Notas iniciais
1) Dedico todo resto da fic à Marcelly Santos, que me emocionou muito com mais uma recomendação. Obrigada, linda! Espero que continue gostando sempre da fic. ;)
Claro que continua dedicada também à Nat e à Beth... e que agradeço a TODOS que comentam a fic... YOU MAKE MY DAY!!
2) Capítulo sem Finchel, mas importante pra o desenvolvimento da história... por não ter Finchel e porque eu GOSTARIA de terminar a fic antes do dia 20, eu devo postar logo, logo... fiquem atentos! hehe
Espero que gostem, apesar da falta deles...
Bjs!

Quando Rachel saiu do apartamento de Finn, a única coisa em que conseguia pensar era em se isolar completamente do mundo. Tinha ido do céu ao inferno em poucos minutos, com a conversa dos dois, e sabia que não poderia seguir normalmente com suas atividades do cotidiano. Como agir naturalmente, diante de tantos sentimentos, como decepção, mágoa, raiva, tristeza, ciúmes, todos de uma vez tomando conta de sua mente e de seu coração?

Enquanto ia de táxi até seu apartamento, usando o pouco que lhe restava de racionalidade, ligou para Ryan e disse precisar de alguns dias de folga, em razão de uma emergência familiar. Seria complicado para a revista ficar sem editor-chefe, por quase uma semana, mas, como Rachel tinha muito crédito com os RIB pelo excelente trabalho que vinha desenvolvendo, a morena foi liberada, prometendo retornar na segunda-feira seguinte.

Em casa, colocou algumas roupas em uma mala grande, considerando os lugares para onde poderia escapar, sem encontrar ninguém que fosse cobrar dela nenhum tipo de explicação. Lembrou-se, então, de uma velha conhecida que vivia no campo, há poucos quilômetros do centro de LA, com pouquíssima comunicação com o resto da humanidade, e que já tinha mandado algumas cartas, convidando-a para passar uns dias na fazenda, nas quais mandara inclusive todas as orientações necessárias para chegar ao local.

Louise Hommer, como Rachel, tinha nascido e crescido em NY, no seio de uma família tradicional e muito rica. Elas tinham sido colegas de colégio e feito parte do mesmo grupo de amigos, por anos, até a garota deixar a cidade com os avós, depois de seus pais terem sido assassinados a mando de um inimigo político do tio, senador do Estado de NY. Traumatizada, ela nunca tinha tido coragem de voltar para a cidade, e agora considerava que a vida certa para ela era cuidando de animais, de um pomar e de uma horta, junto com o marido, que conhecera em uma dessas feiras de agronegócios.

Grata pela chance de rever uma pessoa conhecida, mas que, ao mesmo tempo, pouco sabia de detalhes íntimos de sua vida, e, desse modo, poder se esconder por alguns dias, Rachel pegou um dos mapas improvisados por Louise e seguiu para a estrada. Sabia que estava se arriscando, pois possuía um carro, mas quase nunca dirigia, muito menos na estrada e à noite. Além disso, ainda estava nervosa e com uma vontade de chorar que ia e vinha, o que não ajudava em nada.

Porém, não poderia se importar menos com segurança do que se importava naquele momento e, talvez protegida por forças superiores, conseguiu chegar intacta à Sunnybrook Farm. Assustou um pouco os moradores ao aparecer tão tarde, ainda mais para os padrões campestres, mas pediu desculpas e se disse estressada pelo trabalho na revista, convencendo facilmente o casal Hommer, que ficou feliz em ter a companhia dela pelo resto da semana, e em ajudá-la a se acalmar.

Mesmo nos momentos em que era visível que Rachel não estava apenas tensa, mas também bastante triste, ninguém lhe perguntou absolutamente nada. Seus anfitriões apenas cuidaram para que ela ficasse confortável, tentaram engajá-la no maior número de atividades possível, e respeitaram sua necessidade de solidão e silêncio, quando ela agradecia, mas declinava de passeios pela propriedade, idas até o centro comercial mais próximo ou afazeres próprios da fazenda.

Rachel pode pensar muito e quanto mais pensava pior se sentia. Ela agora não só não tinha mais esperanças de ficar com Finn, como tinha voltado a sentir raiva dele.

Antes, ele era o príncipe encantado que ela lamentava ter perdido, e ser tarde demais para recuperar, pois ele estava prestes a escolher uma noiva. Agora ele era um sapo, uma criatura que ela não era capaz de reconhecer de modo algum!

