Notas iniciais
Mais uma vez não tive paciência pra revisar, então relevem erros, por favor! E me falem se tiver algum bizarro hehe
Por favor, não deixem de comentar só porque postei logo, senão eu demoro de novo (ameaças a parte, acaba sendo verdade, porque me sinto desmotivada...)
Bjs a todos que lêem, mesmo os tímidos que não comentam... =/
Espero que gostem...

O rapaz de pele pálida se mexeu na cama macia, procurando uma posição mais confortável, mas isso acabou fazendo com que seus olhos encontrassem o feixe de luz do sol ainda fraco da manhã entrando pelo vão da cortina. A luminosidade o fez despertar, mas não abriu os olhos, ainda querendo permanecer entre as cobertas de algodão suave e com a cabeça afundada no travesseiro de plumas de ganso que era um plus naquele luxuoso quarto de hotel.

Esticou o braço, esperando encontrar ali perto uma certa morena gostosa com quem tinha passado provavelmente a melhor noite de sua vida, mas tudo que encontrou do lado direito da cama foi o vazio, apesar de o lugar ainda estar quente, entregando a recente presença de seu corpo ali. Abriu os olhos devagar, tentando se adaptar a mudança, e a viu de pé ao lado da cama, vestindo-se, alheia ao seu despertar.

"Aonde você vai?" Perguntou, com a voz rouca de quem acorda, principalmente não tendo dormido o suficiente.

"Para o meu quarto, é claro. Eu tenho que estar lá embaixo às nove horas... e, aliás, você também." Foi a resposta seca que ela lhe ofereceu.

"Mas ainda são sete e meia..." Ele argumentou, vendo o horário apresentado pelo relógio digital na cabeceira do lado dela da cama.

"Ainda assim, é melhor que eu vá." Afirmou a morena, que desapareceu, em seguida, para dentro do banheiro, sem esperar que ele protestasse novamente.

Ele escutou a descarga, a água da torneira e o barulho resultante de alguns movimentos dela. Depois tudo ficou em silêncio por alguns minutos, como se já não houvesse mais nada que ela precisasse fazer no toalete, mas ainda não quisesse sair dele.

"Olha..." Ela disse, entrando de volta no quarto e parando em frente a cama. "Isso que aconteceu foi um erro e nós vamos fingir que não aconteceu, ok?"

"Como?" Ele perguntou, um pouco irritado, sentando-se na cama. O lençol escorregou mostrando seu peitoral, o que a deixou mais nervosa do que já estava.

"É isso mesmo que você ouviu. Eu vou pro meu quarto me arrumar e você vai fazer a mesma coisa aqui. Nós vamos encontrar o resto do pessoal pras filmagens de hoje e agir naturalmente... e só nós dois vamos saber que isso aconteceu... e mesmo nós não vamos falar mais disso."

"Ah! Qual é, Santana?" Quase gritou, frustrado. "Você vai fazer o que agora? Dar uma de santa? Creditar a nossa noite ao álcool... ou o que?"

"Nada disso, Sebastian! Eu não sou santa e nem fiquei com você por causa de nada que eu tenha bebido, mas porque já existia essa tensão sexual entre a gente há muito tempo e eu não fui forte o suficiente pra resistir a ela." Sentou na cama perto dele. "Foi bom... foi ótimo, na verdade. Mas foi só dessa vez e ninguém pode saber, porque eu estou aqui pelo Finn, Madre de Dios! Porque eu quero me casar com ele!" Jogou aos mãos ao alto, exasperada consigo mesma.

"Por que se casar com ele, hein? Eu sei que ele é milionário..."

"Dio mio, Sebatian! Eu deveria quebrar essa sua cara bonita agora mesmo por insinuar que eu quero dar um golpe do baú pra cima do Finn. Eu só não vou fazer isso, porque você teria que se explicar." Bufou, mas respirou fundo e se acalmou. "Não que eu te deva explicações, mas eu me inscrevi pro programa justamente porque o Finn, apesar do dinheiro, sempre foi um cara MUITO discreto. Porque eu admiro projetos sociais que ele criou... porque alguma coisa me dizia que ele era o cara certo pra formar uma família. Até porque ele fez o programa porque quer se casar e quem são os homens que QUEREM se casar hoje em dia? Certamente não você!"

