Notas iniciais
Finalmente aqui acaba os segredinhos de Lui. Vamos resolver o assunto. Foi tudo tão rápido né? Mas espero que curtam. Era para ser pequeno mesmo, porque ainda tenho que focar o Nero, depois Kuro (o mistério dele) e no meio disso ir encaixando KytexLen. Perfect? Após tudo isso provavelmente será o fim. Triste né?
Boa Leitura!

Len olhava para os lados passando a mão pelos fios dourados num claro gesto de nervosismo. Acompanhando-o estava Gacha, com as pranchetas e a face vertida em uma expressão não muito abalada. Apesar de não parecer, estava preocupado com Len e Lui. Eles poderiam sair machucados dessa história se ela fosse prolongada. Por isso ele gostaria de impedir o encontro do loiro com a menina mencionada, Suzune.

-Se não me engano ela tem como amigas a Aoki-chan e Meg-chan.

-Quem são essas? -perguntou curioso o baixinho, coçando a nuca com a caneta de listras amarelas e rosas entre os dedos.

-Aoki Lapis e Megpoid Gumi. Elas são “minhas amigas” e da Aria também. -o loiro deu de ombros, movendo a cabeça e a mão como se indicasse que mal as conhecia.

O esverdeado riu de canto, mas logo parando ao avistar os alunos visitantes. Seu uniforme era composto por blazers azuis escuros, gravatas e laços de cor vermelha para os 3ºs anos, calças e saias bege.

Todos vinham distraídos, admirando a escola e olhando cada sala. Quem os guiava não era mais o Lui, já que ele tinha saído rapidamente ao confirmar que a Suzune estava entre eles, era alguém que Len não viu por estar dentro da sala.

Len apertou um pouco os olhos, sua expressão estava calma, liberando uma sensação de “Sai da frente, verme.”, ainda que essa não fosse a intenção de nenhuma forma.

Gacha também sentiu-se um pouco intimidado assim que alguns olhares dirigiram-se a eles. O grupo de quase 20 alunos estava verificando o Clube de Leitura agora.

Len falou baixo ao Presidente.

-Qual é o significado dos alunos dos clubes de esportes visitarem as salas dos outros colégios ao invés de somente as quadras? -seus belos olhos focaram o pequeno, que encolheu a prancheta no corpo de forma infantil. Era meio difícil encarar um Len assim, repreensivo e irritado de certa forma (ele estava bem irritado com o que aconteceu com Lui).

-Isso não é algo que nós decidimos, mas dizem que é bom para promover o respeito entre os clubes. -Gacha respondia sem nenhum entusiasmo mostrando sua total negação àquela ideia sem noção.

-Hunf. Vamos indo, eu realmente queria sua opinião para ver o que vou escolher. -Len sorriu balançando a mão e andando alguns passos com o esverdeado bem ao seu lado.

-Você tem certeza que não existe nenhum esporte que te agrade? -Gacha perguntou casualmente, ressaltando com o dedo indicador. -De verdade, a maioria dos alunos entrou no de Música esse ano, então os veteranos formados deixaram vagas que precisam ser preenchidas. Como algo de Natação, Corrida de 100m. Algo mais individual do que em equipe.

Len fez uma pequena careta que saiu meio errada.

“Engraçado, mesmo tentando parecer normal o rosto dele fica cada vez mais bonito.” Gacha pensava mordendo a ponta da caneta olhando a face alva. “Igualzinho a uma menina.”

-Natação? Nunca nadei na vida. Quando tentei o Luki e o Yuma precisaram me salvar e por pouco um deles não fez uma respiração boca-a-boca... Fui salvo por um tapa. -sorriu de novo massageando a bochecha.

Gacha deixou um riso sair quando pararam perto do grupo, olhando a porta que ficava antes daquela, o letreiro ao lado indicava Clube de Teatro. Len deu um sorrisinho amarelo e acabou entrando assim que Gacha abriu à chave, sob a atenção dos alunos visitantes que estavam curiosos da presença deles.

-Eu não vou entrar para o Teatro... Mas é bom olhar.

-Por quê? Teatro tem uma relação com música. -Gacha deu de ombros olhando suas anotações. -E está em falta de membros.

Len suspirou firme.

-Eu sempre fico excitado com a ideia de poder vestir aqueles vestidos lindos... E se não posso fico mal humorado. Por isso não vou correr esse risco. -Len balançou a cabeça mal se dando conta que os alunos começaram a entrar ali.

Gacha deu um pequeno puxão em sua blusa, fazendo-o se virar para vê-lo. Parecia mesmo uma criança de 5 anos. Mas isso era até que interessante. Olhou para trás direito e viu as meninas vermelhas e os rapazes parecendo arrepiados por terem ouvido aquilo dele.

Len corou um pouco e desviou os olhos para Gacha.

-Não tem outro clube dessa área, Gachan?

-Hm? Lennn!!!

O loiro tirou a atenção do baixinho e focou em outra pessoa que tinha passado por sua cabeça.

-Meito-san! É você que está cuidando da guia, então? -Len sorriu largamente, permitindo o moreno um abraço sem vergonha.

-Cruel! Você nem dá oi pros visitantes, tá achando que tá onde?

Len balançou a mão, vendo exatos 23 alunos do Kozakura olhando-os atentamente. Fez uma cara meio decepcionada.

-Gomen, eu me desacostumei demais... Voltei há pouco tempo então me perdoem. -Len *gota*. Enquanto o fazia olhando para cada um dos visitantes, avistou Ring finalmente, que atrevidamente se aproximou.

-Yo, Len-chan!

-C-Chan? -Len *gota*.

A voz antes que era irritante agora se tornava algo ainda mais insuportável. Ela lhe lembrava a Miku de alguma forma e isso o irritou um pouco. Se lembrava de que Miku não o tratava tão bem como Rin e até o repudiava por algum motivo, era uma monstra de negi. (Nada contra a Miku e a Ring, só que são parecidas).

