A Casa dos Horrores

1 Uma lanterna quebrada


Chovia fortemente, e os trovões faziam barulhos fortes e assustadores. Ainda por cima, havia faltado energia. Apenas uma lanterna de luz fraca iluminava seu novo quarto. '' Ela vai apagar a qualquer momento '', a garotinha repetia mentalmente. Haviam mudado para a nova casa a uma semana. Ela preferia morar com os avôs, em Austin, porém, seus pais sempre diziam que eles deveriam ter sua própria casa. E compraram um casarão velho em Nova Orleans. Longe dos avôs, longe do lugar onde crescera. Ainda por cima, estava agora morando numa casa que fora abandonada a muitos anos. Estava em um estado deplorável. No jardim, a grama estava alta e com uma cor doentia. Havia uma fonte de água do lado esquerdo do jardim, com uma estátua de um querubim. O portão estava enferrujado, e fazia um barulho ensurdecedor quando aberto. As portas rangiam e o piso de madeira estava fofo, além disso, a pintura das paredes estava caindo. Apenas o teto estava em um estado aceitável: não haviam goteiras ou buracos enormes no gesso, que estava amarelado. Uma pintura resolveria a situação. Porém, quanto ao resto da casa, não botava fé que apenas uma pintura resolveria. Seus pais falavam a todo momento que uma pequena reforma no lugar o faria ficar novinho em folha. Não. Ava não achava que aquela casa ficaria com aparência de nova. Senta-se na cama e seus olhos começam a passear pelo quarto. Ainda não estava todo arrumado, apenas a cama estava montada e uma pequena cômoda de mogno ficava do lado direito. As caixas se espalhavam pelo quarto, e algumas bonecas estavam fora delas, lançando para a pequena garotinha de 11 anos olhares ameaçadores. Voltou a deitar-se rapidamente, cobrindo-se até a cabeça com seu cobertor grosso. Fechou os olhos firmemente.

– Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem... — Repetia. Todos já estavam dormindo: seus pais e sua irmã mais velha. Menos Ava. Continuava acordada, com medo. Nunca sentira tanto medo em toda sua vida. Outro trovão. A menina abriu seus olhos negros rapidamente. Voltou a fechá-los após alguns minutos, e dentro de segundos, finalmente dormiu, para a sua felicidade. E também para a felicidade da lanterna, que parecia estar esperando a garotinha dormir, pois, assim que Ava caiu no sono, a lanterna apagou-se. Para nunca mais acender-se novamente.

* * *

Ava acordou com o barulho de uma panela caindo no chão.

– Droga ! — Sua mãe, Mabel, falou alto da cozinha. A garota senta e esfrega os olhos. Olha para o lado direito e vê a lanterna caída no chão. A lente estava rachada.

– Como ela caiu ? — Levantou-se da cama e se ajoelhou ao lado da lanterna, examinando-a. Tinha certeza que a colocara bem no fim da cômoda, exatamente para que aquilo não ocorresse.

– OLÁ MANINHAAA !

Ava assusta-se com sua irmã, Abby, gritando da porta. Abby era 4 anos mais velha que Ava, ou seja, ela tinha 15 anos. Estava vestida com um short jeans folgadinho, e com uma blusa acinzentada, na qual estava escrito, em preto: '' Eu amo comer !! ''. Ava riu. Era verdade. Abby comia mais que todos, e nunca engordava. Nos pés, usava um par de all-star pretos. Amava tênis. Abby e Ava eram muito parecidas fisicamente. Ambas tinham peles brancas como papel, olhos e cabelos negros. O cabelo de ambas era longo, batendo na cintura, com uma leve ondulação no final. Seus lábios eram vermelhos e carnudos, muito bem desenhados, e possuíam maçãs do rosto altas e rosadas. Tinham um corpo proporcional à altura: Abby media 1,70, enquanto Ava tinha 1,56. E eram as únicas semelhanças. De personalidade, não se pareciam nem um pouco. Abby era uma garota decidida, vingativa e aventureira. Adora se meter em confusões e esfregar a verdade na cara das pessoas. É muito sincera. Prefere a verdade. Odeia que mintam para ela. Já Ava era mais calma e educada. Gostava de sinceridade, mas, para falar algo a alguém, era mais controlada. Não queria magoar ninguém. Preferia ficar em seu quarto lendo e brincando com suas bonecas a conhecer lugares novos e fazer pegadinhas com os outros. Porém, nunca ninguém deve estressá-la. Ava fica uma fera quando brava. Apesar dessas diferenças, davam-se muito bem. Eram unidas e sempre compartilhavam segredos.

– NÃO ACREDITO QUE VOCÊ AINDA ESTÁ ASSIM. — Abby entra no quarto da irmã e pula em sua cama.

– Corre maninha, se não vai se atrasar para a escola.

Ava dá língua, brincando, e mostra a lanterna.

– Não sei como caiu. Não havia como.

–Foi uma alma penada ! — Abby brinca e começa a fazer cosquinhas na irmã, as duas caem no chão e não conseguem controlar-se. Começam a gargalhar. Estavam rindo tanto que lágrimas começavam a correr dos olhos de ambas. O pai, Dylan, chega no quarto, atraído pelo barulho que as filhas estavam fazendo. Assim que viu a cena, sorriu.

– Você duas não têm jeito mesmo, em ? — As meninas sentam-se e enxugam as lágrimas. — OI PAI ! — Gritam em coro e voltam a rir. O pai acompanha.

– É melhor se arrumarem, ou se atrasarão. — Caminha para fora do aposento. Abby olha para Ava, com uma cara de '' Eu disse. ''

– Eu já tô indo.

A garotinha se levanta e segue para o banheiro para tomar banho. Abby se levanta e sai do quarto, com a lanterna em mãos.

– O show está começando.

Fala com um sorriso malicioso nos lábios e vai para o quarto.