A Chave Para O Coração
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Eu fiz uma conta no tt... é Finchelouca... nada mais simples kkkkkk... não entro todo dia, mas vou avisar lá quando atualizar, então, se quiserem seguir, seria dez!
Bjão... espero que gostem do cap...
Rachel adentrou a redação da revista elegantemente vestida, como sempre, com roupa, sapatos, bolsa, óculos de sol e joias de marcas internacionalmente conhecidas. Usava saltos altos sobre os quais a maioria das mulheres jamais conseguiria se equilibrar e sua pose de toda-poderosa-editora-chefe era a mesma de sempre, causando a mesma inveja, desprezo, medo ou raiva, dependendo da pessoa que colocasse os olhos nela, assim como em todos os outros dias de trabalho.
No entanto, depois de passar pela porta de sua sala, que seu primeiro assistente já havia aberto para ela, como em qualquer manhã, fez um gesto para que ele a fechasse e, já não podendo ser vista pelos demais subalternos, deu um sorriso enorme e especulativo para ele.
"O que foi?" Ele perguntou, corando.
"Você sabe que quero saber sobre o final de semana, Blaine!" Ela falou, tentando se mostrar indignada, mas mantendo o sorriso.
"Ah... foi ótimo!"
"Blaine Anderson!" Ela repreendeu. "Você se esquece que fui eu quem proporcionou isso a vocês? Eu mereço detalhes." Pediu, maliciosa.
"Não posso contar detalhes de minha intimidade com Kurt à minha chefe." Foi a vez dele de brincar. "Mas posso dizer à minha amiga que o lugar era realmente maravilhoso... que meu namorado não podia tirar suas mãos de mim, e dizer, principalmente... obrigada, Rach." Sorriu, sincero.
Rachel pensou um pouco. Era tão bom ouvir a palavra amiga! Durante um bom tempo, somente Mercedes se referira a ela como uma amiga, mas agora ela tinha também Kurt e Blaine, uma vez que, desde o dia em que surpreendera os dois no estúdio de seu stylist, eles tinham passado a conviver bastante e era uma convivência totalmente encantadora, engrandecedora, simples, confortável.
Ela, os dois rapazes e Mercedes tinham formado um grupo animado e, no lugar de sair de casa para o trabalho e do trabalho para casa, como fazia antes, quando eram exceções apenas as vezes em que tinha ido a eventos por causa da revista, Rachel passara a frequentar com eles restaurantes, bares, festas e até clubes noturnos.
Tinha decidido se divertir mais e se relacionar mais com as pessoas e, em consequência disso, nas três últimas semanas, reservara até um tempo para ir a Nova York e visitar seu pai, que, depois da morte dos próprios pais, estava morando sozinho, e ficara extremamente feliz em tê-la em sua casa por um final de semana inteiro. Durante sua visita à cidade, também pode passar horas bastante agradáveis com o irmão Ravid e a cunhada Brigitte, certamente o casal mais divertido que ela já havia conhecido na vida.
Essas últimas semanas lhe tinham feito muito bem e era um adicional e tanto poder ser mais relaxada, mais tranquila, menos esnobe e fechada, como continuava sendo no trabalho e fora por muito tempo também na vida pessoal, porque esta tinha sido a maneira que tinha encontrado para se proteger, para se poupar de ingerências, pressões, especulações, decepções.
Era um alívio poder ser até mesmo generosa, uma coisa que jamais seria esperada da senhorita Rachel Berry. Foi espantosamente fácil não hesitar em oferecer a Blaine e Kurt o convite que ela havia recebido de um patrocinador para passar um final de semana com acompanhante em um recém inaugurado hotel em Santa Mônica, e era realmente bom saber que eles tinham aproveitado ao máximo!
"Namorado, hum? Então é oficial finalmente?" Rachel questionou e Blaine balançou a cabeça, afirmativamente. "Então, eu já sei tudo de que precisava." Seu sorriso mostrava a mesma sinceridade do dele. "E não há de que."
Os dois passaram um tempo ainda comentando coisas sobre o hotel, e depois começaram a falar das necessárias questões de trabalho. É claro que, agora, Rachel era muito mais gentil no seu jeito de demandar a ele que fizesse coisas, apesar de tomar sempre um certo cuidado para também não confundir demais as estações, afinal de contas ali ele ainda era um subordinado, bem como ocorria com Mercedes.
