A Chave do Destino
1 Parte I
O despertador estava tocando pela segunda vez e o jovem Shion ainda não acordara. Shion era um jovem de 19 anos que morava sozinho, numa pequena casa. Frequentava o cursinho no período da manhã e trabalhava numa lanchonete no período da tarde, onde fazia o melhor café de toda a região onde a mesma estava instalada. Mas nesse instante ele está atrasado.
– Droga Shion, você nunca consegue acordar na hora certa? Já são sete e meia — Ele dizia pra si mesmo enquanto tentava vestir a calça e os sapatos ao mesmo tempo.
Arrumou-se às pressas e saiu de casa sem tomar café e com a camiseta do colégio ao avesso. Por pouco ele não perdeu o metrô que ele sempre pegava para ir ao centro da cidade onde ficava sua escola e seu trabalho.
O trajeto demorava por volta de quinze minutos, e nesse meio tempo Shion observava os outros passageiros. Via que alguns estavam lendo o jornal, enquanto outros ouviam músicas em seus celulares, o que chamou mais atenção foi um senhor de idade que olhava para os peitos e a bunda de uma jovem que estava em pé na sua frente, ele estava paralisado e só faltava começar a babar. Ele sorriu e pensou consigo “Parece que alguém por aqui ainda tem fogo ardendo”.
Já eram oito em ponto e Shion estava dentro do prédio onde funcionava a escola, estava indo de encontro com seus amigos.
– Shion, você está em cima da hora de novo pra variar — Riu Kaito, seu amigo mais recente.
– Pff... Não enche Kaito, eu trabalhei até tarde de novo — Soltou um bocejo tão grande que seus olhos negros lacrimejaram.
– Como consegue achar tempo pra você? E pra sua namorada, Shion? — Perguntou Naoto, irônico.
– E-EU NÃO TENHO NAMORADA, VOCÊ SABE MUITO BEM SEU ENGRAÇADINHO. E VOCÊ NÃO DEVE EXPOR A VIDA PESSOAL DE ALGUEM ASSIM, É CONSTRANGEDOR!- Shion gritou com Naoto, e ao mesmo tempo suas bochechas coraram de vergonha. Shion ficava envergonhado muito fácil.
– Calma Shion — disse Naoto com um sorriso lindo no rosto – Só estou te enchendo.
E nisso agarrou Shion no meio do pátio da escola, que começou a gritar e resmungar algo incompreensível, vermelho como pimenta.
– Venha cá meu amiguinho, deixa eu te abraçar – Naoto dizia para Shion com um grande sorriso, nos lábios e nos olhos.
Shion tentava sair dos braços de Naoto, mas ele era maior e mais forte. Mas aquele abraço não era algo ruim, Shion se sentia confortável nos braços de Naoto, aquecia todo o corpo dele naquela manhã fria, era muito bom. O sinal tocou, e todos foram pra sala de aula.
O último sinal do período tocou, e isso indicava que Shion deveria ir almoçar e depois ir para seu trabalho. Quando estava descendo as escadas, Naoto chegou por trás de Shion e apalpou sua bunda. O que fez Shion pular num susto, avermelhar suas bochechas e sair correndo atrás de Naoto gritando:
– NA-O-KUN, SEU TARADO, EU VOU MA-TAR VO-CÊ!
– Na-na-na-na-na, você não me alcança Shion! – Ria e cantarolava Naoto muito à frente de Shion.
Shion não alcançou Naoto. Cansado da correria comprou um sanduíche e um chá, porque ainda estava um pouco frio, para o almoço e foi para o trabalho. Seu chefe, Satoshi permitia que ele almoçasse no trabalho. Satoshi era um homem que já passava dos 60 anos, era dono da lanchonete onde Shion trabalhava. Apesar de ser rígido, tinha um grande coração e via em Shion o filho que ele não teve. Tinha certa rigidez com o modo que era preparado o chá em sua lanchonete. Só se colocava um cubo de açúcar na xícara de chá que era servida aos clientes, ele se exaltava se um dos funcionários colocasse mais açúcar.
– Y-U-K-I-CHAN, VOCÊ COLOCOU MAIS DE UM CUBO DE AÇÚCAR NO CHÁ DOS CLIENTES DE NOVO? – Gritou Satoshi da cozinha, e Yuki sentiu seu corpo todo tremer.
