A Centelha

1 A centelha


–Quem é você?-perguntou Nicolas.

– Eu nem mesmo sei o que estou fazendo aqui. -falou olhando para o grande muro amarelado que contornava o pátio, o prédio mais parecia uma prisão de segurança máxima, adornado por cercas elétricas em suas extremidades.

–Meu nome é Francielle.

– Todos que estão aqui tem algo em comum. – começou Nicolas. – Todos nós temos a centelha divina. –a moça levantou a cabeça confusa, e sorriu cética.

– O que isso quer dizer? – falou de forma vaga, não sabia ainda o por que daquele garoto estar falando com ela, mas não seria má ideia descobrir.

– Aqui dentro não precisa fingir, você está aqui apenas por uma razão. – Repousou as mãos no ombro da menina.

– Então diga.

–A centelha divina é o que nos torna diferentes dos outros humanos, o que nós permite desafiar a razão, a racionalidade. O que você sabe fazer, que nenhuma outra pessoa que conhece pode fazer igual? –Terminou Nicolas, Fran achava mais fácil mostrar do que dizer, virou-se para uma erva daninha qualquer, que crescia em uma fresta entre o muro e o piso. A planta começou a crescer em uma velocidade espantosa, e ia ficando cada vez maior.

– Controla as plantas. – Comentou sorrindo, fascinado com o que acabara de ver.

– O que o torna igual a mim? – indagou ela animada, era difícil, difícil não praticamente impossível encontrar pessoas como ela.

– O que acabei de fazer com você. –respondeu de forma animada como se tivesse ganhado um jogo e de certa forma havia ganhado mesmo.

Estampada nos olhos de Fran havia somente a confusão. Ela tentou raciocinar, entretanto não conseguia sugerir um talento que partia de uma conversa sem sentido com um menino estranho.

“Mas é claro!” – pensou consigo mesma. “ Ele me...”

–Sou um manipulador, você nem mesmo se questionou antes de contar o seu maior segredo pra mim. Agora ele ficara com o sorriso um pouco mais conservador.

– Quando eu estiver com você como vou saber se digo por conta própria, ou se minhas palavras vem de minha própria cabeça? -Questionou ela.

– Você não vai saber. – Respondeu friamente.