A Chave Para O Coração
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Eu simplesmente DETESTO não atualizar, mas além de eu ter ficado um pouco mais ocupada que o normal, eu tive um momento de um desânimo também fora do normal e, nos poucos momentos em que eu escrevi, ainda tinha a outra fic, que eu tinha a pretensão de acabar antes do dia 13.
Então, me perdoem... é só o que posso dizer.
Beijos e espero que gostem, apesar de esse capítulo ser apenas de memórias e pequenas mudanças...
Rachel se jogou no sofá da sala, com um pote de sorvete e uma colher nas mãos, e alcançou o controle remoto na mesa de centro, usando-o para ligar a grande TV de LED da sala íntima e navegar aleatoriamente pelos canais. Não se deu conta de que era quinta-feira, até chegar ao canal 39, que correspondia ao GHShow, e se deparar com um episódio de A chave para o coração.
Berry tentou enganar a si mesma, fingindo não estar curiosa em relação ao que estava acontecendo no programa e sobre quem Finn escolheria eliminar naquela noite. Passeou por outros canais, mas acabou voltando ao fatídico 39, afinal, por mais que soubesse muito sobre o que acontecia na mansão, em razão de ter que pelo menos passar os olhos nas matérias escritas por Mercedes e Sunshine, ver era diferente e ela estava, sim, muito curiosa.
Ela viu cenas de Finn interagindo com várias das meninas: jogando tênis com Quinn, brincando com Santana sentada em seus ombros dentro da piscina, rindo de uma piada contada por Brittany, conversando seriamente com Zoe, almoçando com Emma ao ar livre, caminhando com Katie por uma praia, jantando ao som de violinos com Nina.
Finn não parecia flertar com nenhuma delas, parecia apenas que elas eram boas amigas com quem ele estava passando um tempo, se divertindo, realizando diferentes atividades de que gostava, como o jogo de tênis, por exemplo, que por sinal ele tinha aprendido com o pai dela. No entanto, quando chegou a hora da cerimônia das chaves e Finn recolocou os cordões, que as meninas entregavam à produção toda quinta-feira à tarde, no pescoço de onze delas, entregando a Amanda o pingente dentro da caixa, o que significava que ela deveria deixar a casa, Rachel se sentiu péssima.
Observar uma das garotas deixando a casa era como ver o momento em que Finn escolheria uma das garotas que estavam ali reunidas, e ficaria noivo dela, se aproximando e aquilo doía. Rachel se xingou mentalmente por ter ficado assistindo ao programa, quando poderia ter colocado em outro canal ou escolhido um filme em Blu-Ray para assistir, apesar de saber muito bem que ver aquela cena era apenas a cereja do bolo naquela horrível semana que ela tinha experimentado.
Depois de ter beijado Finn na semana anterior, a garota tinha tido dias tão ruins que, pela primeira vez em anos, mentira a seus chefes que não estava bem de saúde e ficara trabalhando por quase uma semana em casa. Nos momentos em que trabalhava, conseguia se distrair, mas se ficasse um minuto sequer parada, não pensava em nada além de Finn e do passado. Eram lembranças de momentos felizes, mas que, recordados, só traziam tristeza.
Lembrou da noite da festa de formatura, quando, depois de uma transa bem ousada no banco da limousine, fez amor com o rapaz em um quarto de hotel, cuja diária ele fez questão de pagar com suas economias, e no qual ele havia pedido para colocarem uma garrafa de champagne em um balde de gelo, bem como para espalharem pétalas de rosas vermelhas pelo chão e sobre a cama.
Recordou o dia do último aniversário dele em que tinha estado presente, e o brilho nos olhos dele e o sorriso largo em seu rosto, quando ela lhe dera de presente o pequeno filhotinho que eles chamariam de Uno. O cachorro se tornaria, a partir daquele momento, o xodozinho de todos os moradores da casa, mas pareceria, incrivelmente, reconhecer Rachel e Finn como seus pais, ficando sempre perto deles quando estavam em casa, esperando por eles na porta nos horários em que cada um costumava chegar, querendo dormir no quarto de um dos dois e não em sua cama na área de serviço. Ela sentia saudades de Uno, mas, como ele tinha sido um presente, ela tinha sido obrigada a deixá-lo para trás.
