A Colecionadora de Almas - Interativa
10 Chapter IX - Falling, crash into my arms
Notas iniciais
Chapter IX — Falling, crash into my arms
— But even closer to you, you seem so very far, and now I'm reaching out with every note I sing
Lucy Castellan
Meus olhos e mente talvez estejam me enganando, sim, ao que tudo indica, meu corpo inteiro quer acelerar meu processo de desgaste mental. Pisco algumas vezes tentando disfarçar a perplexidade que se choca contra mim espalhando eletricidade por minhas veias e caminho, descartando que de forma alguma o fato Louise e Delfin estarem engolindo a cabeça um do outro em um beijo ardente fosse algo fora do comum.
Com toda certeza o famoso ditado mundano é real. Pólos opostos; quente e frio, negativo e positivo, alto e baixo, estreito e comprido, sol e lua, salgado e doce; se atraem.
É interessante e ao mesmo tempo, intrigante a maneira como as coisas estão passando rápido. Poderia ser minha cabeça, no entanto, o Anônimo do outro lado da linha que liga ambos os nossos números em um aplicativo, estava ali, junto a mim, percebendo que, de fato, as coisas se conectavam cada vez mais, costurando uma tapeçaria incrivelmente bela de um planeta arquitetado e construído em alicerces moldados por minha pessoa. No entanto, essa cena ainda pode ser impedida.
Em todo o mundo, revolucionado em minha cabeça ou o inferno em que se encontra agora, ainda existem traças, insetos insignificantes que insistem em devorar as linhas de costuras causando furos em certas extremidades da peça e, se não controladas, mais e mais aparecerão a ponto de acabar com todo o trabalho que o destino gastara batendo as agulhas de crochê uma na outra seguindo meus padrões, se acabaria. Deixando para trás nada além de poeira. Particularmente, enxergar meu objetivo se tornando pó não é algo conveniente e que com toda certeza não está registrado em meus planos. Se há algo que posso confirmar além de que irei alcançar o que pretendo é que... bem, vou gastar uma pequena parte do tedioso tempo até a carruagem alcançar o local desejado preparando um inseticida capaz de matar tais traças.
A cobaia seria ninguém menos do que o cocheiro, Anônimo pode guiar os cavalos de forma exemplar a ponto de ninguém ser capaz de imitá-lo ou superá-lo, no entanto, eu sou ainda melhor. E farei questão de segurar as rédeas e percorrer meu próprio caminho.
Sento em minha cama com um solavanco, sinto minha cabeça zonza por poucos centésimo no instante em que abro no notebook, o azul do plano de fundo brilha reluzente com o cobertor negro que jogo por cima de meu corpo, tapando o aparelho do exterior também. Parte de mim acredita que o que está por vir é algo trivial em relação às outras coisas que rondam minha mente ao mesmo instante em que tenta disfarçá-lo como uma coisa trivial.
Como um passe de mágica – e talvez com uma pitada de ajuda de tecnologia -, a notificação de outra mensagem apita, desta vez exibindo-se ao lado direito inferior do pequeno monitor. Nesse turno, Anônimo não está envolvido, seus serviços estão cessados por um período indeterminado, aguardando à hora certa para retornar. Digito uma monossílaba de saudação no chat em resposta e aguardo o instante em que a voz masculina atingisse meus ouvidos, fazendo meus ossículos tremerem e florescendo mais uma vez um sentimento de ansiedade. Atendo a solicitação de chamada via áudio.
— Desta vez não há muita coisa. – é a primeira frase que me dita, sua voz soa como a sinfonia de trombetas divinas deliciando minha audição. O informante, mais tecnicamente, o infiltrado sempre diz a mesma coisa, no entanto, a parte do não há muita coisa é o que me excita realmente, as menores fofocas são as mais valiosas.
— O que temos? – pergunto.
