A Casa dos Horrores
3 Pesadelos
As viaturas da polícia rodeavam a escola. Era fim de tarde, e as sirenes não paravam de produzir aquele barulhinho irritante. O corpo de Gwen Homes já havia sigo embalado e retirado do local. Abby havia dado seu depoimento mais cedo, dissera que estava a tempo de pular na garota por ter cortado seus cabelos, quando presenciou aquela horrível cena. Chorou, e disse que não sabia o motivo do que havia ocorrido. Mas era mentira. Ela sabia o motivo. Abby sabia que ela era o motivo.
* * *
– As aulas foram suspensas por uma semana por causa da morte de sua colega de classe, Abby. — Diz Mabel, que havia acabado de desligar o telefone.
– Ah, mãe. Estou tão triste. Tive um pesadelo terrível ontem. — Suspira a jovem. — Como vou conviver com isso ? — Olhava diretamente para a mãe.
– Você vai superar querida. — Mabel fala, com um sorriso doce no rosto. — Agora preciso trabalhar. — Dá um beijo na testa de Abby e de Ava, que estava calada até o momento, ocupada com a leitura de seu livro preferido. — Não ponham fogo na casa. — Sorri e sai, andando elegantemente. Ava levanta o olhar para a mãe.
– Não demore mamãe. — Grita, sentada no sofá. Em seguida, olha para Abby, que estava com a face entristecida. — Não fique assim Abby. A culpa não foi sua ! — Levanta e vai até a irmã, dando um forte abraço nela. Abby sorri sem mostrar os dentes, retribuindo o abraço.
– Obrigada maninha. Mas não tenho como não ficar assim. Eu vi a cena. Acredite, foi assustadora. — Olhando para o nada, sente o estômago roncar. — Estou com fome. — Levanta-se e segue para a cozinha, pegando algumas coisas da geladeira. — Quer um sanduíche, Ava ? — Grita.
– Não, obrigada. Acabei de almoçar, você sabe. — Volta ao seu lugar e retoma a leitura de onde parou, concentrada.
– Tudo bem. — murmura Abby, dando de ombros. Começa a preparar seu sanduíche. Assim que termina, come rapidamente e com ferocidade. Estava morrendo de fome. Volta para a sala, não encontrando Ava lá. Revira os olhos.
– Essa pirralha não para quieta. — Sussurra para si mesma, sentando e ligando a televisão.
*
Estava frio e escuro. Ava caminhava pela casa, sozinha. Seu pijama estava sujo com algo que ainda não sabia o que era. Ava não fazia ideia do motivo pelo qual estava naquele estado: cabelos desgrenhados e roupa suja. Estava descalça e seu pé direito doía. Havia um grande corte nele.
Enfim, encontra seu quarto. Procura pelo interruptor, e quando acha, liga a luz. Mas preferia não ter achado. Os lençóis de sua cama estavam ensanguentados, e enfim pôde ver o que sujara seu pijama: sangue. Sob sua cama, encontrava-se uma garota morta, com uma faca no peito.
Ava começa a gritar, e a escutar vozes sussurradas, que lhe diziam que a culpa era sua. Ela havia causado aquilo. Ela havia matado a garota. Ava era uma assassina.
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