A Colecionadora de Almas - Interativa

9 Chapter VIII - Overflowing Secrets and Feelings


Notas iniciais
oioioiioio Meu povo, minha pova! Eu sei, eu sei, demorei pakas! Mas bem, espero que entendam que a escola está sugando minha alma e... tá sendo difícil tirar o vício de um maldito RPG :v ahusuashasha Todavia, eu espero que gostem desse capítulo ^-^ A tradução do título é Transbordando Segredos e Sentimentos

Chapter VIII — Overflowing secrets and feelings

Ágata Vilamesta

Por mais relevante que fosse, encarar a situação atual é incrivelmente difícil. O fato de ser capturada e amarrada a uma cadeira para ter centenas de pequenos cortes distribuídos por meu corpo logo em seguida já era frustrante, no entanto, perceber somente após ser apagada e acordar que perdera a sua alma presa em um urso de pelúcia é tremendamente... idiota. Levanto a almofada uma última vez e noto que já procurei em cada centímetro cúbico do quarto, forçando-me a desistir de achar Syatar por hora.

O fato de ter o objeto separado de mim faz com que meus poderes diminuam gradativamente, tornando-me incapaz de desenhar sequer uma runa para destrancar a porta. Enxergo meu próprio reflexo no espelho, ajeitando meus cabelos e amarrando-os em um nó no alto de minha cabeça.

Particularmente, não me lembro muito do que acontecera, apenas da dor alucinante em meus pulsos, o olhar curioso de Liusbe e o gélido de Apqua. Os cortes que a mulher demônio fizera antes de apagar desapareceram, particularmente, acredito que Liusbe utilizara algo para tal, porém não sou capaz de imaginar o mesmo realizando isso, principalmente após dizer para “não torturar-me” e ainda assim permanecendo com um olhar zombeteiro enquanto era cortada.

Começo a reparar no cômodo em que permaneço, a partir do momento em que meus olhos se abriram, passei a procurar por Syatar, não dando muito atenção ao mesmo. O colchão coberto por um lençol branco destacava o travesseiro com espuma – ao menos a dor em meu pescoço parara, fazendo com que afirmasse isso — macia e fronha vermelha, a mesma, exibindo uma mancha de suor, provavelmente formada no tempo em que estivera desacordada. As paredes amareladas possuíam sua tinta se descascando por conta do tempo, movo minha mão até o local, arrancando mais lascas e jogando-as no chão.

Os minutos pareceram se passar rapidamente enquanto os passos podiam ser ouvidos do lado de fora. Coço os olhos e permito que um bocejo escape, estava mais cansada do que pensei estar, apesar de ainda ter “dormido” tempos antes. A maçaneta gira, meus joelhos estralam no instante em que se esticam por instinto após meus olhos pousarem sobre a cabeleira branca de Liusbe. Ao que tudo indica, o demônio permanecia em seu interior, certamente o rapaz mantêm a ideia de que a inexistência da presença de Apqua me deixaria menos intimidada ao ponto de que falaria, porém, péssimas notícias, o gato comeu minha língua.

— Ágata... – ele começa, sendo cortado logo em seguida por mim:

— Não me venha com Ágata— faço uma imitação fajuta de sua voz, tenho completa certeza de que pronunciei meu nome como se estivesse engasgada com um pedaço de salsicha -, não irei falar nada! Torture-me o quanto quiser, minha boca não passa de um túmulo.

— Eu sei que talvez esteja assustada... – Talvez?! Talvez esteja assustada?! — Mas... pelo que disse a Apqua – Correção, meu caro, pelo que Apqua arrancou de mim enquanto Vossa Senhoria sorria de canto —, ele mantêm sua mãe presa, não é? – confirmo com a cabeça. Parte de mim sabia o rumo que a conversa tomaria, assim como outra mantinha o interesse em continuar -, meu pai mantém sua mãe presa por... sabe-se lá o que! – ele fez uma pausa, encarando-me em seguida – Ágata... se puder me dizer o motivo de estar a trás de mim...

— Não. – digo secamente, cortando-o, Se ousar dizer qualquer palavra a quem quer que seja, poderá visitar sua mãe no mesmo cemitério em que conheceu seu demônio, as palavras ditas pelo homem passam novamente por minha cabeça, a ênfase dada por minha mente fez com que as palavras passassem somente de um eco em meu interior, passando disso para a realidade, como se o pai de Liusbe estivesse sussurrando em meu ouvido.

