Notas iniciais
Depois de um hiatus não avisado, a fic está de volta. Foram dias difíceis por uma série de fatores, então espero que me desculpem e ainda queiram ler a história.
Espero que gostem do capítulo... mas ele é só uma introdução, o próximo é que vai ser bom!
Bjs!

Era quinta-feira de novo e, pela primeira vez, Finn estava gravando uma cerimônia das rosas logo na parte da manhã, em vez de realizá-la à noite, para que fosse transmitida ao vivo na TV, como sempre. Ele, Artie, os principais cinegrafistas e contrarregras do programa, e a participante Santana Lopez viajariam no final daquela manhã para a França, para passar um fim de semana turístico, que a garota havia conquistado em um jogo de perguntas sobre o protagonista do reality show.

Finn precisava escolher mais uma menina para mandar para casa, e Brittany, Leighton, Quinn, Sugar e Tina estavam em frente a ele, naquele momento, aguardando ansiosamente por sua decisão. Eram apenas as cinco e Santana, agora, uma vez que Emma tinha facilitado sua escolha na semana anterior, ao ter uma briga com Brittany, ofendendo-a profundamente e quase agredindo a pacífica garota fisicamente.

Santana estava imune, em razão de ter conquistado a viagem para Paris, mas isso não era um problema, porque ela não estaria mesmo entre as opções de Hudson, de quem tinha se tornado certamente a participante mais próxima. Não tinha sido a toa que ela havia acertado nove entre as dez questões formuladas por Sebastian sobre a vida de Finn, enquanto a segunda colocada, Tina, respondera corretamente apenas sete, e as demais somente três ou quatro.

Olhando para as cinco, mais uma vez sem capacidade de estabelecer nenhum critério lógico para usar na difícil escolha de dizer adeus a uma delas, ele seguiu seus instintos e foi recolocando os cordões no pescoço de cada uma, até que restassem apenas Leighton e Sugar. Em seguida, elogiou muito as duas, destacando as qualidades de cada uma: o sorriso de Leighton era a sua coisa preferida na morena, e o jeito como Sugar fazia todo mundo rir simplesmente o encantava.

Decidiu abrir mão do sorriso de uma e continuar tendo a graça espontânea e fácil da outra, então se despediu da Srta. Black com um abraço apertado e desejou a ela seus mais profundos e sinceros votos de felicidade, antes de seguir para o camarim e tirar o terno que usara na cerimônia, a fim de vestir roupas mais confortáveis, para enfrentar mais ou menos umas doze horas de voo, até a Cidade Luz.

"Oi, cara. Eu preciso levar um papo com você." Disse Artie, entrando no local, enquanto Finn ainda mudava de roupa. Ele não parecia muito animado, o que chamou a atenção de Hudson.

"Aconteceu alguma coisa? Algum problema com o avião... ou as reservas?"

"Não, não. Nenhum problema com nada disso. A produção fretou um jatinho show de bola! O Will mandou muito bem! E o hotel é, sei lá... sete estrelas, cara!" Riu.

"Então por que essa cara de quem vai pra um velório, quando estamos indo pra Paris?" Finn questionou, com a testa franzida.

"Eu soube de uma coisa, hoje de manhã, mas... não te falei, porque você chegou aqui todo animado e eu sabia que isso ia mudar o seu humor... e a gente tinha a cerimônia..."

"Você tá me deixando preocupado, cara. Fala logo!" Encolheu os ombros.

"Os RIB tão mandando a Rachel pra Paris com a gente." Artie falou baixo e devagar, e parou, segurando a respiração e esperando a reação de seu chefe e melhor amigo.

"O QUE?" Finn praticamente gritou, nunca tendo esperado que se trataria de nada nem ao menos parecido com aquilo.

"Eu sinto muito, Finn, mas por contrato eles têm o direito de mandar sempre uma equipe com a gente, pra todos os lugares... um jornalista e um fotógrafo. Eu avisei aos três, pensando que eles se organizariam para mandar uma das meninas que trabalham com a gente sempre, mas aparentemente eles acharam que, além de cobrir a viagem, a Rachel poderia contribuir com ela, de alguma forma, por ter vivido um tempo em Paris... falar francês. O Brad fez questão de me ligar, pra me avisar pessoalmente, todo animado... e eu... cara, desculpa, mas eu não tinha o que fazer!" Afirmou, exasperado.