Rachel se sentia tão bem humorada naquele dia que fez a primeira reunião da manhã, com um jornalista e dois fotógrafos que iriam fazer a cobertura de mais um casamento entre celebridades naquela mesma noite, com um sorriso no rosto. Seus funcionários estranharam a simpatia com que foram tratados e o senso de humor novo da chefe, que fez até algumas piadas sobre as núpcias da jovem estrela com o ator que interpretara seu pai em um recente filme produzido para TV. Se surpreenderam, mas da maneira mais positiva possível.
O humor continuou ainda muito bom, mesmo depois da segunda reunião, durante a qual um dos fotógrafos se queixou do comportamento de um dos colegas, que tentou se defender, o que levou a um bate boca, que há três semanas, mais ou menos, Rachel não teria tolerado. Somente no início da tarde as coisas começaram a mudar um pouco, mas, ainda assim, se alguém pudesse ver dentro dela e enxergar seus sentimentos e pensamentos, ficaria surpreso.
"Rachel, Sunshine disse que precisa falar com você, com urgência... ela parece bem aflita." Blaine informou, da porta, e Rachel balançou a cabeça, indicando que receberia a jornalista.
"Srta. Berry, me desculpa interromper o seu trabalho assim, mas..." Rachel colocou os olhos na garota e ela estava lívida!
"O que houve, Sunshine?" Perguntou, realmente preocupada. Ela normalmente não se preocuparia muito, afinal a garota não era sua amiga, apenas uma funcionária. E, mesmo que se preocupasse, sua atitude mais comum seria fingir indiferença.
"É o meu pai, Srta. Berry. Ele foi levado pro hospital por um vizinho... parece que teve um derrame. A voz do meu vizinho não tava nada boa no telefone." A menina explicou, nervosa. "Eu não tenho mãe e o meu único irmão tá nas Filipinas com a esposa, então..."
"E o que você está fazendo aqui ainda, então? Ele precisa de você... vá logo para o hospital." A editora-chefe falou, como se fosse óbvio, espantando a pequena oriental, que achara que iria ter que argumentar mais. "Eu também tenho um pai, Sunshine!" Berry disse, ofendida, quando percebeu a desconfiança estampada no semblante da outra mulher, mas sabia que não deveria estar melindrada, afinal a maneira como ela se comportava no trabalho, desde que havia assumido o cargo, dera indícios de que ela era o tipo de chefe que quer o empregado trabalhando e dando o seu melhor, mesmo que o filho pequeno esteja ardendo em febre.
"É que..." Sunshine suspirou, pensando se deveria mesmo dar essa informação, ou se deveria omiti-la e lidar com as consequências depois. "Bom, eu estava aqui pra encontrar a Lauren, pra nós irmos juntas para a mansão, pra render o Mike e a Mercedes. E eu não acredito que a Mercedes tenha condições de continuar lá por mais algumas horas, porque ela está lá há quase doze." Respirou fundo.
"Tudo bem... eu lido com isso." Rachel garantiu, também puxando o ar com força."Você lida com seu pai. Melhoras para ele." Mostrou simpatia, com toda a sinceridade.
Sunshine saiu e Blaine entrou, a fim de entregar algumas fotos para a aprovação dela, mas logo percebeu que ela tinha sido, de algum modo, afetada pela visita da menina de origem filipina. Ela estava sentada à mesa, com o olhar perdido.
"Rachel, tudo bem?" Tentou obter alguma informação a mais.
"É... está... está, sim, tudo bem." Não estava realmente, mas ela também não iria dividir aquele tipo de problema com Blaine, por mais que ele agora fosse um amigo. O rapaz ficou aliviado, ao ver que, pelo menos, ela não estava irritada, mal humorada, não tinha voltado ao modus operandi antigo. "Steele está desocupada? Ou Green?" Ela questionou o assistente, esperançosa.
"Não. Steele está nos estúdios da HBO, entrevistando Salute e... Green está em Long Beach, cobrindo a gravação do especial de verão do Faris."
"Avise à Lauren que eu vou com ela à Mansão da GH, no lugar da Sunshine, então. Eu não posso mandar alguém que nunca esteve lá, que não sabe absolutamente nada sobre o programa." Sua voz pareceu cansada, de repente. "Cancela minha reunião com McKenan... e pede à Suzy pra comprar, bem rapidinho, duas saladas de frango pra viagem, por favor."
Blaine assentiu e saiu da sala, indo tomar as providências solicitadas. Rachel não se sentia mal humorada, irritada, somente tensa, por ter que encarar Finn novamente. Ela não estava esperando por isso, apesar de, no fundo, saber que, mais cedo ou mais tarde, aconteceria. Agradeceu mentalmente o fato de ter caprichado no visual naquele dia e seguiu para o banheiro, a fim de retocar a maquiagem e ficar ainda mais bonita, pois isso era o mínimo de que precisava, se iria encontrar o mais lindo de todos os homens que conhecia.