Ao longo de uma semana em que pouco conseguiu dormir, se reviu aos treze anos de idade, conhecendo aquele rapaz tão alto e lindo que tinha ido de repente morar no mesmo apartamento em que ela vivia com o irmão, o pai e os avós. A menina que tinha, então, pôsteres e milhões de recortes sobre Leonardo DiCaprio, e que queria conhecê-lo pessoalmente e se tornar namorada dele, passou a sonhar com alguém bem mais próximo, a ver Finn como seu príncipe encantado, mesmo que ele fosse apenas o filho da enfermeira de seu avô, que morava com os Berry de favor, para que a mãe não ficasse longe dele.
Muitos flashes de sua vida vieram à sua mente naqueles dias em casa, como o primeiro beijo dos dois, que foi também o primeiro beijo dela, quando ela tinha quatorze anos e pegou ele de surpresa, puxando-o para debaixo do visco pendurado sobre a porta, na noite de Natal, e colando seus lábios nos dele. Ou como o dia em que ela pediu a ele que dançasse com ela em um dos bailes do colégio, pouco mais de um ano depois, e, após a dança, os dois correram para um corredor do colégio, se declararam um para o outro e se beijaram, dessa vez sem desculpas tolas e com muito mais intensidade.
No dia em que se pegou pensando na noite em que tinha se tornado mulher nos braços dele, ela chegou a ligar para Sam e pedir que o namorado tentasse ir mais depressa para os Estados Unidos, na esperança de que uma boa companhia acabasse com aquela tortura. Porém ele tinha garantido que estava fazendo tudo o que podia, mas que não havia quem cuidasse dos processos pelos quais ele era responsável, e que somente o retorno de seu irmão Liam, que estava na Alemanha, resolveria o problema.
Em meio a tantas lembranças, e não somente a elas como também a pensamentos sobre esse Finn com quem ela era obrigada a conviver agora e que a tinha beijado, dias antes, Rachel teve momentos de raiva, mas eles não foram a maioria. Na maior parte do tempo, ela se sentiu triste, vulnerável, indefesa. A garota chorou naquela semana de semi-folga provavelmente mais do que havia chorado em oito anos.
Provavelmente, nada! Quem ela queria enganar? Ela chorara, em uma madrugada e seis dias, bem mais do que chorara nos últimos anos. Só se lembrava de ter permitido que lágrimas rolassem pelo seu rosto em situações relacionadas à morte ou a problemas de saúde de entes queridos seus. Jamais tinha ficado mal a ponto de chorar em Londres, fosse por um término de relacionamento, ao enfrentar dificuldades profissionais ou por qualquer coisa do gênero. Enfraquecer, se deixar abater, desanimar e, principalmente, deixar que qualquer pessoa a fizesse sofrer não eram opções para Rachel, depois de ela ter deixado Nova York.
Rachel tinha escolhido levantar muros em volta de si, vestir máscaras se necessário, e só abria a guarda quando estava com Sam ou Mercedes, e, mesmo assim, não completamente. Agora, por exemplo, estava mentindo à amiga sobre os motivos que a mantinham em casa, pois não podia lidar com aquilo, não podia falar. Isso dificultaria o trabalho que ela sabia que precisaria fazer, que era o de voltar a enterrar bem fundo as memórias que os beijos de Finn tinham trazido à superfície. Voltar a enterrar aquela Rachel ingênua que achava que seu amor podia tudo, que poderia ser plenamente feliz.
Ter visto sua antiga paixão na TV, convivendo com a mulher com quem ele iria se casar, mesmo que não estivesse definido ainda qual das onze seria, fez com que Rachel chorasse de novo, intensamente, com soluços escapando de sua garganta, com lágrimas encharcando seu rosto e misturando sal ao sorvete com o qual ela se entupia. Contudo, cessadas as lágrimas, aquilo tinha sido o impulso que faltava para que ela desse como terminado aquele período de entrega à prostração e fosse dormir resolvida a voltar a ser uma mulher bem sucedida e autoconfiante.
Um dos primeiros passos para que uma mulher resgate a autoestima é dar especial atenção ao visual, então Berry acordou bem cedo no dia seguinte e visitou o salão de Roz Washington, que felizmente abria quase de madrugada, pois era também um SPA. A mulher estranhou a presença dela, visto que normalmente a atendia em casa, mas cuidou do cabelo dela prontamente e designou os melhores profissionais do lugar para cuidarem de sua depilação e de suas unhas, e para lhe fazerem massagens relaxantes. Depois seguiu para o ateliê de Kurt Hummel, a fim de convidá-lo para fazer compras com ela na Rodeo Drive, dando o seu toque de especialista às escolhas que ela fizesse.
"Rachel? O que faz aqui tão cedo e... sem avisar, querida? Aconteceu algo?" O rapaz perguntou, entrando no ateliê, ao qual havia sido chamado por sua secretária.
