A Chave Para O Coração
22 Capítulo 22
Notas iniciais
1) muito obrigada pelos comentários! eles sempre fazem o meu dia ficar melhor, no matter what! =))
2) não se deixem levar pelas aparências... essa NÃO é mais uma fic em que Finchel se separou por causa das ambições profissionais da Rachel (deixa isso pro RM)
Espero que gostem... bjooooo!
Rachel sabia que aceitar um convite para ir ao apartamento de Finn significaria viver mais um momento maravilhoso com ele, aumentar sua paixão e esperanças irracionais, e depois passar pelo inevitável afastamento, e sofrer sozinha e calada, enquanto ele se casasse com outra, que ele julgasse a mulher perfeita para ele, no final de seu programa de TV.
Ela sabia que não era bom para ela alimentar aquele sentimento, jogar aquele jogo cheio de regras que tornavam impossível a vitória, mas mesmo assim não conseguia evitar jogá-lo, não conseguia dizer "não" para qualquer pedido que viesse acompanhado do sorriso torto ou do olhar suplicante e intenso daquele homem.
Foi por isso que ela desceu nervosa, em frente a um prédio alto e chique situado no melhor bairro de LA, do carro que ele tinha enviado para buscá-la em sua casa. E foi por isso que, guiada pelo porteiro do edifício até o elevador, subiu ansiosa, contando os andares, até ser recebida de portas abertas por um cachorro de pelos dourados, sentado educadamente com uma rosa amarela na boca, e um homem lindo e sexy de camiseta branca e jeans, parado de pé, com um sorriso luminoso em seu rosto.
O sorriso dela espelhou o dele, imediatamente, enquanto ela se agachava em frente a Uno, fazendo carinho nele, que abanava o rabo, talvez reconhecendo a "mãe" que viveu com ele por tão pouco tempo. Ainda alisando o pelo macio do animal, ela pegou a rosa e levou ao nariz, levantando-se em seguida e ajeitando o vestido da nova coleção de Dior.
"Obrigada, Uno." Disse, alegre. "Você é um perfeito cavalheiro!" Sorriu, lançando um olhar provocador ao dono do bicho.
"Ele só estava muito ansioso pra ver você." Finn afirmou, em um tom fingidamente sério.
Ela sorriu, ele fez sinal para que entrassem no apartamento, e o cachorro correu pela casa, sumindo de suas vistas em seguida. Rachel fez uma cara pensativa, logo depois de adentrar a sala, e Finn ficou observando, esperando uma reação dela.
"Não!" Ela exclamou, surpresa. "Eu conheço esse cheiro! Não me diga que você..."
"Uhum! Talharim à Carbonara... receita da Sra. Colbie. Eu acho que aprendi direitinho."
"Você mesmo tá cozinhando?" Questionou, incrédula.
"Quer me ajudar?" Ele piscou e estendeu a mão para ela, que segurou-a, enlaçando seus dedos nos dele.
"Eu não acredito que você fez tudo isso, Finn." Ela comentou, passando pela mesa de jantar, arrumada com tudo o que era necessário para uma refeição a dois, além de castiçais com velas e flores.
"Vai me dizer que você achou que eu tinha te chamado mesmo aqui só pra ver o Uno?" Implicou.
"Claro que não." Ela falou manhosa, e ele sorriu, segurando o rosto dela e, finalmente, beijando-a como queria fazer desde que ela saíra do elevador.
Os dois se separaram e caminharam de mãos dadas até perto do fogão. Ele alcançou uma colher, mexeu o molho, pegou um pouco dele e, depois de soprar, ofereceu para que ela provasse. Estava delicioso, e a expressão de deleite que ela ostentou fez com que Finn lhe roubasse mais alguns beijos, antes de voltar a se dedicar à refeição dos dois.
Enquanto Finn preparava a comida, e durante todo o jantar, eles conversaram, animadamente, sobre os assuntos mais diversos, e também trocaram sorrisos, olhares e carinhos, como se tivessem voltado a ser um casal, como antigamente. Ele a surpreendeu com uma palha italiana de sobremesa, e os dois relembraram as vezes em que invadiam a cozinha comandada pela Sra. Colbie e faziam o doce preferido de ambos, juntos, brincando de sujar um ao outro com chocolate, implicância que normalmente acabava em amassos que, se tivessem sido testemunhados pelos familiares dela, teriam colocado os jovens em apuros.
Depois do jantar, o casal se transferiu para uma pequena sala onde degustaram licores e ouviram música, sempre conversando muito. Era impressionante como, apesar de todo o tempo que ficaram separados, e até sentindo rancor um do outro, a reconexão entre eles tinha sido tal que o assunto fluía sem qualquer dificuldade.
É claro que eventualmente os tópicos do cotidiano davam lugar a insinuações, flertes, brincadeiras íntimas, e os dois começavam a se beijar e abraçar, ora de forma mais ansiosa e cheia de luxúria, ora de forma mais tranquila e amorosa. Nesses momentos, o silêncio falava por eles. Os dois não precisavam de palavra alguma para mostrar o quanto estavam entregues, envolvidos. Nada que dissessem teria mais força do que os toques, as reações físicas, a sincronia de suas línguas se encontrando, se adorando, bailando juntas.
