Notas iniciais
1) Um capítulo mais descontraído dessa vez... espero que gostem.
2) O visual que eu escolhi pra Rachel está no meu orkut, caso queiram ver qual é.
3) Um personagem muito especial e importante para a história, finalmente, aparece. Quem será?
4) No próximo, saberemos tudo sobre o passado e depois teremos apenas mais uns 3 ou 4 capítulos.
Bjs e obrigada por acompanharem! =)
p.s.: Para quem disse que não sabia meu nome, eu sou a Mari ;) hehe

Na manhã de segunda-feira, Rachel caprichou no visual para ir trabalhar. Precisava se sentir bem consigo mesma, bonita, sexy, elegante, poderosa, para voltar a encarar o cotidiano de profissional bem sucedida, e esquecer o fracasso que era sua vida pessoal. Para isso, escolheu um vestido ligeiramente brilhante da Armani, um blazer de J Brand e sapatos Dolce & Gabbana, caprichou na maquiagem, mas fazendo-a de um jeito que assegurasse que ela ficaria natural, e completou o look com óculos Gucci e uma de suas bolsas Hèrmes.

Sentindo que sua fachada estava perfeita, saiu de casa e pegou um táxi, chegando rapidamente à redação da TVZoom, onde entrou cumprimentando as pessoas, pois tinha percebido que ser antipática e mal educada não era o que protegia ninguém das feridas advindas das relações humanas. Não esboçou, porém, nenhum sorriso, até chegar a Blaine que, ao abraçá-la, aliviado por vê-la aparentemente bem, quebrou o gelo completamente.

"É tão bom ter você de volta, Rach!" Ele disse, ainda segurando-a em um aperto carinhoso, que ela retribuía. Os dois estavam na sala dela, de portas fechadas, é claro. "Eu fiquei tão preocupado quando soube que você ficaria dias fora!" Completou, finalmente soltando-a.

"Não se preocupa, eu to bem. E é... bom estar de volta, Blaine." Ela disse, sem convicção e notou que ele tinha percebido. "Ok." Ela riu, se rendendo. "Ok, eu poderia aproveitar mais uns dias só pra mim, mas... não era uma opção, então... ao trabalho!" Decretou, sorrindo, e foi ocupar sua cadeira de chefe, enquanto ele ocupou a outra, em frente à dela.

"Trabalho, ok. Mas temos também algumas fofocas na pauta... e eu tenho alguns recados pessoais pra você. O que você quer primeiro?"

"Primeiro... as fofocas." Se pudesse, ela manteria o clima bom e não lidaria com problemas, fossem pessoais ou de trabalho, então aproveitou para adiá-los.

"Ótimo! Pra começar, Nat Mitchell foi flagrada saindo de um motel com Gilbert Moon, o que acabou com a fachada de virgem dela. O Brad, no entanto, não quis publicar nada. Parece que ele e o Ryan tem negócios com o pai dela. Beth e Leo estão namorando, mas Ian disse que, se eles mantiverem sua vida pessoal bem separada do trabalho, nenhum dos dois precisa sair da revista."

"Eu concordo. Os dois são ótimos pra perdermos qualquer um deles. Mas, gente, isso é uma super surpresa pra mim! Eles são bem discretos, né?"

"Uhum!" Assentiu o rapaz."Já seu fotógrafo favorito andou tendo problemas pra separar vida pessoal de trabalho. Anda totalmente aéreo, distraído... e tanto a Mercedes quanto a Sunshine acabaram tendo que reclamarar dele."

"Isso não é fofoca, Blaine! O Mike trabalha naquele programinha ridículo que é a atual menina dos olhos dos chefes... então isso é um super problema de trabalho!"

"Não é um problema de trabalho, pois já foi contornado, diva. O Ryan mesmo o substituiu na cobertura do reality show e, depois de uma boa chamada, o colocou pra tirar fotos menos importantes, por um tempo."

"Então..." Suspirou, aliviada.

