A Casa Imoral
32 Tomodachi
Notas iniciais
Bem, ciúmes, algo que eu não aprecio, mas deve ser útil e realista né?
Acho que eu tenho que expandir minha visão social ou vou morrer cedo.
Boa Leitura!
Sua cabeça se moveu para o lado, após sentir o toque leve da mão de sua amiga na carteira detrás. IA parecia um pouco desconfortável, talvez fosse por ter que me dizer algo em meio a uma aula importante e que poderia render uma detenção a ela ou ao loiro, mas se era tão necessário ela fazer isso, era porque se tratava de algo sério.
-A-Ano... Len-san. -a albina pensou um pouco antes de continuar. -Sabe, eu vi um amigo seu ontem.
O loiro piscou, não captando direito. Quem IA poderia ter visto e aonde? Com qual intenção era essa conversa? Oh, ele tinha feito alguma coisa pra ela?! Devia ser, Aria parecia assustada. Desgraçado!
-Escute, era aquele do Clube de Música... Nero-san. Ele está no 2-C, acho. -ela tocou o lábio lembrando-se.
Len assentiu com a cabeça, dando um sorriso fraco. Quem ele queria enganar? Ele estava pálido, assustado e totalmente desconcentrado naquele momento.
“Já bastava uma voz misteriosa que sei, é do Kuro. Kuro, se está me ouvindo, pare com isso, idiota! E agora IA-san falando do Nero, um assunto que se possível eu esqueceria... NOOO! Não poderia ser pior?!”
-E-Eu estava descendo perto do centro e v-vi você na frente de uma l-loja. V-Você entrou no carro de a-alguém.
Len sentiu toda a sua atenção voltar que nem um tiro para a albina, que avermelhou quando seus olhos cristais azuis encontraram os olhos oceanos de Len, intensamente.
-Você o que? -Len sibilou, quase como acusando-a. Estava nervoso, não sabia que tinha sido visto na loja de brinquedos! AHHH, porque a vida é tão complicada?!
-E esse rapaz loiro estava escondido ali perto. Desculpa te contar isso, mas a atitude dele era estranha. Sei que a moça que trabalha lá é a Neru, irmã dele. Mas então começou a chover e... Ele permaneceu lá e eu dentro de uma loja de roupas, observando discretamente. Desculpa, Len-san!
-Olhando? Sério... Nero é mais obcecado do que eu pensava. -Len resmungou. Não, não devia arranjar mais problemas, mas o ex era o pior. Ele tinha algo que o fazia querer conversar novamente. Um possível reato do namoro? Não. Eles não tinham mais essa ligação íntima. Len tentava se convencer disso, seu sorriso estava ali, mas ele era tão melancólico.
A albina pareceu ter enxergado a reação de Len com mais afinco, passando a mão suave sobre sua cabeça confortavelmente, como se fosse uma irmã mais velha.
-Tudo se resolve, Len-san. Por isso, fique calmo e tente pensar melhor sobre isso. Talvez ele simplesmente não queira falar com você. Se bem que isso não é da minha conta, mas se chegar despreparado para conversar vocês podem acabar brigando.
Len sorriu com isso. Era realmente ótimo poder ter uma amiga assim.
-Você tem razão, IA-san. -ele sorriu, sentindo-se mais tranquilo. Realmente, ter alguém como a Aria era como ter um calmante, e um bem bonito acima de tudo.
-Caham. -a voz do professor os fez estremecer e logo se viraram. -Senhoras, acho bom prestarem atenção, isso é matéria de avaliação, então concentrem-se.
Len ficou vermelho da cabeça aos pés, levantando a mão.
-E-Eu sou homem, professor! -Len praticamente rangeu os dentes ao se sentir obrigado a dizer isso em voz alta. Mas que droga de dia era esse?!
-AH! Perdão... Kagamine-kun. -o professor se ajeitou melhor em frente à sala. -Agora, voltando à aula, os professores responsáveis pediram para que fizéssos algumas escolhas para participar de um projeto que será lançado. É algo relacionado a uma apresentação para o Festival Escolar. Não me perguntem do que se trata. Apenas me digam quem está interessado, vou marcar seus nomes numa lista e encaminharei para os respectivos professores, certo?