"Claro que não tinha. Nem eu teria!" Finn passou nervosamente as mãos pelos cabelos. "Não é sua culpa, cara. Não é sua culpa eu ter assinado um maldito contrato com os empregadores dela." Completou, se jogando em um sofá.

De repente, sentira sua cabeça doer, se sentira fraco. Como ele aguentaria um final de semana inteiro com Rachel por perto? Como ele poderia ter um passeio agradável com uma das candidatas a sua futura esposa, e se aproximar dela mais romanticamente, já que a viagem tinha sido planejada para isso, agora que a mulher que ele queria de verdade estaria na mesma viagem e sendo paga para observá-los?

Aquela viagem, que até então tinha soado como a melhor ideia que Artie lhe havia apresentado, desde o começo do programa, agora parecia uma péssima ideia. Finn previa que os próximos dias seriam simplesmente os piores dos últimos tempos! Rachel, por sua vez, já tinha passado uma das piores noites de sua vida, sem conseguir sequer pregar o olho, uma vez que ela havia recebido a notícia de sua viagem no dia anterior.

Ryan tinha ligado para o celular dela, para demandar que ela viajasse com a equipe da GHShow, achando que ela adoraria voltar à Europa por alguns dias e, então, aquele seria um arranjo extremamente feliz para todos. Porém, mesmo quando ela lhe dissera que preferia mandar Mercedes para Paris, ele deixara bem claro que gostaria que ela fizesse a cobertura do final de semana. Obviamente, não se tratava de uma sugestão ou um pedido, mas de ordens superiores dadas com sutileza.

Ela fizera as malas e passara a noite em claro, esperando chegar a hora marcada para se apresentar com Lauren no aeroporto. Sua cabeça formulava, o tempo todo, uma insistente pergunta: como ela iria aguentar passar mais de setenta e duas horas, tendo não só que interagir com Finn, em alguns momentos, mas principalmente que observá-lo se relacionando com uma das belas meninas que estavam disputando o futuro posto de Sra. Hudson?

Ao cumprimentá-lo no aeroporto, pouco depois das onze horas da manhã, conseguiu manter o tom profissional, mas só de ver Finn chegar em um carro de luxo com uma latina lindíssima, sobre quem ela teria que obter informações nos arquivos da revista, durante o voo, para poder escrever suas matérias, ela se sentira tonta e um pouco enjoada.

Ele também disfarçou muito bem o seu desconforto em ter a companhia inesperada dela naquela viagem, adotando a postura de homem de negócios e tratando Rachel da mesma maneira como tratou Lauren e como lidaria com Mercedes ou Sunshine, se uma das duas tivesse sido escolhida para representar a TVZoom, ao invés dela. Assegurou-se, inclusive, de que ela e sua fotógrafa estivessem bem acomodadas, antes de tomar o seu assento, em frente ao de Santana, e iniciar uma longa conversa com a garota.

Os dois fizeram uma viagem cansativa, mas tranquila. Rachel dormiu algumas horas, uma vez que seu corpo foi vencido pelo cansaço resultante da falta de sono à noite, e durante boa parte do tempo, ficou fazendo pesquisas sobre a participação de Santana no programa e revisando artigos que alguns de seus colaboradores haviam-lhe enviado com antecedência. Finn, por sua vez, conversou sem parar com a latina, com Artie e com outras pessoas de sua equipe, mostrando uma animação exagerada, que o melhor amigo sabia muito bem ser falsa, mas não ousaria questionar.

Como eles chegaram quase às onze horas da noite de quinta-feira, tudo o que fizeram foi o registro no hotel, que foi extremamente rápido, pois os quartos já estavam reservados, e uma reunião de cinco minutos no próprio hall, somente para passar a agenda do dia seguinte, com as instruções específicas para cada componente da equipe de TV e da imprensa, que, no caso, eram somente Rachel e Lauren.