As meninas se entreolharam e rapidamente começaram a cochichar e se aproximar com pressa cercando Len em um segundo.

-N-Não!

-Por favor, me dá seu autógrafo!!

-KYAHH É O LENLEN!!! Deixa eu te da um beijo!

-Vamos sair um dia desses? Seus pais não são contra né?!

Len sentiu de repente o silêncio e o som de uma batida, que foi seu corpo contra o corpo de Meito e Gacha ter usado um interfone para mandar elas se calarem.

-Por favor, meninas, não o ataquem assim. -Meito segurava seu rosto, a mão bem sobre seu olho com os dedos entreabertos permitindo a visão, afastando a franja loira. Com o outro braço estava envolvendo sua cintura.

Houve um som esquisito vindo da garganta de cada um dos que assistiam e até que Len se visse fora daquele contato quente, percebeu outra presença que adentrou o local de novo. O de cabelos loiros novamente estava por ali, e fez uma expressão indecifrável, talvez incredulidade.

-Nero! Você chegou finalmente, temos que controlar essas meninas assanhadas! -Meito riu descontraído, deixando Len virar-se e impedir contato visual. Estava tremendo um pouco, não queria estar se sentindo assim. Não era como se tivesse com ele. Não era bom, não era bom!

As meninas resmungaram querendo ainda saber mais então vieram perguntas que ele não pode ignorar.

-Que Clube além de Música você participa, Len-chan?!

-Por favor, me chamem de Kagamine. -Len respondeu com um nó na garganta e olhos sérios, mas era preciso impor um limite para aquela palhaçada.

-A-Ah sim...

-Não sei qual Clube. Não quero outra coisa além do de Música, então vou assumir algo fácil e que não me atrapalhe. Talvez o de Informática Avançada, então talvez eu aprende algo útil.

As meninas fizeram muxoxos e voltaram a praticamente a saltar sobre ele. Meito novamente as afastou e Gacha já tinha se sentado riscando o Clube de Teatro e o Clube de Vôlei, algo que não iria ser aceito nunca já que os membros precisavam assistir os jogos das 2 categorias.

-Não quer mesmo um esporte?

-Que esporte? Eu não posso fazer nada com sol nem chuva acima da minha cabeça. -riu o loiro apontando para cima e dando continuidade para aquela loucura.

Ring sorriu de canto. Len viu, aquele sorrisinho apaixonado que muitas meninas mandavam para ele e somente muito depois ele foi entender do que se tratavam. Estreitou os olhos. Já nem era possível ele gostar delas antes, agora muito mais.

-E de quadra?

-Não dá! Eu não sou bom em esportes. Nenhum esporte. Eu sou inútil com bolas de futebol, vôlei, handebol e basquete. De força, agilidade, nada. Não fui feito para isso. -sorriu negando com as mãos.

Os meninos se aproximaram depois.

-Foi feito para que então? Balé?

-Não. -Len ficou sério, notando que aí vinha provocação por estar chamando toda a atenção. -Eu só faço o que gosto e nessa lista está cantar, atuar e escrever. Não são coisas de muito valor, acredito eu. -reforçou parecendo certo do que falava e mostrando que não queria discutir.

-Tch. Você que é o Idol, famosinho. Aquele que usava aqueles shortinhos e roupas coladas femininas?

O Kagamine sentiu que estava no lugar errado, não devia estar preocupado com isso em primeiro lugar, em discutir com mais um que o odiava. Ele tinha orgulho.

-Eu sou homem, então cumpro contratos. Só isso. -Len deu as costas e passou por Meito. -Até, Meito-san, boa tarde para vocês.

Gacha saltou da cadeira e foi atrás, olhando e relance para os alunos que intrigaram com o loiro. Eles já estavam marcados em sua lista negra.

O loiro ao fundo da sala de braços cruzados bufou, chamando a atenção do moreno ainda pasmado pela audácia de Len ao enfrentar o rapaz do Clube de Rugby.

-O que foi, Nero? Tá com uma cara de bunnnda! -Meito riu, passando o braço por cima de seu ombro. Tudo o que recebeu foi um olhar fuzilante e um afastamento rude por parte do de olhos dourados. -E-Ei. O que foi?

O loiro virou o rosto. Tinha público, ia “conversar” depois com o moreno.

-Tá, né? -Meito se afastou dele e voltou a fazer as apresentações do Clube correspondente de forma devida.

Passado isso, Len se encontrou do lado de fora, no corredor andando sem rumo com a mão sobre o coração. Não era isso que esperava ao ter ido para aquele lado.

Se ele não podia lidar com um problema como Nero, como podia conseguir pensar em resolver o problema do Lui, que era bem maior?

Len segurou seus fios de cabelo, sentindo-se trêmulo. O olhar dourado do rapaz ainda mexia consigo, mas agora sentia mais medo do que outra coisa. Ele tinha dado um soco no loiro... Só isso. E depois foi salvo por ele das fãs após dois anos, descaradamente saiu correndo e não falou mais com ele.

“Argh, isso foi anteontem.” Len coçou o olho seguindo em frente com Gacha já em seu encalço.

-Você devia ter cortado o assunto logo de início com as meninas, daí poderíamos ter ido sem problemas.

-Ah, Gachan, desculpe. O Tonio sempre me obrigava a dar uma certa atenção para os fãs e acabei pegando a mania, ou simplesmente me esqueci de como se dispensa alguém. -Len coçou a nuca, sentindo-se exausto e querendo voltar para casa.

Os prédios começavam a ser cobertos pela luz forte das duas horas bem nos corredores que adquiriam uma cor avermelhada.

-Aqui está tão tranquilo. -o loiro se apoiou nas grades, inclinando o corpo para observar o céu se estendendo para trás dos enormes prédios e o sol se escondendo por trás de uma torre.

