A Colheita do Espantalho
1 Primeira Parte
Felipe estava ansioso para passar o feriado prolongado com seus amigos, mas apenas uma coisa estava em seu caminho: suas notas. Por mais que ele estudasse, não conseguia tirar boas notas devido a sua insônia e não falava com seus pais sobre.
Ele tinha um irmão de 23 anos, Carlos, que morava no condado de Essex, na Inglaterra, ele era muito ligado a seu irmão e todas as noites, quando possível, conversa com ele via internet
– Amanhã, – pensou ele — saberei se irei com pessoal para o acampamento. Meus pais já não deixaram ir ano passado para o litoral, e esse ano tenho que ir de qualquer jeito, a Samantha quer ficar comigo e eu louquinho também, logo agora que terminei com a Julia. — Abriu um sorriso malicioso.
Samantha era uma garota da escola de Felipe, um ano mais velha que ele, porém mais baixa e tinha cabelos ruivos, ela sempre dava bola para ele, mas Felipe namorava com Julia, uma menina da sala dele que ficaram juntos por quase 1 ano.
No outro dia, o pai de Felipe foi acordá-lo para a escola, e mais uma vez ele fez seu teatro, já que não conseguiu dormir mais uma noite. Lavou o rosto, foi tomar o café da manhã, sua mãe deu um beijo em sua testa antes de trabalhar. Felipe terminou de comer, foi tomar banho. Tomava banho no banheiro do quarto do seu irmão, era um banheiro espaçoso com uma ducha. Terminou o banho, se arrumou e bagunçou o cabelo.
Sua escola não era muito longe de sua casa, mas como era caminho do escritório de seu pai, sempre pegava carona com ele.
– Fê, se fosse por mim, você sabe que já estaria no acampamento, mas sabe como é sua mãe, acha que como nós pagamos a escola você tem a obrigação de ir bem e...- o pai foi interrompido com a porta do carro sendo aberta e um “Tchau, pai” do Felipe quando chegaram na escola — Essa juventude de hoje.
Percebendo que seu pai já havia ido embora, Felipe deu a volta na escola e foi à terceira árvore do jardim do pátio, lá ele pegou um cigarro e fumou. Subiu na árvore grande, rodeada de cercas e de uma vegetação rasteira. Felipe sempre que podia fumava lá para relaxar antes de algo acontecer na escola, hoje, entretanto, estava preocupado com suas notas. Passou perfume para tentar disfarçar o cheiro e foi para a sala.
As horas passaram, e Felipe ficava cada vez mais ansioso. Desceu para o intervalo ao lado de João Pedro, o JP, um menino da mesma idade que Felipe, 16, gordo e era o responsável pela excursão até o acampamento.
– Ah cara, não acredito nisso. Olha lá — disse Felipe apontado para Julia com seu novo namorado, Raphael, um garoto alto do último ano — Até parece que ela não ligou para o fim do nosso relacionamento.
– Se preocupa não, cara. Ela também irá com nós no acampamento, já que minha irmã a chamou, e provavelmente o gigante não irá — disse JP tirando um sarro de Raphael.
Enquanto falavam, não perceberam que um garoto havia se aproximado deles.
– E ai seus lindos, como vão? JP, vou levar minha irmãzinha amanhã, beleza? — perguntou Pedro
Pedro era um amigo do clube de futebol de Felipe e JP, era esportista, o mais rápido do clube, inteligente, tinha cabelo liso e olhos escuros.
– Ok, cara. Quem sabe a gente se torna cunhado né?- brincou JP
– Lógico que sim, depois que você for para um caixão — Pedro deu um soco em JP e deram risada — Felipe, vai mesmo com a gente amanhã?
O garoto que ainda estava prestando atenção em Julia e em Raphael não entendeu e pediu para repetir.
– Vai depender das notas, sabe como é minha mãe né?
– É, a general. Estou indo pra minha sala, a gente se vê amanhã — Pedro saiu, mas sem antes dar uma olhada para Julia e Raphael.
JP e Felipe voltaram para a sala.
Bateu o sinal da última aula, e a coordenadora entregou o boletim, Felipe olhou e pensou consigo mesmo: “Espero que seja o suficiente”.