Finn e Rachel não se falaram mais. Comportaram-se exatamente como se ela fosse apenas uma jornalista fazendo a cobertura de um evento, e ele o protagonista do dito acontecimento. Foi assim no dia da viagem e desse modo continuou na sexta-feira, até porque, enquanto ele visitava pontos turísticos, como a Catedral de Notre Dame, a Basílica do Sagrado Coração e o Palácio dos Inválidos, com Santana, ela ficava dentro de uma van, junto com parte da equipe, inclusive com Artie na maior parte do tempo, observando tudo por monitores e fazendo suas anotações.

Apenas quando eles chegaram ao Museu D'Orsay e se depararam com a necessidade de uma autorização especial para filmagens internas, e Rachel viu que tanto Artie quanto Finn tentavam se comunicar com o responsável, mas ele, apesar de entender inglês, não se mostrava muito inclinado a dar tal permissão, ela resolveu sair de seu posto e interagir.

"Vocês se importariam se eu tentasse conversar com ele?" Ela perguntou, educadamente, surgindo ao lado dos dois. "Acho que vocês não vão chegar a lugar nenhum falando inglês."

"Claro, Rachel." Artie respondeu, enquanto Finn apenas a olhava, sem jeito. "Na verdade, vai ser uma grande ajuda que você vai nos dar." Bufou, cansado.

Rachel, então, abriu a boca, fazendo palavras em francês fluírem dela com extrema facilidade. O funcionário que deveria autorizar as filmagens dentro do edifício logo pareceu mais relaxado e disposto a colaborar, o que, na opinião de Finn, provavelmente tinha muito a ver com o uso da língua local, mas também devia ter relação com o sorriso lindo estampado no rosto da morena e o jeito educado, gracioso e naturalmente charmoso dela.

Ele a olhava admirado, embevecido, perdido nos olhos dela, no som suave da sua voz, no movimento dos seus lábios, que o atraíam como um ímã. Nem percebeu que ela já tinha conseguido a autorização, e que agora estava apenas agradecendo e fazendo comentários triviais sobre Paris com o senhor francês, enquanto esperava que ele preenchesse e assinasse a ficha que dava os direitos de imagem à emissora americana.

"Aqui." Ela disse, entregando o papel nas mãos de Artie. "Parece que, afinal de contas, foi bom o Ryan ter feito tanta questão de me mandar com vocês pra cá, né? Vocês não pensaram em trazer um tradutor, não?" Questionou, um pouco arrogante.

"É... não." Finn respondeu, passando a mão nervosamente no cabelo. "Todo mundo fala inglês! Como a gente ia imaginar que haveria esse tipo de problema?"

"Os franceses falam inglês, Finn, mas não gostam. Eles mostram mais simpatia se a gente pelo menos tenta falar a língua deles." O tom arrogante deu lugar a outro bem mais amigável.

"Mas você muito mais do que tenta, não é?" Ele deu um sorrisinho de lado, encarando-a, e ela se sentiu tímida como só ele seria capaz de deixá-la. Como em um reflexo, colocou parte do cabelo atrás da orelha, virando a cabeça de lado, e sorrindo para ele também.

"Hu-hum." Artie limpou a garganta. "Muito bem! Vamos entrar?" Disse, tirando os dois daquele momento inesperado de intimidade.

Rachel voltou para seu posto na van e ficou observando Finn, enquanto ele admirava as obras de arte, junto com Santana. Ele fazia vários comentários que demonstraram a Rachel que ele tinha adquirido muito conhecimento nos últimos anos, e não apenas dinheiro e poder. Santana, por sua vez, também sabia alguma coisa e fazia observações pertinentes e, uma hora ou outra, os dois riam juntos sobre alguma coisa chamada de arte, mas que era na verdade de extremo mau gosto e não combinava em nada com um museu maravilhoso como aquele.

