A Classe 7
1 Capitulo 1- O jogo
Notas iniciais
A Classe 7
Meu nome é Sakashi Kimana, minha vida sempre foi a de um garoto normal, e era monótona até demais. Eu tinha amigos que me faziam rir toda hora mesmo eu sendo esse antissocial que sou. Apesar de não ser o garoto mais popular, meu melhor amigo Gonick e meus amigos Sergio e Lui sempre faziam eu me sentir em um grupo especial.
Gonick era considerado o nerd charmoso, com seus cabelos verdes e óculos de modelo retangular tinha um toque sobre todos que ninguém conseguia ter, mas ele dizia que eram os seus olhos negros e inocentes que conquistavam todos. Porem quando calado pode esconder os mais estranhos segredos.
Lui sempre abria a boca para falar coisas sem sentido, os professores o consideravam “O loirinho vida loka”, que sempre quando você pensa que já ouviu de tudo ele aparece com uma teologia alienígena ou coisa do tipo.
Sergio era o mais profundo e suas ações eram dignas de um aluno exemplar, ele passava a aula toda testando quantas aulas um aluno pode dormir sobre a mesa sem ser chamado sua atenção por um professor. Ele estava sempre com olheiras inexplicáveis pois passava o tempo todo dormindo, essas olheiras cobriam todo o seus olhos negros. Graças ao seu penteado seus olhos quase nem apareciam sobre sua despenteada franja negra como o restante do cabelo.
Eu quase não sou notado na aula, me sinto só mais um no mundo. Alguém indiferente que representa pouco aos mais próximos, mas mesmo assim sou reconhecido como “aquele garoto normal” geralmente zoado pelo Sebastian e companhia, o garoto mais popular da sala que tem cabelos cinza e olhos azuis escuro . Socialmente posso até parecer um pouco estranho, porém como um Garoto normal já me apaixonei por uma garota que quase não nota isso. O nome dela é Judy Tokomoho, ela também não é a garota mais popular da sala mas suas ações diante dos outros me encantam. Além de ser bonita com seus belos cabelos castanhos e médios com um franja da esquerda para a direita , e olhos castanhos cobertos pelo seu óculos vermelho em forma de coração ela possui uma grande personalidade e muitas vez me faz rir por dentro.
Eu sou considerado um colega bem querido dela, pelo menos foi isso que sua melhor amiga Carmene me falou ao lado de outra amiga dela a Anika. Sempre quando consigo tento conversar melhor com ela, e estou disposto para ajuda-la quando necessário. Mas às vezes eu acho que tenho mais afeição do que realmente paixão por ela. O que será que eu realmente sinto por ela?
A minha vida podia ser considerada perfeita apesar de meus pais serem divorciados, e eu morar só com o meu pai enquanto minha mãe vive na França, porém a partir do primeiro dia de aula ela mudou radicalmente.
Tudo começou com...
Dia 2 de fevereiro, a meia noite.
Como todas as noites tornei a descer as escadas em busca de um copo de água para satisfazer minha sede desfazendo a aridez dos meus lábios. Desci lentamente e silenciosamente as escadas para não acordar o meu pai, e senti um arrepio sob todo o corpo como se alguém estive-se me observando, ignorei essa sensação. Após tomar a água me refrescando vi um vulto passageiro fora de casa através da porta de vidro da sala, que da cozinha dava para avistar como se tivesse rodeando a casa. Me espantei com o coração a mil e corri para ver se tinha alguém, mas não tinha ninguém. Isso já não era novidade, desde o ano passado eu vejo vultos me perseguindo e me sinto sendo observado com uma frequência assustadora. Sempre quando isso acontece eu vou correndo ver se tem alguém lá, mas nunca vejo nada nem ninguém. Até mesmo no meu quarto sob tantos lençóis com portas e janelas trancadas, e cortina fechada, me sentia o tempo todo sob vigia de alguém. Afinal será que estou louco ou realmente tem alguém me vigiando? E se tem quem será?
