Notas iniciais
Não vou encher vocês com meus problemas e frustrações, para tentar me justificar. Apenas, me desculpem pela demora, ok?
Espero que gostem do capítulo! Bjs a todos!
(não reparem em erros porque não tive paciência para revisar)

"Rachel?" Finn perguntou, depois de abrir a porta de seu quarto e ver a senhorita Berry de pé do outro lado dela.

O fato de ter saído como uma pergunta o nome dela foi o único indicativo de que ele estava confuso com sua presença, uma vez que sua voz não subiu um tom sequer com a surpresa. A julgar pela voz super baixa e pelos olhos vermelhos, que ele aliás estava esfregando sem parar, a recepcionista do hotel deveria estar certa sobre ele não ter escutado o telefone porque estava dormindo.

"Finn, me desculpa por bater na sua porta a essa hora. Eu não queria ter acordar... ou incomodar. Mas o fato é que parece que todo mundo saiu! E ninguém lembrou de me dizer a que horas tenho que estar pronta amanhã... e não falaram nada com o pessoal da recepção também. Só me restou você e... e você não estava atendendo o telefone e... eu achei que era melhor vir aqui... porque, se eu perco a hora amanhã, eu posso atrasar vocês."

O nervosismo que ela pensava que conseguiria controlar quando chegasse perto dele tomou conta dela e a fez falar sem parar feito uma boba, como se ela tivesse feito uma coisa imperdoável ao bater na porta do quarto de hotel de Hudson. Percebendo isso e vendo uma sombra de sorriso torto no rosto dele, respirou bem fundo e secou as mãos no robe que tinha colocado por cima da camisola, para andar pelos corredores do hotel.

"É... desculpa mesmo ter te acordado." Acrescentou, mais calma.

"Você não me acordou, Rachel. Pode ficar tranquila." Coçou dessa vez o nariz e ela reparou então no quanto ele estava vermelho. "Na verdade, eu não to conseguindo pregar o olho! Eu tirei o som do telefone do hotel pra ver se eu conseguia dormir, já que o Artie já tinha me ligado umas cinco vezes pra eu ir encontrar com ele num bar aí... mas não adiantou. Eu to me sentindo SUPER cansado... como se eu tivesse sido atropelado por um trem." Exagerou, em um estilo que mais se parecia com o dela, o que a teria feito rir, se ela não estivesse ficando um pouco preocupada. "Sem contar os meus olhos ardendo e coçando, a garganta parecendo que tem um nó, uma tosse chata... eu não durmo por nada nesse mundo!"

"Agora que você tá falando, você não tá me parecendo nada bem mesmo." Ela declarou. "Você tomou alguma coisa?" Disse, entrando no quarto, sem esperar ser convidada.

"Não. Eu não faço ideia do que eu tenho... muito menos do que tomar."

"Pode ser gripe, pode ser alergia... é melhor ver um médico."

"Não, não. Não precisa. Eu só preciso dormir." Afirmou, coçando o ouvido e tendo um ataque de tosse.

"Pelo jeito continua o mesmo de sempre... filho de enfermeira com medo de médico." Ela sorriu.

"Casa... cof cof... de ferreiro... cof... espeto de pau." Tentou rir, mas isso fez a tosse aumentar ainda mais, a ponto de ele ter que se sentar na cama, se dobrando para a frente.

"Passa um pouco de água no rosto... bebe um pouco de água também. Eu vou ligar pra recepção." Disse, decidida, pegando o telefone enquanto ele entrava no banheiro.

Alguns minutos depois, que pareceram durar bem mais porque nenhum dos dois sabia muito bem como agir na presença do outro, Rachel estava falando em francês com um médico que ficava de plantão no hotel para atender a emergências como aquela. Finn só ficava olhando os dois, sem nada entender, torcendo para o que quer que ele tivesse não ser nada grave.

"Finn, tem alguma chance de você ter comido algum tipo de pimenta?" Ela questionou, de repente.