Já em casa, Felipe esperava a decisão de seus pais. Não agüentava mais ficar em seu quarto, naquele silêncio com seu coração em disparada. Seu pai entrou no quarto e assentiu com a cabeça, Felipe entendendo o sinal pegou seu celular e mandou uma mensagem para JP.
“consegui!! esse feriado eh nosso!”
Sem saber o que esperar do próximo dia, arrumou suas malas, pegou lanterna, fósforos, tudo aquilo que achasse necessário. Sendo um garoto da cidade, Felipe até que se saia bem quando o assunto era floresta, mas como era acampamento, não tinha a mínima idéia de como seria.
Conseguiu driblar sua insônia, porém, como já era esperado, ele teve pesadelo. Felipe estava em um lugar escuro, sentia um gosto estranho na boca, um gosto de metal, sangue, talvez, e então caiu no nada e acordou.
Mesmo com o pesadelo, ele acordou feliz já que ia passar cinco dias com seus amigos. Tomou banho, se arrumou, pegou sua mochila e foi para a casa de JP.
Já estavam lá, Samantha, a ruiva, Pedro e sua irmã, Giovanna de 12 anos, que tinha os mesmos olhos escuros de Pedro, e para o espanto de Felipe, lá estava Julia, linda, com um shorts jeans, óculos escuros , seus cabelos louros presos com um boné e ao lado do seu namorado. Se lembrou de Samantha e que poderia fazer ciúmes para Julia, a ruiva não estava nada mal, usava uma a blusa branca e uma calça rosa.
– Ei, cara. – JP passando seus sobre o ombro de Felipe — Eu sei, mas tenta esquecer um pouco isso tem a Samantha ainda.
Uma buzina.
– Vamos pessoal. A Lu já está nos esperando.
Lu, era a Luana, irmã de 20 anos de JP. Diferente do irmão, ela era magra e namorava com Henrique, 25 anos, um homem de grande porte com várias tatuagens no braço. Luana e Henrique eram muito apaixonados e faltava pouco para o casamento precoce, eram os únicos de maiores.
Luana iria dirigindo uma caminhonete e o seu namorado com a outra. Tudo pronto, todos se ajeitaram nos carros e foram para a estrada. O acampamento era um pouco longe, umas 2 horas e meia de carro, mas como a Luana já sabia o caminho, então durou menos.
Quando pequenos JP e Luana sempre passavam as férias nesse acampamento com os pais, antigamente se chamava “Acampamento da Palha” devido sua localização que ficava em uma cidade onde havia várias lendas sobre um espantalho, que durante os tempos de dificuldade ajudou no crescimento dos pomares e das colheitas. No acampamento havia uma tradição em que todos sentavam ao redor de uma fogueira para contar histórias e um dos monitores se vestia de espantalho para assustar os campistas.
– Era assustador! — Contou JP — Por mais que eu já soubesse o que iria acontecer, eu sempre me assustava devido às histórias. – Completou.
Chegaram na cidade. Não era muito grande, mas possuía muitos bosques, havia várias pessoas na rua mesmo sendo de manhã. Felipe as achou simpáticas e carregavam cestas cheias de fruta. A cidade estava na época do Festival da Colheita, que era uma festa tradicional em que os moradores e vários turistas compravam produtos feitos de frutas dos pomares.
Pararam para abastecer, estava muito calor e saíram do carro para alongar as pernas e ir ao banheiro. Samantha demorou a sair, pois estava se trocando, agora estava mostrando seus atributos, usando um shorts curto e um top, Felipe e JP ficaram hipnotizados. Julia e Giovanna olharam com cara de desaprovação, Raphael e Pedro riram.
Giovanna, a mais nova do grupo, ligou para seu pai, dizendo que estava tudo bem com ela e com Pedro. Tanques cheios, voltaram para a estrada, que agora não era muito longa, do centro da cidade até o acampamento não demorava.
Logo avistaram uma placa “Bem Vindos ao Acampamento Luar”.
– Mudaram o nome do acampamento quando o antigo dono morreu, a tradição do espantalho não fazia mais tanto sucesso. – Explicou Luana enquanto estacionava a caminhonete.