Demorou que o papel chegasse às mãos de Len, o penúltimo da última fila. O nome ali inserido era apenas o de uma menina chamada Iroha.
-Iroha? -Len olhou discretamente em volta e em seguida para a amiga atrás de si. -Vai participar, IA-san?
-Sim, se você for.
-Certo. Conhece alguma Iroha? -Len indagou não muito alto, tendo como resposta a albina apontando para uma garota de aparência bem nova e cabelos longos e rosa-claros.
-Nekomura Iroha. Ela não gosta de complicações, por isso já põe o nome dela de uma vez. Nada formal. -Aria sorriu de canto, ela conhecia a rosinha pelo visto.
-Hm. E Aria...
Ela o olhou curiosa, esperando-o continuar.
-... Eu vou falar com ele mesmo assim. Obrigado por me contar, eu não direi nada sobre isso, certo?
-Sim, pode deixar. -ela sorriu contente. Até parecia saber do que se passava na vida dele, era meio estranho. “Será que ela é stalker?” Len suou frio, mas deixou que passasse. Nada disso importava agora.
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Quando o loiro estava sendo escoltado pelos dois rosados, novamente causando aquela impressão de “Ohh, são eles!!” e os gritinhos novamente, Len sentiu vontade de se enfiar em um cantinho escuro. Aquela onda de meninas continuava insistente e o pior era que só tinham se passado 3 dias. IMAGINA?! Só isso e ele já estava esgotado... “Como vou aguentar até o fim do ano?” Chorava internamente.
Mesmo com tudo isso em sua mente, ele estava concentrado em uma coisa: Nero.
Ah, não seria fácil de jeito nenhum. Não era como rever um amigo.
Ele nunca sentiu isso então não sabia dizer, mas algo que as pessoas tem de “Acabei com o meu namorado e agora estou querendo falar com ele de novo.” Isso era tão suspeito! Nero iria achar que ele estava dando esperanças!! Isso ele não permitiria!
“Será que não mesmo?”
Len no mesmo instante levantou os olhos, balançando a cabeça freneticamente, chamando a atenção de Luki. Yuma estava tão concentrado no Ipod que mal viu quando esbarrou em uma pessoa (desligaaado¬¬).
-O que foi, Len-kun? -Luki diminuiu o passo, pondo a mão no ombro do baixinho. O loiro respirou fundo.
“De novo. Kuro, se é você, pare agora mesmo de se enfiar nos meus pensamentos!” Mandou irritado sobre aquela voz que invadiu sua mente como se fosse sua própria consciência. O rapaz não podia simplesmente ir se metendo assim! Podia?
“Claro que sim. Eu só estou tentando fazer você enxergar a verdade. Se será o Nero... Ou será alguém que realmente te ama.” Dito isto, a voz não retornou.
-Kuroo... -Len tremia de raiva, em seu rosto estava estampado um vermelho forte e que delatava alguém muito envergonhado.
Luki arqueou a sobrancelha sem entender. Já o outro de olhos dourados piscou olhando para Len e tirou um fone o suficiente para ouvir.
-Len-kun... O que houve? Comeu pimenta?
O loiro resolveu ignorar a pergunta para não ficar ainda mais nervoso, mas balançou a mão, indicando que o rosado podia ouvir a música sossegado. Luki riu com a cena.
-Ele é assim desde que o conhecemos, né? -Luki comentou casualmente, sorrindo.
-Mais ou menos. Yuma-san é gentil e entende as pessoas, além de ter uma irmã muito simpática. Ele não necessita estar prestando atenção nas coisas em volta quando já tem conhecimento delas. Não acho que seja errado. -Len deu de ombros. -Só dá a aparecer antissocial, mas ele sempre se importou comigo.
Sem nenhum dos dois que conversavam perceberem, Yuma sorriu, uns dois passos atrás deles, com a música no stop. Ter amigos assim era muito bom. Para ele, desde o início de sua vida, sem amigos, sem muitas pessoas que pudesse confiar, eram apenas Mizki e Tonio.