Kurt estava de robe, pois estava dormindo em seu apartamento, anexo ao estúdio, uma vez que o local só abriria ao público dali a uma hora e meia, mais ou menos, e tinha sido acordado pela assistente. Não queria ser rude, mas era simplesmente estranha a aparição surpresa de Rachel Berry em seu local de trabalho.
Eles tinham desenvolvido uma espécie de amizade ao longo dos últimos meses, porque, além de escolher vestidos para que ela usasse em ocasiões especiais, ele também costumava ir às compras com ela, como fazia com alguns clientes mais inseguros. Apesar de não achar a garota nada insegura em suas opções, ele não recusara o pedido e eles tinham passado bons momentos juntos por isso.
Eles se falavam pelo telefone às vezes, apenas por falar, sem que fosse para conversar a respeito de moda, e tinham ido tomar café juntos, algumas vezes, em ocasiões em que ela fora ao estúdio e ele estava completamente vazio, possibilitando que o dono ficasse ausente por uma meia hora ou um pouco mais. No entanto, nunca imaginara a morena indo lhe fazer uma visita matinal como aquela.
"Me desculpe, Kurt." Ela disse, quando ele se aproximou e eles trocaram beijos no rosto, que não eram propriamente beijos, mas apenas bochechas se encostando, de forma afetada. "Na minha empolgação, eu nem percebi que era tão cedo!" Riu. "Eu vim te perguntar se você estaria livre pra me acompanhar em algumas compras."
"Bom, eu não preciso estar aqui até umas três, mais ou menos... que é quando eu tenho cliente marcada. Sem hora marcada, todo mundo sabe que corre o risco de ser atendido apenas pela Looly." Afirmou, fazendo posse, e ela riu.
"Ótimo! Estava pensando em ir a loja da..."
"Babe, por que acordei e não te encontrei na cama?" Alguém entrou no estúdio já falando e interrompendo Rachel, que olhou na direção da porta, encontrando nada mais nada menos que seu assistente ali. "Ai. Meu. Deus." O rapaz acrescentou, chocado, ao ver sua chefe, que levava as mãos à boca, totalmente surpresa também. Kurt observava os dois, mordendo o lábio inferior, preocupado com qual seria a reação dela, ao saber que ele estava se relacionando com seu funcionário.
"Ora, se não é Blaine Anderson quem eu encontro aqui... e chamando meu consultor e amigo Kurt Hummel de babe." Ironizou, mas não de forma antipática.
Ela pareceu aos dois até meio brincalhona, aliás. Isso poderia ser tido como algo estranho um tempo antes, mas Blaine não estranhou totalmente o tom, porque ela vinha acertando o nome dele sempre, nos últimos dias, e tinha sido até um pouco simpática, todas as vezes em que ele tinha ido ao apartamento dela para levar documentos que precisavam ser assinados, textos que deveriam ser aprovados e que ela não queria receber apenas por email, e outras coisas de trabalho quaisquer.
"Eu sinto muito, Rachel. Não era para você saber assim." Kurt resolveu responder e se desculpar, de qualquer modo. Era melhor não arriscar, uma vez que não estava nada clara a reação dela ao envolvimento dos dois. "Eu ia te procurar... e te contar."
Rachel ficou em silêncio um tempo. Olhou de Blaine para Kurt, de Kurt para Blaine, e repetiu o gesto outra vez, sem mudar o semblante, como se estivesse pensativa. Os dois se olhavam apreensivos, temendo que talvez um deles fosse perder o emprego em uma das maiores editoras do país, e o outro fosse ficar sem uma de suas melhores clientes.
"Ok, rapazes. Eu só quero saber uma coisinha." Ela disse bem séria, fazendo os dois tremerem por dentro. Rachel era capaz de provocar esse tipo de reação, de intimidar, mesmo sendo uma mulher bem pequenininha. "Kurt Hummel... quais são suas intenções com o MEU assistente?" Ainda falou com tom sério, mas depois abriu um enorme sorriso e por fim soltou uma boa gargalhada, mostrando que estava brincando, e fazendo com que os dois soltassem o ar que nem tinham percebido que estavam prendendo nos pulmões. Rachel Berry, afinal, também podia ser surpreendente para caramba!
A garota tinha compreendido que, para não ficar mais tão vulnerável quanto naquela semana, o melhor caminho era ter alguns bons amigos com quem contar e não afastar praticamente todas as pessoas como vinha fazendo até então.
Rachel decidira que continuaria construindo muros, mas eles com certeza agora teriam algumas portas a mais do que antes.
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