No entanto, em um desses momentos mais calmos, de simples aconchego, as palavras acabaram por se apresentar e tomar um rumo que se poderia chamar no mínimo de inesperado.
Finn tinha Rachel deitada em seu peito, e enrolava nos dedos uma mecha do cabelo dela, admirando-a, enquanto ela escrevia seus nomes com o dedo no braço dele. Uno, que tinha trazido vários de seus brinquedos para Rachel ver, querendo chamar a atenção dela, e tinha tido, assim, a sua dose do carinho da ilustre visitante, sossegara e estava agora deitado perto dos pés do "pai".
"Eu poderia passar a vida toda te olhando." Ele disse, estudando o rosto dela.
"Só me olhando?" Ela sorriu, brincalhona.
"Não me provoca!" Ele ameaçou, jocosamente, enquanto fazia cócegas na cintura dela, que ria muito e tentava se defender.
Não conseguindo afastar a mão dele, ela decidiu distraí-lo, envolvendo seu pescoço com os braços e iniciando mais um beijo demorado. Ele a abraçou forte pela cintura, encostando parte de seus corpos, e correspondeu todo o carinho que ela lhe transmitia no beijo, calmo e livre de qualquer pressa. Quando os dois se separaram, tinham sorrisos inevitáveis em seus rostos.
"Eu sempre quis ter uma filha com essa sua carinha." Ele afirmou.
"E eu sempre dizia que não queria que ela tivesse o meu nariz." Ela lembrou, rindo.
"Eu nunca entendi essa sua implicância com o seu nariz! Você é linda, exatamente assim... e eu não me incomodaria nem um pouco com uma garotinha que fosse todinha você." Roubou alguns selinhos dela. "Pensando bem, não sei, não. Acho que isso ia me dar muito trabalho... ia ter que ficar afastando milhares de garotos..." Exagerou.
"Finn!" Ela riu. "Você nunca precisou afastar MILHARES de garotos de mim!"
"Você que pensa." Riu também, e os dois ficaram em silêncio de novo, por um tempo, se admirando e trocando carinhos inocentes. "A gente tinha tantos planos! E por oito anos eu achei que todos os meus sonhos tinham sido destruídos." Ele quebrou o silêncio, sério. "Mas você voltou pros Estados Unidos... veio parar na mesma cidade que eu. Você voltou pra minha vida, Rach... e, olhando você aqui, agora... eu percebo que eu tenho sonhos de novo e eu esqueço absolutamente tudo... eu perdoo tudo!"
"Perdoa? Como assim perdoa?" Ela perguntou, incrédula, se afastando.
"Perdoo você ter me abandonado." Falou, como se fosse óbvio, porque, para ele, era mesmo. "Você ter me deixado esperando eternamente em pleno cartório! Ter feito o dia do meu casamento, que era para ser o mais feliz da minha vida, virar um inferno... quando me deixou horas na frente daquele monte de convidados que eu sequer conhecia direito, e que me olhavam, ou com cara de pena, ou debochando de mim... e não apareceu!" A simples lembrança doía, mas eles não poderiam ficar para sempre fugindo do assunto.
"Você fala como se fosse a vítima, Finn!" Disse, extremamente irritada. "Como se não tivesse feito por merecer!"
"Merecer? Do que você tá falando?" Ele não entendia. O que ela poderia querer dizer com fazer por merecer?
"Meu Deus!" Ela balançou a cabeça, negativamente, querendo se estapear, se punir por sequer falar com ele sobre aquilo. Não conseguia acreditar no cinismo dele! "Eu nem sei por que eu perco cinco SEGUNDOS do meu tempo com você, Finn Hudson!"
Ela se levantou, pegou sua bolsa Marc Jacobs e saiu como um foguete, deixando-o tão surpreso e confuso, que ele demorou demais para perceber e ir atrás dela, chamando seu nome. Ouviu somente o barulho dos saltos agulha dos sapatos Ferragamo dela, batendo forte contra o piso de granito de seu apartamento, e a porta da sala de entrada sendo fechada com a maior brutalidade que alguém do tamanho dela conseguiria desferir contra um objeto.
Ele ainda correu para o corredor, mas ela descera as escadas, porque sabia que ele a faria conversar, enfrentar o assunto, se ficasse ali, esperando o elevador. Desceu parte dos degraus, mas logo desistiu de ser aquele que sempre corre atrás, que está constantemente no encalço de alguém que, por sua vez, insiste em ir embora, repetidas vezes, sem aviso prévio.
Finn ficou pensando por horas e horas nas palavras dela. Rachel parecera totalmente sincera, ao dizer que ele tinha merecido ser deixado no "altar", mas, por mais que ele rememorasse todos os acontecimentos do passado, não conseguia descobrir nada que tivesse feito, que pudesse ser considerado errado.
