu a encarava e depois me virei avistando Dorian.

– Sim? –respondi.

– Deixe o que estiver fazendo e venha comigo. –disse ele em tom autoritário e com expressão dura.

– Eu estava ajudando Monie com a organização dos cômodos senhor Gray.

– Monie se vira sozinha Annabeth. Eu preciso de você agora, então pode fazer o favor de vir comigo? –ele se manifestou da forma mais rude que podia.

– Sim senhor Gray. –disse baixando meus olhos e reespirando fundo.

Virei-me para Monie e ela me olhou rapidamente logo se virando e saindo apressada, como se a qualquer momento fosse sair correndo pelo corredor. Tive vontade de fazer o mesmo, confesso, mas tive que enfrentar Dorian e ver o que ele queria de mim naquele momento, então me virei e dei alguns passos até ele parando logo diante do mesmo assim que me aproximei da porta onde ele me esperava. Dorian me analisou com aqueles olhos escuros perturbadores sem dizer uma só palavra, como se quisesse que eu dissesse alguma coisa, mas antes que eu perguntasse o que ele queria ele se virou e disse:

– Me siga. –e começou a andar rumo ao outro corredor até chegar diante de um lance de escadas em espiral.

Eu o segui por cada degrau até chegarmos a uma sala grande que estava praticamente vazia. Era incrível como uma casa como aquela, de tão vasto espaço sempre tivesse algum cômodo vazio. Com tanto dinheiro, Dorian poderia preencher cada cômodo daquele casarão com inúmeros móveis e de valores bem altos mesmo que fosse apenas para ostentar um pouco mais sua luxuria. Dorian desviou dos poucos objetos daquele cômodo até chegar diante de uma janela alta envidraçada que dava vista para o campo. Ele parou diante dela e ficou em silencio apenas observando. Eu apenas esperei até que ele me dissesse o que queria enquanto olhava tudo ao redor com meus olhos curiosos. Deixei meus olhos repousarem sobre um objeto coberto por um tecido branco, aliás, todos eles estavam assim, como se aquele cômodo estivesse pronto para passar por uma reforma.

– É um piano. –a voz grave de Dorian ecoou por aquela sala me causando uma sensação estranha que me gelou inteira por dentro.

– Por que os objetos estão todos cobertos? –perguntei voltando meus olhos para ele notando que ele me olhava.

– Por que não estão sendo usados. –disse dando alguns passos contornando todo o lado das janelas.

– Deve ser difícil se utilizar de tantos cômodos em uma casa tão grande. –disse sem saber se fazia o certo.

– Por mim ela poderia ser ainda maior. –ele olhava tudo ao redor como se sequer reconhecesse o cômodo de sua própria casa. – Não importa quantos cômodos essa casa possua, não existe um pingo de privacidade por trás dessas paredes.

– Talvez se ela fosse menor...

– Sabe tocar? –ele me interrompeu assim que chegou diante do tal piano e colocou suas mãos sobre o lençol branco que o cobria.

– Piano? Não... –sacudi a cabeça negativamente. – Nada que valha a pena se ouvir.

– É mesmo? –ele franziu a testa e retirou o pano de sobre o instrumento mostrando um belo piano de calda de marfim embaixo dele. – Por que não me mostra o que sabe?

– Não é uma boa ideia senhor Gray, eu não toco nada desde que tinha quinze anos.

– Não estou pedindo. –respondeu em tom leve, mas com o mesmo olhar seco de sempre.

– Se você insiste... –baixei o rosto e o olhar enquanto erguia as sobrancelhas.

Dei alguns passos em direção ao belo piano e parei diante do banquinho de madeira que estava diante dele, então ajeitei meu vestido e me sentei diante das teclas colocando meus dedos posicionados sobre eles, e fitei a face de Dorian que se prostrava de pé com os braços cruzados ao lado do instrumento. Respirei fundo buscando reconhecer o que estava diante de mim, então ousei tocar as teclas bem devagar para me familiarizar com o som que provia delas. No inicio eu só consegui retirar um som pesado do objeto, mas conforme eu ia tocando as teclas, a música ia se formando em forma de uma suave melodia. Enquanto eu tocava percebi que Dorian se afastava alguns passos do piano e sumia da minha visão ficando atrás de mim. Continuei tocando até estar totalmente concentrada na música, então senti Dorian sentando-se ao meu lado, me obrigando a afastar-me um pouco para a direita do banco.