No dia seguinte fui ao primeiro dia de aula do nono ano, turma 3 da classe 7 do colegial Castelo Branco, o colégio mais antigo da cidade. Naturalmente eu entrei na sala calado e observador com meu cabelo castanho quase que perfeitamente arrumado. E logo notei que o ventilador de teto estava mais uma vez quebrado, parecia azar da minha turma sempre pegar a sala com o ventilador defeituoso. Mas parecia que não era um dia comum na classe 7, todos estavam calados com uma expressão triste no olhar, eu não sabia o que estava acontecendo lá, mas aparentemente não era aquela mesma sala barulhenta, onde todos estavam eufóricos para escolher o tema da formatura. Notei que mesmo sobre aquele silencio profundo alguns estavam cochichando e outros se debatendo sobre algo.
Esses cochichos me incomodavam, era como se eu não compreende-se o que estava acontecendo. Tanto que as melhores amigas Judy Tokomoho e Carmene Adier mal se falavam, as irmãs Anika e Charlote Buckholz pareciam completas estranhas, até mesmo meus amigos mais próximos estavam estranhos entre si .A única que não mudou nada mais ainda era estranha era Ketherine Dreschler, que desde a morte de seus pais ela nunca mais foi a mesma, ficou aparentemente mais fechada e dura em comparação aos anos passados que ela era considerada a mais popular, bonita e melhor nos esportes da sala com seus longos cabelos negros, pele clara e belos olhos lilás. Mas mesmo assim não é de hoje que ela vive cochichando algo para sua melhor amiga Kora Ebertz, uma garota com cabelo ruivo ondulado, pele pálida e olhos vermelhos, com personalidade bastante humorada. O que será que tanto cochicham?
Quando eu olhei para Ketherine ela me mandou um olhar indiferente, nada que me surpreenda ela esta sempre assim “esquisita”. Seus olhos lilás parecem ser vazios e sufocantes, algo que contrasta com sua nova personalidade.
No recreio meus amigos mal tocaram na comida, mas também não falavam nada, esse silencio estava me assustando. Eu tinha vontade de perguntar o que estava acontecendo, porem acho que eles não estavam no clima de responder.
Naquele dia no caminho de casa tive novamente aquela sensação estranha de estar sendo observado, mas nem liguei, já estava até me acostumado com isso. Logo cheguei em casa passei o dia todo de bobeira pensando sobre tudo que aconteceu, até mesmo sobre os vultos que tanto me perseguem. Por que será que não tive coragem de perguntar o que realmente estava acontecendo? Talvez acho que eu temia a resposta.
A noite foi estrondosa com trovões, raios e muita chuva violenta. Era tanta a chuva que mesmo no dia seguinte ela não tinha acabado, essa chuva acabou me prejudicando porque eu estava com tanto sono que me atrasei um pouco.
Quando entrei na sala meu sono já tinha passado e todos estavam exatamente como ontem. Demorou uns 30 minutos até que a professora April Santieviz de português chegou, ela estava toda encharcada como se tivesse passado por um tsunami. Ela se sentou, apoiou a bolsa sobre a mesa e nos observou com um olhar possessivo durante uns 15 minutos, e de repente falou com a voz alterada:
Prof.: Vamos jogar um jogo?
Sara falou: Mas que tipo de jogo?
Prof.: Hum...Deixa eu pensar, que tal um de sobrevivência?(falou com um sorriso irônico)
Zoe: Isso é uma suposição né?
Prof.: Pode ser! Mas afinal o que seria certo ou errado nessa situação?
Karlo: Situações urgentes pedem medidas urgentes, pelo menos é o que dizem.
Prof.: Parabéns Karlo! É quase isso, mas ainda não responderam minha pergunta.
Lui: Mas o que isso tem haver com português?
Prof.: Hoje vocês receberam o paradidático, boa sorte!(falou descartando a fala de Lui)
Após essa conversa a professora April saiu imediatamente da sala enquanto a campa bate para a troca de professores. Logo o recreio chegou e eu e meus amigos conversamos sobre o ocorrido na aula de português:
Gonick: O que aquilo queria dizer?(falou, levantando seus óculos como sinal de seu debate pensativo ou ideia)
Lui: Aquilo foi a maior idiotice!
Sergio: Ela tá é doida!
Eu: Ela sempre foi estranha mas aquilo foi esquisito demais, esse tipo de coisa só acontece na classe 7. Mas porque classe 7, e não classe 3 como deveria ser?
Gonick: Sakashi você sempre tem muitas perguntas em mente.
Sergio: Desde sempre foi assim, dizem que foi um erro de escrita dos primeiros donos do colégio, e até hoje não resolveram mudar.