Finn estava na Mansão alugada por sua emissora, que abrigava agora as oito meninas que ainda estavam competindo para ser a Sra. Hudson, interagindo com elas desde o começo do dia. Infelizmente, ao mesmo tempo em que se apegava a todas de alguma forma, o que tornara difícil ter se despedido da cheia de personalidade Katie, da brilhante Zoe e da doce Lucy, não conseguia se ver casado com nenhuma delas.
Não somente todas as meninas eram belíssimas, cada uma a seu modo, como ele podia reconhecer, na maioria delas, qualidades que ele admirava bastante e que, racionalmente, eram as que ele buscava em uma mulher com quem formar uma família, com quem compartilhar uma vida. No entanto, começava a achar que aquilo talvez não tivesse sido uma boa ideia, afinal, por mais que ele já fosse fazer trinta anos e não tivesse um relacionamento com ninguém, e isso o estivesse frustrando demasiadamente, casar não é uma operação matemática e um casamento sem sentimentos talvez fosse ser uma experiência igualmente frustrante.
Naquele exato momento, enquanto trocava de roupa em seu camarim na casa, para ir ao cinema com Quinn, que havia sido sorteada para o passeio, ele pensava no quanto dessa sua falta de atração real por alguma das meninas tinha a ver ou não com Rachel. Depois de mais de um mês sem vê-la, ele tinha colocado os pensamentos em ordem e chegara à conclusão de que, mesmo ela não tendo um marido e sim um namorado apenas, isso não deveria fazer diferença, uma vez que ela o tinha rejeitado e não merecia que ele fizesse qualquer movimento em sua direção. Seria humilhante demais dar a ela a oportunidade de repeli-lo outra vez!
O problema é que, se era perfeitamente possível colocar em ordem a cabeça, talvez o mesmo não pudesse ser feito com o seu coração, que estava repleto dela, e o seu corpo, que tanto queria o dela junto de si, como jamais quisera a mais alguém em quase trinta anos de existência.
Foi distraído com esse pensamento que Finn deixou o camarim e se juntou à sua equipe, para receber instruções de Artie. O amigo e diretor explicou a ele que faria uma tomada dentro da casa, onde ele buscaria Quinn, depois outra dos dois entrando no carro. Acrescentou que eles seriam filmados dentro do carro durante todo o trajeto, para que depois fossem feitas edições das imagens, e o mesmo ocorreria no shopping e mesmo dentro do cinema, onde seriam usadas câmeras especiais para ambientes escuros e haveria o mínimo possível de pessoal da produção.
A conversa deles foi interrompida, quando ele viu, pelo canto do olho, a chegada indesejada da mulher que tinha voltado à sua vida para atrapalhar seus planos, que antes ele via como algo tão bem arquitetado.
"Ah, não, por favor!" Ele disse, desanimado, fazendo Artie olhar na direção do que o incomodara.
"Puta merda!" Foi o comentário mais sincero do amigo.
"Me diz que ela não vai nos acompanhar ao cinema, por favor!" Finn pediu, seu tom suplicante.
"Se ela veio pra render a Mercedes, ela vai, sim, Finn. Eu sinto muito, cara, mas você sabe que, pelo contrato que assinou com os RIB, eles tem o direito de acompanhar todas as atividades... você mesmo o redigiu, junto com os advogados."
"Eu... cara, eu não posso ir ao cinema com alguém, sabendo que a Rachel tá lá também! Isso é... estranho, desconfortável. Eu jamais vou relaxar... vai ser o pior programa de todos!"
Artie entendeu muito bem sobre o que ele estava falando, porque, depois de beijar Rachel e ser afastado por ela, quando queria muito mais do que somente alguns beijos, Hudson ficara tenso o suficiente para desabafar um pouco com o amigo. Apesar de não ter entrado em muitos detalhes, tinha finalmente confessado que os dois haviam tido uma relação muito intensa no passado e compartilhara também informações sobre o episódio ocorrido semanas antes.
"Nós podemos adiar para amanhã e hoje você assiste um DVD aqui mesmo, com todas. O que acha?" Foi a solução dada pelo amigo e aceita imediatamente pelo outro, que sentiu como se um peso deixasse suas costas.