-Len?

Os olhos azuis se abriram para ver Lui ao lado de Gacha, com um rosto pouco expressivo.

-Lui-san. Ainda não foi embora?

-Não. Eu fiquei curioso sobre como você ia reagir, então resolvi esperar. O que aconteceu? -sua mão pousou no braço do loiro.

Len inspirou o ar, soltando-o em seguida na forma de um suspiro cansado.

-Eu já conheço a Ring, Lui. Acho estranho apenas que justo ela tenha feito algo assim. Eu precisaria sair com ela e descobrir. Não consigo pensar que ela tenha tido coragem.

-Você acha que ela não é esse tipo de pessoa? -Lui fez uma cara nervosa e desacreditada. Não imaginava que Len duvidaria.

-Mas...

-Mas o quê, Len? Ela tirou a foto! E só o fato de que ela me agrediu, já não tem mais nada para saber. -Lui apertou os olhos que voltavam a ficar lacrimosos.

Len abriu os lábios, fechando antes de dizer qualquer coisa que o machucasse mais ainda, passando os dedos nos fios claros e macios. Lui apoiou o rosto nas grades também e se segurou uns instantes, ficando com uma coloração amarelada na face. Ali mal dava-se para enxergar com a claridade.

O Kagamine suspirou. Como em dois dias tudo caiu sobre ele num instante? Parecia ter amizade com aquelas pessoas há anos. Ou ele teria algum dom para conhecer as pessoas apenas de ver?

-Você é muito simpático, Len. -a voz fina do outro lhe chegou com surpresa. -Muito simpático para quem conheci do nada. Desculpa se fui grosseiro.

Len sorriu de lado, afagando ainda mais os cabelos macios. Estava envergonhado assim. Mas para aquele menino ele iria ao menos descobrir alguma coisa que ajudasse a desmentir a história em algum ponto... Para aliviar o peso que o Inspetor carregava.

-Bom. Vamos indo nós três? -Gacha os chamou a atenção, puxando suas camisas.

-Ok.

Os dois maiores o seguiram para fora dos prédios dos clubes. Estava calor, estava tudo silencioso e Len apenas queria sentir o vento que queria levá-los, mexendo seus cabelos com suavidade e carregando folhas e pétalas de flores.

-Você vai sair mesmo com ela? Ela vai aceitar? -Lui perguntou segurando a alça de sua mochila e com a outra mão segurava o cabelo para não atrapalhar a visão.

Len olhou por cima do ombro, dizendo que tudo ia ficar bem. Seus passos pararam perto da fonte no pátio, sorrindo largamente.

Os dois que vinham atrás paralisaram uns instantes, vermelhos. Era a visão de um anjo em pessoa. Um anjo sorridente.

-Eu disse, vai ficar tudo bem. -em seguida se virou acenando. -Agora preciso ir encontrar ela antes que ela vá embora, não é?

-H-Hai. -Lui seguiu-o mais perto e Gacha ria internamente por ter finalmente achado alguém exemplar. Ele agora tinha uma indicação para Presidente do Conselho Estudantil do próximo ano enfim.

xxx

-Encontro? Quem é o vadio? -Rin cuspiu as palavras, totalmente irritada por já ver seu irmão completamente arrumado, elegante e irritantemente bonito. -Está tentando impressioná-lo? Jura, Len? Me desculpa por me intrometer, mas isso é ridículo! Eu não vou deixar.

A loira parou em sua frente, entre o corredor e a porta. Len a olhou suspirando.

-Você ainda não desistiu disso? Nee-chan, eu vou ir a um encontro com a Ring por que preciso descobrir umas coisas. Agora, me dê licença, eu estarei naquela sorveteria próxima ao prédio da Vocaloid’s Company. Não pense em me seguir, tá? -Len acenou, andando de costas e batendo o corpo em alguém. Olhou para cima e viu o loiro que esboçava uma carinha curiosa e divertida.

-Vai num encontro hã? Eu queria ir na sorveteria mesmo... Vamos lá, Rin!! Encontro duplo! -o loiro ergueu os braços, empolgado com a ideia súbita.

Len ficou sério, repreendendo-o.

-Vai dar mais motivos para ela ficar no meu pé, é Kuro? -Len apontou-lhe a mão com um casaco no braço. -Qual seu interesse em me seguir?

-Nyaaw, claro que não quero te seguir. -Kuro riu baixinho, sabendo do que se tratava. -Eu só gostaria de um sorvete.

-Mentiroso. Você não gosta tanto assim de sorvete. -Len implicou, parando os dois que já vinham atrás. -Fiquem quietinhos aí que eu conto absolutamente tudo depois.

-Tudo? -Rin sorriu com as mãos juntas. Mesmo aquele tempo não tinha mudado suas manias de persuasão e Rin ainda era uma fofoqueira de primeira.

-Sim. Agooora, vocês vão me deixar ir, porque não sou um garotinho indefeso.

Kuro balançou a cabeça, abraçando-o por trás e esfregando seus rostos, fazendo as bochechas de Len avermelharem de vergonha.

-É sim, ainda é o nosso Len baixinho e shota, além de travestido. Você vai ainda fazer um book com os novos vestidos, eu e a Rin queremos!! -Kuro sorria maldosamente com uma carinha de neko.

-Ora, vocês. Já vou indo. Quando o Kyte-nii chegar, peça para ele deixar a porta aberta que eu vou provavelmente voltar mais a noite. Acho que vou demorar para conseguir saber o que quero. -Len sorriu acenando.

- E se ele quiser saber onde você foi? -Rin perguntou já de longe, enquanto Len descia as escadas.

-Diga que mande uma mensagem, pois não sei exatamente por onde vou andar. Talvez um cinema, ou o parque. Qualquer lugar público assim. Mande ele mandar mensagem. -Len avisou mais uma vez já abrindo a porta e saindo da mansão com um baque leve da porta.