O lugar era lindo, rodeado por uma imensa floresta onde mesmo de dia era escura, havia um lago ali perto, pássaros cantavam à saudação dos novos turistas. Era um lugar impressionante, porém não havia muitos campistas que alugavam há muito tempo.
– Vocês devem ser os novos campistas que vieram passar os cinco dias. Sou Otávio, o zelador desse acampamento. — O zelador era um homem velho, cabelos ralos e grisalhos, um pouco corcunda. Vestia um macacão sujo, onde no cinto estava um molho de chaves e uma estava com um alarme de carro, e segurava uma tesoura de jardinagem. — Venham, vou mostrar o acampamento. — Disse sorrindo e mostrando seus vários dentes podres.
– Ele me assusta. — sussurrou Giovanna no ouvido do irmão.
Otávio os levou para perto do lago. A água era bem transparente e se via alguns peixes que ali habitavam. Depois mostrou as áreas da fogueira e da churrasqueira, logo após mostrou uma gruta que estava interditada por anos. Então, foi mostrar a casa que era de madeira, como uma construção de pequenos condados, eles entraram e ficaram fascinados. Logo na sala de estar havia uma mesa no centro e de frente uma lareira, na sala havia três portas, uma para sair, a da direita levava aos quartos e a da esquerda à cozinha. Entraram para ver os quartos, apenas um corredor com dois quartos, cada um com um beliche e uma cama de casal, os quartos eram espaçosos para caber uma barraca.
– Os outros quartos estão em reforma, por isso apenas dois estão disponíveis para vocês. – O zelador explicou.
Luana e Henrique pegaram a cama de casal do primeiro quarto, Pedro pegou a beliche de baixo e Giovanna a de cima. No outro quarto, Felipe e Samantha pegaram a cama de casal e JP pegou a beliche superior. Julia e Raphael decidiram dormir separados do grupo, iriam armar a barraca na sala, onde teriam privacidade. Felipe não gostou nada, mas manteve-se em silêncio. Quartos e camas escolhidos, foram aos banheiros, não tinha água quente o que houve um descontentamento por parte das meninas.
– O quê? – Perguntou Luana não acreditando.
– Como assim não tem água quente? Vocês me trouxeram para o fim do mundo, eu mato você, João Pedro!! – Disse Samantha nervosa.
– Eu não tinha como adivinhar, Srta TPM.
– QUEM É QUE ESTÁ DE TPM AQUI? – Explodiu Samantha.
– Se acalma aí! Também não é o fim do mundo. – Disse Julia tentando acalmar a menina.
– Vocês podem esquentar a água. – Sugeriu Henrique.
– Desculpem por isso, crianças. – O zelador disse na maior naturalidade. – Se me permitem, tenho coisas para resolver. Fiquem à vontade. – E saiu da casa.
Giovanna voltou a comentar que tinha medo do zelador e junto do seu irmão foram se acomodar. A garota era magra e astuta, mesmo sendo a mais nova do grupo, era a mais preparada para um acampamento ao lado de Pedro, foram os únicos que trouxeram bússola e kit de primeiros socorros.
Quando terminaram de arrumar as coisas já era de noite, foram tomar banho, Samantha odiou a idéia já que fazia frio e não tinha água quente, Henrique esquentou água para as meninas se lavarem.
Henrique, mesmo com frio, estava de regata para mostrar seus braços musculosos com suas tatuagens, seus olhos não paravam de olhar para Giovanna que estava ocupada se atualizando com a internet do celular.
Hora de dormir.
JP logo pegou no sono, Samantha não conseguia dormir devido aos roncos do colega de quarto e para sua surpresa Felipe também estava dormindo, ela não conseguia entender como, mas o que ela não sabia é que ele tinha problemas de insônia e estava apenas fingindo. No outro quarto, Pedro fazia o papel de pai para Giovanna. Ele a cobriu e deu um beijo em sua testa, deitou em sua cama pensando naqueles olhos azuis e cabelos louros de Julia.
Luana e Henrique não haviam retornado do passeio. Na sala, apenas ouvia-se o barulho dos beijos que saia de dentro da barraca. A luz da pequena casa do zelador, então, foi apagada.
