A Casa Imoral
2 Rin e Len
Notas iniciais
_Haaa… -resmungou com o corpo super relaxado como nunca.
Ele abriu os olhos gordos azuis, olhando o corpo junto ao seu. Que estranho, estava tudo tão gelado.
_Rin? –disse contemplando o corpo esbranquecido de sua irmã ao seu lado.
Ele tirou as cobertas olhando sua irmã melhor. Ela tinha o rosto tão sereno…
_R-Rin? –disse mexendo no corpo dela, balançando o ombro dela.
A menina se remexeu um pouco, abrindo fracamente um sorriso, ela levantou com esforço os braços e segurou o rosto de Len, o puxando.
Len foi levado a um abraço fraco, gelado, mas ela o fazia com amor. Ele retribuiu, chorando.
_Len…eu te amo. –Rin sussurrando.
_Eu te amo, Rin, muito! Não morra, tá?! –Len desabando em lágrimas enquanto distrubuía beijos pelo rosto da irmã.
Rin o beijou na testa, passando os dedos em seus cabelos. A menininha era muito forte, e deveria sobreviver.
Kyte entrou no quarto, com uma bandeja enorme, cheia de delícias. Ele não conseguiu conter o sorriso ao ver Len sorrindo, mesmo que chorando para a garota irmã.
_Bom dia. Espero que estejam melhor. –Kyte se achegando e deixando a bandeja na mesa, enquanto examinava Rin.
Ele pôs a mão na testa dela, mesmo que ela estivesse com medo, ela deixou ao ver Len tão confiante perto dele.
_Q-Quem são vocês? Como viemos parar aqui? E que lugar é esse? –peguntava vagarosamente.
_Rin, eles são pessoas muito boas. Eles me salvaram e depois que eu disse, eles foram te procurar. –Len acariciando a mão da irmã.
_Obrigada… -Rin sorrindo fraca.
_Não agradeçam, é obrigação das pessoas ajudar e não ferir. –Kyte pondo a refeição na frente deles.
Os meninos se entreolharam e depois agradeçeram, pegando uns pães. Começaram a comer e ficaram muito empolgados, pareciam estar mortos de fome.
_Comam tudo, se quiserem tem mais na cozinha. Aqui agora é a casa de vocês também, fiquem à vontade. –Kyte.
Os dois tiveram um choque de surpresa e continuaram comendo, mentalmente agradecendo infinitamente por terem sido salvos e ainda tão bem tratados.
_K-Kyte…vocês vão fazer o que com a gente? –Len.
_Nada, oras. Relaxe, Len, vocês podem ficar aqui…descansar, ter certeza que Rin não está doente e que os ferimentos cicatrizem. Podem ficar tranquilos que aqui ninguém vai fazer mal à vocês, eu e Gack atendemos vocês sempre que precisarem. Vamos? Acho que precisamos ver roupas… -Kyte.
O azulado pegou na mão de Len suavemente e na de Rin, levando-os consigo. As duas crianças se sentiam quase que felizes, era a primeira vez que um contato adulto era mais carinhoso com eles.
Kyte os levou até um armário, em um quarto que servia apenas de trocador. Muitos armários e muita roupa, muitas roupas antigas, mas por enquanto quebrariam o galho.
_Há uma tempestade lá fora, sabem? Não saíremos tão cedo…mas a despensa está cheia, nós temos muitos agasalhos e agora vocês estão aqui e seguros, ok? –Kyte mexendo no armário.
_Vocês são muito legais…mas não conheci o outro. –Rin com as mãos juntas a de Len.
_Gack está preparando um café pra nós, e também está acendendo a lareira. Já já descemos. –Kyte pegando alguns vestidos.
_Bem…parece que o Duque de Venomania que morava aqui, só abrigava ele mesmo e mulheres… -Kyte dando alguns vestidos para Rin.
_O que quer dizer? –Len.
_Tem só vestidos… -Kyte corando.
_Ah, não tem problema. O Len fica bonito de vestido. –dizia a menina sorrindo, o humor já bem recuperado.
Kyte riu, achando que era brincadeira da menina, mas logo os dois já estavam trocando idéias sobre qual vestido ficaria mais bonito.
_Esse é bonito. Fica com esse, Rin, ele vai te proteger do frio. –Len entregando um vestido amarelo e preto de mangas compridas,cheias de babados.
_É…kawaii!!! –Rin olhando o vestido e correndo para o trocador.
_Hmm…você tem certeza que não quer uma roupa normal, Len-san? –Kyte.
_Tenho. Prefiro ficar com um vestido que me serve do que com um monte de roupa que fica me sufocando. –dizia com um sorriso inocente, fuçando os vários vestidos.
_Leennn, o que achou? –Rin chegando e dando uma rodada.