"Não. Eu sempre aviso que não pode ter pimenta na minha comida. A não ser que o restaurante..." Ele parou de falar porque ela tinha voltado a usar o idioma que ele não entendia, se dirigindo ao doutor Jacques Abancourt.

"Eu disse a ele que você é alérgico a pimenta e a penicilina." Rachel voltou, finalmente, a falar com Finn. "Ele desconfia que o pessoal do restaurante tenha se distraído e posto pimenta no seu prato, mesmo você pedindo pra eles não colocarem, porque o seu quadro é claramente alérgico."

"E?" Ele perguntou, querendo uma solução, mais do que descobrir a causa do problema. Estava insuportável tanta coceira no nariz, no céu da boca, na garganta, nos olhos, nos ouvidos! Ele não aguentava mais tossir e precisava urgentemente dormir, o que aqueles sintomas todos não estavam permitindo que ele fizesse.

"E ele vai te dar uma injeção de anti-histamínico porque eu expliquei a ele o que estamos fazendo aqui em Paris... disse que você tem que ficar bom rápido. Fora isso, tem que tomar ainda mais cuidado com o que come, né?" Ela deu um sorrisinho, mostrando simpatia. Dava para ver que ele estava sofrendo bastante pelo simples descuido de um cozinheiro qualquer.

O médico aplicou a injeção, que ele já tinha em sua maleta, afinal casos de alergia eram os mais frequentes entre as emergências que atendia. Logo se despediu de Finn, com um aperto de mão, e de Rachel com sorrisos e mais palavras naquele idioma tão bonito, que ficava ainda mais lindo saindo dos lábios dela.

"Obrigado, Rach. Se você não tivesse aparecido..." Finn disse, depois de mais uma crise de tosse. Ela tinha voltado da porta, aonde tinha ido levar o doutor.

"De nada, Finn. Não... não foi nada mesmo." Assegurou. "A propósito, que horas vai ser nossa saída amanhã? Eu quase vou embora sem saber o que eu vim perguntar." Riu.

"A gente vai sair daqui às 9, mas..." Ele respirou mais fundo e fechou os olhos, tomando coragem. "Não vai embora, por favor... fica aqui comigo. Você sabe o quanto eu detesto ficar sozinho quando eu to doente."

"Fi-ficar aqui... com você?" Perguntou, totalmente pega de surpresa, e viu Finn balançar a cabeça, afirmativamente. "É..." Limpou a própria garganta, para tentar falar com naturalidade.

Não queria dizer não, afinal. Em primeiro lugar, porque ele realmente parecia aquele menino de anos antes, que ficava extremamente carente quando tinha qualquer tipo de problema de saúde. Em segundo lugar, porque, na verdade, por mais estranha que fosse a situação, não havia outro lugar no universo onde ela quisesse estar, quando ela podia estar perto de Finn. Ainda que as coisas fossem complicadas demais entre eles e provavelmente sempre fossem ser assim, ele era o homem que ela amava e estar perto dele sempre seria, em alguma medida, confortável e natural.

"Eu pensei que agora que você é um homem crescido... de quase trinta anos... que manda em uma das maiores emissoras de TV dos Estados Unidos... você não agiria mais como um bebezinho da mamãe, Finn." Implicou.

"Você pode tirar sarro o quanto quiser... eu nunca liguei." Deu de ombros. "Só fica. Por favor." Pediu de novo.

"Tudo bem."

"Obrigado."

Os dois trocaram sorrisos sinceros e ele fechou os olhos, pesados pelo cansaço do dia e, principalmente, por efeito do antialérgico. Ela tirou o robe que usava, ficando apenas com a camisola, e se deitou ao lado dele, tentando fazer a si mesma de boba e fingir que dividir a cama com Finn usando uma camisola sensual como aquela não escondia nenhum tipo de segunda intenção.