"Então, o babado é que ele tá assim, andando nas nuvens, por causa de uma certa asiática que saiu de um certo programa de TV. Ele tá saindo com a Tina, acredita?"

"Sério?" Ela riu, apesar da constante menção ao programa de Finn.

"Sério!" Também riu. "E a última fofoca desses últimos dias é que Kurt tem uma nova parceira de trabalho! Uma jovem estilista brasileira, que atende pelo nome artístico de Lady Flammour, e veio mostrar uma coleção na semana de moda de NY, num espaço novo pra estreantes. Eu nem sabia que na moda se usava nome artístico..." Disse, com um pouco de desdém, que Rachel atribuiu à provável atenção que o namorado dele devia estar dando à menina. "...mas diz o Kurt que ela é realmente boa."

"Ele escolheu alguma coisa dela pra mim?" Perguntou, empolgada. Uma coisa que nunca falhava em animar Rachel era moda.

"Sim... e ela não vê a hora de ver você aparecendo com alguma coisa dela em público. O sonho da criatura era vestir a Britney Spears e a Angelina Jolie, mas depois que ela viu fotos suas no estúdio do Kurt, você virou sua mais nova obsessão." Riu e ela também, mas no fundo ficava vaidosa com isso.

"E meus assuntos pessoais?"

"Sam te mandou vários emails e eu não li, é claro, mas organizei em uma pasta. Ele também ligou, e eu senti que ele ficou um pouco preocupado por saber que você tava em um tipo de retiro."

"Vou ver os emails primeiro e depois ligo pra ele." Ela disse, já mexendo no computador, enquanto Blaine aguardava para dar os outros recados, olhando os seus próprios no celular. "O Sam é inacreditável!" Ela disse, depois de uns minutos, dando uma risada gostosa, como não dava havia dias. "Conheceu uma garota italiana, que ele descreve aqui como curvilínea e quente. Diz aqui também que agora entende porque os homens preferem as loiras, se desculpando comigo logo depois, é claro... e que eu preciso ir conhecer essa deusa, o mais rápido possível, porque eu sou a melhor amiga dele, etc. etc. São vários emails, mas o assunto é a tal Fabiana em todos eles! Ele deve estar apaixonado pra valer!" Sorriu, largamente. "Eu fico feliz por ele... de verdade." Falou, com toda a sinceridade, mas não conseguiu deixar de sentir um pouco de inveja. "Mais recados pessoais?"

"Sim! Um cara dizendo ser o seu irmão mais velho ligou, e pediu para você retornar, assim que pudesse, pro celular americano dele."

"Sério? Ele tá nos Estados Unidos?" Ela gritou. "Meu Deus, parece que hoje é um dia de ótimas notícias!" Ela estava mesmo precisando de boas novas e abraçar o irmão seria um bônus e tanto, mesmo que ela tivesse que ir a NY para isso.

"Eu nem sabia que você tinha um irmão mais velho. Pensava que eram somente você e o Ravid." Ele observou.

"Eu não falo mesmo muito dele. Ele tá morando no Japão há uns anos... a gente fica um tempão sem se ver." Comentou, já discando o número dele no celular. "Tá desligado." Informou, desanimada. "Não tem problema... eu ligo de novo, depois. Agora, me fala do trabalho, vai? Não vai dar mesmo pra evitar pra sempre!"

"Tá tudo mais ou menos sob controle. O único problema que você vai precisar resolver é em relação ao campeonato de UFC que vai rolar esse final de semana em Vegas." O sorriso de Rachel voltou e Blaine não entendeu, mas decidiu ignorar. "A TV aberta vai transmitir, então os RIB fazem questão de uma matéria grande, com entrevistas, bastidores, tudo... mas vários lutadores não querem dar entrevista nenhuma pra uma revista que não é de esportes."

"Esse problema vai ser resolvido fácil, honey! E você mesmo, sem saber, já me deu a solução." Ela o viu franzir a testa e riu. "Já ouviu falar do Puck? O campeão mundial de MMA?"

