A Casa dos Horrores
2 O enforcamento de Gwen Homes
Notas iniciais
Abby entrou no quarto rapidamente, escondendo a lanterna em uma caixinha que guardava em sua cômoda. Ela não temia que alguém a abrisse: era trancada por um cadeado pequeno, e a chave sempre estava com ela. Era uma caixa de porte médio, na cor preta, com detalhes em vermelho. Aquela caixa levava inúmeros segredos, e ninguém nunca os descobriria sem a chave. Guarda a caixa de volta ao seu local e sai do quarto, diretamente para a sala de jantar, demonstrando a mesma Abby de sempre. Uma pena que não era.
* * *
Ava desce correndo as escadas. Estava tarde, demorara muito no banho. Quando chega à sala de jantar, seu pai, sua mãe e sua irmã estavam terminando o café. Mabel olha para a filha, e fala docemente:
– Seu prato está bem ali. — Aponta para o lugar ao lado de Abby, onde se encontrava seu prato: ovos e bacon, acompanhados por suco de laranja. Ela adorava quando sua mãe fazia aquele prato. Senta-se à mesa e começa a comer. — Fiz especialmente para você. — Do outro lado da mesa, sua mãe pisca, e Ava sorri. Mabel tinha lindos olhos cinzas. Sua pele era branca, e seus cabelos, negros, batendo um pouco abaixo dos ombros. Eram totalmente lisos. Tinha uma altura média: 1,67. Possuía muitas curvas, um corpo muito bem definido. Mabel trabalhava como professora de Biologia. Havia se formado aos 20 anos. Hoje tinha 34. Há tempos trabalhava como professora, e amava seu emprego.
Seu pai, Dylan, termina o café e levanta-se.
– Vou indo ! — Dá um beijo em Mabel, e em suas filhas, saindo em seguida. Dylan também trabalhava como professor, porém, sua área era História. Formou-se aos 21, tendo agora 37. Ava e Abby puxaram os olhos do pai, negros como a noite. Sua pele era bronzeada, e sua barba era curta. Seus cabelos eram cor-de-mel, e sua estatura era de cerca de 1,64. O mais baixinho da família, depois de Ava, claro. Ele e Mabel eram muito parecidos em questão de personalidade: românticos e compreensivos, sempre querendo ajudar ao próximo. Não tinham muita paciência, e eram muito sinceros. A única diferença entre a personalidade de cada um, era que Mabel tinha um espírito aventureiro, como Abby. Já Dylan era mais fechado, assim como Ava.
Quando a caçula da família termina o café, corre para a cozinha com o prato em mãos, o pondo na pia. Vai para o banheiro e começa a escovar os dentes, quando escuta os passos de sua mãe soando pelo piso de madeira acabado:
– Vamos meninas ! Já estamos atrasadas. — Quando passa pelo banheiro, vê Ava escovando os dentes. — É melhor apressar-se querida. — Mabel estava vestindo uma calça jeans escura, no modelo skinny. Uma blusa verde de mangas longas acompanhava a calça. Os pés estavam vestidos por um par de mocassins pretas. Levava ainda uma pasta com seu material de ensino.
Ava termina de escovar os dentes rapidamente, vai para o quarto e pega sua mochila roxa. Havia a arrumado no dia anterior, para adiantar.
– Estou prontaaa ! — Sai correndo do quarto para o carro. Chega acompanhada de sua mãe, que quando abre a porta, leva um susto. Abby já estava lá, no banco ao lado do de motorista. Sorri para sua mãe.
– Você precisa ter mais cuidado, mamãe. Não deve deixar o carro aberto. — Sorri inocentemente, e estende as mãos, cheias de balas. — Quer ? — pergunta, olhando para Mabel.
– Não querida... é, obrigada. — Diz sua mãe, entrando no carro e sentando-se, colocando o cinto de segurança. Olha para Abby, que estava sem. — Vamos querida ! O que está esperando para por o cinto ? — Abby obedece. Em seguida, olha para a irmã.
– Pode pegar, A. — Pisca para Ava, que sorri, pegando várias das balas que estavam na mão da irmã, guardando todas na mochila.
– Obrigada, Ab. — Diz. Elas adoravam abreviar os nomes uma da outra. Ava põe o cinto e sua mãe começa a dirigir, em direção à sua nova escola. Um frio na barriga domina Ava. Ela estava nervosa.
* * *
– Turma ! Esta aqui é a Ava Cruise, nossa nova aluna ! Deem as boas-vindas ! — Diz a professora Lena, uma mulher de cerca de 40 anos, de cabelos louros cacheados e olhos azuis. Era alta: 1,75 de altura. Usava um vestido formal e sapatos scarpin pretos.
– SEJA BEM-VINDA AVA. — Diz a turma, num tom alto e morto.
– Pode sentar-se ali. — A professora aponta para uma carteira em frente a um menininho ruivo e cheio de sardas.
– Obrigada senhorita Roberts. — Ava caminha até sua carteira e senta-se, apenas prestando atenção ao que a professora falava.
*
* SALA 18, 1° ANO DO ENSINO MÉDIO. *
Abby avista a sua sala, entrando sem bater. Assim que fecha a porta, todos os olhares da sala viram-se para a garota, que vira a cabeça para o professor Max Storn, como estava escrito na lousa. Era um sujeito alto, de 1,80, moreno e com cabelos escuros e olhos castanhos.
– Bom dia professor Max. — Sorri. — Posso sentar ?
– Bom dia senhorita... ? — O professor pergunta, com a cara fechada.
– Abby, Abby Cruise. — Sem esperar a resposta do professor, senta-se em uma carteira vaga na fileira do meio. Assim que se senta, o professor volta à aula, provavelmente pensando no quão mal educada era aquela garota. Abby riu baixo. Ao seu lado, uma garota loira de olhos verdes e pele parcialmente bronzeada a fuzilava com o olhar. Parecia ter a mesma idade que Abby, sendo um pouco mais baixa. — O que foi ? Quer uma foto ? — Pergunta, séria.
– Desculpe, mas não quero assustar ninguém. — A garota loira sorri, cínica. Algumas pessoas riem baixinho. — Você é bem ridícula, em ? Quem é você para sentar sem permissão ?
– Já disse, sou Abby Cruise. E não preciso de permissão para me sentar. Sento quando e onde eu quiser, entendeu querida ? — Pisca para a garota e vira-se.
– Para sua informação, meu nome é Gwen. — Abby revira os olhos, ignorando o que a garota, Gwen, falou. — Gwen Homes, tá ouvindo ? — Abby ignora, novamente. Gwen se enfurece. Aquela garota não podia ignorá-la. Ninguém podia. Pega uma tesoura e corta as pontas do cabelo de Abby, que olha para o chão. Seu cabelo... seu lindo cabelo. Olha para a garota, vermelha de raiva. De repente, Abby se transforma: seus olhos passam a transmitir uma luz vermelha assustadora, que parecia ser notada apenas por Gwen, que tremia.
– Você não deveria ter feito isso. — Abby diz, com uma voz grossa. Em um segundo, Gwen começa a ficar roxa, pondo as mãos no pescoço. A sala vira-se, vendo a cena em pânico. A garota cai no chão, com os olhos abertos, e todos começam a gritar, assustados. Abby também grita. — O QUE ACONTECEU ? MEU DEUS. — Fala, assustada. Mas na verdade, não era bem assim que sentia-se. A garota dos olhos negros tinha um sorriso doentio por dentro.
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