Notas iniciais
Oi pessoas! Aqui estou eu de novo, porque sou uma pessoa de palavra rs'. Espero que gostem do capítulo. Hum, alguns personagens enviados não apareceram, porque eu acho que uma entrada no momento certo é muito mais impactante do que uma entradinha apressada. Mas não se aflijam!! Em breve tem mais.

• CAPÍTULO 1 • FRANKLIN •

Era apenas o início do outono, mas as folhas das árvores já começavam a mudar de cor. E, apesar da iluminação constante do sol, estava muito frio. Isso tornava aquele dia, em especial, apenas mais mórbido. Se fosse de manhãzinha, pensou Franklin, seria provável que a neblina encobrisse toda a propriedade para além dos portões de ferro da Casa das Rosas Brancas.

À simples menção do nome exageradamente alegre do orfanato para onde estava sendo levado, o garoto estremeceu. Aquela era uma nova etapa de sua vida, de acordo com a assistente social. Ele poderia conhecer os “irmãos que nunca tivera” e “ganhar uma nova família”. Como se Franklin desejasse esse tipo de coisa; tudo que queria era voltar para sua casa e deitar-se no sofá que foi herança da vovó; queria ouvir a voz da mãe, cantarolando enquanto preparava o café da manhã, e queria ouvir o silêncio do pai, que nunca deixava o jornal de lado.

Mas isso fora tirado dele.

— Chegamos — anunciou o motorista do taxi, enquanto deixava o carro para abrir o porta-malas.

A assistente social abriu sua porta e deslizou do carro com graciosidade, enquanto Franklin, com a irritante altura de um menino mais novo do que realmente era, precisou pular do assento. Ao aterrissar no chão, seu olhar pôde captar apenas uma coisa. A grandiosa mansão que se estendia para trás de si. Em um forte tom de bege, a “Casa das Rosas Brancas” parecia ser parte de uma obra de arte, principalmente se combinada com as cores quentes do outono.

O motorista retirou duas grandes malas de dentro do carro e, ao pousá-las no chão, dirigiu um olhar de pena à Franklin.

— Boa sorte, garoto. Espero que encontre uma boa família.

— Obrigado — murmurou Franklin, enquanto pegava uma das malas.

A assistente social encaminhou-se, também, para a parte de trás do carro, para pegar a mala maior. Deu um suspiro pesado ao olhar para o grande orfanato. Um bom observador poderia notar que havia certo tipo de pesar em seus olhos, sentimento o qual afastou rapidamente, voltando-se para o motorista do taxi.

— Eu vou acompanhar o garoto até a recepção e logo estarei de volta. O senhor pode me esperar por uns cinco minutos? — ao receber um aceno, dirigiu-se à Franklin: — Vamos?

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Assim que pôs os pés dentro do orfanato, Franklin foi recebido por duas mulheres. A mais velha tinha lábios extremamente finos e franzidos para baixo, seu cenho estava franzido e os olhos apresentavam um ar de suspeita ou, até mesmo, rancor, como se não quisesse estar naquele lugar e sua presença ali fosse culpa de Franklin. O cabelo acinzentado preso num coque apertado e a postura rígida davam à ela um ar de autoridade. Logo, Franklin presumiu que a velha fosse um perfeito exemplar do tipo de pessoa que escolhia, por livre e espontânea vontade, dirigir um orfanato.

Já a mocinha era o que o garoto, no alto de seus onze anos, onde começava a dar os primeiros passos para a percepção do outro sexo, classificou como bonita. E, de fato, era. Possuía um roto pequeno, que abrigava olhos escuros expressivos e uma boca carnuda. Seu cabelo, preto, com pontos clareados pelo sol, era comprido e ondulado. Ela não era muito alta, e sua expressão fria parecia uma máscara, deslocada num rosto tão delicado.

A velha foi a primeira a falar, com um sorriso falso no rosto:

— Sejam bem-vindos à Casa das Rosas Brancas. Sou Trinity Gal, e dirijo o orfanato. Esta é Celeste Bowen. Ela mostrará o lugar para o menino. A senhora pode preencher a ficha dele, enquanto isso.

— Ah, claro. Pode ir com Celeste, Franklin.

A garota, Celeste, virou-se e começou a fazer seu caminho, enquanto Franklin a seguia. Deixou suas malas na recepção, pois foi informado que um dos empregados a levaria até seu quarto.

O “tour” durou cerca de meia hora. Celeste apresentou ao menino os pontos comuns e de livre acesso aos demais internos.

Franklin conheceu a grande cozinha, onde os internos mais velhos ajudavam a preparar as refeições e, de acordo com Celeste, vez ou outra os mais novos tinham aulas de culinária; conheceu o refeitório que, com suas compridas mesas de madeira e bancos compartilhados, era capaz de abrigar cerca de 500 crianças; viu, já no segundo andar, a biblioteca que, acreditou Franklin, poderia abrigar uma quantidade infinita de livros.

— Como o orfanato fica muito distante da cidade, professores particulares vêm até aqui e ficam cerca de cinco horas por dia. Não há aulas apenas nos domingos. Os alunos são separados por nível de conhecimento, e não por idade — dizia Celeste, enquanto mostrava à Franklin as “salas de aula” que ficavam também no segundo andar, junto à biblioteca. — O próximo andar é onde ficam os quartos — anunciou, enquanto subiam a escada.