Yuki era colega de trabalho de Shion, era uma menina meiga, porém atrapalhada, mas ainda sim de bom coração. Ela achava que o chá ficava muito amargo com apenas um cubo de açúcar, então colocava mais.
– M-Mas Satoshi-san, o chá fica amargo demais só com um cubo – Disse ela com os olhos arregalados e olhando para o velhote baixinho e encarado na sua frente.
– VOCÊ QUER QUE SATOSHI FIQUE POBRE? – Disse o velho.
– N-Não, Satoshi-san.
– ENTÃO COLOQUE APENAS UM CUBO DE AÇÚCAR NO CHÁ!
E saiu resmungando de volta para cozinha. Shion tinha terminado o almoço, e partiu para seu posto de trabalho atendendo aos pedidos e fazendo o café tão maravilhoso que ele sabia.
A lanchonete estava quase cheia, clientes chegavam e se sentavam, dentre eles um homem alto e de terno que veio até Shion pedir um café.
– Boa tarde, mocinho, eu gostaria de um café – Disse o homem com um sorriso lindo no rosto.
Shion que ainda não havia prestado atenção direito no homem a sua frente anotou o pedido, e olhou pela primeira vez para o homem. Ele começou a se sentir quente, mas não era o vapor da máquina de café, esse calo vinha de dentro dele e saía por suas bochechas que ficaram vermelhas instantaneamente. O homem tinha um sorriso lindo, e olhos mais lindos ainda. Ele só sentia aquilo, aquele calor e seu coração acelerando quando Naoto o abraçava.
– C-Claro senhor... O senhor deseja mais alguma coisa? – Shion não conseguia parar de olhar para o sorriso do homem à sua frente.
– Um sorriso seu seria perfeito para acompanhar meu café — Disse o homem.
Shion corou, não só as bochechas, mas também o rosto todo dessa vez. Engoliu seco e gaguejou:
– C-Como!?
– HAHAHAHA, brincadeira. Eu gostaria de algumas dessas rosquinhas também – Apontou o balcão logo ao lado onde estavam as rosquinhas.
Shion deu um riso, que mesclava alívio e susto.
–Claro, aguarde um minuto que o café já ficará pronto, senhor.
Nisso o homem sentou sozinho em uma mesa.
Yuki levou o café e as rosquinhas para o homem, e voltou para trás do balcão puxando Shion para o canto.
– Quem é aquele, Shion?
Shion ficou rubro.
– Nunca vi antes.
– Porque ficou vermelho quando eu perguntei dele, Shion? Você o acha bonito?
Mais uma vez Shion engoliu seco.
– P-POR QUE ESTÁ FAZENDO ESSAS PERGUNTAS BOBAS YUKI!? EU ESTOU VERMELHO POR CAUSA DO VAPOR DA MÁQUINA!
– Ok, ok! Não está mais aqui quem perguntou! – Disse Yuki espantada e se desculpando, com uma risadinha fraca.
O homem terminou de comer e veio até Shion para pagar.
– Seu café é delicioso. Eu não esperaria menos, algo feito por alguém tão bonito tinha que ficar muito bom.
A temperatura de Shion deve ter chegado aos cem graus nesse momento.
– O-O-Obrigado, s-s-senhor!
Ao fundo podia ouvir-se a risada de Yuki.
O homem deu aquele sorriso lindo para Shion de novo, pagou sua conta e foi embora.
O dia passou rápido, Satoshi gritou mais três vezes com Yuki por causa do açúcar e Shion ficou pensando naquela sensação que teve quando foi abraçado por Naoto, e de quando viu o homem, que ele nem sabia o nome. E com isso chegou o fim do expediente. Shion estava atrasado como sempre, correu até a estação para pegar o metrô, mas no meio do caminho trombou com um homem que vinha em sua direção. Ele se desculpou e continuou correndo.
O metrô estava quase vazio desta vez, já era quase dez da noite. A viagem durou os mesmos quinze minutos. Ele estava muito cansado, desejando tomar um banho e dormir. Parou diante a porta, e procurou suas chaves no bolso da jaqueta. Mas elas não estavam lá.
– SHION SEU IDIOTA, VC PERDEU A CHAVE DA PRÓPRIA CASA? COMO VAI ENTRAR AGORA? – Gritou para si mesmo.
Ligou para Naoto, pra passar a noite na casa dele.
Naoto aceitou na hora.
Naoto também morava sozinho.
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