— Particularmente, não me surpreende a Líder ter feito isso. Sua insistência nessa Armada está deixando-a extremamente alarmada. – ele fez uma pausa, ligando a webcam— O plano original que elaboraram continua o mesmo, se estão modificando-o nenhum dado chegou aos outros membros. Ao que aparenta, Morte está confinada em uma cela em um lugar impenetrável dentro do céu, além dos anjos, os únicos que tem acesso para o local são os integrantes de alto escalão do Conselho. – Morte? Presa? Não achei que fossem idiotas ao ponto disso. É mais do que óbvio que ela não é a responsável.
— E quanto às invasões demoníacas? – as palavras pulam de minha boca automaticamente.
— A Líder não esteve comentando isso nos últimos tempos, no entanto, parece que Morte continua afirmando a mesma coisa, é inocente. – outra pausa, desta vez mais curta e preenchida pelo som de tosse do outro lado – Realmente acho que está dizendo a verdade, se ligarmos os pontos, que motivos a levariam a fazer isso? Um lugar alto na hierarquia no Conselho, todo o inferno nas mãos, uma parte dos Ceifadores ao seu comando. Suspeito de algum demônio ou bestiário, se não isso, algum bruxo incrivelmente poderoso. Ghouls não são capazes de usar magia... e o que possuímos de mais próximo a isso é a Essência, mas não são todos que a possuem.
— A situação está cada vez mais feia... bem, um cenário perfeito para aquilo, certo? – é inevitável conter um pequeno riso no final de minha fala. Levo uma mecha de cabelos para trás da orelha e pisco algumas vezes.
— Com toda certeza, maninha— COMO ODEIO QUE ME CHAME ASSIM!, se não fosse útil e o parentesco entre nós não existisse, ele já estaria “morto” há bastante tempo -, Anônimo sabe de algo?
— Ao que aparenta não. Ele se distanciou por um tempo, diz que vai voltar na hora necessária, mas o que me preocupa é o favor que fiquei “devendo”. Tudo bem, eu entendo que o próximo passo é descobrir sua identidade, mas estou com um mau pressentimento.
— Ótimo, mas... sabe, tenho certeza que não é nada. Essa coisa deve passar daqui um tempo. – ouço o barulho de algo envolvendo o microfone e alguém o chamando ao fundo, mas é impossível entender o que houvera sido dito – Lucy... vou ter que ir se não se importar. Nala está a fim de brincar um pouquinho.
— Poupe-me de sua vida sexual, maninho— brinco -, nos falamos em breve. – e desligo.
Retiro o cobertor de cima de mim, oh! Falta pouco, muito pouco. Vingança sobre a Grande Armada, Dayon espionando abaixo do nariz de Brienne... um universo reformulado, como é bom ter tudo na palma de minha mão!
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Liusbe Beelrith
— Uma inteira e uma meia para Hollywood, o primeiro que sair da rodoviária. – entrego o cartão de crédito juntamente com minha carteira de identidade e a de Ágata (copiada à base de feitiços, considerando que a garota não possuí uma), a atendente analisa ambas, encarando as fotos e nossos rosto, digitando alguns números no pequeno computador à sua frente.
— A senha, por favor – ela insere o cartão e me entrega a máquina. Meus dedos se movem sozinhos, pressionando os números e sentindo a textura ressaltada em pequenos pontos; letras em braile, devolvo o objeto e, de forma silenciosa, duas tiras de papel saíram de uma espécie de impressora a poucos centímetros do braço esquerdo da mulher, as palavras escritas em azul marca a hora e local onde o ônibus irá parar para que embarquemos, no entanto, a moça acaba informando-me, descartando a necessidade de ler a passagem – Plataforma K, vire a esquerda no terceiro corredor à frente, parte em 17 minutos.
— Obrigado. – originalmente, isso seria completamente desnecessário. Se dependesse somente de mim, aproximadas duas horas e trinta de ônibus não precisariam ser gastas (além de que economizaria dinheiro), mas com Ágata junto a mim uma runa de teletransporte está fora de cogitação, ambos somos da mesma classe, Aristocrata, no entanto, meu poder em relação ao dela é maior por conta de ter mais experiência e idade. No estado em que Ágata se encontra, possuí a mana necessária para a runa, porém não o poder e, por mais que tente, não conseguirei mandar ambos para a cidade – ao menos não por agora, talvez em próximos anos ou quando aumentar o meu ranking, mas não temos esse tempo.
