A Chave Para O Coração
11 Capítulo 11
Notas iniciais
As roupas de Finn e Rachel desse capítulo podem ser vistas no meu orkut (finchelouca)... ele tem a roupa do PCA, e ela tem a do PCA e uma outra que ela vai ter usado em uma situação de que ela vai se lembrar, ok?
Bjs!
"É bom te ver de novo animado, Finn. Eu não tava reconhecendo meu amigo naquele zumbi da semana passada!" Artie riu. Os dois estavam juntos no estúdio da stylist Lindsay Zir, se arrumando para ir ao People Choice Awards. "E confesso que eu esperava que você hoje fosse estar num mau humor do cão, já que os tapetes vermelhos não são nem um pouco a sua praia."
"É verdade. Eu to me sentindo bem melhor! Me fizeram bem os encontros com as meninas... ainda que algumas delas sejam um pouco... intensas." Finn afirmou, rindo.
"Quando a Taylor fez aquilo, eu tive certeza que você reagiria daquele jeito." O amigo comentou, se referindo ao fato de a loira ter feito topless, durante a tarde que ela e Finn passaram no barco, e de isso ter feito com que ela fosse a segunda eliminada do programa.
"É muito preconceituoso da minha parte não querer ter como minha futura mulher alguém que mostrou os seios num programa que o país inteiro vê?" Perguntou, preocupado, ajeitando sua gravata Kenneth Cole, que acompanhava perfeitamente o terno Hugo Boss.
"Não, cara! Claro que não." Artie vestiu o paletó de seu terno Ermenegildo Zegna. "O importante mesmo é que você tenha voltado a ficar empolgado com o programa. Eu ainda acho que você poderia ter encontrado alguém pelo método tradicional... já que eu não vi você tentar tanto assim, pra poder afirmar que não teve sucesso." Não pode deixar de comentar. "Mas, já que preferiu assim, então o negócio é mergulhar de cabeça."
Lindsay chegou e os ajudou a dar os toques finais no visual. O assunto foi deixado de lado, mas Finn sabia que Artie não estava completamente errado. Ele realmente não tivera relacionamentos suficientes para que pudesse dizer que fora um fracassado neles. Namorara sério apenas duas vezes na vida, tendo a última delas terminado mais de dois anos antes e, tirando as ex-namoradas, nunca saíra mais do que quatro vezes com uma mesma garota.
Finn gostava de pensar que não era um mulherengo como Artie, que tinha como opção declarada o sexo casual. Ele realmente não tinha o mesmo pensamento que o amigo, uma vez que, enquanto Abrams saía de casa à caça praticamente uma noite sim e a outra também, ele era caseiro e sossegado. Normalmente saía com uma mulher apenas quando era apresentado a ela por algum amigo ou quando a conhecia em algum evento relacionado a trabalho.
Tratava as mulheres como possíveis futuras namoradas, levando-as para jantar em bons restaurantes, abrindo a porta do carro e puxando a cadeira para elas, gentilmente, e não tentando levá-las para a cama no primeiro encontro, a não ser quando uma delas era quem tomava a iniciativa. Porém, mesmo assim, no final acabava obtendo o mesmo resultado que Artie, que era o de apenas transar e mais nada, visto que logo começava a ver defeitos e mais defeitos nas pretendentes e simplesmente parava de sair com elas.
Talvez ele fosse até pior do que Artie, pois ele provavelmente dera esperanças às garotas com quem saíra. Porém ele tinha decidido deixar tudo isso para trás, sendo radical consigo mesmo, finalmente. Se ele queria família e filhos, então ele teria que escolher uma garota, nem que fosse aquela com menos defeitos, mesmo que ele ainda enxergasse muitos nela. Ele escolheria e não daria tempo a si mesmo para pensar e desistir: se casaria com ela o mais rápido possível.
Enquanto tirava fotos no tapete vermelho na entrada do Nokia Theatre, Finn viu algumas dessas garotas com quem já tinha saído, e aquelas que tiveram a oportunidade de cumprimentá-lo fizeram questão de fazê-lo, o que de certa forma era um alívio. Ele não queria ser visto como um conquistador barato, afinal ele não era um destruidor de corações e sim alguém que teve o próprio coração quebrado em milhões de pedaços que talvez jamais pudessem ser unidos novamente.