Tinha visto a noiva, pela última vez antes do dia do "sim", na manhã de sexta-feira, quando ela deixara o quarto dele, após ter dormido lá em segredo. Depois, tinha trabalhado o dia todo, e à noite havia saído com os irmãos e os primos dela. Os cinco tinham tomado algumas cervejas, mas ele estava muito cansado e não queria estar com olheiras no dia seguinte, na hora de seu tão aguardado casamento, então sequer tinha bebido muito ou voltado tarde para casa.
No sábado, tinha dormido até a hora do almoço, comera em companhia da mãe e passara a tarde se preparando, tendo chegado ao cartório meia hora antes do horário marcado para o enlace dos dois. Permanecera lá, mesmo depois de inúmeras tentativas de Carole de convencê-lo de que Rachel não apareceria, e só aceitara ir embora quando o próprio irmão da garota informou que ela tinha partido para Londres no último voo.
Como ele disse a ela, viver aquele momento foi como ter uma exata noção do que seria ficar no inferno, para Finn. E não só aquele dia, mas também os que se seguiram a ele. Ele ficou miserável. Não comia, não conversava com ninguém, ia do trabalho para casa e de casa para o trabalho, saiu da casa dos Berry imediatamente, indo morar com um amigo cuja família se solidarizou com seu drama, e deixou seu cargo na empresa da família dela logo que pode, apesar de Leroy ter pedido desculpas pela atitude da filha, milhões de vezes, e insistido para que ele ficasse.
Finn foi bastante infeliz por algum tempo, e só voltou a sorrir de verdade quando começou a cuidar dos negócios deixados pelo avô. Sempre pensava em Rachel, mas não como a mulher que ele amava, e sim com mágoa. Ela se tornou a pessoa responsável pelo pior momento da vida dele, o mais infeliz, o mais chocante e o mais humilhante de todos! E quando a reencontrara, graças aos trabalhos de ambos, sentira raiva por um tempo, porque a vira ainda como a garota egoísta que o tinha deixado para trás, da pior forma possível, para seguir seus sonhos profissionais.
No entanto, depois de estar com ela de novo, de observá-la de perto, de conversar com ela, de tocá-la, de beijá-la, e de fazer amor com ela, ele tinha perdoado tudo e começado a ver as coisas por um outro ângulo. Entendera que ela não poderia ser culpada, para sempre, por um único comportamento errado, por uma decisão tomada aos dezoito anos! Percebera que ela provavelmente tinha sentido medo de se casar tão cedo, que ela tinha se arrependido de descartar a faculdade que mais queria, em Londres, por causa dele, e que tinha fugido apenas por falta de coragem de encará-lo e de lhe dizer tudo isso.
O que Finn não esperava era que ela achasse que o fato de ele nunca ter aceitado ir para Londres, e ser sustentado pela família dela, e de, por isso, ela ter tido que escolher entre cursar a famosa faculdade inglesa e ficar longe dele, ou estudar em uma faculdade americana e se casar com ele, tornara-o merecedor de ser abandonado, sem qualquer explicação, em pleno dia marcado para a união dos dois. Ela agora tinha quase vinte e sete anos, e, se pensava desse modo, sua atitude não tinha sido fruto de imaturidade, mas de extremo egoísmo!
Era bem estranho, porque eles tinham conversado muitas e muitas vezes, quase exaustivamente até, sobre os estudos dela e sobre esperar um pouco mais para casar, e ela, apesar de ter, sim, tentado convencê-lo a morar na Europa, parecera ter compreendido as razões dele, e jamais demonstrara desejo de esperar alguns anos para assinar os proclamas. Mais do que isso: fora ela quem sugerira a Finn, durante um final de semana romântico na praia, que os dois se casassem pouco depois da formatura, ainda que oficialmente ele tenha feito o pedido a Leroy alguns dias depois.
Realmente, Finn não sabia o que pensar. Uma coisa era ela ter entrado em pânico, ter se convencido de que casar era precipitado, e ter viajado correndo por isso. Outra era ela, de uma hora para outra, ter passado a pensar que ele tinha que segui-la para onde quer que ela fosse, ou não a mereceria, e ter partido por essa razão. Essa segunda opção era a coisa mais esquisita do mundo, mas ao mesmo tempo era a única explicação que ele podia encontrar! Ela tinha falado em fazer por merecer e ele não tinha feito absolutamente nada, a não ser escolher os EUA como seu lar e o próprio trabalho como forma de sustento.
Finn amava muito Rachel e tinha certeza de que sempre a amaria, independentemente do que acontecesse. Porém, também estava certo de que o amor não era tudo, e não movia tantas montanhas quanto gostaríamos que ele movesse. Amar uma pessoa egoísta e teimosa às vezes é algo inevitável, mas esse pode ser um tipo de amor que machuca mais do que conforta.
Ter uma vida ao lado de Rachel não parecia mais uma opção viável e isso doía demais! Finn se sentia como se estivesse, mais uma vez, sendo deixado pela mulher a quem entregara seu coração, seus sonhos, sua vida.
Chorar foi a única coisa que Hudson conseguiu fazer, por algumas horas, naquela noite. Porém, enquanto as lágrimas escorriam, ele fazia uma importante promessa a si mesmo: aquela seria a última vez em que ele choraria por Berry. Seria a última vez!
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