A Colecionadora de Almas - Interativa
6 Chapter V - Just like fire, Burn up the way
Notas iniciais
Chapter V — Just like fire, burn up the Way
Morgana VanPlue
Ajeito os óculos em meu rosto enquanto movo a lâmina de minha foice na vertical, cortando ao meio a esfera de fogo incandescente que voava para me acertar, desfazendo-a em partículas e pó brilhante. Avanço. Desvio de garras demoníacas ao mesmo tempo em que a arma corta seus portadores ao meio, livrando-os desse mundo, fazendo com que deixassem para trás a mesma essência da esfera flamejante que dividira em dois anteriormente.
Explosões se distribuíam pelo campo de batalha, o exército demoníaco continuava marchando sem dar indício algum de que viria a parar cedo. Uma onda de calor cresceu rumo ao céu poucos metros em minha lateral esquerda, fazendo com que o vento jogasse bruscamente os fios loiros em minha cabeça para cima, bagunçando-os. De relance, volto meu olhar para aquela direção, tentando passar a impressão de fúria para a pessoa que causara aquilo, mas não consigo, era impossível ficar furiosa com Nala. O garoto saltou no ar, dando cambalhotas e aterrissando firmemente até voltar para o local de onde pulara e executar os seres negros que ali se encontravam. O cabelo negro crescia até um pouco abaixo da nuca, a pele parda se contrastava com os olhos âmbar, os músculos se destacavam por conta da roupa de couro justa, de fato era uma pessoa bonita e, por conta de sua personalidade, era uma tarefa difícil esquentar a cabeça com o mesmo.
Balanço a foice com a mão e torno a girar meu corpo logo em seguida, estendo a lâmina para frente e eliminando tudo que estivesse no raio do círculo perfeito que se formara, fazendo com que fragmentos azulados voassem para cima. A forma humanóide que a grande maioria dos demônios tomava facilitava sua resistência, apesar de alguns serem mais fáceis de matar do que outros, a foice os eliminava como se fossem feito de um fino tecido, rasgando-os.
Ergo a mão direita para cima, estalando os dedos e fazendo com que uma aura azulada surgisse ao meu redor, transformando tudo a minha volta em um turbilhão de cores, desde o prata fosco a um rosa berrante, movo meus pés, saltando ligeiramente para frente e assistindo o turbilhão se transformando em um festival de borrões, utilizo minha Essência, aumentando a velocidade em que meu corpo se move, manobrando a lâmina ao ponto de que simples olhos de Ceifadores, muito menos humanos e demônios, poderiam acompanhar. O aço corta tudo pelo seu caminho, transformando o tapete negro que cobria o chão de cimento e areia em uma nuvem de pó.
Pela frequência com que os seres negros passaram a aparecer no mundo humano, era de se pensar que algo fosse bom ou ruim para os submundanos algo estava acontecendo no inferno. Era um mistério até mesmo para o Conselho, haviam perdido o contato com a Morte e, logo depois, eles vieram, atacando certos pontos da Terra, após a confirmação da primeira invasão, a Morte fora classificada como inimiga, não que estivesse longe de passar para esta classe, no entanto, Morte ainda era um membro do Conselho e não possuía motivos para revidar-se contra ele. Nós, escalados para a derrota dos demônios, a Grande Armada, acabamos por desenvolver nossas teorias e traçávamos investigações atrás das cortinas.
Espero alguns instantes e observo Dayon arrancando a cabeça do último demônio, meus olhos se movem pelo horizonte, observando os restos que as criaturas deixaram para trás, o vento levaria as cinzas para o oceano se continuassem seguindo aquele fluxo.
— Este foi bom maior. – Dayon gira a foice e leva uma mecha de seus cabelos roxos para trás, ele estralara o pescoço para ambos os lados e me encara, seus olhos castanhos possuíam uma centelha de agonia.
— É... não há como negar, eles aumentam a cada horda. – Nala completou, ao que parecia, ele estava com o mesmo problema de Dayon, inseguro em relação ao que viria a seguir. Fracamente, parecia que todos nós estávamos.
— For o que for – começo, tentando distrair nossos pensamentos da situação atual -, precisamos entregar os relatórios a Brienne, da última vez a Líder quase me arrancou um braço! – ambos soltam uma curta risada, fazê-los rir era uma tarefa simples.