– Tente usar mais paixão. –disse ele tocando as teclas com seus dedos longos.

Eu retirei minhas mãos de sobre as teclas, e deixei que ele as tocasse do seu jeito. O som soava agradável, mas bem mais pesado, e sombrio do que o que eu tocava. Mantive meus olhos atentos a cada movimento que ele fazia com os dedos, sem notar que ele olhava pra minha expressão e não para o piano. Dorian afastou a mão direita e avançou até a minha mão esquerda pegando-a repentinamente e devolvendo-a ao piano.

– Me acompanhe Anna... –ele disse num tom firme.

Senti o calor da palma de sua mão deslizar sobre a minha enquanto ele buscava as teclas em seguida. Tentei não cortar o ritmo que ele dava a canção, tocando as teclas com suavidade enquanto ele seguia no mesmo tom.

– Você não está dando tudo de si. –disse ele olhando minhas mãos.

– Eu não toco há muito tempo. –respondi sem olhar pra ele.

– É como andar de bicicleta, ou beijar alguém. Depois que você aprende não esquece mais... –ele seguiu passando seus dedos para as teclas a minha frente, cruzando sua mão direita com a minha esquerda. – Mas precisa sentir...

Eu continuei mantendo o ritmo possível aos meus dedos, enquanto tentava ignorar a proximidade com Dorian, mas isso se tornou impossível quando ele afastou sua mão direita colocando-a bem no centro das minhas costas, e aproximando seu peito do meu ombro, ficando perigosamente perto de mim. Eu podia sentir a respiração dele sobre meu ombro cada vez que ele falava.

– Precisa se entregar ao que está fazendo Anna ou não vai conseguir comover ninguém com o que está tocando. –dizia ele em um tom baixo muito, mais muito próximo ao meu ouvido enquanto sua mão esquerda tocava a minha e seus dedos se emaranhavam aos meus. – Afaste mais os dedos, e toque com mais segurança.

Eu notei que sua mão direita se movia milimetricamente atrás das minhas costas, descendo rumo ao meu quadril e isso me fez respirar fundo puxando todo o ar na sala para meus pulmões. Dorian me olhou mantendo o rosto bem perto do meu e disse:

– Precisa sentir prazer no que está fazendo Anna. –isso soou mais baixo e sussurrado do que eu esperava.

Eu continuava a tocar aquela maldita canção, mas minha atenção estava totalmente dissipada e voltada para cada toque de Dorian. O cheiro que provia do corpo dele invadia minhas narinas de um jeito quase sufocante como se quisesse arrancar o meu fôlego, e o tom da voz dele ao meu ouvido estava deixando meu corpo inteiro em alerta, como se eu estivesse prestes a entrar em erupção. Um calor infernal se apossou da minha pele, principalmente entre minhas pernas que estavam coladas uma na outra enquanto eu me espremia naquele banco. Mas o que ele disse na sequencia acabou com todo o autocontrole que eu estava mantendo:

– Toque-o como você gostaria de ser tocada Anna.

– Eu não quero mais fazer isso. –disse afastando minhas mãos do teclado e me levantando.

Eu andei até o centro da sala, ajeitando meu vestido e sentindo algo que me deixou totalmente desconfortável. A umidade entre minhas pernas me fez corar sem razão aparente, e eu me senti aliviada por Dorian não poder ver por baixo das minhas roupas, embora às vezes ele me olhasse como se pudesse. Ele continuou sentado onde estava me encarando e disse em tom sério.

– Tudo bem. –depois se levantou e passou por mim, parando ao meu lado e disse. – Me avise quando estiver pronta.

Dito isso, ele se afastou e saiu da sala. Eu me arrepiei inteira sem saber do que ele estava falando, ou ao que exatamente ele estava se referindo ao proferir aquela frase. Aquela altura, eu já não sabia mais se as coisas que Dorian me dizia poderiam ser julgadas como apenas palavras. Passei a acreditar que todas elas estavam carregadas de segundas interpretações que eu deveria decifrar... Só não sabia ainda para que...

Notas finais
Os próximos capítulos serão mais HOT ok?! Dorian começa a mostrar o que ele quer de Anna! Isso foi só um flerte pequeno, os próximos capitulos ele vai pegar mais "pesado"! com ela! bjus