Assim que se encontrou com o ar de fora, notou que as nuvens se moviam rapidamente e o vento esfriava. Pensou em voltar para dentro e pegar um guarda-chuva, mas não.

-Compro um no caminho.

E naqueles minutos seguintes de caminhada, Len se pegou pensando em toda sua vida até agora. Era de certa forma muito misteriosa a forma que eles tinham crescido, já que não se lembrava de muita coisa antes de seus cinco anos, apenas que tinha consciência de seus nomes, que vagueavam, batendo em portas e seguindo um gatinho preto. Uma pontada de curiosidade o pegou de jeito e ele se lembrou de quantas vezes contou aquela história para quem perguntava.

“Quem são seus pais?... Ah, vocês não sabem?... Então quem cuidou de vocês?... O que? Vocês viviam sozinhos nas ruas? Que horror!”

E todos tratavam aquilo como o pior acontecimento das vidas deles. Ele caminhou muito.

16 nas costas e um pouco mais a vaguear num lugar desconhecido, Len coçou a cabeça. Por que Kuro nunca falou nada?

De qualquer forma, isso seria algo a resolver depois. Agora, nesse momento, seu problema estava na sua frente bebericando uma batida de beterraba e cenoura, enquanto ele bebia um milk-shake de banana.

Ela tinha se arrumado mais, feito um belo penteado, ressaltado os olhos e ousado na roupa. Len fez com que parecesse que estivesse interessado e era um pouco cruel, mas para tirar-lhe as respostas, ele deveria conquistar ela. Ninguém assume a culpa de algo tão facilmente e para quem se está supostamente “apaixonado”, menos ainda.

-Você já ouviu então aquela? Achei tão emocionante. Meus pais dizem que eu devo parar de ouvir música alto ou senão vou ficar surda e louca pela mesma música!

-Ah, é verdade. O Kyte, meu irmão mais velho, até tirou as caixas de som do quarto que eu tinha trago e colocou no estúdio da empresa, senão eu com certeza iria me aproveitar que moramos numa mansão e ouviria até os tímpanos estourarem. -sorriu, entrando na conversa mais fácil do que aparentava. Aquilo era mentira; Kyte não tinha tirado as caixas, ele até mesmo tinha arranjado as caixas nos cantos do quarto em suportes apenas para ele se sentir ainda mais confortável.

-Ah, sim. Deve ser tão bom ter um irmão como ele. Ele deve se preocupar com você, muito.

-“Você nem imagina o quanto.” Pensou mordendo o lábio por dentro ao fingir mais um sorriso convincente.

-Mas sabe, deve ser algo da família, não sei. A Rin e você são tão parecidos e ainda tem o Kuro, que mais parece um irmão mais velho. Ele começou a frequentar a mansão mais do que aparenta não é? Dizem até que ele começou a morar com vocês. É mentira né?

-Os pais dele são muito ocupados com trabalhos de atendimento em países menos necessitados e ele entende isso. Por isso ele, como é um conhecido de muitos anos, está morando com a gente por tempo indeterminado. Espero que ele possa ficar mais, gostamos de tê-lo na família.

-Isso é tão legal. Vocês são tão fofos.

-Hm?

-Q-Quer dizer... Desculpe, mas quando você era um Idol era assim. Você era o segundo da linha Vocaloid e todos o classificaram como Shota. Sei que deve ser depreciante, mas eu gosto de coisas kawaiis. É meio bobo e a tendência é para garotas abaixo de 15 anos, mas ultimamente os gostos têm se estendido muito, né? -ela sorriu vermelha.

-“Ela fala até pelos cotovelos... Só isso que sei.” Bem, Ring-chan, acho que me encaixo nessa categoria. De verdade, mas tem bastante garotos na minha escola que são assim, não acha?

-Na sua escola? Quem? Ah, tipo aquele garotinho de roupa verde que estava com você? Quem era ele? Juro que tive vontade de apertá-lo, mas ele é muito pequeno. Não curto muito os muito pequenos.

-Ah, tipo garotos um pouco mais altos e mais fofos? É, eu conheço mais dois assim... Tem um veterano, eu não o conheço bem, mas todas as meninas resolveram de repente me comparar com ele. Acho que o nome dele é Piko.

-Piko? AH! Eu sei quem é, ele é do Clube de Tênis e é dos bons. Lembro-me dele porque também sou do mesmo clube e assisti as partidas masculinas do Kozakura e do Isahara.

-Hm. Ele é bem excêntrico, mas continua se envergonhando na frente das meninas. Eu até que perdi essa mania com o tempo. -Len sugou mais da bebida, fechando os olhos e se esforçando para sair uma expressão de fofura no gesto. No instante seguinte abriu um olho e a viu fitando-o vermelha e paralisada.

-Então, eu tenho um senpai, que juro, eu que sou homem achei ele a coisa mais fofa do mundo!

-UAU Jura?! E quem é? Sinto muito por ser tão interesseira, eu tenho uma tara por coisas fofas e estou tão contente por ter me convidado!

-Que isso! Ring-chan, só achei que por ser amiga da minha amiga não tinha problema.

-Ah? De quem está falando? -perguntou curiosa.

-Aria-chan. -sorriu largamente. -E ela também conheceu esse senpai e o nome dele é Hibiki Lui. Ah, quando o conheci ele era tão ranzinza!!! Mas só pelo nervosismo deu pra ver que ele era bem tsundere. Não consegui imaginar porque as meninas não caíam em cima dele!

A batida parou de ser bebida. Os olhos dela de arregalados abaixaram e ela ficou tensa.

-Ano... Lui?

-Sim, por quê? Você o conhece, Ring-chan? Ele não é kawaii?

Len sorria bobamente, fingindo como nunca tinha feito antes. Estava no seu limite, sua habilidade não era mentir tão descaradamente e enganar as pessoas. Ele era dócil e gentil, não um ser vingativo. Mas pelo Lui ele iria saber de algo, pelo menos confirmar.