Antes ela pensava que eles teriam dificuldades para ter um compromisso, porque a mágoa do passado poderia pesar, mas até se julgava capaz de perdoá-lo, afinal ele tinha apenas cometido um erro. Agora ela estava perplexa com o cinismo dele.

Ela não conseguia entender como, ao invés de pedir perdão a ela, ele agia como se ele, e só ele, tivesse que perdoar as atitudes dela. O que ele fizera no passado não era nada comparado à postura que ele adotara no presente! Não assumir que tinha cometido um erro e merecido a reação dela era ser muito egoísta, prepotente, arrogante, cara de pau! Definitivamente, o homem que ela amava não existia. O SEU Finn era apenas uma criação de sua imaginação e nada mais.

Foi pensando nisso que ela foi dormir, algumas noites (e também algumas tardes). Às vezes chorava, porque a tristeza pela perda era maior que tudo. Outras vezes, não se permitia derramar uma lágrima, porque a raiva a consumia. De uma forma ou de outra, ia vendo os dias passarem e a hora de voltar chegando, muito mais rápido do que ela gostaria. Tentava fazer planos e reconstruir a armadura que usara em volta de si, e que a protegera por oito longos anos. Talvez assim não fosse tão difícil, afinal.

Finn, por sua vez, cumpriu a promessa que fez a si mesmo e não chorou mais. Não conseguia ter raiva de Rachel, e odiava a si mesmo por amar aquela mulher do jeito que amava, mesmo sabendo que ela tinha um lado com o qual ele não seria capaz de conviver. Porém, apesar de todos os sentimentos que ele não podia arrancar do peito, estava mais do que na hora de parar de deixá-la afetar a sua vida de forma tão intensa.

Ele desmarcou alguns compromissos de trabalho e decidiu conviver bem mais com Brittany, Quinn e Santana, e se dar uma chance real de se envolver com alguma delas. Passou a quarta e a quinta-feira inteirinhas na mansão e, quando na quinta à noite se despediu de Brittany, lamentou muito só ter resolvido interagir mais com ela agora. Talvez, se ele tivesse mais alguns dias com ela, pudesse descobrir que ela era a esposa perfeita para ele, mas mandar alguém para casa naquele dia era uma regra do jogo, e ele sequer pensou, naquele momento, que quem fazia as regras era ele mesmo. Era muita coisa para ele tentar processar em tão pouco tempo!

A sexta-feira e o final de semana de Finn foram dedicados exclusivamente às finalistas do reality show. Artie tinha programado um encontro de Hudson com as famílias de cada uma delas, mas, como não haveria tempo hábil para o deslocamento do cast a outras cidades, foram os parentes delas que viajaram até LA. Foram, então, escolhidas diferentes locações para as filmagens: o primeiro encontro, com a família de Quinn Fabray, foi no sábado, no Terranea LA Oceanfront Resort, e a reunião com os pais e a avó de Santana Lopez aconteceu no domingo, e eles visitaram lugares turísticos no próprio centro de Los Angeles.

O rapaz se deu relativamente bem com os Fabray, apesar de em alguns momentos ter ficado com a sensação de que Russell e Judy se importavam mais com o que as câmeras capturariam dos dois, do que com a impressão que deixariam no possível futuro genro.

O pai de Quinn lhe pareceu ser um homem ligado demais a tradições que Finn não valorizava, e ser até um pouco machista, mas pelo menos era também uma pessoa muito bem informada, o que fez com que não faltasse assunto entre os dois homens, por boa parte da manhã e toda a tarde. A mãe falava mais com a filha, sobre assuntos típicos de mulher, mas era bem educada, simpática e, como Quinn, uma bela e charmosa mulher.

Os quatro tomaram sol na piscina do resort, bebericando drinks coloridos, caminharam pela praia, almoçaram no sofisticado restaurante de frutos do mar e passaram um tempo apenas observando a vista, em um deck exclusivo da suíte alugada pela GHShow. As mulheres fizeram massagens no SPA, enquanto os homens jogaram tênis, e, no final do dia, todos voltaram ao deck para observar o por do sol, antes de Finn e Quinn se despedirem dos pais dela e seguirem para a mansão, na limousine do programa.

Foi dentro do carro que, apesar das câmeras, a loira surpreendeu Hudson com um movimento inesperado, roubando-lhe um beijo, no meio de uma conversa qualquer. Ele não rejeitou o beijo, mas também não o prolongou e, quanto os dois se afastaram, ela lhe deu um largo sorriso e a única coisa que ele se sentiu em condições de fazer foi sorrir de volta, apesar de muito mais contidamente do que ela.