Estranhamente, Rachel não estava incomodada com Santana, e tinha até bastante simpatia pela garota. É claro que, quando ela parava para pensar melhor e se lembrava de que a latina talvez viesse a ser a escolhida para se casar com Finn, ela gelava de ciúmes e, consequentemente, sentia um pouco de inveja e raiva. No entanto, ao vê-los interagindo, algo lhe dizia que a relação dos dois não tinha nenhum potencial para ser romântica, que eles eram perfeitos para serem os melhores amigos.

Ela não poderia estar mais certa! Finn não estava mesmo tendo um final de semana romântico com uma das candidatas de seu programa, e se, por um lado, a presença de uma certa baixinha teria arruinado qualquer tentativa nesse sentido, com quem quer que fosse, por outro, não era só por isso que a viagem estava sendo apenas turística, mas também porque Santana era para ele como um Artie de saias, cabelos longos, pele bronzeada e sem óculos.

A latina era "apenas" uma amiga, com quem ele gostava de conversar, de rir, de compartilhar coisas da vida dele. Apesar de julgá-la uma bela mulher, Hudson não se sentia atraído por ela. Não sentia vontade de tocá-la, de beijar seus lábios, de andar de mãos dadas com ela, de sentir seu cheiro, de levá-la para a cama. Nada disso! Nada das coisas que ele deveria sentir por alguém que seria sua mulher, um dia.

Depois de todos os passeios do dia, a equipe foi jantar em um restaurante. Primeiro, foram Finn e Santana que comeram, calmamente, como se estivessem em um jantar romântico, enquanto eram filmados, como sempre. Depois os dois seguiram para o hotel com apenas um cinegrafista, que já tinha se alimentado em outro canto do local, e os demais funcionários da GHShow, bem como Rachel e Lauren, puderam se alimentar à vontade.

Rachel já tinha tomado banho e vestido uma linda camisola de seda branca, se preparando para dormir, quando o telefone tocou em seu quarto de hotel. A recepcionista queria saber se ela gostaria de ser acordada na manhã seguinte, e foi então que ela percebeu que Artie não havia lhe falado absolutamente nada sobre os planos para o sábado.

"Eu gostaria, sim, mas na verdade não sei a que horas devo ficar pronta. Você poderia fazer uma ligação pra mim pro quarto do Sr. Artie Abrams?" Pediu Rachel, então.

"Infelizmente, senhora, o Sr. Abrams não se encontra no hotel, no momento." Lamentou a recepcionista.

"E... o Sr. Greene?" Perguntou, esperançosa, pelo principal contrarregra.

"Eu temo que toda a equipe tenha saído, Sra. Berry. Somente o Sr. Hudson e a Srta. Zizes se encontram em seus quartos."

"E... Santana Lopez?" Questionou, com medo.

"A Srta. Lopez saiu também."

"Hum." O que diabos Santana estaria fazendo na rua sem Finn? Bom, isso não era problema dela! "Por favor, então, liga pro Sr. Hudson pra mim." Uma ligação, para saber sobre horários, não poderia matar, não é? Pelo menos foi o que Rachel pensou, enquanto esperava, durante alguns longos minutos.

"Senhora, me desculpe, mas, infelizmente, ele não está atendendo." A recepcionista avisou, enfim.

"E você tem certeza que ele não saiu?"

"Absoluta! Eu tinha acabado de fazer uma ligação a pedido dele, antes de ligar para a senhora. E eu estou na recepção, afinal. Ele não teria como sair, sem passar por mim. Ele deve ter dormido."

Depois de agradecer as tentativas vãs da recepcionista, Rachel ficou uns minutos pensando. Talvez o melhor a fazer fosse simplesmente acordar no mesmo horário daquele dia e pronto. Se eles fossem sair ainda mais cedo, eles que tivessem a preocupação de acordá-la!

No entanto, alguma coisa não parecia certa. Finn tinha ficado sozinho no hotel, enquanto todos haviam saído, e ainda eram apenas dez horas da noite, parecia-lhe cedo para que ele já estivesse dormindo pesado, a ponto de não escutar o telefone.

Ela tinha a melhor desculpa do mundo para bater na porta dele, então era isso que ela iria fazer. Não poderia ser assim tão ruim!

Notas finais
Será que eu poderia receber um incentivo de vocês?