Notas iniciais
Ai, que insegurançaaaaaaaaaa... espero que não se decepcionem... cruzando os dedinhos!

Sentado em seu escritório, Finn olhava fixamente para o delicado brinco de pérola e brilhantes, que quase sumia entre seus grandes dedos.

Era quarta-feira de manhã, o que significava que ele tinha sobrevivido há mais de uma semana sem ver ou falar com Rachel, e conseguido cumprir a promessa de não mais chorar por ela. Além disso, tinha passado ileso pelo almoço com Santana, na terça, durante o qual ela tinha tentado dar algumas indiretas sobre o assunto, mas, felizmente, graças às câmeras, não tinha podido insistir para que ele não desistisse de Berry, como ele tinha certeza que ela gostaria de fazer.

O destino, porém, parecia estar contra ele, mais uma vez, e, quando ele pensara que a semana correria normalmente, sem nada em especial que pudesse lembrar-lhe da mulher que amava, ele tinha sido surpreendido duas vezes seguidas. A primeira delas, logo que chegara a seu apartamento na terça-feira à noite, quando a Sra. Glover, sua fiel governanta, entregara a ele um brinco que uma das empregadas achara caído no sofá da sala íntima. A joia era obviamente de Berry, o que trouxera lembranças nítidas do momento que ele mais queria esquecer.

Ele tinha passado boa parte da noite pensando se deveria mantê-la como um souvenir, mas acabou concluindo que isto seria estranho, inadequado, até um pouco obsessivo de sua parte. Porém, por outro lado, não sabia como poderia fazer para devolvê-la, sem colocar a garota em uma situação desconfortável e, por mais chateado que estivesse com ela, ele não conseguia agir como um babaca qualquer e expor Rachel a nenhum tipo de incômodo, quando poderia evitá-lo.

Acabara se decidindo por enviar o objeto para a casa dela, por um mensageiro, sem qualquer identificação, como tinha feito com a caixinha de música, depois do retorno de Paris. Iria pedir que Harmony cuidasse disso, quando veio a segunda surpresa da semana relacionada a Rachel, e seus planos acabaram esquecidos.

Em um telefonema rápido, naquela manhã, seu produtor de programas relacionados a esportes havia lhe informado que vários lutadores compareceriam à reunião que estava marcada para discutir a transmissão do campeonato de MMA pela GHShow, e não somente o presidente do UFC. Seria a primeira vez em que a TV aberta transmitiria o evento, graças às negociações que Finn vinha fazendo para fundar canais de TV por assinatura, criando a Rede GH e ampliando seus negócios. Em razão disso, os envolvidos com o esporte tinham feito questão de comparecer, para apertar as mãos dos "caras do showbiz".

É claro que Finn acompanhava a carreira de Puck, apesar de não falar com o amigo havia muitos anos. Depois de sua mudança de NY para LA, os dois tinham feito poucos contatos, porque era muito doloroso para Hudson lidar com coisas que constantemente lembrassem Rachel. Aos poucos, ele foi parando de telefonar para Puck ou de mandar qualquer tipo de mensagem, e o outro o entendeu e não forçou a barra. Então, havia bastante tempo que eles não se falavam, mas isso não significava que Finn não torcesse demais por aquele que, um dia, tinha sido não somente seu quase cunhado, como também um verdadeiro irmão.

Portanto, Hudson sabia que Noah Puckerman estaria em Vegas, no final de semana, para lutar, e, assim que escutou de seu produtor que eles receberiam lutadores na reunião, imaginou que veria o antigo companheiro novamente, em seu escritório, naquela manhã. Isso fez com que ele acabasse pensando ainda mais em Rachel, ao rememorar momentos emocionantes, divertidos e também difíceis por que os três tinham passado juntos.

Assim, sem sequer perceber, ele acabara daquele jeito, esperando a chegada de todos os convidados para a reunião, com o brinco dela na mão e o olhar fixo nele, mas a cabeça completamente longe dali. Ficara naquela posição por minutos, até ser tirado de seus devaneios por Harmony, que entrou em sua sala avisando sobre a chegada das pessoas que ele estava aguardando.

Finn foi apresentado pelo produtor de TV ao presidente do UFC, e pelo presidente aos lutadores. Ele e Puck se abraçaram, como os velhos amigos que eram, e surpreenderam os demais, ao informar que se conheciam há anos e tinham até morado sob o mesmo teto. A reunião correu muito bem e, em mais ou menos uma hora e meia, todos os detalhes sobre a transmissão das lutas estavam acertados.

