A Casa Imoral
25 Segredo e encontros
Ele, o inspetor do corredor tinha um segredo. O loiro veio a saber quando estava saindo da escola, mas por um acaso esqueceu um caderno na sala e voltou.
Enquanto andava pelos corredores cheios, vendo os alunos de mais cedo e mais alguns novos que tinham entrado naquele período da tarde e ficariam até a noite, Len se esquivou de todos.
Estranhou ao chegar em sua sala e não ter ninguém exceto duas figuras paradas em sua carteira.
A primeira era com certeza o inspetor, Lui. A outra parecia uma menina, de cabelos longos e de corte reto um tanto rosado com laranja, não identificava. Ela estava bem mais alta que Lui devido a um salto alto preto e suas roupas pareciam um Lolita preto exagerado, cheio de babados e certamente tinha um enfeite na cabeça.
Assim que se fez perceber, Lui e a menina se viraram.
-Ah, Kagamine-kun. Você esqueceu o caderno. Que negligência. –falava o menor, parecendo um tanto corado e estendendo o caderno.
-Não o trate assim, Lui! Seu tsundere. –falava a menina com uma voz estranha e um sorriso bobo.
-Quieta, não sou tsundere.
Len a olhou dos pés a cabeça. Nada de anormal, exceto o estilo Lolita nessa idade.
A menina sorriu largamente. Mais uma fã?
-Olá, Len-chan! Eu sou a Ritsu!
-Etto... Ritsu? “Suspeito. Naquele anime yaoi o nome do garoto era Ritsu.” –Len riu do próprio pensamento, mas cumprimentou-a.
-Eu sou a prima do Lui!
-Oh, que legal. Você é muito bonita, Ritsu-san. –Len por algum motivo sentia algo estranho naquela pessoa de voz pouco balanceada.
-Não ligue pra ela, Kagamine-kun! Agora pode ir indo sim?
-Não o despeça assim Lui! Me dá um autógrafo?!
Len se incomodava cada vez mais. Quando a garota já estava praticamente em cima de si, apertando suas bochechas e mexendo em sua roupa, Len sentiu algo tocar sua coxa. Sua mente ficou vazia e seu corpo endureceu.
“T-Tem uma coisa dura por debaixo desse vestido... Não tenho dúvidas” Pensava assustado olhando discretamente para Lui. Mas o garoto estava envergonhado dos pés à cabeça.
-Desculpe, Kagamine-kun, eu não deveria ter trazido ela pra escola. A Namine nem estuda aqui.
-Namine...?
-Namine Ritsu. Desculpe por isso, mas sou uma grande fã.
-K-Kagamine-kun, me desculpe mesmo! E você, Ritsu, não fique brava por eu ser tão rude assim, mas... Ela é homem.
O garoto pedia desculpas veementes. Ele não gostava de que a “garota” saísse agarrando os outros. Soava mal e eles, como Len, conseguiriam perceber. E digamos que existem muitos homofóbicos por aí.
Já esperando o pior tratamento, Lui e Ritsu notaram quando Len riu e tocou o ombro da ruiva com suavidade. E sorriu sinceramente.
-Ah, não tem problema. É um prazer conhecer você, Ritsu-chan.
A ruiva não tinha um sorriso nos lábios, mas certo espanto. Len arrumou a bolsa e ajeitou as roupas com cuidado.
-Bem, preciso ir senão perco a van. Até amanhã, Lui-san! –acenou saindo de cena.
-AHH MATTE! –o menor correu até ele segurando a manga de sua blusa.
Len sentiu o aperto e virou-se curioso. O menino pareceu bem mais baixo e acanhado.
-N-Não conte pra ninguém sim? É que já temos problemas demais por causa dele ser travesti.
O loiro pendeu a cabeça como se isso fosse algo novo para se ouvir. Ele nunca tinha tido problemas em ser bi. Porque as pessoas teriam problemas com um travesti? E ele realmente parecia uma menina, qual era o problema?
-Tudo bem. Se você pediu, então eu não conto nada. Pode confiar em mim. –Len ergueu a mão como se jurasse.
-A-Arigatou. –Lui se curvou polidamente e voltou até a ruiva que finalmente sorriu, parecendo bem feliz e acenou timidamente para o loiro que acenou de volta.
-Espero te ver de novo, Ritsu-chan! Venha mais vezes.
E saiu fechando a porta.