O terceiro andar era o mais simples de todos, sendo composto por uma sucessão de corredores e quartos com beliches. Celeste encaminhou-se para o fundo do corredor e parou em frente a um quarto cuja porta possuía o nome “Franklin F.” escrito numa placa, ao lado de outros três nomes.

— Este é seu dormitório. No terceiro andar, você pode vir apenas para este corredor; o outro é onde fica a ala das meninas. Você vai dividir seu quarto com outros três garotos, que estão em aula agora. Arrume suas coisas até as seis e desça para o jantar. Toque de recolher às dez. — disse Celeste, enquanto fazia o caminho de volta.

Franklin suspirou e entrou em seu quarto, deixando a porta entreaberta. Suas duas malas já se encontravam lá dentro, e ele começou a tirar suas coisas de dentro delas, deixando as roupas empilhadas em cima de uma das camas. Apenas quando terminou o processo de desempacotar é que o menino parou para observar o ambiente à sua volta.

No quarto, havia dois beliches, em cantos opostos da parede, e quatro baús, todos encostados na mesma parede, entre as camas. Abrindo um por um, Franklin notou que estavam ocupados pelos pertences de cada colega de quarto. O processo levou-o ao último baú, vazio, onde o garoto separou as calças, camisas e sapatos em diferentes pilhas, assim como sua mãe havia ensinado.

— Finalmente... — murmurou, enquanto levantava-se. Assim que se virou para a porta, levou um susto; um garotinho pequeno, de cabelos negros e pele extremamente pálida, estava observando-o.

Com um suspiro pesado, Franklin levou a mão ao peito, tentando recuperar-se do susto.

— Desculpe por isso, eu não te vi entrar. — esperou o menino responder algo, mas só obteve silêncio. Decidiu ele mesmo retomar a conversa, então: — Oi. Eu sou o Franklin. Você é meu colega de quarto? ­— sua pergunta recebeu um aceno negativo, em resposta — Hum... E qual é o seu nome?

O garoto se contorceu um pouco, talvez ponderando se deveria responder ou não. Enfim, com um murmúrio quase inaudível, respondeu.

— Elijah.

— É um prazer te conhecer, Elijah. — O garotinho abriu um enorme sorriso e começou a ir na direção de Franklin, pegando seu braço.

— Brinca comigo? — perguntou Elijah, enquanto dava puxõezinhos no braço de Franklin. O garoto consultou o relógio. Cinco horas. Dava tempo de ir brincar e depois ir para o refeitório, para jantar.

— Vamos lá — respondeu sorrindo, enquanto o garotinho puxava-o para o corredor. — Aqui? — Elijah acenou com a cabeça. — Pode? Você já fez isso antes? — outro aceno.

Franklin observou o menino mais novo caminhar até o fim do corredor, para pegar uma bola grande, encostada na parede, a qual ele não se lembrava de ter visto mais cedo. Deu um sorriso; Elijah viera com um objetivo certo.

Colocando a bola no chão, o mais novo chutou-a para Franklin, que rebateu com a mesma animação; afinal, que garoto de onze anos não gosta de jogar futebol? Em pouco tempo, o mais velho notou a grande força que Elijah possuía, distraindo-se por um segundo. A bola, então, passou por ele e rolou até o final do corredor, quicando escada abaixo. O barulho constante da bola foi interrompido e substituído pelo de saltos.

Após o toc-toc constante, Trinity Gal apareceu no andar, com o rosto distorcido de raiva.

— Que tipo de brincadeira é esta, garoto? — gritando, Trinity perguntou. — Pode ser que você fazia este tipo de coisa em sua casa, mas, aqui, é inaceitável! Volte já para seu quarto. Acho que não há necessidade de você comparecer ao jantar.

— Mas a culpa não foi minha! — Franklin tentou explicar-se — Foi o Elijah, ele que disse que podia — o garoto apontou para trás de si.

Trinity olhou uma vez para onde Franklin apontava e voltou seu olhar sobre o menino. Desta vez, além da raiva, havia uma pitada de escárnio.

— Não acha que está muito velho para ter amigos imaginários?

•♠•♠•

Já havia escurecido. Franklin estava deitado na parte de baixo de um dos beliches, ouvindo, ainda que do terceiro andar, a agitação das crianças no refeitório. Era por volta de seis e meia, e já havia escurecido. Franklin suspirou pesadamente; já havia chorado momentos antes, porque queria seus pais, sua casa e sua antiga vida de volta. Podia sentir as lágrimas de volta aos olhos, novamente, mesmo que o motivo fosse outro; desta vez, ele chorava porque não queria mais ficar sozinho, queria estar com as outras crianças, lá embaixo.

Em meio às novas lágrimas, Franklin viu algo aparecer aos poucos em sua frente, como se algum tipo de encanto se dissolvesse. Saindo das sombras, sorrindo, estava Elijah.

— Brinca comigo?

Notas finais
Gostou? Deixe um recadinho para mim. A cada vez que um leitor não deixa um comentário, um autor morre. Preserve nossa espécie!!