Afinal de contas, o que poderia acontecer, se ele estava sob efeito de um forte medicamento e já tinha até mesmo pego no sono? No máximo, eles encostariam um no outro durante a noite, sem querer. No máximo, ele a veria usando a camisola, de manhã, quando ela tivesse que se levantar e colocar o robe, que ela tinha deixado em uma cadeira do outro lado do quarto dele, antes de voltar para o próprio quarto para tomar banho e trocar de roupa. Não haveria nada demais nisso e nada teria sido proposital.

Puxando o edredom sobre seu corpo, observou-o dormindo, tão absurdamente lindo e sereno que nem parecia o mesmo homem em crise alérgica, cansado, apavorado e dependente, de minutos antes. Olhando para ele, desse jeito, era impossível enganar o próprio coração, a mente e o corpo. Ela o desejava tanto! Queria tanto estar naquela cama por outras razões, com outros objetivos que não apenas o de fazer companhia.

É claro que ela queria que eles se aproximassem no meio da noite e a eletricidade entre eles agisse como sempre agira. É claro que desejava que ele visse a camisola e o tanto de pele que ela deixava exposta. Mesmo que a sua razão lhe dissesse o tempo todo que não havia mais chance para os dois, ela queria que ele sentisse o que ela sentia. Mesmo que ele não a amasse como ela o amava, ela tinha certeza de que mexia com a libido dele, e isso já era bem melhor do que nada. Era algo que mantinha a esperança viva e a esperança, naquele momento, era o melhor que Rachel tinha.

Teve vontade de acordar Finn, mas é claro que não o fez. Até porque ele estava dormindo pesado, naquela hora, e duvidou que ele tivesse condições de se engajar nas atividades das quais ela queria que eles participassem. O que ele precisava era mesmo de um bom descanso, então tudo que ela fez foi passar uma das mãos pelo cabelo dele, em um carinho terno, até que se sentiu tão bem, tão relaxada, tão em casa, que se entregou ao sono.

O destino ou a natureza, no entanto, estavam a favor do lado mais impulsivo de Rachel. Finn tinha bebido muita água durante a noite, para tentar aliviar a tosse, o nó na garganta, o ressecamento nos lábios, e tanto líquido assim só pode ter um resultado, que é o de acordar no meio da noite para usar o banheiro.

Depois de aproveitar para jogar uma água no corpo e escovar os dentes, Hudson voltou para a cama se sentindo renovado. A tal injeção dada pelo médico francês devia ser mesmo forte, pois tinha mandado embora quase todos os sintomas, ficando apenas uma coceirinha chata no céu da boca, que o gosto de pasta de dente ajudou a aliviar.

Deitou-se ao lado de Rachel e foi a vez dele de observar os traços dela, de achar graça de como ela parecia ainda menor encolhida entre as cobertas naquela cama enorme, de desejar que tudo pudesse ser como anos antes, quando nada de ruim tinha acontecido com eles, quando ela não tinha um namorado na Inglaterra e ele não estava decidido a se casar com uma desconhecida para deixar de ser sozinho.

Por impulso, tirou alguns fios de cabelo que estavam cobrindo o rosto dela e, não resistindo à tentação, deslizou delicadamente os dedos por ele, suspirando pelo delicioso contato com aquela pele macia, pela visão daqueles pequenos seios se movimentando um pouco por causa da respiração, pelo aroma de fruta que ela deixava no ar, no travesseiro, nos lençóis.

Ela acordou com o contato e, logo que ele percebeu os olhos dela se abrindo, afastou as mãos, mas não conseguiu tirar os olhos dela, que piscou algumas vezes e se movimentou, se aconchegando na cama macia, ainda mais perto dele, guiada pelo seu subconsciente ou, como diria E.L. James, por sua deusa interior. Ela encarou os lindos olhos de âmbar à sua frente e deu um sorriso tímido, que foi retribuído imediatamente e na mesma medida.

"Oi." Ela praticamente sussurrou. Quem visse os dois ali, naquele momento, pensaria que eram um casal novamente.

"Oi, você." Ele respondeu também baixinho. "Desculpa se eu te acordei."

"Ainda não é de manhã, é?" Perguntou, preguiçosa.