Começamos a andar, girando as foices algumas vezes e permitindo com que as ferramentas desaparecessem no ar, deixando para trás um cheiro de queimado. Dayon beija a bochecha de Nala e entrelaça seus dedos nos de sua mão, era calmante ver como os dois trocavam carícias entre si mesmo após enfrentarem um grupo gigantesco de demônios, nesse ponto, eu tinha certa inveja dos dois, podiam esquecer algo ruim em um piscar de olhos enquanto me corroia por dentro. Mas bem no fundo, sentia que dali em diante, a capacidade de Nala e Dayon não seria muito útil, tinha em mente que eles também temiam pelo pior.
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Lucy Castellan
A garçonete serve uma xícara de café enquanto meus olhos se aventuram lendo as páginas de O Festim dos Corvos, por mais que quisesse negar, ao autor sabia muito bem como prender alguém com a narrativa e confesso que deixar Cersei presa nos momentos finais do livro me deixou decepcionada... a Rainha Regente deveria ter conseguido matar e atormentar mais pessoas. A verdade era que começara a frequentar aquele local mais e mais vezes, mas querendo ou não, era bom passar por ali, trazia à tona a antiga essência humana, mesmo que de forma quase escassa.
Umedeço os lábios com a língua, sentindo o gosto de morango do batom que os coloria enquanto levo a xícara à boca. O doce do café faz com que um calor me preencha, era uma sensação boa. Movo meu rosto para a janela, o vento balançando as árvores com suas lâminas e as nuvens negras invernais prestes a permitirem com que seus flocos brancos caíssem, as duas primeiras semanas desta estação não apresentaram neve, o que, particularmente, achava estranho.
Viro a folha, me deparando com uma página em branco e concluindo que minha leitura havia se finalizado, fecho o livro logo em seguida, dando outra bebericada no café. Permito com que meus pensamentos se voltem para o rosto dos integrantes da Grande Armada, as coisas começaram a se movimentar de forma bem mais rápida a partir de ontem, as rédeas foram mexidas finalmente, e os cavalos passariam a correr mais depressa dali em diante.
Ergo o telefone sob minha cabeça, de forma com que a tela ficasse perfeitamente adequada a minha visão. Meus dedos se movem rapidamente enquanto as letras são traçadas no chat do aplicativo, não sabia ao certo quem era aquela pessoa e por mais que investigasse, a forma como ela me encontrara era desconhecida, no entanto, fosse quem fosse, acabara sendo uma fonte de informações bem valiosa sobre o mundo dos Ceifadores, em particular a Grande Armada.
Falta pouco, definitivamente pouco. Se conseguir me dar o nome do Líder, posso terminar por mim mesma. Pressiono outro local e a mensagem é enviada e marcada como lida logo em seguida, a palavra digitando aparece sobre o número do sujeito, produzindo um pequeno apito no aparelho no instante em que sua resposta surge em um balão branco.
Sim, minha cara, mas pouco ainda é muita coisa para esse caso, detalhes minúsculos estão em falta. Há algum tempo estou trabalhando em sua parceria e não irei abandoná-la por agora, considere isso um favor que retribuirá muito em breve. Um favor que retribuíra muito em breve?! Como essa coisa ousa! Mas... voltando ao assunto e você acreditando ou não, o nome que procura pertence a uma pessoa mais íntima de você do que acha, confesso ter ficado... inquieto quando descobri a relação de vocês quando ambas eram humanas.
Quando éramos humanas? Como diabos ele chegou a esse resultado? Como tem acesso a minha vida humana sendo que eu mesma não me lembro? DESEMBUCHE!, envio a palavra e poucos milésimos depois ali estava ele, o nome que precisava.
A pessoa que você procura é Albrás, Brienne Albrás.
Desligo o aparelho e levanto-me de minha cama, caminhando rapidamente até a porta, abrindo-a e encarando a silhueta de Delfin.
Brienne, esse nome vagava por minha mente ao mesmo momento que procurava um método férreo para que a minha fonte de informações chegasse a conhecer minha vida humana. Caminho até o balcão e entrego o folheto em que a garçonete marcara meus pedidos, a atendente os observa por um instante e então abre a boca.
— Cinco dólares e setenta e cinco. – ela move uma mecha de seu cabelo para trás. Movo minha mão para o bolso e retiro a quantia, entregando-a logo em seguida e saindo do recinto.
De todas as vezes que estivera por ali, a atendente sempre era a mesma e sempre exibia a mesma feição. Medo. Como se estivesse ali somente pelo dinheiro, mas que se dependesse de si, correria. Simplesmente poderia estar exagerando, no entanto, grandes verdades são bem melhores do que pequenas.
Dou as costas, permaneço parada por uns instantes, inspiro, expiro e saio. Escuto o sino tocando e o baque surdo da porta batendo antes de adentrar o vendaval de lâminas cortantes.