Espero. Não sei exatamente o que, porém apenas espero. Talvez um tapa pela resposta, o bater de porta e o som da tranca se fechando, mas, ao invés disso, um ruído é produzido por sua garganta, como se estivesse seca ao ponto de amargar sua boca.

— Eu... – Liusbe me encara, suas pupilas dilatam no instante que seu olhar amolece um pouco, o gelo que antes estivera lapidado em suas íris foi derretido, dando espaço para algo que não consigo identificar – Eu realmente não tenho motivo pra... sabe, ter uma conversa dessas com você porém... – ele permite que uma meia risada sem graça escape – Eu o odeio. Você... por acaso tem a noção do que é ser abandonado e, como se não bastasse, ter praticamente metade da sua vida fodida pelo mesmo homem que te jogou fora? Faria qualquer coisa pra ver a desgraça rindo na cara daquele... – seus punhos se cerraram, tremendo com a força que suas unhas pressionavam a pele, não demorou muito para que um filete de sangue escorresse, pingando no chão – Ágata... se você sabe onde ele está, se tem ao mínimo uma ideia de seu esconderijo, por favor, eu lhe peço, por favor, me diga!

Particularmente, não sei como reagir. Posso simplesmente ignorá-lo e continuar presa, pensando numa forma de escapar e achar Syatar ou posso... ajudá-lo? Se ousar dizer qualquer palavra a quem quer que seja, poderá visitar sua mãe no mesmo cemitério em que conheceu seu demônio, NÃO! Não posso... eu realmente não posso. Se eu disser algo, mamãe morre, eu... preciso fugir, preciso.

— Ágata? – sua voz soa trêmula. Mantenho meu corpo para, encarando o chão como se houvesse algo interessante na forma como a luz era refletida – Ágata? – Liusbe torna a repetir e continuo imóvel.

Escuto seus passos se afastando de mim. Realmente quero fazer isso? Por um lado, Liusbe me oferecia uma espécie de ajuda, mas, por outro, se falhássemos, acho que acabaríamos nós três – mamãe, eu e Liusbe – mortos. Prometi a mamãe que iria lutar contra qualquer um para salvá-la, andaria rumo aos confins do mundo, venceria quantos adversários fossem necessários.

Pela direita, ele com mamãe, pela esquerda, Liusbe. Um ring de luta pelo qual teria que escolher um lado e segui-lo até o fim focando-me no objetivo principal, observar Liusbe e mantê-lo informado ou lutar e matá-lo. Não se trata de uma questão onde você pode montar e efetuar uma equação para chegar a um resultado exato, onde um x ou um y possuem valor, isso é uma pergunta que deve ser feita por chute, onde você pode acertar ou errar, tudo uma questão de sorte. Eu vou escolher um lado. Vou chutar às cegas e torcer pelo melhor. Vou para a esquerda.

— Liusbe – chamo seu nome, ele automaticamente se vira, um olhar esperançoso costurado em sua expressão -, sente-se, vou te contar o que aconteceu. – das duas alternativas, uma.

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Morgana VanPlue

Meus olhos se abrem, sendo invadidos pela luz que serpenteia entre as frestas da cortina branca. O corpo ao meu lado se mexe, esticando os braços para os lados e pousando-os novamente do lugar em que partiram, giro, ficando por cima de meu ombro direito, encarando o castanho profundo das íris de Nikola, ele exibe um sorriso branco e alinhado quando percebe que estou acordada e desfere um impulso para frente, encostando seus lábios nos meus suavemente.

— Bom dia. – e me beija mais uma vez, desta vez aprofundando a forma como nossos lábios se tocam, sua língua rapidamente pede passagem e a concedo, sentindo o sabor almiscarado que despejara dentro de minha boca.

— Bom dia. – digo após nos separarmos, respirando profundamente – Sabe, acho que devíamos fazer isso mais vezes, meus neurônios nunca estiveram tão alegres quanto estão agora. – ambos rimos e trocamos carícias mais uma vez.

— Sim, devíamos. – ele se vira, encarando o teto branco – Temos que levantar. – Nikola solta, um tom preguiçoso toma conta de si, mas concordo com a cabeça e fico de pé, arrastando o fino lençol de seda, cobrindo o meu corpo nu.