Lui: Mas que erro hein?
Sergio: Acho que é verdade, não tem nenhuma outra explicação provável.
Lui: Pensei que o esperto aqui fosse o Gonick. Afinal Gonick você não vai dar aquelas suas enormes palestras para expressar sua opinião?
Gonick: Hoje não, ainda estou pensando nas loucuras da aula de português.
Após a aula voltei para casa pensativo. Logo almocei, fui para o quarto e entrei no meu mundo das perguntas, mas agora estava entrando em foco nos vultos que andam me perseguindo. Estava amedrontado após refletir sobre os vultos quando ouvi o som da campainha, e fui correndo para atender. Quando abri a porta não tinha ninguém, tinha apenas uma encomenda anônima sobre o chão com destinatário para mim. Fui correndo para o meu quarto, e rasguei o pacote enquanto entrava, aquele estranho pacote era um livro fino ,marrom e de capa dura, com a escrita na capa ”Livro do jogador”. Esse livro tinha regras e instruções que comecei a ler uma por uma.
Regras:
1-O jogo começa desde o momento que o jogador receber o livro.
2-Se o livro for danificado ou destruído o seu dono pode morrer ou arcar com as consequências dependendo do que aconteceu.
3-Todo nome de jogador que aparecer no livro, o dono do nome deverá ser eliminado em pelo menos uma semana, se não o dono deste livro morrerá em seu lugar.
4-Toda vez que matar um jogador seu rosto será roubado e depositado neste livro do jogado, como prova da morte.
5-O jogo não poderá se exposto diante pessoas que não estejam envolvidas de algum modo no jogo, se não este morrerá e terá o rosto roubado.
6-O vencedor do jogo se tornará um Rei Negro durante o tempo necessário.
7-O jogo acontece de 15 em 15 anos.
8-As demais regras serão desenvolvidas ao longo do jogo.
Eu li aquilo, mas não estava acreditando. Será que isso é real? Não pode ser, isso é impossível, improvável, ilógico......... Ou será que não?
Passei a noite em claro, me debruçando de um lado para o outro pensando o que aconteceria se isso realmente fosse verdade. No outro dia fui para a escola muito incomodado com o acontecido, eu precisava de uma prova que isso pode ser real.
Quando entrei na sala estavam todos nervosos aparentemente suando frio como eu, parecia que eu não era o único que tinha recebido tal livro.
Pouco antes de começar a aula Luiz korneh subiu em cima da mesa do professor se destacando diante de todos até mesmo da professora Mary de matemática que estava entrando na sala. Ele em um tom alto de lá falou:
– Estão tentando nos botar medo com esse tal de “Livro do jogador”, e vocês ainda estão acreditando numa coisa dessas. Vocês acham mesmo que ficar em silencio vai resolver alguma coisa, acho que quem fez isso queria só nos amedrontar nos fazendo lembrar do ocorrido de 15 anos atrás. Vamos nos revoltar contra quem fez isso! Agora!
Durante os cinco primeiros segundos desde que ele falou isso a sala ficou devastada por um silencio gritante, e o primeiro som que ouvi foi um “creck” vindo direto do ventilador de teto que se de desprendeu em pleno movimento, e caiu esmagando e automaticamente matando Luiz. Seu sangue se espalhou pela sala como um balde d’água derramado sobre o chão frio e liso.
Eu fiquei perplexo e mais amedrontado do que já estava, podia ter sido uma mera coincidência porem quando fui ver seu rosto não estava mais lá.......... Tinha sido roubado!
A turma toda gritou e ficou apavorada do que tinha acabado de acontecer diante de nossos olhos. Agora sim eu tinha a prova de que aquilo era real, e eu imaginava o impacto que isso ia causar na sala.
Mas uma vez notei que Ketherine tinha uma reação oposta a sala, ela encarou bem a morte de Luiz e olhou para o corpo dele com indignação.
Será que o ocorrido de 15 anos que ele falou é o motivo por todos estarem estranhos no primeiro dia? E afinal que incidente foi esse?
Minha sala tinha 34 alunos separados em 10 grupos distintos, imaginei como seria os dias de aula a partir daquele dia. E como a insanidade podia possuir muitos dos meus colegas de classe.