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Ágata Vilamesta
— O mesmo demônio que o tirou do inferno quando ainda bebê, Liusbe. Seu pai mantém mamãe presa.— observei os olhos do outro se arregalarem, ao que tudo indicava, o fato de reter o conhecimento de seu nome e por saber da existência de seu pai e todo o resto o pegara de maneira desprevenida.
Aguardo alguns segundos esperando uma reação, os poucos segundos preenchidos com silêncio pareceram uma eternidade, a boca do albino abriu-se uma ou duas vezes, produzindo um ruído, suas íris heterocrômicas vacilaram com o que parecia incredulidade e o maxilar tremeu um pouco, para logo em seguida, dar as costas para mim.
— Apqua – a demônio virou-se rapidamente para seu mestre, com toda certeza aguardando ansiosamente para exterminar-me, já imaginava as palavras saindo de sua boca Mate-a— Desamarre as cordas e tranque-a na sala aos fundos, coloque um de seus lacaios para vigiá-la e garanta que não fuja.
O que?! A esse ponto já esperava estar envolvida em escuridão, sentindo frio e parado de escutar minha circulação ecoando em meus ouvidos, porém a única coisa que ele diz é... Desamarre-a? Por que estivesse confusa em relação ao que Liusbe pretendia fazer, não desperdiçaria a chance que involuntariamente abrira para mim, esse é o momento, e tentarei ao máximo usufruir de tal.
Syatar? Chamo. De certa forma, era estranho e não fazia parte do fetil de Syatar ficar calado em situações como essa, geralmente estaria murmurando inúmeras frases em minha cabeça de como escapar, mas até agora nada... Merda, Syatar! Você está aí?!, espero mais. Apqua começara a se movimentar, se ficara desapontada ou surpresa assim como eu com a ordem de seu mestre, não demonstrara, sua feição continuara a mesma, dura como pedra e exatamente idêntica ao momento em que me pegara no topo do prédio. SYATAR!
Cacete! Syatar não respondia, tudo que conseguia escutar eram os passos da mulher demônio se aproximando cada vez mais, parte de mim não conseguia parar de pensar num motivo para aquilo, no entanto, passo a ignorá-la, fingindo que não existe, tinha preocupações maiores no instante. Apqua se abaixou, movendo os dedos gélidos por cima de minha pele, produzindo certos calafrios enquanto desamarra a corda, liberando meus pulsos e causando certo formigamento em minhas mãos após o sangue voltar a circular na região.
— Levante-se e trate de não correr, acredite, a eliminarei antes que o mestre escute seus gritos. – a voz ameaçadora da outra não causou grande agonia, sendo franca, estava acostumada àquele tipo de situação e, assim como as outras, daria um jeito de escapar.
Faço o que Apqua manda, massageando a vermelhidão que se formara no local onde as fibras estiveram me prendendo à cadeira. Observo pela visão panorâmica que seus olhos não desgrudam de mim, dou passos lerdos até tomar certa distância, atenta em todos os meus sentidos, calculando o momento certo avançar, sua sombra era projetada sob mim, fazendo com que visualizasse a silhueta de seus chifres, considerando sua altura em comparação a minha, não devia estar a pouco mais de um metro de distância às minhas costas.
Um... dois... três, conto. Viro-me para trás, mantenho a cabeça abaixada, encarando o chão enquanto os passos de Apqua param de ecoar pelo local, sinto seus olhos me fuzilando, mas apenas os ignoro. Conto mais uma vez, agora acrescentando três segundos extras. E avanço.
Meus pés se movem rapidamente e acerto com o ombro a barriga de Apqua, mirando meu cotovelo em seu estômago – se é que a demônio possuía um -, escuto um ruído seco sendo produzido por sua garganta, nesse momento, jogo-a para o lado, depositando toda minha força sob o lado esquerdo de meu corpo. Escuto o baque estrondoso que sua queda causara, a partir de agora, apenas corro, respirando profundamente para não me cansar rápido.
Agarro a cadeira assim que passo pela mesma, jogando-a para trás. Não sabia ao certo o que estava fazendo, no entanto, acreditava que o objeto serviria como um “obstáculo” extra para Apqua, talvez não estivesse raciocinando direito, mas apenas seguiria em frente. O barulho do aço batendo contra o cimento me assustou, enxergo um pequeno lampejo da luz prateada da lua entre a fresta da porta para o lado de fora, bastava encontrar um lugar para esconder-me após atravessá-la e desenhar uma runa de invisibilidade, faltava pouco para continuar o que estivera fazendo anteriormente, eu... eu continuaria transmitindo as informações para o monstro e mamãe ficaria bem.
No entanto, tudo fica escuro.
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