O que acontecia entre minha pessoa e Nikola, por mais que ele tente fixar algo, não passa de uma espécie de “amizade colorida”, uma coisa onde cada integrante tira proveito um do outro com atos carnais e, vez ou outra, sentimentais, não entendo ao certo do motivo de meus pensamentos estarem voltados para isso, porém meu cérebro não consegue focar nas palavras de Brienne. A Líder aborda por mais uma vez o mesmo assunto, pulvis e a importância de aumentarmos ao máximo a coleta do material para que o Conselho ceda mais “dinheiro” para a Armada, particularmente, acho que essa “troca” é algo idiota. Estamos quase mortos e ainda assim possuímos a necessidade de usufruir de bens materiais? Por mais que Ceifadores sejam vistos como um cargo “maldito” por fazerem as pessoas destinadas a tal a perceberem o real significado da vida e sofrerem com isso, ter coisas como dinheiro é como um castigo, faz com que tenhamos ainda mais saudades do que um dia tivemos, e, por mero descuido e, em meu caso, idiotice, acabara por escorrer por entre os dedos como flocos de areia.

Drogas, de todo o tipo, qualquer coisa que permitisse ser cheirada, fumada ou injetada, eu a utilizava. De início, apenas as mais fracas, tabaco e fumo que consegui através de amigos da faculdade, aprofundando cada vez mais em um mundo de prazeres psicológicos. Quando percebi, anos já haviam se passado e por mais que tentasse, não conseguia largar as maldições que me levaram a perdição, heroína e cocaína. Abandonei meus estudos, cometi roubos, vendi meu próprio corpo procurando dinheiro para conseguir comprar mais de meus vícios, fugi ao menos duas vezes de um centro de reabilitação e, no final, por conta de uma DST mesclando-se com o uso frequente das drogas, resultando em uma overdose, morri. E acreditando ou não, aquela foi uma das melhores sensações que senti.

Meu corpo e mente abandonando o vício e tornando-se sóbrios mais uma vez após jogar fora o que poderia ter sido uma vida muito bem sucedida se continuasse firme rumo a meu diploma de medicina, mas não, lá estava eu. Morta. Aos 27 anos. Vagando pelo Vácuo até encontrar alguém que me dissesse exatamente do que se tratava aquilo. De início, achei que fosse somente mais uma ilusão por conta das várias misturas, porém, se fosse, acredito – não, possuía certeza por conta de experiências anteriores – que estaria vendo cores e animais fantásticos flutuando no ar e não uma imensidão de branco. Felizmente – ou não -, Brienne me encontrou nessa hora.

— Morgana! – meu corpo pula, a exclamação vinda da boca de Brienne me assusta um pouco, desvanecendo completamente meus pensamentos – Está de acordo? Consegue fazer a tarefa? – seu tom, como sempre, apresentava um típico toque de liderança.

— Hm? Sim, claro! – concordo, balançando a cabeça para cima e para baixo. Não sei ao certo para que fora designada, porém afirmo da mesma maneira, reconhecendo a Líder, sei que desencadearia uma espécie de ira caso negasse.

— Dispensados. – todos nós arrastamos as cadeiras para trás em uníssono, levantando-nos logo em seguida e partindo pela porta dupla de madeira branca, sendo despejados no grande corredor que seguia para ambos os lados.

As janelas de vidro ofuscam um pouco a luz do sol que começara a subir no horizonte entre os prédios ao fundo e definindo a silhueta das grandes casas conforme a passagem se aproxima de mim. Brienne convencera o Conselho a alojar-nos em um bairro de classe alta com a ideia de que “Somos a Grande Armada, nos destacamos em meio às outras, devemos deixar claro quem está acima deles, tanto em forma material quanto em qualquer outra”, depois de certo tempo com isso cederam a residência.

Volto-me para trás, escutando o eco de passos que chega cada vez mais perto conforme os segundos se passam, encaro a figura de Nala andando despojadamente, com os braços esticados para cima, flexionando os músculos e estralando seus ombros em um track que mesmo à distância consegui escutar. Nala sorri a me ver, aguardo até que chegue ao meu lado, passando a mão por trás de minha nuca.