"Peraí, tá? Uma dia, eu vou, sim, me casar..."

"...só é muito novo pra isso ainda." Ela completou para ele. "Tudo bem, isso é de cada um... não é nenhuma vergonha. Mas isso mostra que estamos em páginas diferentes. Eu tenho quase trinta e meu relógio biológico está gritando. E, como eu pensava, o Finn é um cara sensacional... agora que eu o conheci melhor, eu tenho certeza! Ele vai ser ótimo marido e ótimo pai." Ela se levantou da cama de novo. "E eu não posso arruinar minhas chances com ele por sexo... pra gente transar mais algumas vezes. Por mais gostoso que tenha sido." Sorriu e o fez sorrir de volta. "Até daqui a pouco."

Santana saiu do quarto e deixou Sebastian sozinho com seus pensamentos e com um sentimento que ele não conhecia muito bem. Nunca ele tinha se sentido inferior a alguém, nunca tinha tido vontade de estar no lugar de alguém em qualquer situação que fosse. Porém agora ele sentia vontade de ser um pouco menos como ele próprio e um pouco mais como aquele que pagava o seu milionário salário ao final de cada mês.

Depois de acalmar os pensamentos tumultuados e de tomar banho e trocar de roupa, a morena e o moço bonito de olhos claros se reencontraram no hall do hotel, se juntando a Artie e a grande parte da equipe que trabalhava no reality show, e agiram como se nada diferente tivesse acontecido, exatamente como ela pedira.

Às nove horas e dez minutos, Artie começou a ligar para aqueles que ainda não tinham aparecido no saguão, incluindo seu próprio chefe, e pediu a Lauren que tentasse localizar a chefe dela. Não foi difícil falar com a maquiadora, que já estava no elevador, e nem com um dos câmeras, que tinha se atrasado um pouco, mas já estava quase pronto.

No entanto, Finn e Rachel não atendiam seus celulares e nem os telefones de seus quartos de hotel. Quando mais dez minutos tinham se passado sem sinal dos dois, Artie resolveu ir até o quarto de Finn e Lauren se encaminhou para o de Rachel. O casal, que dormia ainda abraçado, na suíte de Hudson, se assustou com as batidas na porta e a voz do diretor chamando pelo nome dele.

"Caramba, é o Artie." Ele afirmou o óbvio, ainda sonolento.

"É claro... olha." Apontou para o relógio na cabeceira dele. "A gente perdeu completamente a hora."

"Eu esqueci de recolocar o som nos telefones." Ele fez uma careta que era como um pedido de desculpas.

"Tudo bem. Eu só... não queria que ele me visse aqui, Finn." Pediu, quase em um sussurro.

"É melhor eu não atender?"

"Não, não. Ele vai ficar preocupado demais... e depois que desculpa você daria? Não... eu fico no banheiro, enquanto você fala com ele, diz que perdeu a hora e que vai se arrumar."

Ele balançou a cabeça positivamente e, olhando em volta, viu o robe dela pendurado em uma cadeira. Ao mesmo tempo em que ela recolhia a camisola e a calcinha do chão e calçava suas havaianas, ele vestia sua boxer, pegava o belo robe e andava em direção a ela. Tomando a peça de roupa das mãos dele, ela entrou depressa no banheiro e ele foi finalmente abrir a porta, para encontrar um Artie desconfiado e um pouco irritado.

Ainda que achando estranho Finn e Rachel perderem a hora ao mesmo tempo, Artie não questionou a história sobre o melhor amigo ter passado mal e desligado os telefones, perdendo a hora por isso. Também fingiu ter engolido a sugestão de Finn de que provavelmente Rachel não tinha descido porque ninguém tinha dito a ela que o encontro seria às nove e de que ela devia ter o sono pesado para não estar ouvindo o telefone tocar.