Dentro do teatro, a responsável pela transformação do coração de Finn em caquinhos ocupava, junto com seus chefes, uma das mesas destinadas à imprensa. Ela viu quando Finn chegou com Artie, cumprimentando alguns atores e atrizes, bem como o diretor de uma das séries da GHShow que concorria a prêmios naquela noite, e sentando-se à mesa reservada para aquela produção televisiva. Observou também a enorme satisfação que ele demonstrava, ao ver artistas e programas de sua emissora serem premiados, e percebeu o quanto ele se emocionou quando um dos atores agradeceu a ele, em seu discurso. Era estranho ver um lado sensível em Finn, mas, por alguma razão, ela sentia que ele não estava fingindo.
Encerrada a premiação, os representantes da TVZoom foram cumprimentar Artie e Finn, e dessa vez o clima entre Hudson e Berry não ficou tão tenso. Os dois não chegaram a iniciar nenhuma conversa propriamente, mas cumprimentaram um ao outro educadamente e ele agradeceu, sincero, as felicitações da morena pelos prêmios conquistados pela emissora que ele presidia. Ele não conseguia tirar os olhos dela, que ofuscava o brilho de todas as outras mulheres a sua volta, mesmo havendo garotas lindíssimas em prêmios como aquele. No entanto, não se sentia à vontade para elogiá-la como gostaria.
"Eu não te culpo por precisar de um babador, meu amigo." Disse Artie, quando ficou sozinho com Finn novamente. "Ela é realmente uma mulher linda!"
"Está falando de quem?" Finn tentou disfarçar, apesar de prever que não surtiria efeito algum sua tentativa. O amigo era mais esperto que isso!
"Finn, por favor, né?" O outro ficou um pouco irritado. "Você não quer falar sobre ela e, por mim, tudo bem... mas achar que existe alguma chance de que eu não perceba o quanto ela mexe com você, é demais! Você nunca me subestimou e não vai ser agora."
"Ok, Artie. Eu não sei por que é assim, mas eu não consigo deixar de olhar pra ela, ok? Tem um monte de mulheres lindas aqui e... eu tenho doze mulheres maravilhosas me esperando naquela mansão, doidas pra serem a minha escolhida... a minha mulher! Mas eu não consigo tirar os meus olhos dessa..." Engoliu seco e calou-se.
"Tá tudo bem, cara." O amigo deu um tapinha reconfortante no ombro dele. "Você só precisa de uns drinques e cama. E amanhã você vai encontrar aquelas lindas garotas, tomando sol com aqueles biquínis mínimos... e doidinhas por você!" Finn riu do amigo. "Eu vou pra festa pós-prêmio na mansão do Marty... a gente se vê amanhã."
"Eu vou com você."
"O QUE? Você tá com febre ou algo assim, cara? Você nunca vai às festas depois dos prêmios."
"Mas hoje eu quero ir." Deu de ombros.
"O que não tem nada a ver com não tirar os olhos de uma certa morena, é claro." Abrams ironizou e Finn não negou que estivesse indo porque sabia que Rachel estaria lá. Eles tinham visto quando ela e os chefes confirmaram a Marty sua presença.
Os dois amigos chegaram à casa do velho ator antes do pessoal da TVZoom e Finn observou quando Rachel entrou no grande salão de festas de braços dados com Brad. Pensou que aquele longo e decotado vestido verde lhe caía muito bem, mas depois riu de si mesmo por saber que a acharia linda com qualquer cor que ela escolhesse usar. Riu, ainda, do quanto era patético querer estar no lugar de Brad naquele momento, ao mesmo tempo em que continuava sentindo a mesma raiva de sempre, ao olhar para ela. Era um misto de sentimentos que talvez nem Freud e Jung pudessem explicar, apesar de todos os seus estudos sobre a mente humana.
"Então, Rachel e Brad..." Tentou obter alguma informação de Ian, com quem conversava algum tempo depois, enquanto Rachel dançava, acompanhada de Brad, de Ryan e do companheiro dele.
"Você diz... namoro? Um caso... algo assim?" Ian questionou.
"Uhum." Confirmou, tentando parecer apenas curioso.