— Por acaso estava prestando atenção em Brienne? – pergunto enquanto andamos em sincronia, Nala é muito baixo para um homem, mas da mesma forma, posso ser muito alta para uma mulher, o que faz com que nenhum de nós tenha que se esforçar para alcançar um ao outro.

— Para a sua sorte, sim. – é tudo o que fala, desfazendo o sorriso e encarando, juntamente a mim, as portas de nossos quartos que se posicionam uma ao lado da outra.

— O que, basicamente, tenho que fazer? – falo e, como esperado, uma risada escapa.

— Você é tão avoada quanto um balão, se não houver alguém para te dirigir, sairá voando sem rumo! – essa era mais uma das várias comparações que já escutara escapando de sua boca – Bem, — Nala move sua mão para a maçaneta, girando e empurrando a porta pouco o suficiente para enxergar apenas um ligeiro pedaço do chão brilhando por conta do verniz – se fosse você, começaria a prestar mais atenção em Lucy Castellan. Foi designada para vigiá-la.

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Louise PcMangg

Eu não sei realmente como aconteceu, porém, quando percebi nossas línguas dançavam e, por mais que uma pequena parte de mim quisesse se separar, a outra – que no momento é dominante – quer continuar desfrutando da sensação por toda a eternidade — ao menos o que ainda resta dela. Levo minha mão ao rosto de Delfin e sinto a pouca barba que começara a nascer mais uma vez. Afastamos-nos, mantenho os olhos fechados e contorno seus lábios grossos com a ponta do dedo indicador, sentindo a maciez dos mesmos e desejando com todas as forças experimentá-los mais uma vez. Quem sou eu e o que fiz com a Louise PcMang?!

Abro os olhos, encarando as profundas lagoas azuis de suas íris que pareciam refletir o calor de uma chama interna. O pedaço de mim que queria se afastar conhece bem aquele calor, a mesma pessoa me iludira trazendo-me para o mundo das ceifas possuía mesma coisa... desejo.

Desta vez, quem toma a iniciativa sou eu, selando nossos lábios mais uma vez e sentindo o gosto de pasta de amendoim e geléia que agora se encontra bem mais fraco. Delfin leva seus dedos para minha nuca, aprofundando ainda mais o beijo, sugando minha língua e descendo as mãos até minha cintura, colando ainda mais nossos corpos, fazendo com que fique sentada em seu colo, sentindo ao extremamente rígido sobre minha coxa... Delfin está assim por minha causa?!, minhas bochechas ganham instantaneamente a tonalidade vermelha, talvez tenha sido obra divina para que não tenha ficado nesse estado antes... porém descobrir que seu membro está em tal estado é mais vergonha do que posso aguentar.

A ação provavelmente se intensificaria, no entanto, a porta se abre e noto de relance a silhueta de Lucy enquanto empurro Delfin para o lado e deito no sofá, como se nada houvesse acontecido, torcendo para que ela realmente não houvesse visto nada que não fosse necessário.

Depois do ocorrido, não sei ao certo como reagir, no entanto, percebo que de uma hora a outra – claro, uns minutos há mais, outros há menos – minha afinidade com Delfin passasse de zero para um patamar, acho eu, elevado. Talvez estivéssemos apenas carentes, talvez seja algo temporário, talvez Delfin esteja me usando... não, ele não faria isso, Delfin não é esse tipo de pessoa! Está escrito em sua testa que pode ser várias coisas, em exceção a um canalha. Além do mais, havia uma coisa extra no instante em que nossos lábios se tocaram, algo que por mais que tentasse, não conseguia identificar. Talvez fosse minha cabeça se confundindo com a velocidade que as coisas aconteceram, talvez fosse algo anormal, creio que pessoas “desconhecidas” uma a outra não começassem a se beijar de um momento para o outro, no entanto, desde quando minha vida é normal?! Sou uma deslocada até mesmo entre os ceifadores! Quem diabos passa a coletar almas mesmo ainda estando viva?!

Talvez fosse um milhão de outras coisas.

No entanto, por agora, quero apenas acreditar que o que senti é recíproco.

Notas finais
:3 ashasuahsaushasha Nada mais a declarar ^_^ Espero que tenham gostado! Até o próximo! See ya! o/ P.S: Estou montando uma playlist para a fiction... provavelmente no próximo já terãoo link disponibilizado *3*