Pedro foi o primeiro a acordar, olhou para a cama e lá estavam Luana e Henrique, e pensou: “Onde eles estavam?“.
– Ei, Gi, acorda.
A garota desceu da parte superior da beliche e ao lado do irmão foram em direção a sala, para irem ao banheiro.
– Não fique assim, Pedrinho. Ela não merece você. – disse Giovanna enquanto lavava o rosto.
– Do que você está falando? – perguntou Pedro.
– Sei que você gosta da Julia, vejo como você a olha, os sorrisos que dá quando a vê sozinha. – respondeu humildemente, enquanto colocava creme dental na escova de dente.
– Você me entende mais do que ninguém, não é mesmo? – Pedro passou a mão nos longos cabelos escuros da irmã. – Mas ela está namorando, e acho que o Felipe também gosta dela – antes de continuar, Pedro foi interrompido por Henrique que entrou no banheiro e deu um sorriso para Giovanna e começou a escovar os dentes.
Os irmãos saíram do banheiro para tomarem o café que estava sendo preparado por Luana. Yougurt, pão de forma e frios. Samantha apareceu na cozinha com seus cabelos parecendo uma juba de leão, olhos vermelhos e nervosa por não ter conseguido dormir devido aos roncos do JP, que disse não se lembrar de nada.
– É claro que não lembra, João Pedro, além de ser gordo, ronca. Parece um porco. — disse ela em tom agressivo, mas que JP levou na brincadeira — Não sei como o Felipe conseguiu dormir.
Felipe, que na verdade fingira estar dormindo, apenas balançou os ombros e continuou comendo. Todos tomaram o café e saíram da casa.
– Agora sei por que isso aqui faliu, não tem nada para fazer. — reclamou Raphael.
– Antes isso aqui era divertido. – JP disse com um tom de tristeza.
Do outro lado do acampamento, Giovanna coletava flores enquanto escutava música e se desligou totalmente do mundo. De repente ela foi jogada no chão, logo percebeu seu agressor, Henrique.
– O que foi Henrique? – perguntou ela assustada. Henrique estava com uma respiração pesada e cheirava a álcool.
– Uma menina tão linda, tão inteligente, mas tão desprotegida e frágil. – Henrique falaou rasgando a blusa de Giovanna que tentava gritar por socorro, mas sua boca foi tampada pela grande mão de Henrique- Não adianta, você agora vai ser minha.
Henrique começou a tirar o cinto da calça, Giovanna desesperada se debatia, ela agora com as calças arrancadas e blusa totalmente rasgada começou a chorar. Henrique começou gargalhar, a beijá-la e chupar o pescoço da garota, e cada intervalo repetia “Tão doce...tão delicada...tão inocente”.
A garota já sem forças, fechou os olhos para o pior, então ouviu um barulho e sentiu algo pingando em sua face, quando abriu os olho viu foi o corpo de Henrique caindo em cima dela.
– Gi! Giovanna! Meu Deus, o que ele fez com você?- Pedro apareceu tirando o corpo de Henrique de cima de sua irmã e limpado as gotas de sangue da face, que saíram da boca de Henrique.
Pedro havia salvado sua irmãzinha do pior, com uma tesoura de jardinagem nas costas do estuprador. Ele então tirou sua blusa e vestiu em sua abalada irmã, pegou-a no colo e deixou o ferido Henrique para trás, sem saber se estava morto ou não.
Quando alcançaram o resto do grupo, Pedro contou o que havia acontecido, todos ficaram espantados com o que Henrique tentou fazer com Giovanna, que estava com o pescoço cheio de marcas e não parava de chorar. Ela era acalmada por Pedro e Julia, Luana não acreditava no que ouvia, então saiu em direção ao jardim para encontrar seu namorado.
Não havia mais clima para aquele acampamento e todos concordavam. Foi então que caiu a ficha para Pedro
– Pessoal, sou um assassino. Eu acho que matei Henrique.
– Assassino ou não, você salvou a vida da Giovanna. – Disse JP tentando consolar o amigo.
– Você é um herói, Pedro. – Giovanna deu um sorriso trêmulo. – Foi em legítima defesa.