"Não." Ian riu."Rachel veio com o Brad porque eu viria com minha esposa..." Mostrou a Finn a mulher sentada à mesa, conversando com uma atriz. "... e Ryan também viria acompanhado... e a mulher dele está em casa com quase nove meses de gravidez."
"Huuum..." Finn bebeu um gole de seu uísque, satisfeito.
"E Rachel parece que é casada também... mas o marido dela continua morando em Londres, não pode vir pra cá ainda." Foi como se tivessem jogado um balde de gelo sobre Finn, mas ele soube disfarçar muito bem, assim como disfarçava quando ela olhava na direção dele, para que ela não soubesse que ele a observava o tempo todo.
Era totalmente incomum a presença de Hudson em uma festa como aquela e mais incomum ainda que ele ficasse até bem tarde, mas foi isso o que acabou acontecendo. Já não havia mais tantas pessoas e até Artie tinha ido embora, levando para casa uma atriz de uma emissora concorrente. Finn conversava com Brad e com dois produtores de TV, quando o telefone do jornalista e dono da RIB Editora tocou e ele foi informado de que sua mulher havia entrado em trabalho de parto.
Sem pensar muito nas consequências, ao ver a ansiedade de Brad, Finn se ofereceu para deixar Rachel em casa e, apesar de não gostar nada da ideia, ela acabou aceitando, por não querer tratar o rapaz com antipatia e arrogância na frente de seu chefe, e também por não se imaginar pegando um táxi qualquer com o caríssimo vestido criado por Catherine Malandrino que Kurt escolhera para ela usar naquela ocasião.
Foi assim que os dois foram parar, totalmente sozinhos e isolados do mundo, em uma das limousines da emissora. O mesmo silêncio desconfortável de alguns dias atrás, quando tinham se encontrado na mansão e dividido uma mesa à beira da piscina, se instalou dentro do veículo. Finn não conseguia pensar em nada coerente, apenas sentia as mãos suarem, o coração bater forte e a garganta ficar seca, e, servindo-se de uma bebida, torcia para que chegassem logo ao endereço que ela tinha fornecido ao motorista.
Rachel, por sua vez, viu sua mente viajar e chegar à única outra noite da vida dela em que tinha usado uma limousine como meio de transporte. Lembrou-se com nitidez do momento em que, acompanhada exatamente pela mesma pessoa, e igualmente isolada do resto do mundo junto com ela, voltava do baile da escola, no último ano do ensino médio.
Naquela ocasião, ela havia começado a beijar ansiosamente Finn, logo que eles tinham ficado sozinhos no carro, e ele correspondia com a mesma intensidade os beijos e carinhos dela. Os dois deixavam suas mãos percorrerem o corpo um do outro, tocando todos os lugares a que conseguiam ter acesso. Impaciente, ela tirara o paletó do smoking dele, arrancara a gravata borboleta e começara a abrir os botões da camisa.
"Baby, calma. A gente não precisa ter pressa... a gente tem a noite toda. Esqueceu que eu reservei um quarto naquele hotel que você adora pra gente?" Finn perguntara.
"Não, eu não esqueci." Respondera ela, entre os beijos que dava no pescoço dele. "Mas você esqueceu de uma coisa, Finny." Se aproximara do ouvido dele, a fim de sussurrar, sugestivamente. "Eu adoro uma aventura." Voltara a beijá-lo. "E uma limousine me parece um ótimo lugar pra termos uma boa aventura, por isso eu pedi ao motorista pra dar algumas voltas, antes de nos levar até o hotel." Mordera o lábio inferior, de um jeito safado e, ajeitando o vestido, subira no colo dele.
Os dois voltaram a se beijar com desejo e, em pouco tempo, ela o sentira tocar sua intimidade já molhada, excitando-a ainda mais. Precisando senti-lo de verdade, ela o ajudara a colocar seu membro para fora da calça e da cueca, afastara a própria calcinha para um lado, e se ajeitara sobre ele, para que ele a pudesse penetrar, enfim. Então, movera-se sobre ele, ora para cima e para baixo, ora fazendo círculos com o quadril, sentindo seu clitóris roçar o corpo dele e o pênis dele atingir aquele lugar dentro dela que devia ser o tal ponto G de que tanto se fala.