"Rach." Finn chamou, batendo de leve na porta do banheiro, depois de ter prometido a Artie que estaria pronto em dez minutos. Ela abriu a porta, já vestida com a camisola e o robe por cima, e os dois se olharam, constrangidos. "Me desculpa por isso... por essa situação..."

"Tá tudo bem, Finn." Afirmou, passando por ele. "Não é que você tenha criado sozinho essa situação, afinal." Tentou sorrir, simpática, mas dava para ver que não era um sorriso sincero. Os dois estavam tensos. "Eu vou indo... em uns quinze minutos eu to lá embaixo e... eu penso numa explicação qualquer pro meu sumiço."

"Rachel..." Ele segurou no braço dela, virando-a, para que se encarassem.

"Finn... é melhor eu ir." Afirmou, com a voz doce, mas segura. "Nós dois não queremos provocar desconfianças, não é?"

Ele achou que ela estava preocupada com seu namoro e não gostou nem um pouco disso, mas entendia. Ela, na verdade, só queria sair dali e não estragar tudo com uma conversa na qual ele, provavelmente, se desculparia por ter se deixado levar pelo momento, pelo desejo, e esquecido de seus compromissos. Ela sabia de tudo isso, mas não queria escutar.

"Você tá certa." Respondeu, tentando não se mostrar chateado. "Me deixa pelo menos ver se não tem ninguém pelos corredores, então."

A única pessoa no corredor estava bem longe dali, do outro lado dele, em frente à porta do quarto de Berry. Lauren batia na porta sem parar, ao mesmo tempo em que falava no celular, e não viu de onde Rachel veio, apenas percebeu quando ela já estava bem a seu lado. Depois de informar à pessoa do outro lado da linha que sua chefe estava bem, ela desligou, e ouviu da outra a explicação que seria contada a todos. A baixinha tinha tido uma forte enxaqueca, fora parar no centro médico do hotel, tomara um injeção forte e "apagara", perdendo a noção do tempo.

Por volta de dez horas da manhã, finalmente, o carro que levava Finn e Santana e a van da produção deixaram o hotel, seguindo para o primeiro ponto turístico que visitariam naquele dia: o Museu do Louvre.

Como ocorrera no Museu D'Orsay, foi necessário obter uma autorização para filmagens internas e, dessa vez, mesmo o francês bem pronunciado de Rachel não tornou este um problema de fácil solução. De acordo com o responsável, um formulário deveria ser preenchido e aguardados dois dias para a efetiva captação das imagens, o que, no caso deles, seria impossível.

"Vir a Paris e não filmar no Louvre! É a decadência de um diretor." Reclamou Artie, parado na porta do lugar. Olhava um livro de turismo tentando incluir algum outro local no passeio. "O que tá acontecendo com o Will que ele não se informou de nada disso e nos deixou vendidos aqui dessa maneira?" Perguntou a Finn, que também estava insatisfeito com o trabalho de Will, mas, ao mesmo tempo, estava distraído vendo Rachel andar de um lado para o outro e falar no celular sem parar, sorridente.

"Eu não sei, cara. Mas eu vou ligar pra ele... ele precisa se certificar de que isso não vai acontecer em outros lugares também." Respondeu ao amigo, mas sem tirar os olhos da garota. Perguntava-se se ela estaria falando com o namorado inglês e isso o fazia sentir o peito rasgar de ciúmes.

"Rapazes." Ela falou, vindo na direção deles, depois de desligar o telefone. "Acabei de falar com Régis-Michel, e ele vai ligar pra cá e pedir para que abram uma exceção pra vocês."

"Você falou com o curador do Louvre?" O queixo de Artie caiu.

"Sim... eu já o entrevistei uma vez e ele é amigo de um amigo meu." Ela disse, como se não fosse nada demais. Na verdade, ela só conseguira convencer o curador porque o ex-chefe e ex-sogro, Sr. Evans, era estudioso e grande colecionador de artes e, por isso, ficara realmente muito amigo de Michel.

Alguns minutos depois, o responsável veio até eles informar que as gravações estavam liberadas e Artie disse a Rachel que eles filmariam durante quarenta minutos a uma hora, mais ou menos, e depois apenas caminhariam pelo museu por algumas horas, pois Finn fazia questão de ver as obras de arte, e não apenas de formar material para o programa. Desse modo, toda a equipe estaria liberada para visitar o local, a ela e Lauren estavam convidadas a se juntar a eles.