Rachel e Finn se cumprimentaram de longe e, durante toda a permanência dela na mansão, ficaram em cômodos diferentes: ele na sala de vídeo com as meninas, e ela na sala de monitoramento. Somente Lauren, como fotógrafa, entrou na sala de vídeo, para fazer alguns registros, mas ela podia ver de fora, até porque não haveria muito o que dizer na revista sobre aquele tipo de atividade.
Antes mesmo que o filme terminasse, Sunshine, cujo pai estava bem melhor do que o vizinho fizera parecer e já havia recebido alta, chegou ao local e Rachel pode ir embora. O que ela não percebeu foi que, enquanto procurava o celular em sua bolsa grande e cheia, deixara cair um envelope repleto de papéis, que foi encontrado por um contrarregra e entregue a Artie.
"É da Rachel." Havia o nome dela logo no primeiro papel que ele tirou do envelope, uma conta do apartamento. "Será que o pessoal da equipe dela não poderia levar?" O diretor perguntou.
"Claro, vou dar a eles." O rapaz falou, pegando o envelope de volta.
"O que houve?" Finn quis saber, quando se aproximou, para se despedir do amigo. O dia dele ali havia acabado.
"Rachel deixou cair aquele envelope."
"Como você sabe que é dela?"
"Há uma conta com o nome dela."
"E o que mais?"
"Eu não fiquei mexendo nas coisas dela, não é, Finn?"
"Claro... é mesmo." Riu, sem jeito. "E o que o Roger ia fazer com ele?"
"Entregar à equipe dela."
"Mas eles não vão fazer um plantão longo?"
"Aham." Artie encolheu os ombros, como quem pergunta o que há demais nisso.
"E se houver algo importante no envelope?"
'Não pensei nisso... mas, de qualquer forma, eles devem avisar a ela e, se for importante, ela dá um jeito."
"Sou mais cavalheiro do que isso... eu levo." Falou decidido.
"Se acha que deve..." O amigo lavou as mãos.
Finn foi buscar o envelope, que estava em poder de Sunshine e pediu que seu motorista voltasse ao endereço ao qual tinha levado a Srta. Berry na noite do prêmio. Felizmente, ele tinha todos os endereços aonde já havia ido para levar alguém, fazer alguma entrega ou buscar alguma coisa, devidamente registrados e não teve problemas em fazer o que o patrão solicitou.
O racional estava perdendo mais uma vez uma batalha importante para o emocional e a oportunidade de ver Rachel parecia imperdível, apesar de todos os argumentos que o cérebro de Finn tentava formular. Seu diabinho interior era tão esperto que quase conseguia fazer com que acreditasse que estava sendo apenas cavalheiro, educado e gentil, como sua mãe lhe ensinara a ser, só para que pudesse ir ao apartamento da morena sem ter plena consciência do quanto aquilo era má ideia.
O anjinho em sua mente torceu para que ela não estivesse em casa, ainda, quando perguntou por ela para o porteiro, mas foi o diabinho quem riu por último, porque não somente ela estava, como disse que o receberia, ao ser informada da presença dele.
"Boa noite." Ele disse, educado, mas frio. O anjinho dizendo que não valia a pena ver aquilo como nada mais do que uma entrega cuidadosa de um envelope que poderia ser importante.
"Boa noite, Finn." Ela cumprimentou também. "Isso é realmente uma surpresa!"
"Eu posso imaginar." Continuou sério. "Eu apenas vim trazer isso, porque não sabia se havia algo importante, de que você fosse precisar..."
"Meu Deus! Definitivamente, havia, sim. E eu nem me dei conta de que não estava comigo! Obrigada por trazer." Houve um momento de silêncio desagradável. "Você não quer entrar?"
"É um belo apartamento." Disse, caminhando para dentro da sala.
"Obrigada. Aceita uma bebida... um uísque ou... vinho talvez?"
"Um uísque."
Rachel serviu uma dose para Finn e completou a taça de vinho que estava degustando antes da chegada dele, e os dois ocuparam um espaçoso sofá de três lugares, mas ela escolheu sentar-se perigosamente perto dele. Conversaram sobre coisas relacionadas à TV, que era um assunto que os dois dominavam, simplesmente para ocupar o lugar do silêncio incomodo que os envolveria, se não o fizessem.
Mesmo assim, depois de algum tempo, os dois se encararam e se viram cativos na intensidade dos olhares que trocavam. Como hipnotizada e sem sombra de razão alguma se fazendo presente em sua mente, Rachel avançou na direção de Finn e o pegou de surpresa ao juntar seus lábios aos dele.
O diabinho nocauteou o anjo e ele aprofundou o beijo, deixando para pensar mais tarde. Aquilo era bom demais para se estragar!
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