"Você tem algum compromisso agora, cara?" Perguntou Finn a Noah, enquanto os demais se despediam. "A gente podia almoçar e colocar o papo em dia, se você não tiver ocupado."

"Não... eu nem to, cara. Não agora... só lá pelas quatro."

"Beleza!" Disse, animado. Sentia muita falta de Puck para perder a oportunidade de passar um tempo com ele, principalmente agora que evitá-lo não trazia benefício algum, visto que a própria Rachel estava por perto de novo.

Os dois acabaram, poucos minutos depois, em uma mesa de canto de um restaurante não muito requintado. Puck sempre fora um cara de gostos simples, e Finn continuara mantendo hábitos simples, mesmo depois de ter-se tornado um milionário. O canto, por sua vez, tinha sido escolhido em razão de ambos estarem no rol da fama, mas não quererem lidar com pessoas pedindo para tirar fotos e pegar autógrafos, naquele momento. Eles queriam, afinal, saber um sobre a vida do outro, falar besteira juntos, comer e beber em paz.

"Você já esteve com a sua irmã?" Finn perguntou, de repente, depois de terem conversado por quase duas horas sobre a vida de cada um e lembrado de algumas coisas engraçadas da juventude, sem tocar no nome dela uma única vez. Estavam pagando a conta, porque ambos tinham compromissos e Hudson já havia, inclusive, recebido várias mensagens de seus assistentes, pois já estava atrasado para a próxima reunião.

"É... eu... não, eu cheguei hoje. Eu vou jantar na casa dela, mais tarde." Puck disse, sem jeito, pego de surpresa, pois sequer sabia que Finn tinha conhecimento da volta de Rachel para os EUA.

"Ótimo. Então, você pode entregar isso aqui pra ela, em vez de eu mandar pelo correio." Disse, entregando-lhe uma caixinha bem pequena, o que Puck esperava menos ainda. Ele pensou que Finn tinha rodeado, e rodeado, para enfim perguntar por Rachel, querer saber como ela estava. Jamais imaginou que ele fosse mandar algo para ela, por meio dele.

"É um... presente pra Rach?"

"Não." Respondeu, seco. "É algo que ela deixou cair... e eu to devolvendo. Ia mandar pelo correio, mas..."

"Deixou cair? Você esteve com a Rachel?" Puck estava cada vez mais surpreso e não conseguia esconder.

"Sim... a gente se reencontrou. Coisas de trabalho." Tentou se mostrar indiferente, mas ele não encarava o amigo, e o outro o conhecia bem o suficiente para saber que isso significava que ele estava escondendo alguma coisa.

"Só coisas de trabalho?" Perguntou, franzindo a testa.

"Pra ser franco com você, Puck, eu até imaginei que poderia ser mais!" Disse, bem irritado. "Eu meio que tinha perdoado a sua irmã, por me deixar plantado num cartório, fazendo papel de idiota, na frente de todo mundo. Achei que tinha sido coisa da idade, que ela tinha ficado com medo, sei lá. Mas, quando eu falei isso pra ela, você não imagina a reação que ela teve, cara! Ela saiu igual a um foguete do meu apartamento, dizendo que não sabia porque perdia tempo comigo... que eu tava falando como se eu não tivesse merecido."

Noah sentiu a respiração presa na garganta, o coração disparado, as mãos tremendo. Ele nunca imaginara que passaria por aquele momento, um dia, que teria que tomar uma decisão tão difícil na vida como a que precisaria tomar naquele dia. De qualquer forma, se ele decidisse contar o que sabia, não seria com Finn que ele teria que conversar primeiro, e sim com Rachel, que era a irmã dele, a sua família, o seu sangue. Então, ele apenas continuou ouvindo, até porque Finn estava nervoso e falava rápido, sem demonstrar querer resposta.

"Como eu posso ter merecido? Como, se tudo que eu fazia era amar a Rachel? Se tudo que eu fazia era pensar nela, na gente, na nossa vida juntos?" Finn sentiu que ia chorar, então bebeu um gole de água, antes de terminar, um pouco mais calmo. "Será que ela acha mesmo tão errado assim eu ter escolhido não ir pra um lugar onde eu ia ser só o marido dela, bancado pelo pai dela, sem perspectiva nenhuma, sem..."

"Cara, eu tenho certeza que não!" Falou sincero Puck, batendo no ombro dele e se levantando. Já tinha tomado uma decisão, mas, antes de agir, ainda tinha seu compromisso de trabalho, que não poderia ignorar. "Me desculpa por não poder ficar mais, mas eu tenho certeza que vai ficar tudo bem." Assegurou e Finn assentiu, apesar de jurar que a afirmação do amigo era pura retórica de consolo.