Ágata carrega uma pequena mochila que achei em um armário de meu apartamento, é velha, mas ainda assim útil a ponto de aguentar o peso de alguns poucos pertences da mesma. Em sua mão esquerda, Syatar pendia, preso pela pressão de sua mão sobre sua pata esquerda, Apqua desfizera o bloqueio que infligira quando a capturara, permitindo com que Ágata pudesse voltar a se comunicar telepaticamente com seu demônio.
Avisto a plataforma K há poucos metros de distância, alguns passageiros despediam-se de parentes enquanto o ônibus liga seu motor, fazendo com que o barulho produzido se mescle com o restante dos rugidos mecânicos. Olhando para os lados, entramos.
O caminho se seguiu de forma rápida, até o recente instante, nem eu quanto Ágata pregamos os olhos, parte de mim acredita que sua cabeça se encontra em uma batalha intensa contra a ansiedade, mas a outra fixa em pensar que ela apenas não possua sono. Fecho meus olhos e mantenho dessa forma por certo tempo, forçando-os a parar de encarar a paisagem preenchida com outros veículos, asfalto, capim e um céu escuro, borrado aqui ou ali de um azul marinho intenso. Movo meu dedo indicador rumo ao braço de Ágata, sua pele pálida parece se arrepiar ao meu toque enquanto seu corpo pula em um pequeno ato reflexo, sinto a ponta de meu membro esquentar enquanto deslizo por aquela área, deixando linhas vermelhas que desapareceram rapidamente em fragmentos que voaram pelo ar, despedaçando-se ainda mais.
— Ansiosa?— pergunto mentalmente, a runa de telepatia é uma coisa que descobri recentemente em um livro de bruxaria em um sebo, o sobrenatural e o humano acabam se misturando de forma tão simplista que quase sempre acaba despercebido. Ágata parece se assustar, inicialmente, mas compreende poucas frações de segundo depois do que se trata, ela passa os dedos por seus cabelos ruivos.
— Um pouco. — ela responde, suas palavras ecoam em minha mente da mesma maneira que acontece quando o demônio e eu nos comunicamos.
— Um pouco? Sabe, tenho reparado desde que entramos no ônibus... e enquanto a maioria das pessoas dormem você nem sequer piscou os olhos.— solto um pequeno riso ao final da afirmação que, de fato, é verdadeira.
— Você também não fez nada disso. – ela rebate de forma suave, encarando o banco onde outro passageiro senta à nossa frente, permanecendo em silêncio por certos momentos – Ta... talvez eu esteja mais ansiosa do que penso, poder ver mamãe de novo e abraçá-la... tenho medo também, afinal de contas, vamos encará-lo.
Encará-lo... isso não é uma verdade completa, ao menos até agora, o plano envolve apenas pegar a mãe de Ágata e plantar uma runa de localização em meu pai, o velho ditado de “O feitiço se virou contra o feiticeiro”, no entanto, não há garantia alguma que isso funcione realmente. Runas desse tipo são detectadas facilmente se o ranking da pessoa marcada for alto – um, ao que eu espero, Diabla poderia muito bem removê-la com um estalar de dedos -, e por isso preciso pensar em algo para camuflá-la. O tempo é curto.
Levanto o pulso, olhando o relógio marcando 6 horas e 45 minutos, chegamos aos próximos 90 minutos, respiro profundamente. Pela primeira vez em muito tempo não quero que o tempo continue passando, medo, anseio, felicidade, conquista, tristeza, vingança, coragem, agora tudo parece está querendo me preencher, tudo parece querer plantar sua semente em meu interior, mas nada floresce, ao que parece, o solo é ácido.
— Liusbe?— a voz pipoca dentro de minha mente, despertando-me do devaneio tempestuoso em que me encontrava, Ágata agora olha para mim desta vez – Poderia me ensinar algumas runas?— a pergunta me surpreende, de fato é algo que não esperava, principalmente vindo de Ágata. Ela curva seu pescoço e abre a mochila, retirando um caderno de desenhos encapado com couro, não sei ao certo onde encontrou isso, no entanto, não reclamo – Vamos enfrentar algu...
