A Centelha
2 Olhos Azuis
Era manhã de Dezembro, o sol passava pelas frestas da janela iluminando todo o cômodo, Fran olhava para o teto imaginando o que seria mais um dia, um tanto deprimente em sua vida, olhou para cama ao lado, Maria sua irmã mais nova, ressonava serenamente enquanto dormia, levantou-se de uma vez só, o corpo torpe de sono, bateu o dedão em um dos pés da cadeira giratória da escrivaninha, a casa sonolenta ainda dormia, por isso o barulho da cadeira pareceu escandaloso, despertando o a menina mais jovem.
– Está na hora da escola.- Falou entredentes.
– Tá legal. -Respondeu Maria. A luz do quarto se acendeu, e as duas começaram a se preparar para um dos últimos dias de aula.
Fran sai do quarto, se dirigindo ao banheiro, no reflexo do espelho olha para seu rosto amassado de que acabou de acordar, a pele escura oleosa, os cabelos escovados, ainda despenteados. Ela suspira pensando:
“ Ultimo dia, férias!!!”
– Eu preciso usar o banheiro dava pra ser mais rápido?- Esbravejou Luiz, o irmão mais velho, ele era um menino alto e magro de olhos castanhos e cabeça raspada, e pele escura e lustrosa.
– Calma!- Fran respondeu. – O seu escolar vai chegar mais tarde, pode ficar tranquila. Já eu vou me atrasar bastante se você não sai do banheiro agora. – Explicou Luiz.
– Que droga! As vezes parece que você usa sua vidência para controlar as situações.
Ao fim do horário escolar, Fran decidiu que iria ao cinema, porém não conseguira companhia para isso, Felipe seu melhor amigo iria viajar para a casa de alguns parentes, o Natal já se aproximava. Portanto decidiu que iria sozinha. Foi do colégio direto para o ponto de ônibus, pegou o celular e resolveu escutar um pouco de rádio enquanto esperava.
– Na manhã de ontem desapareceu Priscila Marina Cardoso, a garota saia de casa rumo a escola e não voltou... –dizia o locutor de rádio, Fran mudou de estação, na outra passava um programa sobre futebol, então resolveu escutar suas próprias músicas, a primeira a tocar foi Dance of Death do Iron Maiden. O ônibus passou e ela entrou, olhou para o céu, mesmo estando em um dia quente e ensolarado de verão sentiu o ar abafado como se uma chuva se aproximasse. O celular tocou interrompendo a música.
– Alô?
–Oi filha é a mamãe, onde você está? – pergunta a mulher.
– Resolvi ir no cinema.
– Muito cuidado, está desaparecendo crianças demais ultimamente. Alertou a mãe da menina.
– Calma mãe, fica tranquila eu tô bem. — tranquilizou a mulher e desligou o celular. Logo depois começou a sentir uma coisa esquisita, o ar ficara pesado novamente, sem saber bem o que acontecia resolveu descer a rua, saiu na Praça Sete, ela olhava para os lados em alerta aquele desconforto não era sem motivo. A rua estava cheia de gente, as pessoas continuavam a passar, seguindo com suas vidas. Repentinamente sentiu uma mão tocar um de seus ombros, ela virou para trás e viu dois homens de preto.
– Posso ajuda-la?
– Não senhor, obrigada. – o homem apertou forte o ombro da menina que saiu correndo terminando de descer a rua, atravessou correndo duas avenidas e no fim resolveu entrar em algum edifício buscando por ajuda, a menina entrou no elevador, e planejava sair no décimo primeiro andar onde conhecia os funcionários por ter feito algumas aulas particulares antes.
Quando a porta do elevador fechou o silêncio se tornou agoniante, respirou fundo e apertou o décimo primeiro, no fundo tocava aquela musiquinha típica de elevador, que na verdade ninguém entendia por que ela tinha de ser tão chata.
Pegou o celular, olhou para o visor, o aparelho apitava a bateria prestes a acabar, a porta se abriu e lá estava aqueles dois, “ Como subiram tão rápido?” — ela se questionou.
Os rapazes de preto a puxaram para fora do elevador, ela reagia se contorcendo, e eles a seguravam com ainda mais força, a puxavam para o corredor do cursinho vazio, a menina visualizou um vaso de planta (espada de são Jorge) e tentou faze- lá crescer para atacar os dois homens desconhecidos, ela olhava para a planta mas nada acontecia, Fran não conseguia sentir a vida fluir através do vegetal, por algum motivo seus poderes não estavam funcionando. O mais notável dos homens tinha uma aparência incomum, era ruivo de olhos bem azuis, o outro homem a segurava por trás imobilizada pelo pescoço.
O ruivo segurava um paninho e uma agulha, com os olhos frigidos e concentrados, foi rápido colocando o tecido de cheiro extremamente forte no nariz da garota, a ultima coisa que ela viu foram aqueles olhos azuis gélidos.
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