É claro que não foi algo especial, que fizesse o coração acelerar, os pelos se arrepiarem, o corpo querer se movimentar junto, o cérebro quase parar de funcionar. Porém não foi também desagradável sentir os lábios dela nos dele, a mão dela acariciando seu rosto, o cheiro fresco de lavanda em sua pele, afinal ela era uma mulher bonita, sensual e doce, e um beijo era uma demonstração de carinho. E carinho era, afinal, algo gostoso de se dar e receber.

Dadas as circunstâncias atuais, era bem provável que ele fosse ter que se acostumar com beijos que fossem mesmo só isso e não parte de uma espécie de mágica celestial. Era quase certo que qualquer contato físico que ele fosse estabelecer com sua futura esposa seria simplesmente uma demonstração de afeto entre pessoas que se querem bem e compartilham desejos em comum, como o de formar uma família.

E, dado que ele via Santana muito mais como uma amiga do que como mulher, era provável que ele fosse ter que se acostumar justamente com os beijos de Quinn, por isso ele não iria ficar pensando muito sobre isso, e superestimando o acontecido. Ele puxou um assunto qualquer e, em pouco tempo, os dois estavam na casa em que ela viveria por mais uns dias, e ele se despedia dela e de toda a equipe.

A saída com os Lopez, no dia seguinte, foi bem mais divertida. Os pais e a avó de Santana a princípio estavam bastante tímidos diante das câmeras, mas depois relaxaram e conversaram com Finn, como se ele fosse um conhecido de longa data. Eles eram animados, falantes, até um pouco estridentes às vezes, provavelmente graças à origem latina, e Finn conseguia se ver convivendo com eles, muito mais do que com os Fabray.

Era quase impossível, porém, se imaginar dormindo com Santana. Não que ela não fosse uma mulher atraente, mas eles tinham desenvolvido uma amizade surpreendentemente grande, nas últimas semanas, e ele a via como confidente, companheira. Como família, mas mais no estilo irmã do que como potencial esposa. Ela fazia piadas com ele que jamais combinariam com uma relação romântica, como quando ela o comparou a uma girafa, durante a visita que os cinco fizeram ao zoológico de LA.

Santana também surpreendeu Finn, no final daquele dia, mas não da mesma maneira que Quinn. Eles estavam também na limo, voltando para a mansão, quando ela perguntou se eles poderiam conversar sem câmeras, quando chegassem à casa, e Finn não hesitou em concordar, porque, apesar de seu compromisso com o público de mostrar direitinho tudo o que acontecia, ele pode sentir, pelo jeito dela, que o que ela tinha a dizer era realmente importante.

"Finn, eu nem sei direito como te dizer isso, mas... você tem que escolher a Quinn, na quinta-feira." Santana começou a conversa, quando os dois estavam confortáveis no sofá da sala principal. "Ou, sei lá... me desclassificar hoje mesmo e trazer a Britt de volta, pra você ter alguma outra escolha que não seja a Quinn."

"Tá tudo bem, se você quer desistir, Santie. Você tem liberdade pra isso." Ele disse, sincero. "Mas você parece tensa demais com isso... aconteceu alguma coisa?"

"Uhum. Aconteceu." Respirou fundo. "Eu devia ter contado antes... eu não tenho sido honesta com você e... e nem mereço estar aqui! Eu tirei o lugar de outras meninas." Falou, arrasada.

"Calma, Santie. Vai ficar tudo bem." Ele não imaginava que ela tivesse feito nada que ele pudesse julgar tão sério a ponto de ela não merecer estar ali. "Apenas me fala... no que você não foi honesta comigo?"

"Eu... dormi com alguém, Finn. Eu transei com uma pessoa, enquanto estou numa disputa pra talvez me casar com você. Eu me sinto horrível! Me perdoa... foi mais forte que eu e..."

"Respira, Santie!" Ele riu. "Tá tudo bem... é sério." Assegurou, vendo a interrogação no semblante dela. "Eu só não entendo como. Vocês são filmadas o dia todo e..."

"Não foi aqui... foi em Paris."

"Irônico, porque eu também dormi com alguém em Paris." Ele sorriu amplamente. "E, como não foi você, e as outras meninas candidatas a se casarem comigo estavam aqui... eu acredito que eu também não fui lá muito honesto com vocês." Segurou a mão dela e levantou seu queixo, pois ela ainda estava sem jeito. "Então, estamos quites e vamos esquecer isso. Eu não vou chamar ninguém de volta... e não garanto que vá escolher a Quinn, porque, tendo feito o mesmo, eu não acho que isso seja nenhum empecilho pra eu escolher você."