— Tudo bem. – corto-a, assistindo o seu rosto corar de pouco em pouco, Ágata me entrega o objeto e um lápis – As que conhece até agora foram ensinadas por sua mãe, não é?
— É... sim, foi ela— seu tom pareceu tristonho pronunciado a vogal — invisibilidade, cura para pequenos ferimentos, destrancar portas...
Paro de prestar atenção no que dizia e sorrio. Ela será grande um dia, uma flor bela de se ver, mas com espinhos mortais, não existem maneiras de contradizer isso.
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Ky Armstrong
O suor frio preenche meu corpo. Meus pulmões incham e se esvaziam em seguida, ardendo como se estivesse me afogando... mas não em água, me afogando em meu próprio sangue. Olho para baixo, encarando a camiseta branca ensopada, tateio meu peito, pressionando certos pontos a procura dos cortes feitos pela foice, respiro aliviado percebendo que continuo intacto.
Tudo não passou de um sonho? Não... foi real demais para um sonho. O ônibus, a dor, o branco, a garota, o sangue. Foi real demais para passar de algo montado por meu subconsciente ou sabe-se lá o que! Recuso-me a crer que tudo que passei nessas... últimas horas?, foi apenas algo montado por minha imaginação, posso não saber de muitas coisas, no entanto, entender e fixar em minha mente que tudo o que acontecera fora minha cabeça me enganando, isso, com toda certeza, está fora de cogitação.
Deslizo os dedos pela prateleira, sentindo o relevo das capas duras dos vários livros. Por incrível que pareça, encontrar uma loja em Nova York que vendesse livros e itens relacionados ao sobrenatural fora incrivelmente difícil, mesmo estando em uma grande cidade gr... Mas em que diabos eu estou pensando?! Não é como se eu realmente pudesse andar por dois quarteirões e virar a esquina na espera que uma grande placa brilhante em néon azul apontasse:
Mama’s
Artigos Sobrenaturais, Vidência e Derivados
Aberto
Afinal de contas, Google Maps e fóruns online também tiveram grande participação para achar esse fim de mundo à quase uma hora e meia de minha casa, abençoem Tim Berners-Lee por inventar a internet! Como exorcizar poltergiest, um guia básico para novatos, definitivamente, não. Passo para o próximo título, algo falando sobre vampiros, outro sobre fantasmas, mais exorcismo, em seguida, Como “desumbificar” um morto-vivo, em meu caso, talvez eu seja o morto-vivo da história. Em poucos segundos, sinto a textura mudar, arrastando-se pela madeira áspera da estante, indicando o término de outra fileira de livros.
“I tried to leave it all behind me
But I woke up and there they were beside me
And I don't believe it but I guess it's true
[…]”¹
Pela primeira vez, acho que um dos trechos da música de Florence nunca fora mais verdadeiro que esse até o momento. Tentei deixar tudo para trás, mas eu acordei e lá estavam eles ao meu lado. E eu não acredito, mas eu acho que é verdade, é... bom, literalmente, acordei e lá estava ela ao meu lado. A grande questão é... o que e quem, exatamente, é ela? Essa pergunta não deixa de me intrigar, sendo sincero, tenho a impressão de que vai me atormentar pelo tempo restante que a sanidade que me restar durar.
— Precisa de ajuda? – uma voz pergunta às minhas costas, levanto-me e encaro o ser que a produzira, apreciando os cabelos brotando loiros de suas raízes, despencando em uma catarata colorida até a metade das costas, o nariz pequeno e preenchido com poucas e claras sardas, os lábios finos, a pele clara, e o corpo magrelo e sem curvas faz com que um sentimento de reconhecimento me atinja – Ky?— ela pergunta com certa estranheza.
— Oi... Lia. – uma das poucas pessoas com quem tenho certa afinidade na faculdade é Lia. Seu jeito diferente a torna bastante atrativa e isso fez com que nos aproximássemos, em minha opinião, até demais.