-Seria bom. –ela sussurrou sendo ouvida apenas pelo primo.
-É. Mas agora eu preciso ir ver os corredores do terceiro andar. Consegue chegar ao portão sozinha?
-Aham. Eu vou logo atrás do Len-kun. Quem sabe as pessoas não caem em cima dele e se esquecem de mim?
Lui sorriu, sentindo que aquele ano ia ser melhor do que qualquer outro.
...
Assim que se deu com o corredor, Len suspirou. Olhou para os lados com pouco interesse, vendo alguns grupos se movendo e rostos conhecidos se aproximando acompanhados de outros desconhecidos. Naquele momento os grupos dos clubes se moviam para se dirigem às salas, que ficavam no quarto andar.
O loiro sentiu o rosto esquentar um pouco, mas manteve o rosto erguido assim que o grupo parou à sua frente.
-LEN!!
A voz berrante foi claramente da pessoa mais sorridente de todo o grupo. O rapaz loiro que se aproximou o abraçou com enorme força.
-Você saiu de casa sem nem dizer tchau! Que injusto, Len! –Kuro esfregava o rosto no do ex-idol com tanta força que o garoto estava ficando ainda mais envergonhado.
-K-Kuro, não faça isso!
O maior o largou dando um sorrisinho. Os companheiros do loiro acenaram com a mão.
-Esse é o Kagamine-kun? Muito prazer! –dizia uma pessoa, também loira e com olhos azuis quase sedutores estendendo a mão.
-Não vai ficando íntimo assim hein? –Kuro avisava com o braço por cima do ombro de Len.
-P-Prazer. –Len olhava os outros.
Era praticamente algo anormal, mas os dois eram loiros. O que cumprimentou tinha olhos azuis estreitos e era alto, o outro era baixinho e os cabelos eram encaracolados.
-O que está fazendo aqui ainda, Len? Você não vai pra casa?
-Vou, eu tinha esquecido uma coisa por isso voltei. Você entrou pra qual clube?
-Música, lógico! A maioria dos alunos estão com esportes, mas ano passado, com a chegada das nossas salas, a maioria foi para música e aconteceu eventos bem legais. Esses são meus senpais: Valshe e Lon.
-Ah. Muito legal conhecer vocês. Eu sou Kagamine Len, parente do Kuro.
-Parente...? –o menor perguntava com uma voz excessivamente infantil.
Os dois loiros olharam para o rapaz de piercings.
-Bem, até agora ele nunca tinha comentado sobre o que éramos. –ele balançou as mãos.
-Na. Nós somos amigos desde criança, somos como irmãos. –Len explicava vendo a situação.
-Ah! Você vai fazer aquele prato pra mim hoje? Eu quero com takoyaki. –falava o loiro com água na boca e olhos brilhando.
-Ahh... Kuro, eu vou fazer, mas acho que vocês estão atrasados. E eu também, então preciso ir! Até mais!
O loiro terminou a conversa e foi se afastando com um sorriso ameno. Se não saísse dali em cinco minutos perderia a van. Mas tarde demais, quando desceu para o primeiro andar, foi puxado meio de lado.
-LEEEN!
-Meito-kun! Eu preciso pegar a v-...
-Não diga nada! Olhe só, pessoal, aqui está ele. –o moreno sorriu mostrando o loiro para um grupo de pessoas que ele conhecia bem.
-Oh, os intercambistas! Olá pessoal. –Len tentava se afastar o melhor possível, mas Meito parecia prendê-lo ali.
“É hoje que não saio da escola” Len *gota*.
Enquanto ia começar a falar com os ingleses, Sweet Ann, Big Al, Miriam, Leon e Lola, Len arregalou os olhos vendo um grupo de meninas ao final do corredor apontando para si e Lui estava tentando contê-las.
-M-M-M-E SOLTA! –Len empurrou bruscamente Meito e saiu correndo. –AHHHH!
As meninas gritaram e passaram quase por cima do pobre inspetor, atropelando os intercambistas que estavam pasmos e um Meito esborrachado no chão.
-LEN-KUN, LIGA PRA GENTE SAIR UM DIA DESSES COM A TURMA!
“E ele só pensa nisso?!” Len corria com todas as forças, passando por um monte de pessoas que se amontovam, passou pela diretora e quando viu que elas já estavam quase o alcançando, em se jogou no meio de um grupo, escondendo-se no meio de umas pessoas reunidas.