-H-Hai. Ele... É muito kawaii. -ela ficou vermelha olhando para a mesa com os olhos enevoados. -Pena que ele deve me odiar.

Len engoliu seu próximo sorriso e pousou as mãos em suas coxas, encostando-se na cadeira. Agora vinha a parte de tomar cuidado com suas palavras.

-M-Mas por quê?... Ele não parece sentir ódio de ninguém. Só achei que era muito ranzinza.

-Ah, é difícil aparecer alguém que não saiba dessa história. Ele sofreu um trauma uns anos atrás. Sinto que ele acredita que eu tive toda a culpa nisso. É uma pena, eu gostava dele.

Len sentiu seu coração acelerar dois passos e o ar tenso aumentar aos poucos em volta deles, de forma que seu milk-shake, antes tão convidativo, ficou muito pouco atraente.

-E você tem culpa de alguma coisa? Quer dizer. Ele não parece ser o tipo de pessoa que não ouviria nenhum pedido de desculpas... Pelo pouco que conheço dele, óbvio. Eu gostei da forma que ele age com as pessoas. Ele te corta, te impedindo de falar, mas se você esperar... Apenas se esperar ele terminar, se dirigir uma palavra gentil pra ele, ele no mesmo instante vai ouvir. AH, isso soou muito intrometido, me desculpa! Eu realmente não sei do que você está falando e também não me parece que ele tenha sofrido algum trauma. Nem espero que tenha sido algo muito grande. Se fosse comigo, eu me sentiria muito mais aliviado se essa pessoa voltasse e me dissesse algo reconfortante. O peso das costas diminui e com o tempo, desaparece.

Len sorriu em seguida, sorriu seu mais deslumbrante sorriso, como se estivesse pensando nas coisas mais lindas e puras que o mundo pode conter. A menina já tinha os olhos cheios, as lágrimas juntas e suas mãos apertando-se numa tentativa de se conter.

-Depois do que eu fiz... Ele nunca me perdoaria, nem se soubesse a verdade.

Len acenou com a cabeça, bebendo os últimos goles.

-Não quer andar um pouco? -perguntou confortante, estendendo a mão para ela se levantar.

Ela levantou a cabeça um pouco e aceitou a mão, apertando a bolsa que tinha em mãos.

-Você parece conhecer ele bem.

Len soltou um “Hm? Não muito bem. Faz apenas dois dias que eu cheguei, se lembra?”

-É verdade.

-Mas você, como o conheceu? Você conhece ele há bastante tempo né?

-Talvez. Ele é amigo de infância, mas digamos que ele me conhece muito mais do que eu a ele. -ela esperou ele pagar e desceram, olhando o tempo.

-Oh. Isso é estranho. Mas não vamos nos prender nessa conversa. Quer ir ao cinema? Fará bem descontrair um pouco. Desculpe tocar num assunto delicado.

A de cabelos balançou a cabeça, segurando a mão de Len e impedindo-o de andar mais um pouco.

-Eu achei que você era mais um famoso.

-O que?

-Eu pensei que íamos sair e que eu ficaria apenas te observando e você só falaria de como sua carreira era incrível. Eu imaginei que sendo tão bonito e simpático, você iria contar como foram seus namoros anteriores e do quanto sua irmã pode ser obsessiva, o que não é novidade para ninguém da nossa antiga escola. Eu pensei que depois do que você passava no fundamental, que você sofria bullying, e voltando rico pelo seu talento, iria tentar esfregar na cara de todos e dizer que estava melhor que todo mundo. Eu fiquei impressionada o quanto você mudou quando desceu daquele avião e como tratou todos como se nunca tivesse saído daqui. E hoje eu fiquei feliz, porque achei que iria ter uma chance com você...

Nesse momento ela apertou ainda mais a mão do loiro, que observava o longo desabafo. Mas ela continuou antes que ele sequer pensasse em entrar em desespero.

-... E eu descobri que vai ser impossível, porque você é inalcançável e eu apenas posso magoar uma pessoa como você. Você não merece alguém egoísta como eu. E eu descobri que meu erro está me corroendo e eu preciso consertar tudo. Por isso, obrigada, obrigada Kagamine-san! -ela o soltou e se reverenciou. -Me perdoe, eu tenho que ir agora. Você que me convidou, eu estou me sentindo péssima, mas...-

-Tudo bem. -ela arregalou os olhos para seu sorriso sincero. Agora ele poderia facilmente mostrá-lo. -Vai. Pode ir, e vá com cuidado. Eu sei que você está fazendo o que é melhor e certo. Por isso nos vemos logo, sim? Suzune-san. E aqui... Logo vai chover. -Len lhe estendeu o guarda-chuva,

-Arigatou. -ela limpou os olhos e saiu com um aceno, já abrindo-o quando os pingos começaram a cair.

Len se abrigou embaixo do toldo de uma loja de brinquedos. Ficou olhando o céu escurecido das 6 horas após ter visto um relógio analógico na parede da loja. Em seguida olhou para dentro. Era a loja de brinquedos que um dia havia vindo com Kyte e Rin, aos 6 anos de idade.

-Ora, quem temos aqui! Len-kun, você é facilmente reconhecível!

Len ergueu os olhos para a atendente. Uma moça de cabelos loiros e longos, olhos dourados. Um arrepio correu sua espinha por um segundo.

-Olá Akita-san.

-Yo! Procurando outra banana de pelúcia? AHAHAHAHA!

-N-Não zoe assim de mim. Eu só to esperando a chuva passar.

A loira estava sozinha e os clientes já estavam todos saindo. Ninguém ficaria para uma tempestade. E Len sentia seu celular vibrar com uma mensagem.

-Kyte? -a Akita, com sua percepção ativa, adivinhou em um segundo.

-Sim.