— O que você e sua incrível inocência fazem por aqui? – Lia solta uma pequena risada, ela é uma dessas pessoas que ri do vento, mas sabe ser séria quando é necessário, Lia havia comentado que começara a trabalhar em uma livraria, mas não possuía ideia algum de que é exatamente essa e, principalmente, que vende livros sobre magia negra.
— Promete não rir da minha cara? — por mais que tente, não posso mentir para ela, além do mais, Lia me conhece a ponto de descobrir com poucas palavras que estou mentindo, não adiantaria inventar algo para disfarçar a verdade, mesmo a verdade em si parecendo uma mentira.
— Por acaso eu ri do tamanho de seu garoto na primeira vez que tomamos banho juntos? – e lá vamos nós... ela ri novamente, dessa vez algo mais duradouro. Como citei, nos aproximamos até demais, não chegamos a ter um relacionamento sério onde cada um morre de ciúmes um do outro (apesar de que certas vezes isso acontece, de ambas as partes), no entanto, é algo como uma amizade colorida, com beijos e... sim, banhos em conjunto. – Eu to brincando, haha, é um dos maiores que...
— Lia... poderia ser menos direta? – a interrompo, de vez quando, a garota solta frases que chegam a te deixar constrangido.
— Oh, bem, você pediu com jeitinho. – Lia faz uma pausa, caminho até ela, colocando minhas mãos em sua cintura – O que você e sua inocência fazem por aqui? – repete a pergunta.
— Só para deixar claro, você prometeu não rir. – pauso a música que é transmitida pelo fone até meus ouvidos e lhe conto a história, tudo. O sangue, o branco, a garota, a foice, a buzina do que quer que tenha me atingido quando morri, minha “segunda morte”, a maneira como ela ficara abismada por eu ser um humano.
— Certo... isso daria um ótimo seriado. Quando acabarmos com isso, você e eu escreveremos um roteiro, mandamos para a Netflix e ficamos milionários, simples. – e como esperado (sinceramente, fiquei surpreso por Lia não ter feito antes, mas... não reclamemos) ela gargalha, na grande maioria das vezes, a garota é muito feliz, mais que o normal.
— Ei! O que eu disse sobre rir, v... Oi? Você acredita em mim? – questiono-a, apesar de ter tentado enterrar essa possibilidade de Lia acreditar em cada palavra que digo da primeira vez que contasse, ela volta à tona.
— Bom... Ky, se surpreenderia com a quantidade de história absurdas, bem mais absurdas que essa que as pessoas contam quando vem até aqui, sabe, não me surpreendo mais com o sobrenatural. Sendo franca, ele existindo ou não, sei que pelo menos uma parte sua vive entre a gente, escondida, seja vampiros, fadas ou o próprio Shrek!, eu sinto que coisas assim existem, só precisamos procurar. Além do mais, você me viu nua, tenho obrigação de confiar em qualquer coisa que diga depois daquele dia, caso contrário, acabaria causando inveja nos outros rapazes da universidade dizendo que de vez em quando dá uns amassos e toma banho com uma vareta. Acho que é a oportunidade perfeita... para nós dois. – Lia avança, ficando na ponta dos pés e ignorando o fato de estar em serviço, colando seus lábios nos meus, espalhando o suave doce do morango de seu batom por minha boca.
Aperto o botão com uma das mãos, permitindo com que a música volte a ecoar dentro de meus ouvidos, enquanto a outra sobe a extensão das costas de Lia por debaixo de sua blusa.
“And I never minded being on my own
Then something broke in me and I wanted to go home
[…]
We all need something watching over us
Be it the falcons, the clouds or the cross
And then the sea swept in and left us all speechless
Speechless
[...]”²
De agora em diante, acho que as coisas passarão a serem mais interessantes. Não sei ao certo o que quebrou em meu interior, mas estando inteiro ou não, Lia vai me ajudar a voltar para casa, Lia vai me proteger, Lia vai ser meu falcão, minhas nuvens, minha cruz. E eu serei o dobro para ela.
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