"Uhum... é claro, meu bem! Eu não gosto da violência, mas adoro os corpos sarados... e o dele é definitivamente... UAU!" Afirmou, se abanando.

"Deixa o Kurt te ouvir." Ela brincou. "Pois bem, eu vou convencer o Puck... e ele vai convencer os outros." De novo, o assistente se mostrou muito confuso. "Eu não tava me lembrando dessa competição em Vegas, mas o Noah tá aqui pra isso, é claro! Noah Puckerman é o meu irmão mais velho, B."

"Mas... Puckerman?"

"Ele é filho da minha mãe, com o primeiro marido dela." Falou, voltando a tentar ligar para o irmão, pois agora tinha um assunto importante com ele, além de uma vontade esmagadora de matar as saudades.

Noah sempre tinha sido seu irmão favorito, seu amigo, seu protetor. Ele tinha dado cobertura para o namoro dela com Finn, quando eles ainda não sabiam se deveriam contar aos pais, tinha vivido muitas aventuras com eles, ao longo de toda a relação, havia apoiado sempre a decisão dos dois de se casarem, mesmo sendo jovens.

Ela sentia muita falta dele, que tinha decidido treinar no Japão havia alguns anos, pois a principal modalidade de luta que ele utilizava no MMA era o Jiu-jitsu, e ainda era do outro lado do mundo que se poderia encontrar os maiores especialistas naquela arte marcial. Os dois tinham visitado um ao outro, algumas vezes, quando ela morava na Europa, mas seu último encontro já tinha mais de um ano. Apesar de ter sido criado com os Berry, e amar demais os avós de seus irmãos, Noah não tinha podido ir ao funeral que acabara trazendo Rachel de volta aos EUA.

O pensamento de Rachel durante toda a segunda-feira ficou voltado para o trabalho e para o irmão, até ela conseguir falar com Puck e descobrir que ele estava visitando Ravid em NY, mas que estaria, junto com vários dos lutadores e com o presidente do UFC, em Los Angeles na quarta-feira, para cumprir alguns compromissos relacionados ao evento esportivo.

Como à noite ele estaria liberado, os dois combinaram de jantar na casa dela, onde ficariam completamente à vontade, e imediatamente começaram a contar as horas para se ver e colocar os assuntos em dia, depois de tanto tempo se falando apenas rapidamente pelo telefone e pela Internet, sempre brigando contra a diferença no fuso horário e as agendas cheias de ambos.

Outro que estava ocupando a cabeça com trabalho era Finn. Como ele já não tinha mais necessidade de escolher uma das meninas do programa, porque Santana estava, na prática, fora do páreo, ele já não precisava mais ficar tanto com elas, e remarcou algumas reuniões que havia cancelado na semana anterior.

Quando chegou na segunda-feira ao escritório, revisou a agenda com Harmony e viu que não teria muito tempo para respirar, porque as atividades da semana seriam muitas, tendo ficado apenas a sexta-feira livre, para que ele pudesse desfrutar de um tempo com a vencedora do programa, de quem estaria, então, noivo. No entanto, não achou nada ruim o fato de ter tantas coisas para fazer porque isto, certamente, se não o fazia esquecer completamente de Rachel, pelo menos o distraía por um tempo considerável.

Mesmo à noite, no horário em que normalmente já teria chegado em casa e estaria vendo TV, navegando na Internet ou lendo um livro, com Uno deitado a seus pés, Finn acabou tendo uma distração. Artie argumentou que ele deveria pelo menos ir jantar com uma das meninas na segunda e almoçar com a outra na terça, para que eles reunissem mais imagens e pudessem fazer uma boa edição para os programas de terça e quinta. E, assim, Hudson acabou na mansão, vendo um renomado chef de um de seus outros programas preparar uma receita especial para ele e Quinn, e depois jantando com ela, apenas com a companhia de um câmera.