O fato, no entanto, é que não era. Puck estava falando sério, ao dizer que tudo ficaria bem. Claro que ele não tinha como ter certeza de que Finn e Rachel ficariam juntos, porque isso dependeria deles e de muitos fatores, como, por exemplo, o envolvimento de Finn com a tal menina do programa, de quem ele afirmou que ficaria noivo no dia seguinte, e se Rachel estava se relacionando com alguém ou não, depois de terminar com Sam. Contudo, ele tinha certeza de que saber a verdade seria melhor para os dois, do que um achar que o outro era uma pessoa sem coração ou consciência.

Puckerman pensou no assunto, e em como abordá-lo, a tarde toda, e não se aguentava mais de ansiedade, ao entrar no apartamento da irmã, naquela noite. Logo depois de trocar com ela um abraço apertado e longo, tão desejado por ambos (e que ele temia que fosse o último carinho que receberia dela na vida), ele pediu que ela parasse de cozinhar e se acomodasse com ele no sofá da sala, pois tinha algo sério para lhe dizer.

"O Finn te mandou isso." Ele disse, entregando a ela a pequena caixa.

"Eu não quero nada que venha do Finn." Ela disse, seca, ameaçando se levantar.

"Espera." Ele a segurou pelo pulso. "Pega. É só um brinco seu, que você deixou cair, quando vocês se encontraram, e ele achou." Ela pegou a caixa e examinou o conteúdo, colocando o brinco na mesa de cabeceira, para guardar depois. "Como foi esse reencontro de vocês, Rach?" Perguntou o irmão, com delicadeza.

"Eu não quero falar sobre isso, Noah!" Falou, irritada."Se ele te mandou..."

"Ele não me mandou nada." Ele interrompeu, seguro. "Ele não mandou, nem pediu... a não ser pra eu trazer seu brinco. Sou eu que quero saber, Rach... como foi esse reeencontro... o que você sentiu... se você, ainda... se você ama o Finn."

"O que importa isso, Noah? Sério! O que importa? Ele me traiu! Na véspera do nosso casamento! Com a nossa prima, Noah!" Suspirou. "E o pior de tudo é que eu poderia perdoar isso... confiar nele de novo, porque os anos passaram... e ele era um garoto, mas agora é um homem. Eu cheguei a achar que ele tinha só cometido um erro, porque era imaturo, e se deixou levar. Só que ele nem acha que errou! Ele falou em ME perdoar, como se eu tivesse que ter entrado naquele cartório e me casado com ele, mesmo depois do que eu vi."

"Isso é porque ele não faz ideia do que você viu." Falou baixo, quase com medo do que tinha para contar. Ele nunca contaria se eles não tivessem se reencontrado, se não fosse relevante.

Existia uma grande chance de sua irmã não entender sua opção anterior pelo silêncio, por isso ele estava receoso, reticente. No entanto, a reação dela demonstrara que ela ainda amava Finn e que toda a história ainda a afetava muito, por isso ele teria que se sacrificar, em prol da verdade e, quem sabe, até da felicidade da irmã e do melhor amigo que ele já tivera.

"Como assim?" Ela perguntou, confusa.

"Ele não sabe o que você viu, porque a nossa mãe foi ao cartório e disse a todos nós que você não queria mais se casar... que você tinha decidido ir estudar em Londres e, inclusive, já estava no avião. Falou isso pra mim, pro seu pai, pro Ravid... e fui eu mesmo quem deu a notícia pro Finn."

"Eu... não to entendendo, Noah."

"Rach..." Ele respirou profundamente e olhou nos olhos dela. "Armaram pra vocês. Ou melhor... a nossa mãe armou pra vocês."

"O que?"

"Me escuta, Rach. Me escuta, porque talvez você me odeie por isso, mas eu não ligo. Eu não posso guardar mais isso. Você lembra quando eu fui te visitar pela última vez em Londres?"

"Claro! Você chegou de surpresa..."

"Eu fui pra te contar tudo que eu vou te contar agora, mas, quando eu cheguei lá, você tava super feliz com o Sam... você tava bem, como eu não te via há muito tempo... e eu achei que eu ia estragar a sua felicidade com esse assunto, sem necessidade nenhuma." Segurou a mão dela. "Eu me arrependo, Rach. Eu devia ter contado, eu...TINHA que ter contado. O Finn NUNCA traiu você."

"Não pode ser... eu vi." Ela falou, quase em um suspiro.