_Nyahh, kawaiii!!! –Len segurando as mãos da irmã e rodando com ela.
_Nyah?! –Kyte incrédulo.
Rin riu, ela tiha ensinado isso pra ele, porque havia achado bonitinho um cosplay de neko falando na tv de uma cafeteria.
_Nyah! –Len fazendo pose, com o rosto corado, mas com um sorriso.
_Que kawaii, Len nii-san! –Rin abraçando-o.
_Deixa eu experimentar esse aqui. –Len correndo para o trocador.
Ele saiu, com um vestido preto, caído pelos ombros. Kyte não conseguiu esconder uma risada fraca.
_Ficou engraçado. Mas já que insiste em ficar com o vestido, Len, vamos logo tomar café. –Kyte.
_Põe isso aqui Len. –Rin entregando umas presilhas.
O menino colocou na franja, e pra felicidade de Kyte, agora ele parecia mesmo com uma garota, mesmo o cabelo sendo muito curto (não dava pra amarrar- cabelo do Rinto).
Assim que Gack colocou os olhos nas duas…damas, ele riu, reverenciando-se.
_Bom dia, senhoritas. –Gackpo.
_Bom dia! –Rin e Len.
Gack sorriu, Len estava muito fofo, assim como a irmã. E feliz ao saber da garota bem melhor, foi até ela, depositando um beijo na testa dela e depois na de Len.
_Ainda bem que estão melhores. Rin, meu nome é Gackpo. Espero que goste de nós e de ficar na nossa casa. –Gackpo.
As crianças riram, abraçando o rapaz. Kyte foi até o sofá e sentou-se, ligando a tv.
Passaram a manhã contando o que viram, o que conheciam de si mesmos e da cidade. Nunca estiveram em uma escola, nunca ficaram em um lugar por muito tempo, roubavam sem saber que era errado, e principalmente, haviam sido muito maltratados por adultos, que os afugentavam como cães.
_Falando em animais, eu trouxe um gato que estava com você, Rin. –Kyte indo atrás do gato preso dentro de um quarto.
_O KURO?! –Rin se ressaltando.
Assim que abriu a porta, o gato saiu correndo, até se dar com Rin e miar, pulando em seu colo, se esfregando nela. Dela, passou para Len, ganhando vários carinhos dos dois.
_Obrigada, Gackpo-sama, Kyte-sama. –Rin chorando enquanto abraçava Len e Kuro.
_Não nos chame assim, somos seus amigos. –Kyte.
Conheceram a casa aos poucos, sempre acompanhados de Kuro, exploraram milhares de coisas, com a permissão dos donos. Eles contaram histórias para os mais novos, encantados com tantas coisas como livros, roupas, fantasias, comida, e principalmente, com seus mais novos amigos.
Chegando a tarde, quando ainda a nevasca estava forte, os quatro se juntaram, assistindo um filme de comédia, acompanhado de pipoca e refrigerante, embaixo de uma coberta e todos bem abraçados, rindo.
Rin e Len nunca tinham passado um dia tão bom e pela primeira vez entenderam o que é ter uma família.
_E então? Que tal escovarem os dentes e ir jogar um jogo de tabuleiro? –Gackpo.
Kyte quase vomitou com a idéia, já que era mais fã de videogame. Mas ao ver o sorriso brilhante dos dois, que vestidos daquele jeito dava a impressão de estarem no século 15, ele riu dando de ombros.
_Está divertido. –Kyte comentando com o outro enquanto as crianças subiam para o banheiro.
_Kyte…vamos ficar com elas? –Gack olhando para seu chá.
_Acho que está cedo pra pensar nisso. Mas eles não tem onde ficar mesmo… -Kyte.
_Até a nevasca passar, vamos pensar bem, depois vemos se levamos eles para um conselho tutelar, ou se ficamos com eles aqui sem ninguém saber. –Gackpo.
_Fazer mal não vamos fazer mesmo. –Kyte bebendo o seu.
_Não, claro que não. –Gackpo.
_Precisamos de mordomos aqui… -Kyte.
_Realmente, é uma mansão. –Gackpo.
Os dois estavam meio nervosos.
_Muitos, muitos mordomos… -Kyte.
_É. –Gackpo.
_KYTE-SAN, GACK-SAN!!! –Len e Rin com Kuro atrás.
_Hum? –Gackpo olhando.
_Achamos umas roupas legais pra vocês! Vamos brincar de rei e rainha!!! –Rin jogando a roupa de guarda e príncipe para eles.
Os dois rapazes se entreolharam desacreditados, com as roupas nas mãos.
_EU SOU O PRÍNCIPE! –Kyte roubando a roupa de príncipe da mão de Gackpo.
_AH NÃO! –Gackpo.
_Hahahahahaha… -Rin e Len abraçando-os.
Continua
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