"Finn! Nós não temos... química. Nós somos amigos! Eu nem entendo como nós somos TÃO amigos em tão pouco tempo, mas é o que nós somos."

"Agora, sim, você tem um bom argumento! Mas eu não sei se tenho química com a Quinn também... e casamentos, no final das contas, duram mais pela cumplicidade do que por paixão." Deu de ombros.

"Não é bem assim, Finn... e você sabe disso. Precisa ter o mínimo de tesão, afinal nós não vamos querer virar celibatários pelo resto da vida... e até pra ter os filhos que eu e você tanto queremos, tem que rolar algo que eu não me vejo fazendo com você. Sorry!" Fez uma careta pela sinceridade e ele riu.

"Touché!"

"Além disso..." Ela falou devagar, ficando um pouco triste de repente. "Eu acho que me apaixonei pelo idiota."

"Bom... se você tá chamando o cara de idiota, eu acho que posso concluir que ele não sente o mesmo."

"Eu... não sei. Sinceramente, não sei. Ele tem corrido atrás de mim, querendo de novo e tudo mais, mas eu sei da fama dele..."

"Sebastian?" Finn deu um sorrisinho irônico.

"Como você sabe?" Ela se espantou.

"Pra correr atrás de você, com você trancada aqui e sendo filmada quase o tempo todo, tinha que ser alguém do cast ou da produção. O cast somos eu, ele, você e as meninas... o Artie é meu melhor amigo e transparente como um cristal pra mim... e todos os outros homens da equipe são casados. Você falou em fama e... bom, dois mais dois..."

"Eu to ferrada, né?" Perguntou, encostando no sofá e jogando a cabeça para trás.

"Santie... eu acho que, se você JÁ se apaixonou, você não tem mais nada a perder. Fica com ele, vê no que dá..."

"Isso quer dizer que você vai seguir meu conselho e me desclassificar, então?"

"Não." Ele balançou a cabeça negativamente. "Isso quer dizer que você fica aqui até quinta, faz companhia pra mim e pra Quinn até lá, não conta nada pra ninguém..." Suspirou. "...e eu escolho ela." Não conseguiu esconder que isso não lhe deixava feliz, como supostamente deveria.

"Finn?" Ela perguntou, depois de um tempo de silêncio. Os dois estavam igualmente jogados no sofá, olhando para o teto.

"Hum?" Ele respondeu, sem mover os olhos na direção dela.

"E a Rachel?" Ele quase pulou do sofá, ao ouvir o nome. Como Santana poderia saber?

"Rachel?"

"Não se faz de desentendido, hum? Rachel Berry... Paris... vocês se olhando de um jeito estranho, você dormindo com alguém lá. Dois mais dois, né?" Riram.

"Isso é uma história MUITO complicada!"

"Eu tenho tempo." Observou, desafiadora.

Finn suspirou, hesitou, mas contou toda a história a Santana. Ela agora sabia até mais do que Artie, porque Finn não tinha colocado o diretor a par do último encontro que havia tido com Rachel, no qual ela havia dito que ele tinha merecido ser deixado no altar, indo embora em seguida, sem mais palavras.

"É uma história emocionante, triste... sensual, romântica. Mas também é... MUITO estranha!"

"Você acha?"

"Com certeza." Santana balançou a cabeça positivamente. "Eu não conheço a Rachel, mas, por tudo que você me contou, não faz sentido algum ela achar que você mereceu ser deixado no altar só porque não queria ir pra Londres. Ela podia ter ambições, mas tinha aberto mão delas, numa boa! Vocês dormiram juntos, dois dias antes do casamento." Fez uma pausa. "Eu acho que tem mais coisa aí, Finn."

Finn ficou pensativo naquela noite. Ele mesmo achava tudo estranho e Santana não tinha razão alguma para defender Rachel. No entanto, ele estava cansado e não sabia se ainda queria ir atrás de alguma peça faltando no quebra-cabeça que, eventualmente, seria seu passado, se ela tivesse razão.

Só tinha certeza de que precisava de uma boa noite de sono, porque aquela semana seria bem cheia!

Cheia e decisiva, com a tão aguardada final de A chave para o coração.

Notas finais
Quem me conhece já sabe que a única coisa que eu detesto mais q Fuinha é Broxante... então tranquilidade porque não haverá mais bjo Fuinha!