"Antes de ir a Londres, eu tinha ido a NY, e saído com o Saul, e ele tinha ficado muito, muito bêbado." Falou, se referindo a um dos primos dos dois, filho de uma irmã de Shelby. "No auge da bebedeira, ele começou a chorar do nada, e disse que se arrependia de ter feito o que a tia dele tinha pedido... que ele se odiava pelo que ele tinha feito pra você e pro Finn. Aquilo ficou na minha cabeça e, no dia seguinte, quando ele tava sóbrio, eu fiz com que ele me contasse."

"Contasse o que?" Questionou, aflita.

"Que a nossa mãe só fingiu que se conformava com o seu casamento com o Finn. Ela viu que tentar te convencer não ia levar a nada, então fingiu aceitar. Mas ela sempre ia pra casa da tia Sarita e ficava lá horas e horas, reclamando... e a Debbie sempre lá ouvindo. E a Debbie foi outra que jamais se conformou porque o Finn nunca deu a menor atenção pra ela, mesmo ela não sendo nada sutil quando se oferecia pra ele. Eram duas pessoas querendo separar vocês... e nossa tia e nossos primos dispostos a fazer qualquer coisa pelas duas."

"Mas eu VI o Finn e a Debbie completamente nus na cama dela, Noah... não foi a minha mãe quem me contou... e nem o Saul."

"O Saul e o Sid foram levar o Finn em casa naquela noite, e a nossa mãe sabia que isso ia acontecer, porque eu e o Ravid fomos beber com eles, mas íamos sair pra namorar depois. Eles colocaram um remédio forte na água do Finn, quando chegaram lá em casa, pra ele ficar BEM apagado, e carregaram ele pra cama da Debbie." Lamentou.

"E a nossa mãe me levou pra dormir com ela, na casa deles, com a desculpa de que, se eu ficasse em casa, eu ia me enfiar no quarto do meu noivo." Ela disse, devagar, entendendo tudo, e lágrimas começaram a brotar em seu rosto. "Como eu não desconfiei quando ela me levou pra dividir o quarto com uma prima que nunca gostou de mim?" Ficou pensativa por uns momentos, recordando detalhes daquela noite, e viu que a história fazia sentido. "Como eu não desconfiei quando eu chamei o nome do Finn e ele nem se mexeu... e a nossa mãe saiu me puxando e dizendo que era melhor eu nem falar com ele, e cuidar da minha vida?"

"Você tinha dezoito anos e, como você mesma disse, você VIU o Finn lá, deitadão, com outra do lado dele. E ela é nossa mãe! Você nunca desconfiaria da sua mãe." Ele deu de ombros. "Não só você, porque ela também enganou a gente aqui... fez eu, o Ravid e o seu pai acreditarmos que você tinha implorado pra ninguém tocar no assunto, e nós acabamos nunca questionando você."

"E eu achava que vocês sabiam por que eu tinha ido embora. Noah, a nossa mãe... é um monstro!" Disse, enojada, e chorando ainda mais.

Noah tentou abraçar a irmã, para ajudá-la a passar por aquela difícil revelação, acalmá-la. Porém ela se afastou, dizendo-se decepcionada com ele por ter guardado silêncio por um ano, e pediu que ele a deixasse sozinha.

Ficou algum tempo encolhida, com as pernas junto ao peito, tentando entender como poderia uma mãe fazer aquilo com uma filha, não sabendo como olharia de novo para a cara dissimulada de Shelby, sentindo-se a pessoa mais idiota do mundo, por ter acreditado em uma mentira tão grande por tantos anos. A dor era enorme e ficava maior ainda porque, mesmo que não tivesse sido culpa dela, ela agora sabia o quanto tinha sido injusta com Finn, imaginava o quanto ele devia ter ficado destruído, por ter se sentido trocado por um país, por uma faculdade, uma carreira.

Havia apenas uma coisa boa nisso tudo, que era o fato de ela ter voltado a ver Finn como a pessoa maravilhosa que ele era, como o seu Finn de sempre, o seu amor, o seu príncipe!

Ele precisava saber de tudo, para que, mesmo que eles não pudessem ficar juntos outra vez, ao menos ele também pudesse vê-la exatamente como a pessoa que ela era, e o passado tal e qual ele tinha sido, e não como as aparências demonstravam.

Alguém precisava contar tudo a ele, e esse alguém (é claro!) era ela.

Notas finais
E aí, gente?
Bom, não é nenhuma invenção do outro mundo... já aconteceu antes em novelas e afins... mas foi onde minha imaginação me levou um dia e eu resolvi que deveria escrever...
O que acharam?