Após o incidente eu retornei para casa mais nervoso do que nunca, porque afinal agora estou em um jogo de sobrevivência e posso ser o próximo a morrer a qualquer instante. Quando cheguei em casa corri para o quarto trancando portas, janelas, fechando a cortina e peguei o Livro do jogador o folheando e senti um alívio por ainda não ter nenhum nome. Eu sabia que o que estava escrito no livro era verdade mas mesmo assim, demorou para mim acreditar nisso.
Depois que me senti mais seguro em casa, eu procurei um bom esconderijo para o meu Livro do jogador. Estava difícil de arranjar um esconderijo realmente bom, até que vi um fundo falso na estante de baixo atrás do livros de física quântica, sei que não era um esconderijo tão bom quanto o esconderijo do death note no anime Death note, mas dava pro gasto. Afinal quem se interessa em livros de física?
Anoite apreciei a lua, estrelas, e tudo que ainda me fazia sentir com a normalidade em dia. Mas parecia que podia ser a última noite estrelada que presenciaria na minha vida, pois sou tão fraco em relação aos outros.Sou apenas mais um que não faria diferença se estive-se vivo ou morto.
No dia seguinte quando fui a escola não me surpreendi ao ver que todos ainda estavam em choque, mas o diretor e professor Jack que já tem uma certa idade estava na sala ocupando o espaço que seria de matemática com a professora Mary.
Ele já falou que ela tinha ficado em choque após a morte de Luiz e se demitiu, pois nunca mais iria conseguir dar aula naquela sala. Também falou que a professora April havia sumido, e o restante dos professores estavam com medo de dar aula na nossa classe da escola por isso ele daria todas as aulas a partir daquele dia.
Jack era um pouco estranho, não falava muito e suas aulas eram muito objetivas, além disso ele tinha uma caneta negra com detalhes prata escrito “Karlay” muito bonita e antiga que nunca usava, porem sempre apreciava ela como uma amante. O que mais chamou minha atenção foi que ele após iniciar a chamada pegou a caneta e a usou pela primeira vez para riscar por cima do nome de Luiz, ele a usou tão levemente como uma pena que até parecia que era natural usar essa caneta diariaente.
Quando o recreio chegou fui em direção aos meus amigos que eu sabia que podia confiar neles, todos na mesa do lanche ficaram calados mal se encarando nos olhos, quando eu tomei coragem e gaguejando falei:
–Vocês sabem me dizer o que foi que ocorreu a 15 anos atrás?
– Você faltou nos últimos dias de aula do ano passado, não foi?- falou Lui.
–Sim, estava doente. Porquê?
– Aconteceram muitas coisas, e ouve um boato sobre o que aconteceu na classe 7 para ela ter sido reformada há 15 anos atrás. – falou Lui.
–Que boato?
– O boato era que no primeiro dia de maio daquele ano a sala foi encontrada com amontoado de corpos sem face, arranhões de faca e escrito com sangue: “15 anos se passaram e a chacina irá se repetir se o culpado não pagar pelo seu erro”. Nós estávamos debatendo sobre isso no final do ano passado, e mesmo nesse ano muitos estão com medo, principalmente depois da morte do Luiz.- Falou Gonick
– Eu não estou mais aguentando ficar calado. Será que essa chacina vai acontecer de novo? Eu sei que não fui o único que recebi o livro do jogador, então vamos falar sobre o que realmente importa!- falou Sergio com a voz alterada.
– Você não tem medo de morrer por estar falando isso?- Falou Lui.
– Ele não precisa temer, segundo a regra 5 não tem nenhum problema nos sabermos disso. Porem seria melhor não falarmos desse assunto.- Falou Gonick seguro do que dizia.
– Ok!- falou Sergio.
Por fora eu parecia calmo, mas na verdade eu estava sufocado com vários questionamentos.
Parte do caminho de volta para casa estava interditado, então tive que ir pelo caminho mais longo. Quando estava indo tive que passar por perto de um beco estranho e escuro me tremendo, e de repente senti algo me segurando contra a parede e senti uma faca tocando de leve minha garganta. Sim eu estava sendo assaltado! Pensei que fosse morrer, mas eu ouvi um suspiro dele e em seguida ele caiu no chão largando a faca e eu. Quando me virei deu para ver seu corpo no chão com uma faca atravessando- lhe, eu vagarosamente fui subindo o olhar que chegou até a face de Ketherine que estava com gotas de sangue no uniforme.
Fale com o autor