“Onde você está, Len? Tem uma tempestade vindo. Pode ser perigoso. -Kyte”

Len pensou duas vezes antes de decidir o que faria. Olhou para a moça loira, pensou que talvez tivesse chances de ver Nero e apertou o botão de rediscagem.

-Len?! Len, onde você está? -a voz grave e afobada saiu pelo alto falante.

-Kyte-nii, estou naquela loja de brinquedos lembra-se? Estou aqui com a Akita Neru-san. Pode me buscar? Se for possível. Ou eu posso ficar aqui até passar-...

-Não! Eu já vou aí!

TuTuTuTu...

A loira riu consigo, começando a fechar o caixa. Tirou um avental que usava e amarrou o cabelo de lado na cabeça.

-Você continua fofo como sempre. Ah, meu irmão tem chegado estranho em casa... Acredito que tenha algo a ver com você. Sabe de algo?

-N-Não. Eu não falei com ele. D-Desculpe... Seria muito complicado falar com o Nero-san agora... Então eu falarei melhor quando tiver oportunidade.

-Tuudo bem! -a moça assentiu apontando-lhe o polegar. -Ah, olha aí o Kyte! Que rápido.

-Tchau, Neru-san. Foi bom te rever, senti sua falta também.

-Eu muito mais. -sorriu de volta acenando um tchauzinho antes de apagar as luzes e começar a fechar a loja.

O carro parou na frente e a figura alta saiu num casaco longo cinza e o cachecol azul para dentro do couro, enquanto nas mãos pousava um guarda chuva grande e espaçoso, no qual Len correu e se abrigou por debaixo dele, entrando no carro.

Assim que se viram um ao lado do outro, Kyte o olhou, parecendo-se esquecido, preocupado, mas estava cansado e parecendo muito desesperado.

-Len, o Gackpo quando ficou sabendo tentou me torturar para saber onde você tinha ido com uma garota. Por favor, não saia assim sem avisar...

-Mas eu pedi pra Rin-

-Len, não devia confiar na Rin. Ela não me disse nada, e só quando eu já estava louco da vida e o Kuro apareceu de algum outro lugar desconhecido, me repassou a mensagem, o que foi há dez minutos. Isso foi perigoso.

O maior suspirou, algo que fez o loiro dar um riso rápido. Não percebia o quanto sentia falta de estar na presença do mais velho, conversar.

Len encostou a cabeça na poltrona, fechando os olhos um segundo. O barulho da chuva no carro e o motor silencioso lhe deram uma boa sensação, junto com suas respirações e o cheiro impregnado. O menor suspirou alto e empurrou os fios de cabelo para trás, sentindo seu corpo abrigado pelo calor abafado do carro e o aquecer em questão de minutos.

-Gomen ne. -Len proferiu baixo, ainda que com um sorriso leve e tranquilizado.

Kyte desviou seus olhos afilados e azuis da estrada e fitou o loiro um tempo. Sorriu também, estendendo a mão e acariciando seu cabelo.

-Fez uma coisa boa hoje de novo? Me lembro de uma vez que você ficou desse jeito quando ajudou uma amiguinha uma vez quando ela estava com problemas. -Kyte segredou, pondo as mãos no volante.

Len entreabriu um olho e se virou meio de lado, com um sorrisinho e algo inesperado já saindo de seus lábios sem aviso prévio.

-Você se lembra disso, Kyte? Eu me lembro que ela me perguntou se deveria contar para os pais que ela estava com o boletim vermelho. Nem me lembro o que disse, mas só sei que depois eu fui com ela, você que levou nós dois. Nunca pensei que faria algo assim, não tinha necessidade, mas me senti muito bem depois. -Len levou os dedos para o cachecol do maior e o puxou para fora do casaco, desarrumando-o. -Hm, gosto dele. Você sempre usa...

O azulado riu de canto e parou num semáforo, estranhando seu contato com Len estar parecendo tão normal. Não se sentia com medo ou retraído, mas se fossem tocar “naquele assunto” bem naquele instante, algo iria sair errado.

O loiro apertou os olhos, deixando de tocá-lo e olhou para frente. Sua expressão estava abatida, seus olhos meio fechados. Estava cansado, fora um dia longo sem dúvida.

-Que sono... -coçou os olhos.

O sinal de vermelho passou para verde e Kyte acelerou, vendo as avenidas movimentadas do centro com inúmeras luzes, embaixo de um céu índigo e estrelas tímidas. A noite tinha chegado sorrateira e abatido os prédios rapidamente. Com isso, o azulado não deixou de notar como o loiro parecia estar em paz assim que descansou sobre a poltrona e deixou-se cochilar um pouco.

Durante muitos minutos ouviu uma cantiga suave em uma voz grave e familiar, acolhedora, que soava distante, mas seu corpo parecia embalado e nada o faria abrir os olhos. Mesmo sendo um cochilo, Len sentia-se como num extenso sono, cansado e acalentado com uma de suas músicas preferidas, ele se sentia amado e seguro.

O cheiro tocava suas narinas e aos poucos notou estar ressonando baixo, com as notas brincando acima de sua testa, uma pressão sobre metade de seu corpo que não o machucava, era ainda mais confortante. Em algum lugar na sua consciência, desejava que pudesse manter-se ali e dormir o resto da noite apenas para acordar de manhã, mas também queria acordar e ver o rosto dele.

Se remexeu, muito lentamente, percebendo a textura do que o envolvia. Virou os olhos para observar mais acima, as pálpebras cerradas e a voz baixinha num timbre grave perfeito, o rosto relaxado e os braços o envolvendo.

Len estava deitado e seu rosto de lado no travesseiro, seu corpo embaixo do edredom na mesma roupa que havia saído, tirando o casaco e as meias. Kyte estava atrás de si, com o corpo abraçando-o fortemente, a cabeça deitada rente aos seus cabelos loiros, acima da sua.