Ele também se movimentara bastante, querendo penetrá-la cada vez mais fundo, com mais força e mais rápido, enquanto via o rosto dela se iluminar de prazer, as pupilas dilatarem pela crescente excitação e os lábios se entreabrirem, soltandos gemidos e o nome dele. Abrira o zíper do vestido dela e colocara suas mãos em seus seios, sentindo os mamilos arrepiados sob o toque provocante de seus dedos.
Os dois não haviam demorado muito a atingir o orgasmo, mas relutaram em se separar, só soltando-se realmente um do outro quando o motorista parara o carro e, por meio de um interfone, informara que haviam chegado à porta do hotel. Porém, de novo em uma limousine com Finn, e dessa vez desejando que o motorista chegasse o mais rápido possível à sua casa, Rachel não conseguiu se conter e começou a rir da situação.
"O que foi?" Ele perguntou, curioso.
"Estava me lembrando de uma outra vez em que andamos de limousine juntos." Ela falou, meio sem pensar, olhando para ele.
Soube em poucos instantes que não deveria ter feito isso, porque seus olhos não conseguiram se desviar mais dos dele e, quando voltou a si, estavam se beijando e segurando exatamente como tinham feito naquela noite do baile, anos antes.
"Para! Para com isso, Finn. Eu não quero isso!" Falou, se separando dele, de repente. "Eu não sou mais aquele garota idiota de dezoito anos, Finn Hudson... e a gente se conhecia, há um... SÉCULO atrás... ou achava que se conhecia... mas hoje nós somos pessoas totalmente diferentes, que não se conhecem, nem um pouco! Eu não vou bei-..."
Ela foi interrompida quando os lábios dele encostaram nos dela, mais uma vez, e suas línguas invadiram a boca um do outro, sem pedir licença, travando uma batalha intensa, enquanto ela puxava e cabelo dele, perto da nuca, ao mesmo tempo em que enfiava uma das mãos no paletó dele, sentindo seus músculos através da camisa, e ele levantava seu vestido, apertando sua coxa, e, com a outra mão, alisava suas costas.
"Eu também não gosto nem um pouco de você, Rachel... dessa pessoa que você se tornou." Ele afirmou, depois de se separar dela, em busca de ar. "Mas essa sua boca..." Acrescentou, tocando seus lábios. "...essa sua pele..." Disse, tocando seu braço. "...esse seu cheiro, esse seu corpo... eu não SEI como não desejar você!" Suspirou frustrado. "E você também me deseja, isso é claro." Sentenciou, irritado com a tentativa de resistência dela.
"Não se coloque num pedestal, Finn... não vale a pena. Quando mais alto se está, maior é a queda." Usou seu tom mais indiferente e soberano. "Você é bonito, charmoso, se perfuma com Boss e veste Armani... isso é bem sedutor, principalmente quando uma mulher já bebeu muitas taças de champagne, e talvez esteja um pouco carente, porque o namorado dela está em outro continente. Isso não quer dizer que eu sinta nenhuma atração especial por você." Negou seus instintos, teimosamente.
"Rachel." Ele balançou a cabeça negativamente e fez um tipo de careta, como quem acha que tudo que a outra pessoa estava falando é pura baboseira.
"Eu tenho um namorado, Finn. E você está escolhendo uma garota pra se CASAR com você!" Falou, abandonando o tom esnobe e mostrando irritação."Não existe a menor possibilidade de nós irmos pra cama juntos." Assegurou. "Pede ao seu motorista pra parar o carro, ok?"
"O que?"
"Parar o carro... você escutou. Pede pra ele parar e me deixar descer."
"Não. De jeito nenhum. Você pode não acreditar, mas eu sou um cavalheiro e vou deixar você na porta da sua casa. Eu... a gente não precisa nem se falar, eu só vou te levar até sua casa."
E foi exatamente o que ele fez: a deixou em total segurança na porta de casa, sem que os dois trocassem mais nenhuma palavra. Sentia-se irritado consigo mesmo por querer Rachel, sentia-se frustrado por não poder tê-la, sentia-se triste por causa da garota que ela era, para ele, na época da tal viagem de limousine de que ela tinha se lembrado.
Havia só uma coisa boa, mas que ele nem sabia porque era boa no meio de tantas coisas ruins: ela não tinha se referido a um marido do outro lado do oceano e sim a um namorado. Ela tinha SÓ um namorado!
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