– Mas será que “legítima defesa” se encaixa aí? – Perguntou Felipe.
Escureceu e nada de Otávio e Luana aparecerem.
Felipe estava zonzo, não conseguia distinguir as cores e desmaiou.
Estava escuro, Felipe se encontrava sozinho em sua casa, apenas ouvindo o som da sua respiração. Não conseguia entender como havia chegado em sua casa tão de repente. Ele então viu uma porta surgir e ser aberta por uma menina de olhos grandes e azuis, cabelos louros e com um largo sorriso. Era Julia.
Mas o que ela fazia ali naquela escuridão com ele?
Ela se aproximou, ele tentou fazer perguntas, mas não saia som algum de sua boca, Julia o beijou e Felipe retribuiu o beijo, ela se afastou e ele sentiu um gosto estranho na boca, um gosto de sangue. Ele não enxergava, apenas sentia aquele gosto na boca e quando tentou gritar por Julia, ele caiu, caiu do chão e se viu rodeado de pessoas.
– Fê, você está bem? Você... Você desmaiou, ficamos preocupados. – perguntou uma voz.
– Eu não sei. Eu realmente não sei, Julia. – disse ele.
– Julia? Eu sou a Samantha. Francamente, esses garotos. –Samantha falou nervosa.
– Esse moleque ta pensando o quê? Finge um desmaio para todos ficarem preocupados com ele, logo após a Giovanna quase ter sido abusada e o Pedro ter se tornado um assassino, e ainda quer dar em cima da minha garota. Agora eu que vou fazer ele desmaiar de verdade. – Raphael bravo já estava em cima de Felipe, quando JP e Pedro conseguiram afastá-lo.
Julia deu um sorriso para acalmar Raphael que lhe deu um beijo. JP deu a idéia de irem comer, para acalmarem os ânimos e esperar sua irmã aparecer.
Raphael não tirava os olhos de Felipe. Pedro não conseguia falar com os pais, o seu celular estava sem sinal. Não conseguiram mais permanecer acordados, então decidiram dormir. Julia deitou com Giovanna na cama de casal, Pedro e Raphael dormiram no beliche, JP acabou adormecendo no sofá, Felipe e Samantha dormiram sozinhos no outro quarto, só que em camas separadas. Felipe ficou com aquelas imagens na cabeça, sem saber o significado, até que acabou adormecendo, e teve um sonho diferente, dessa vez ele viu JP escalando uma árvore e prendendo seu pé em um galho, enquanto Samantha nadava no lago com água vermelha e ele observava tudo, apenas fumando seu cigarro.
Acordou com JP no quarto contando suas piadas para Raphael. Não estava um clima muito bom dentro da casa. Todos se arrumaram, Giovanna e Julia ficaram na casa, Pedro e Raphael foram para o casebre do Otávio, Samantha foi nadar no lago e Felipe e JP foram explorar o acampamento que estava completamente deserto.
Pedro não suportava a ideia de não conseguir falar com seus pais, nenhum celular pegava. Ele e Raphael foram à procura de Otávio, a porta do casebre estava aberta. Não era grande, apenas dois cômodos, um era a cozinha, e o outro era o quarto que tinha uma pequena cama e ao lado um armário onde Pedro supôs ser onde Otávio guardava suas roupas e coisas.
– Ei Pedro, chega mais. – chamou Raphael. – Acho que o zelador assustador não está mais aqui no acampamento, lembra que no macacão dele havia uma chave de carro?- Pedro balançou a cabeça negativamente. – Bom, tem marcas de pneus no lado de fora da casa, acho que ele foi à cidade. Veja, acho que isso é o mapa do acampamento. – O garoto estava certo, era o mapa do antigo acampamento.
– Mas se a chave ficava no macacão, você não acha que ele pode estar por ai com elas? E a cidade fica a pouco tempo daqui, ele não demoraria dois dias. – disse Pedro, dando uma olhada para o mapa.
– Eu lembro que ele tinha dito a Luana que não vive sempre aqui. Pode ser que ele tenha ido à cidade, ficará por lá e depois ele volta. – Supôs Raphael. Os dois saíram do casebre e retornaram a casa para contar as garotas.