Se relembrasse agora, ele estava estudando naquele colégio dois anos atrás por um curto espaço de tempo. Tonio na época falava incansavelmente do talento do “Garoto das Demos e dos vídeos mais acessados no Nico Douga” cujo álbum mais famoso se chamava “NOISE”.
Yuma mordeu o lábio, feliz por ter sentado naquela fonte. Yuma o reconheceu de cara, o que foi uma surpresa, ele tinha visto fotos a partir do momento em que Tonio conseguiu contato pela Empresa Vocaloid onde o menino gravava.
Bem, de qualquer forma, ele gostou de conhecer o pequeno, ainda que naquele tempo sentisse ciúmes de Tonio. E agora, mesmo sendo do jeito quieto, sem muitas conversas ou demonstrar muitos interesses, ter Len como amigo era tudo o que ele queria. Sentia-se agradecido por ouvir apenas coisas boas de si. Era tudo o que necessitava.
Tirado de seus pensamentos, Yuma viu Len soltar uma exclamação, olhando do outro lado da portaria.
-O que? -Luki sibilou, seguindo o olhar.
-Eu... Deixa pra lá. Luki-kun, você vai ficar na casa da Meiko-san esta noite não vai?
-Vou, ela quer dar uma festa e chamar as amigas outra vez. Preciso estar lá para impedir alguma fatalidade como da última vez.
-Hm. Nós precisamos voltar, Luki. -Yuma o chamou, apontando o relógio no alto do prédio principal. Sim, continuavam as aulas integrais, um saco, mas era verdade e deveria ser cumprido.
-Tá legal. Len-kun, viemos te acompanhar, então, você já vai? -Luki perguntou com um sorriso meigo.
-Sim, hoje eu vou dispensar a van. Mesmo que tenha chovido ontem à tarde, eu acho bom ir andando. Avise o Kuro, por favor, que eu preciso falar com ele quando chegar em casa e para não fugir. -Len informou com um olhar maligno e que dizia “Se vocês não passarem essa informação eu mato vocês”.
Assim que Luki deu meia volta, o loiro rapidamente segurou o braço de Yuma.
-Ano, Yuma-san, podemos nos falar mais tarde por mensagem? Eu queria tirar umas dúvidas com você. -Len abaixou a cabeça levemente, parecendo muito tímido em pedir algo assim, considerando sobre o que iriam conversar.
O maior deixou que seus olhos arregalassem um pouco. Não era todo dia que Len pedia conselhos amorosos. Mas vá lá, ele se sentia feliz por ser sua primeira opção. O rosado sorriu mais do que o usual e acariciou os fios loiros com empolgação, assentindo com a cabeça.
-Então, até mais tarde. -Len sorriu, com as bochechas vermelhas. Ah... Estava vermelho por tudo hoje... O que estava acontecendo? Bateu a bobeira? Yuma era bem mais alto que si, parecia tão adulto. Tão adulto quanto Gackpo ou Kyte. Sob eles, Len sentia-se pequeno e... frágil.
“YAAA! EU TENHO TARA POR HOMENS MAIS FORTES E ALTOS QUE EU?! ISSO SÓ PODE SER MENTIRA!!! EU PRECISO ME TRATAR!” O loiro virou-se, ainda gritando em sua mente. “Isso quer dizer que serei um uke... Não é como se fosse novidade... Me chamaram de garota...” Chorava, passando do portão e desejando boa tarde para os que ficavam e que conhecia de rosto.
-No final... -resmungou, olhando para a mesma direção de antes. Ele já não estava ali. O loiro deu de ombros e tomou seu caminho para o centro.
Alguns 15 minutos de caminhada e ele encarava uma boa parte do centro se aglomerando de pessoas. Os sons se misturando.
Olhou para os lados, sentindo seu estômago roncando. Adentrou um Cyber Café primeiramente. Seu estômago pedia algo.
Estava meio cheio de gente, nenhum estudante, mais pessoas na hora do almoço, então era estranho entrar num lugar tão agradável e ver rostos cansados, porém, isso não era no geral. