A Casa Imoral
1 Kyte e Gackpo
_Gack…esse menino está muito mal.
_Vamos cuidar dele, Kyte. Agora, entre logo, está frio.
O de cabelos longos e roxos colocou a mão no ombro do de cabelos azuis e curtos, puxando-o para dentro da grande mansão.
Nos braços do garoto de cabelos azuis, chamado Kyte, repousava um menino muito novo, aparente há uns seis anos. Cabelos curtíssimos e dourados, brilhantes. Seus olhos cerrados estavam pesados, aparentava estar muito doente, obviamente, por causa do frio arrebatador da cidade.
_Ele é bonito não é? Parece um anjo. –comentava Kyte, admirado com a face afeminada do menino.
A casa, mansão, ao atravessar a porta de entrada, dava-se com um grande corredor, com quadros antigos e aparência muito medieval.
_Será que ele vai se assustar quando acordar? –Kyte.
_Relaxa, Kyte, ele vai ficar bem. Agora, vou preparar um bom chá, então ele ficará melhor. –Gack sorrindo para o garoto de azul.
Kyte sorriu também. Os dois eram recém-adultos, tinham seus 18 anos, ele e Gackpo. Ao herdar a mansão, Gackpo convidou Kyte, seu melhor amigo e companheiro para morar em sua casa e estudarem juntos numa faculdade na área de música.
A mansão então pertencia a eles recentemente, e após finalmente três meses, lhes aparece uma criança, esta que agora é posta numa cama e coberto com os mais caros e antigos cobertores.
_De onde veio esse carinha hein? –Kyte todo curioso depois de um bom tempo olhando-o, mexendo na franja loira do menino desmaiado.
_Talvez estivesse perdido na neve. Aí viu a mansão e veio aqui. –Gack entrando no quarto com uma bandeja com três xícaras de chá.
Kyte virou o rosto de volta pro menino. Ele parecia estar mais relaxado e sua temperatura estabilizou.
O rapaz de cabelo azul vestia um casaco preto fechado, um cachecol azul enrolado no pescoço, calça marrom e sapatos brancos. O de cabelos roxos, mantiha o cabelo solto, usando um kimono preto, dos que se usam no frio, usava meias brancas apenas.
_Devia tentar acordá-lo? –Kyte.
_Claro! Ele é uma criança, não devia estar andando por aí sozinho. Os pais dele devem estar loucos da vida. –Gackpo colocando a bandeja na mesa ao lado.
Kyte mexeu no rosto do loiro, tocando o dedo na bochecha avermelhada. Ele segurou o rosto do menino, chamando e dando leves tapinhas na bochecha.
_Hm… -resmungou o menino abrindo os olhos vagarosamente, ele se mexia para levantar, enquanto levava os braços ao rosto.
Os olhos dele, assim que Gack e Kyte puderam ver, eram gordos, brilhantes e azuis. Olhos tão brilhantes que lembravam os de garotas, de tão, digamos fofo.
Os dois rapazes levaram um leve susto, já que o menino esfregou os olhos do mesmo jeito que aqueles menininhos shotas de animes.
Ele, olhou para os dois, ainda sem fala. O garoto olhou em volta. Depois arregalou os olhos e deu um grito estridente.
_AHH, CALA A BOCA!!! –Kyte colocando as mãos na boca do garoto.
O menino, com os olhos marejados deu uma mordida forte na mão de Kyte e se levantou correndo, mas no momento em que fez isso, sentiu uma dor profunda na coxa e não suportou seu próprio peso, caindo da cama.
Gack correu do outro lado, tentando segurar o menino, mas ele pegou algo do chão e jogou na cara do mais velho, se arrastando para outro canto, tateando qualquer doisa que pudesse usar como defesa.
_Garoto, calma! –Kyte tentando segurar o menino.
O loiro jogou sapatos nele, depois tentou se levantar e sair correndo, mas Gack segurou o tornozelo, fazendo-o cair no chão.
_NÃOOO!!!! ME DEIXA IR!!! –berrava o menino com uma voz estridente.
_CREDO COMO VOCÊ GRITA! –Kyte já perdendo a paciência e agarrando o loiro nos braços com força.
O menino ainda se debateu e bateu no peito de Kyte tentando se soltar, mas se sentiu muito fraco e uma grande fadiga o abateu.
_Mee solta… -pedia cansado.
_Pra você sair correndo? Garoto, você tava quase morto lá fora, sabia? –Gack.
_M-Morto? Vocês me salvaram? –perguntava com os olhos novamente pesando.
_É. E e seu grito é muito estridente, dói os ouvidos… -Kyte.
O loiro se sentiu insultado e inflou as bochechas, fazendo Kyte e Gack corarem e rirem após com tanta fofura.
_É estridente e poderoso, abate qualquer um…hahahaa… –Kyte.
O loiro mordeu seu lábio por causa da vergonha e da incerteza de quem eram os rapazes. Ele reclamou que ia ficar quieto e Kyte o desceu.
_Ei, qual é se nome? –Gack sentando na cama.
_Não posso falar meu nome para estranhos… -o loiro ficando vermelho.
Kyte riu.
_Foi sua mãe que te ensinou isso? –Kyte afagando a cabeça do menino.
O loiro adquiriu uma expressão surpresa e ficou pensando. O que é uma mãe?
_Não sei…minha irmã que me disse isso. Ela diz que é perigoso…mas o que é uma mãe? –o loiro todo inocente.
Gack e Kyte arregalaram gradativamente os olhos e se entreolharam assustados.
_Você não tem mãe? –Kyte se abaixando na altura do menino.
_O que é uma mãe? –repetiu o loiro.
_M-Mãe é a mulher de onde nascemos. –Kyte.
_Não sei se tenho isso…só sei que eu e minha irmã andamos por aí, mas ela me diz que não temos casa, não sabemos de onde viemos. Uns homens maus me atacaram, eles me machucaram, eu e minha irmã. –o loiro começando a chorar.
_E cadê a sua irmã agora? –Gack.
_E-Eu não sei… -o loiro caindo em choro.
Kyte e Gack, assustados com a nova experiência, encarando uma criança sem pais, sem conhecimento, agora sem a única pessoa que conhecia: sua irmã.
_Ei…garoto, calma. –Kyte acariciando os cabelos loiros e puxando o pequeno corpo para um abraço, que foi tão bem recebido quanto um doce.
_Hic…minha nee-san…ela consegu-u-iu fugir…ta-também…m-ma-as n-nos separamos… -o loiro fungando e soluçando.
Gack, não suportando aquilo, pegou uma xícara de chá e bebeu, depois oferecendo uma ao menino apavorado.
_O-Obrigado…m-meu nome é Len… -o loiro.
_Sou Kyte.
_Me chame de Gackpo, ou só de Gack.
_V-Vocês são bem mais velhos que eu né? –o menino embargado em sua voz infantil e shota.
Kyte riu, acariciando os fios loiros outra vez, assim como Gackpo.
_Sim. E nós vamos achar sua irmã. –Gackpo.
_Quantos anos elas tem? –Kyte.
_A-Acho que tem a mesma idade que eu… -Len.
_A mesma? Vocês são gêmeos? –Gackpo.
_S-Sim, isso que ela diz. –Len.
Kyte assentiu coma cabeça pra Gackpo e os dois conversaram com o loiro, sobre ele ficar ali esperando enquanto eles iam atrás de sua irmã.
O menino havia ressaltado um grande prédio com o nome Vocaloid na frente, onde nos fundos haviam sido atacados. Kyte e Gackpo resolveram não comentar que justo lá era o lugar onde tinham uma pequeno contrato como compositores, mas ignorando isso, foram direto lá.
_Foi aqui nos fundos então…será que foi alguém da própria empresa? –Kyte.
_Duvido…mas seria bom chamarmos a polícia. –Gackpo olhando nos cantos.
Ouviram um pequeno gemido, parecia um cachorro. Os dois procuraram melhor, entre as latas de lixo e dentro até.
_Nem acredito que em plenos 10°Negativos eu estou aqui nesse gelo e neve procurando uma garota de seis anos. –Gackpo.
_Se houver uma garota chamada Rin escondida aqui…seu irmão está abrigado em nossa casa. Ele pediu pra procurmos você! –Kyte fazendo concha e falando muito alto.
_O que não fazemos pelas pessoas né? –Gackpo.
_Pois é…Rin, Rin…essa garota pode estar desmaiada, e se não a acharmos ela pode vai morrer de frio. –Kyte.
_Apesar de gostar tanto de coisas geladas, você ainda tem medo do gelo, não é? –Gackpo mexendo em uma montanha de jornais. Ele os empurrou, e assim que fez, quase morreu de susto com a cena de um corpo todo ferido e sangrando, junto a ele, um gatinho preto de olhos vermelhos.
_Meu Deus! –Gackpo levantando o corpo.
Era uma garota igualzinha à Len, idêntica. Era com certeza ela.
_ACHEI, KYTE! –Gackpo.
_Deus é pai! Cobre ela! –Kyte se achegando.
A menina tinha a pele pálida como a neve, as veias apareciam em sua pele, e o sangue manchava completamente seu corpo. Gackpo tirou seu casaco e colocou na menina, que tinha as roupas rasgadas e enxarcadas.
Kyte tirou o seu e ainda enrolou seu cachecol preferido no pescoço e cabeça da loirinha. Kyte pegou o gato também, um de porte pequeno, e o levou também. Eles saíram às pressas, buscando salvar a menina à beira da morte.
Entrando na mansão, Gackpo preparou um banho morno, chá, buscou remédios, acendeu a lareira, e antes que pudessem fazer algo e deixá-la bem para Len não se assustar, ele apareceu na escada.
_RIN!! –gritou correndo.
Ele abraçou a irmã gelada e desacordada, soltando imensas lágrimas. Ela estava morrendo aos poucos.
_Vamos salvá-la! Acalme-se. –Gackpo a levando para o banheiro, acompanhado dos outros dois.
_M-Mas… -Kyte.
_Não é hora pra isso, não é Kyte?! –Gackpo já tirando os farrapos da menina e a sentando na água.
Os outros dois iam ajudando a esquentá-la, jogando água nos ombros dela, massageando-a com as mãos quentes.
Len até pegou um secador de cabelo, em desespero em salvar sua irmã gêmea. Gackpo a retirou e Kyte a enrolou numa toalha.
_Vamos logo, colocamos ela numa coberta e damos um chá. –Gackpo.
Assim que a enxugaram e a vestiram com roupas quentes, do tamanho de Len, pois eram do mesmo tamanho, sentaram-na, fazendo o chá ser bebido por ela.
Assim que deitaram-na, verificando se a menina estava viva e bem, ela ainda estava com a respiração fraca, mas estava melhor, a cor voltando e a temperatura aumentando.
_Rin… -Len segurando a mão dela choroso.
Gackpo fez uns curativos nos machucados dela, e Kyte consolava Len.
_Ela vai ficar bem. O pior já passou… -Kyte.
O menino abraçou Kyte e ficou assim, até quase pegar no sono.
_Ei, Len…não quer dormir com sua irmã? Quem sabe sua presença a faça ficar melhor? –Kyte.
Len assentiu e tirou os sapatos entrando debaixo da coberta, abraçando a irmã, bem mais quente.
_Nee-san… -disse de olhos fechados, com uma lágrima escorrendo por seu rosto.
Gackpo e Kyte levaram o primeiro maior susto de suas vidas. Quem diria…dois universitários abrigando duas crianças gêmeas, cuidando para que nada de mal acontecesse à elas.
_Kyte…Gack..obrigado… -Len sussurrando já abandonado em sonhos.
Gack e Kyte os cobriram melhor e colocaram mais umas cobertas. Terminando o serviço, sorriram, presenciando a rara cena de irmãos tão idênticos abraçados e dormindo tranquilamente.
Kyte apagou as luzes e assim que saíram, Gack fechou a porta.
Continua
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