Rachel adorou poder visitar o museu, ao invés de ficar trancada numa van o dia todo. Viu a Monalisa, A liberdade guiando o povo, A virgem dos rochedos e mais algumas de suas pinturas favoritas. Foi até a Venus de Milo, uma das esculturas de que mais gostava, e passou um tempo observando também a Victoria de Samothrace. Porém ficou entediada com a demora de Lauren em cada parte do museu, já que ela insistia em tirar fotos dos mais variados ângulos de cada peça.

Ficou feliz por encontrar Artie e o assistente dele em uma das alas e disse a Lauren que ia seguir com eles, sem perceber que os dois estavam acompanhados de Finn e Santana, que estavam parados em um canto comentando sobre um quadro. Os dois trocaram olhares rápidos, quando os cinco se juntaram e começaram a caminhar, e ele enfiou as mãos nos bolsos da calça, sem jeito, enquanto ela fitava o chão. Foi difícil para os dois prestar atenção na beleza da arte que ocupava aquelas enormes salas do imponente edifício e não se distrair observando um ao outro.

"Eu adoro essa duas." Rachel disse, se referindo a duas esculturas. "São Os Escravos, de Michelangelo. O Cativo é este inacabado... e o Escravo Morrendo é esse. Eles chamaram a atenção dos estudiosos, porque eles representam dois comportamentos completamente diferentes, né? O cativo parece estar se contorcendo, já o outro tem uma expressão serena, parece se entregar."

"E também existe um debate intenso sobre se ele estaria mesmo se entregando à morte, se conformando... ou se ele estaria sentindo prazer." Disse Finn, parando ao lado dela. "Olha a posição do corpo dele, a forma como o braço se inclina atrás da cabeça. E o rosto? Ele não me faz pensar na paz do sono eterno, mas em momentos de plena satisfação sexual." Os dois se encararam por alguns segundos e ela mordeu o lábio inferior, enquanto ele passava a língua pelos dele, instintivamente. Percebendo que Santana estava observando os dois, Artie fez um comentário qualquer para fazer com que todos rissem e quebrar o clima.

Depois de almoçarem no Café de La Pyramide e de andarem um pouco mais, Finn pediu para falar com Artie e deixou Rachel e Santana juntas. As duas conversaram como se fossem amigas de longa data, sem qualquer constrangimento e até comentaram sobre o fato de os dois amigos estarem discutindo. Elas não podiam ouvi-los de onde estavam, paradas perto da saída do museu, mas os gestos e o semblante de ambos não deixavam qualquer margem de dúvida.

Finn e Santana filmaram, ainda, navegando de barco pelo rio Sena, subindo a Torre Eiffel e no alto dela, mas Rachel ficou o tempo todo na van, o que não lamentou porque eram passeios muito turísticos e que ela já havia feito até mais vezes do que seria necessário. O clima entre Hudson e Abrams não parecia nada bom e não foi com muita alegria que o diretor informou, pouco depois das seis da tarde, que eles iriam voltar para o hotel e a maioria deles teria a noite livre.

Berry adorou a ideia de poder relaxar, tomar um bom banho de banheira, ler um dos livros que tinha levado consigo ou ver um filme qualquer na TV, e dormir cedo. Porém não adorou menos os planos que alguém tinha feito para a sua noite, mesmo sem consultá-la.

Ao chegar à suíte em que estava hospedada, a garota encontrou sobre a cama uma caixa com crisântemos cor de rosa e um envelope com um cartão, onde estava escrito "Sr. Hudson gostaria de contar com a sua presença em um jantar para dois, no terraço, às 9 horas."

A antecipação tomou conta de seu corpo e, por mais perigoso e errado que seu cérebro dissesse que aquilo era, ela estaria lá e faria daquela noite um momento inesquecível, mesmo que ele fosse o último.

Ele podia, com certeza, contar com a presença dela. Presença de corpo, alma e coração!