Samantha estava com muito calor, não perdeu a oportunidade, tirou a roupa e entrou no lago. Era uma boa nadadora, mas achou bom o lago não ser muito fundo.
– Idiota. Eu dando bola, tentando mostrar que aquela loura não liga pra ele, e esse imbecil nem ao menos mostra interesse. É muito criança mesmo. – Samantha falava enquanto nadava, com muita raiva do que tinha acontecido na noite anterior.
Ela percebeu uma movimentação estranha na floresta. Saiu do lago e não encontrou suas roupas.
– Dá pra parar de brincadeiras. É você né, JP? Muito engraçado, agora devolve minhas roupas. — Ela voltou ao lago para esconder seu corpo, ao encostar o pé, ela sentiu algo a empurrando para dentro da água, ela lutou, mas sem sucesso. Já quase sem respiração foi puxada e viu um homem de chapéu de palha que a impulsionou novamente para dentro do lago.
Dessa vez, o homem a deixou tempo de mais, Samantha parou de lutar e boiou no lago que por não ser muito fundo, dava para ver os cabelos vermelhos da garota na margem.
Pedro e Raphael retornaram para a casa, Giovanna e Julia pararam de conversar quando viram os dois, Giovanna ainda estava com cara de medo devido o ocorrido do dia anterior. Pedro explicou que talvez Otávio tivesse voltado para a cidade e Raphael mostrou o mapa que acharam. Nenhum sinal de Luana, o que preocupava.
– Se o Henrique morreu mesmo e a Luana desaparecida, como iremos voltar para casa? – Perguntou Raphael.
– Podemos ir até a cidade, não fica muito longe daqui. – arriscou Giovanna
– Lógico, andaremos a pé até a cidade com esse monte de peso. – retrucou Raphael.
– Raphael tem razão, Gi – Pedro disse — Vamos esperar a Luana ou o Otávio até amanhã, se não tivermos alternativa, vamos até a cidade a pé e de lá pedimos ajuda. Não se esqueça que matei o Henrique, então eu posso ser preso.
– Mas o matou tentando proteger sua irmã, isso deve contar como alguma coisa. – tranqüilizou Julia e Pedro deu um sorriso.
Do outro lado do acampamento, JP e Felipe adentravam na floresta. JP odiou a ideia de explorarem, afinal ele não tinha o físico certo e já estava com fome. Quanto mais penetravam na floresta, mais ela escurecia, devido às copas das árvores que barravam a passagem da luz do Sol.
– Ai, cara, podemos voltar já? Estou com sede, cansado.
– Para de reclamar, JP. Mas que moleque chato, hein. Olha só o tamanho dessas árvores e raízes aéreas, caramba.
– QUE MERDA! Tá doendo.
– O que foi agora, JP?
– Tropecei e acho que torci o pé. – Felipe foi até o amigo tentar ajudá-lo.
Uma figura apareceu nas sombras, JP logo o reconheceu.
– É o espantalho, se lembra? – relembrou rapidamente para Felipe a história do antigo acampamento, que um dos empregados se vestia de espantalho para assustar os campistas. – Estou morrendo de medo, Otávio — brincou ele. – Agora só preciso levantar daqui e depois podemos brincar disso.
Não dava para enxergar muito, o que dava para ver era o chapéu de palha do espantalho, ele se aproximou dos garotos que perceberam que estava segurando uma tesoura ensangüentada, a mesma que Otávio carregava no primeiro dia.
– Legal Otávio, agora pode me tirar daqui. – disse JP, já sem paciência enquanto o espantalho se aproximava.
Sem muita chance, o espantalho decapitou JP com a tesoura, a cabeça voou, o corpo bateu no chão e o sangue jorrou, formando uma poça no chão próximo ao corpo e o espantalho ficou cheio de sangue. Não pensando duas vezes, Felipe correu na direção oposta, gritando por socorro e se lembrando do sonho que teve quando desmaiou.
Continuou correndo e conseguiu sair da floresta, aparecendo em outra área do acampamento, onde o lago era mais fundo, não teve escolha e deu a volta no lago, olhava para trás e lá estava o assassino correndo há poucos metros.
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