O rapaz percebeu que a garota estava jogando mais charme para ele do que nunca, e sabia que deveria estar retribuindo os olhares, sorrisos e sutis insinuações dela com mais entusiasmo. Porém não conseguia fazer isso sem se sentir atuando, fingindo. Ele não era ator e jamais quis que aquele programa fosse uma enganação ao público, por isso não conseguia se sentir nem um pouco a vontade em agir sem espontaneidade.

Ainda que ele soubesse que a proposta de casamento não viria do fundo de seu coração, que não seria fruto de nenhuma paixão pela loirinha, o pedido em si seria verdadeiro. Eles ficariam realmente noivos e formariam uma família, porque esta era a mudança de que ele precisava para seguir em frente. Esse era um dos seus sonhos, mesmo que não pudesse ser realizado por completo.

Ficar agindo como alguém enamorado ou atraído fisicamente por Quinn, contudo, seria fingir plenamente, e isto não era algo que ele se achasse capaz de suportar fazer. Por isso, quando ela novamente se inclinou na direção dele, aproximando seus lábios perigosamente, ele se afastou com sutileza, usando como desculpa a vontade de encher novamente sua taça de vinho.

"Quinn. Eu não quero que você me entenda mal... você é linda e muito atraente." Ele disse, sentindo-se desconfortabilíssimo com o semblante decepcionado dela. "Mas é que eu ainda não escolhi entre você e a Santana." Acabou mentindo, como não gostaria de fazer, mas era apenas para não magoar sua futura esposa. "E eu não gostaria que aquela que vai se casar comigo tivesse que lidar com vídeos meus espalhados por aí... e fotos... beijando outra garota, entende?" Usou a melhor desculpa possível.

"Claro, Finn." Ela assegurou, sorrindo. "Isso é muito bonito da sua parte! Eu só te beijei porque achei que seria legal nós ficarmos mais próximos, nos conhecermos mais... vermos se temos química. E também porque achei que talvez você e a Santie já tivessem..."

"Não, Q. Eu não beijei nenhuma das meninas, em nenhum dos encontros individuais. Eu preferi me preservar e... preservar todas vocês." Isso não era totalmente mentira, porque não seria jamais do feitio dele beijar um monte delas, só para ver como era, sem ligar para o sentimento de ninguém.

Quinn balançou a cabeça apenas, e mudou de assunto completamente, para que nenhum dos dois ficasse ainda mais sem jeito. Ela esperava que Finn àquela altura já a tivesse escolhido e que, portanto, beijos entre eles não fossem um problema, por isso estava se sentindo um pouco decepcionada. Todavia ela não insistiria porque a última coisa que ela queria era se desentender com ele às vésperas da decisão, dar motivos a ele para achá-la insistente, inconveniente, excessivamente confiante.

Quinn Fabray não estava apaixonada por Finn Hudson, mas ela queria muito ser escolhida. Não pelo fato de seus pais a terem sempre encorajado a se unir a um homem com dinheiro e algum tipo de poder, mas pelas suas próprias razões, que não tinham nada a ver com a conta bancária de Hudson. Em primeiro lugar, havia o fato de ela sempre ter sido vaidosa e competitiva, e não querer ver Santana levando a melhor. Em segundo, existia seu anseio secreto por sair da casa dos Fabray o mais rápido possível, o que só aconteceria por meio de um casamento.

Porém o mais importante, a razão maior, era que ela via Finn como um dos últimos homens solteiros decentes nos Estados Unidos, e talvez no mundo! Ela estava cansada de tantos parasitas e caras mal intencionados que só queriam levá-la para a cama ou exibi-la como um troféu, sem jamais se comprometer. Ser uma mulher bonita tinha seus prós, mas ela vinha lidando muito mais com os contra, nos últimos tempos, e estava exausta da vida de solteira, por causa disso.

O jantar correu bem, mesmo se tratando apenas de uma reunião entre amigos, e tanto Finn quanto Quinn esperavam que a relação deles pudesse evoluir, em breve, para algo maior.

Mal sabiam eles que terem se conhecido traria mesmo frutos para um dos dois, mas que eles seriam bem diferentes do que estava sendo aguardado.