Tentou se lembrar de algo depois de ter fechado os olhos, mas nada. Dormiu mesmo. Agora, abriu os olhos devagar e impediu-se de mover o corpo, com o mais velho abraçando-o assim, a vontade era de nunca mais levantar.

Quando a música que saia daquela pálida boca cessou, o menor ouviu. “Boa noite, Len.” E sentiu um toque dos macios e úmidos lábios sobre sua têmpora. Mas o corpo do maior não se afastou.

Nos pensamentos escuros do loiro, se passava o momento em que disse “Daisuki” tão facilmente.

xxx

“Daikirai.”

Len observou os pequenos lábios responderem com avidez. Mal acreditou em seus olhos e parecia que só tinha piorado tudo.

Como um soco, viu a menina de cabelos azuis apertar os olhos e fechar os punhos, dando dois passos para trás. Ela não conseguia mais olhar o menor nos olhos.

Talvez... As pessoas por mais que parecessem, não eram de todo boas. Nem mesmo Hibiki Lui. Ele apenas ignorou os inúmeros pedidos para conversarem. Ela o seguiu o dia todo, corredores acima e abaixo.

Seus olhos chorosos de ontem se tornaram frios, e seu tamanho desprezo por Ring só a fez implorar inutilmente.

-Mas não fui eu!!

-Claro que não. -ele se afastou mais uma vez mal dando ouvidos e chamando a atenção de um pilantra que estava tentando roubar o dinheiro do almoço. -Ei, você! Para a detenção, agora, ou eu te arranco o couro, pirralho!

Len viu com pesar, de longe, assim como Yuma e Luki dos lados, conversando sobre algo a ver com a menina não ser da escola. Lui a afastava e ela vinha atrás, pedindo pela atenção.

-Não percebeu ainda que está no caminho? Saia daqui.

-NÃO! -ela bateu o pé na frente dele e o cercou. -Lui-kun, preciso falar! Não fui eu, eu nunca teria coragem para fazer aquilo! Você precisa me escutar.

Os cabelos castanhos do menor pareceram se arrepiar e ele fechou a expressão, batendo com força sua prancheta nos armários, que fez um eco pelo corredor alto, fazendo todos silenciarem.

-PAREM DE ENROLAR E VOLTEM PARA AS SALAS SUAS LESMAS!

Logo os alunos em grupos rapidamente começaram a se mover. Len se pôs atrás dos armários, com Yuma atrás e Luki agachado no meio dos dois, só esperando para ver.

-Saia, Suzune-san. Eu não preciso ouvir nada, eu não te perdoaria nem se fosse verdade. Você me magoou e nem foi a foto todo o problema. Por isso desista.

-Mas é verdade! Eu não fiz aquilo, eu quero ter certeza de que você pelo menos vai ouvir, e que tem direito de saber quem foi.

-Não interessa quem foi, sendo que a foto foi você que tirou. -Lui cruzou os braços, ficando muito vermelho por aquela conversa ter uma continuidade tão inesperada. -E deve ter sido o Kagamine-kun que foi falar com você para você dar as caras. Não veio aqui por vontade própria. Covarde, isso é o que você tem sido desde pequena até agora! -ele apontou juntando as sobrancelhas.

Ela rangeu os dentes, começando a se irritar também.

-Eu pelo menos não finjo que tenho alguma força! Eu sei do meu lugar, por isso não fiz nada! Aquilo foi porque eu estava irritada com você, VOCÊ me magoou!

-Me desculpe então, mas sabe, você me agrediu!

-EU JÁ DISSE QUE ESTAVA COM RAIVA, NÃO FIZ POR QUERER! A MALDITA FOTO, FOI UMA COLEGA DE SALA QUE APARECEU EM CASA E PEGOU! EU SÓ FUI SABER DESSA HISTÓRIA QUANDO TODO MUNDO COMEÇOU A RIR NO COLÉGIO!

Lui apertou os papéis nos dedos, quase os rasgando.

-Mentirosa. Eu não quero nem saber, você destruiu minha vida. Eu não gosto de pessoas possessivas e obsessivas! ODEIO! Não gosto de você mais. Você acha que eu sou um manequim e que pode controlar meus braços e pernas, mexer minha cabeça e me vestir como quiser, sem ao menos me perguntar o que achava sobre isso, você simplesmente me atacava e não sabíamos nem conversar! Eu não quero saber quem foi. Talvez se você menos descuidada com tudo e não soltasse a língua antes de ter certeza sobre as coisas, quem sabe você ainda poderia ter tido uma chance de amizade comigo?

Len mordia os lábios, tenso, cansado e triste por ter causado esse encontro infeliz. Mas era melhor desabafar tudo de uma vez e resolver como iriam ficar depois disso não é? Não poderiam deixar as coisas quietas e cada um seguir um caminho com todo aquele peso martelando.

Ela desviou os olhos e cruzou os braços, segurando os cotovelos.

-Tudo bem. É verdade, o Kagamine-san falou comigo. Eu achei que poderia esquecer disso tudo com o tempo, mas ele me fez lembrar de como eu gostava de ficar com você. A foto, eu estava pronta para ir até a sua casa e destruí-la na sua frente, e esquecer de tudo, pedir desculpas no dia seguinte, mas daí... Ela foi escolhida para fazer um trabalho comigo então fomos para a minha casa. Levei ela ao meu quarto depois de conversar e descobrir que era uma pessoa bem parecida comigo. Só quando dei por mim quando estava na escola que ela tinha pego a foto e postado. Bem, só podia ser ela... Eu pelo menos acho que foi.

Lui deu as costas e começou a caminhar até o fim do corredor, se virando uma última vez.

-Sim. Se eu supostamente acreditasse em você, no que isso mudaria?

Ela bufou. Os dois apenas não se davam bem por serem tão parecidos, Len notava em cada ação como pareciam ser a mesma pessoa em corpos diferentes.