"Não." Ele riu. "São quatro e pouco ainda. Volta a dormir."

"Você tá melhor?"

"Bem melhor! Graças a você... obrigado."

"Eu já disse... não precisa agradecer. O que eu fiz foi só chamar o médico. Qualquer pessoa teria feito o mesmo e eu teria feito isso também por qualquer pessoa." Tentou parecer indiferente.

"Mas você ficou aqui. E você sabe o quanto isso foi importante pra mim."

"É, eu sei... bebezinho da mamãe." Riu e ele fingiu se aborrecer com isso, fazendo bico, mas acabou rindo também. "Agora que você está melhor, eu posso ir, não é?" Ela completou, se movimentando para sair da cama, mas ele segurou o pulso dela.

"Você não precisa ir embora assim, correndo." Os olhos dos dois se encontraram enquanto ele falava e nenhum dos dois desviou o olhar. Eles se encararam com coragem, de um jeito até um pouco desafiador talvez.

"E eu não quero ir." Ela respondeu e o surpreendeu, não só com as palavras, mas com seus lábios e seu corpo se colando aos dele de repente.

A partir daí, os dois se deixaram levar pelo desejo e tudo aconteceu depressa. Os beijos eram famintos, as mãos pareciam estar em todos os lugares, fortes, firmes, decididas, habilidosas. Os corpos se encaixando tão perfeitamente como sempre tinha sido com eles. Tudo tão familiar, natural, mágico, delicioso. Mas havia um problema e Finn se deu conta dele quando Rachel começou a puxar a calça de pijama dele para baixo, deixando claro que ela estava disposta a ir até o fim com aquilo.

"Rachel... Rachel, para."

"O que foi?" Ela perguntou, de repente fraca, temendo uma rejeição que acabaria com ela, que seria dolorosa, humilhante, impossível de superar.

"Rach, babe... eu nunca poderia nem sonhar com isso... eu não esperava dormir com ninguém nessa viagem, eu... eu não tenho proteção."

"Ah, é isso?" Ela sorriu, ao mesmo tempo em que respirava fundo e relaxava, aliviada. "Não vai ser a primeira vez que a gente não usa camisinha, não é?" Provocou.

"A gente pode? Você quer mesmo..." Ele questionou, nervoso, e foi interrompido por mais um beijo dela, cheio de desejo irrefreado.

Entendeu que eles deveriam seguir em frente e ficou satisfeito por isso, mas teve que brigar contra o ciúme que sentiu, ao se dar conta de que ela obviamente tomava pílula porque era uma mulher sexualmente ativa, que tinha um namorado ali mesmo na Europa. É claro que se ela estava disposta a esquecer o tal cara por um tempo e ficar com ele, ele esqueceria também, mas não era, por isso, uma tarefa fácil.

Tudo voltou a ser rápido e impensado depois dessa breve interrupção. As roupas de dormir foram jogadas no chão, os corpos se exploraram um pouco mais e, tomado pelo desejo acumulado e não saciado por anos, ele a invadiu completamente e, com movimentos fortes e rápidos, a levou ao orgasmo depressa, gozando também, logo em seguida.

Os dois se separaram, relutantes, e escolheram o silêncio, sabendo que palavras poderiam estragar o momento. Ele a puxou para o seu peito, e ela não resistiu ao pedido silencioso dele e se deitou ali, se deixando embalar pelo ritmo de sua respiração e de seu coração, que ia desacelerando devagar.

Os dois dormiram provavelmente o sono mais tranquilo que tiveram em dias! Conseguiram deixar o pensamento vazio de problemas e cheio só daquele contentamento que era um velho conhecido que não os vira por anos.

Lidariam com qualquer constrangimento que, no fundo, eles sabiam que reapareceria, quando o sol já estivesse iluminando Paris e a realidade invadindo o quarto, mesmo sem ser bem vinda.

Notas finais
E.L. James é a autora de 50 tons de cinza e ela usa o tempo todo essa metáfora da deusa interior.
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