-Por favor! Me deixem ficar aqui só um minuto!
O estado dele era lamentável: estava apavorado. Se fossem duas ou três tudo bem, mas eram umas nove, todas com olhos brilhantes querendo devorá-lo. Ele morria de medo dessas fãs enlouquecidas, elas poderiam não existir.
Assim que elas se afastaram suficiente, Len se levantou, com os olhos fixos nelas e depois suspirou olhando direito para quem estava em volta. Não conseguiu conter de abrir a boca com cara de tacho.
-N-Nero?
-Oi... –o loiro também estava chocado.
O rapaz tinha não só crescido, mas estava extremamente belo. Os olhos afilaram e os lábios ficaram mais carnudos, a pele parecia de anjo. Além disso, ele estava acompanhado de duas pessoas, um rapaz que com certeza não era japonês, com uma roupa simples e cabelos ondulados, e uma moça morena, olhos escuros e cabelos curtos quase como a Meiko.
-L-Len, quanto tempo. –falou coçando a cabeça.
-É... AH! Minha van! –Len sentiu que a frase foi fingida e forçada, mas era a melhor desculpa e uma grande verdade, a van estava saindo. –NOS FALAMOS OUTRA HORA!
O loiro saiu correndo enquanto outro grupo de meninas apareciam para tentar agarrá-lo. Assim que conseguiu se esgueirar para dentro, o cobrador não sabia se fechava ou deixava aberta com todas aquelas meninas correndo na direção da van.
-FECHA! FECHA RÁPIDO!
Assim que a porta fechou, uma montanha de meninas agarrou o furgão branco gritando seu nome e pedindo autógrafos além de declarações e beijos no vidro.
-P-Por favor saia daqui! –pediu para o motorista que estava tão assustado quanto as pessoas dentro da van.
A van acelerou com calma até que elas desistissem, então o motorista acelerou, saindo da visão da escola. Lá, de pé, os alunos que ainda esperavam o sino assistiam a cena e já ficavam sabendo quem era o loiro afobado e gritante.
Nero abaixou a cabeça, parecendo preocupado sob a visão dos dois amigos.
-Nero, você está bem? Parece que você conhece aquele menino. –falou o rapaz moreno com um sotaque incrivelmente notável.
-Tudo bem, Bruno. É um amigo que não vejo a dois anos... Nós já tivemos uma relação bem forte, mas nos separamos.
-Que pena. E ele estava com tanta pressa. Ele é famoso por aqui não é? –comentava a morena com um óculos de sol de estrelas vermelhas.
-Ah, ele é o Idol mais famoso do Japão. Mas ele tinha um contrato de apenas dois anos, e agora voltou para cá, Clara.
-Hm. Vamos entrar então, o sinal bateu. E não fique com essa cara, senão a Mayu te mata.
-Eu sei, não precisa me lembrar disso. –sorriu o loiro fracamente.
...
Olhando as casas passando do lado de fora, Len tentava ouvir apenas a música em seu headset branco, mas nem isso conseguia tirar de sua cabeça a imagem do loiro que tinha gostado tanto antes. Tinha saudade. Pensava que poderia ter feito várias coisas com ele e que Nero poderia realmente ter sido a pessoa certa pra ele.
Respirou, sentindo a barriga doer de fome. As aulas tinham sido bem legais para um primeiro dia e a Aria era uma pessoa muito gentil e que o deixou a par de tudo na escola em um piscar de olhos. Agora o que o preocupava era o que o aguardava em casa.
“Luki-kun é muito cruel. Desde quando fomos para Tokyo ele sempre falava do Kyte com aquelas malícias. Falava que ele gostava de mim de outro jeito e que eu tinha que descobrir se era verdade, por que... Querendo ou não é assustador. Você morar com uma pessoa que é quase seu irmão e ele ser apaixonado por você. É verdade que nunca fui sortudo com ‘amores’, mas se ele for mesmo o que eu devia fazer?”
O loiro remoía os pensamentos e quando abriu os olhos estranhou.
-MERDA! PRÓXIMO!
Len esfregou a cabeça notando que seu ponto já havia passado.
Continua
Notas finais
De qualquer forma, já apareceram vários personagens e no próximo o KytexLen já rola. Finalmente, pois nem eu tava aguentando enrolar tanto! Muito obrigada por ler! Reviews?
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