-Nada. Mas apenas queria que soubesse... Tudo o que o Kagamine-san me disse me fez ter a impressão de que você é uma pessoa muito especial, por isso você merece uma vida melhor. Então, eu que estraguei tudo, pretendo não dar mais as caras. Eu só não quero que meu nome fique voando na sua cabeça como o culpado de absolutamente tudo, porque no fim... Eu nunca queria que aquela foto tivesse sido postada. Eu só desviei os olhos um segundo e eu não tive mais oportunidade de consertar o problema.

Lui arqueou a sobrancelha, desacreditado. Como uma pessoa que traiu sua confiança poderia chegar do nada e simplesmente “contar uma história” e imaginar que tudo ficaria bem? Ele no mínimo faria o possível para se esquecer.

Os olhos castanhos do garoto baixo percorreram o corredor e encontrou as três cabeças que observavam mais do que descaradamente. Seu bufo fez os três suarem, imaginado que o Inspetor não iria ter piedade. E como temiam, começou a cmainhar até eles.

Ring veio atrás, pensativa e relutante, muito envergonhada por ter sido observada no meio das explicações.

O menor se agachou na altura dos três abaixados no chão e suspirou, olhando para Len fortemente. O loiro sentia um desejo de desviar os olhos, mostrando seu arrependimento pela intromissão... Mas o próprio senpai comentou que tinha ficado curioso sobre sua reação no dia anterior!

-Voltem para a sala. Nesse horário a Diretora vai normalmente para a cozinha e toma o corredor principal dando sermões em quem está matando aula. Vão logo antes que ela chegue.

Com ousadia, sua mão se levantou tocando a testa e os fios loiros da franja de Len. Foi uma surpresa, já que isso devia ser ao contrário, mas o Kagamine somente fechou os olhos com o toque carinhoso e assentiu com a cabeça, se levantando e levando os dois rosados consigo.

-Uahh! Eu nunca imaginaria isso. -Luki sorriu corado. As cenas intensas eram demais para ele.

Yuma apenas deu de ombros, recolocando a touca e religando a música. Deu um aceno e se afastou para sua sala.

Len deu um sorriso amarelo, não muito convencido de que Lui ficaria bem depois daquilo. Mas ele certamente não tinha mais nada o que fazer. A partir de agora, Lui deveria se resolver com a azulada da forma que conviesse. Sua opinião já estava dada.

Enquanto caminhava no corredor das salas do 2ºAno, um vulto passou de um corredor e se encostou em uma parede à sua frente, fitando-o.

-Ritsu-chan.

-Yo, Len-kun! -a ruiva acenou com um largo sorriso. -Eu soube do que você fez para o meu priminho.

Ela desencostou da parede e tocou seus ombros com uma expressão aliviada e agradecida.

-Sabe, eu nunca soube o que fazer para tirar aquele peso dele, Len-kun. -ela olhou para baixo. -Sinto muito... Eu sou uma pessoa horrível.

O loiro arregalou um pouco os olhos, não entendendo. “He?”

-Se ele soubesse que fui eu quem postou a foto... Ele iria me odiar como faz com a Ring-chan. Já não tenho ninguém, não quero perder ele também. -a ruiva abaixou os braços abraçando-se.

De alguma forma, Len imaginou que atraísse problemas e as pessoas o usavam como desabafador. Ele não era psicólogo.

“Por ter um passado estranho e uma vida diferente, talvez você possa entendê-los melhor que qualquer outro.”

O loiro arregalou os olhos, apavorado. Não, aquela voz desconhecida não veio da Ritsu chorosa na sua frente. No momento, ele tocou-a no ombro.

-Se você acha mesmo que ele vai guardar rancor de você, acredito que esteja enganada. Agora mesmo o Lui que estava diante dos meus olhos era alguém de coração puro e que só quer que sejam sinceros com ele. Por isso ele não liga do que acontece nesses corredores, sobre o que dizem dele. Ele só ouve o que quer ouvir, ele não quer mais ser fraco, ele não deseja pena de ninguém. Esse é o tipo de pessoa que ele é.

Em seguida, seus dedos acariciaram a face da ruiva, que espantada, apenas ficou hipnotizada pelos olhos cristalinos do ex-Idol. Ela assentiu com a cabeça.

Não tinha muito tempo para ouvir mais uma história de como ela postou a foto, e porque justo ela fez isso com o próprio primo... Não importava. Agora, Lui devia resolver isso, pois o loiro já tinha muitos problemas e confiava no senpai para se reerguer.

-Até mais, Ritsu-chan. -afagou o alto de sua cabeça e voltou para a sala rapidamente.

Quando adentrou, já sendo humilhado por um professor de cabelos castanhos, e sentando em sua carteira, pos a mão sobre a cabeça, fechando os olhos.

“Se está me escutando, isso é porque você finalmente está crescendo...”

De uma forma bizarra e sobrenatural, como uma melodia fúnebre e viciante, Len sentiu um arrepio e apertou ainda mais as pálpebras de seus olhos.

Aquela voz era com certeza a de Kuro.

Continua

Notas finais
Yoo... esse ficou inexplicavelmente grande. Bem, perdoem isso e não matem a Ring ou a Ritsu, ou eu ¬¬. Acontece que não sentia realmente necessidade de dar um fim óbvio, então deixo a cargo de vocês imaginarem, mas acredito que farei algumas poucas interações de Ring e Lui, mas o meu pequeno shota não terá nenhum romance com ela (isso é yaoi, só o Luki e o Gack são héteros).
Bem, para mais, os próximos serão sobre o Nero, interações dos Vocaloids Bruno e Clara.
Logo de seguida, Mistérios do Kuro, romance dele, talvez pontas de yaoi com Len (yahahaha).
Kyte no fim!! Isso vai ficar gigantesco, ore no Kira-sama!
Jaa minna! Reviews?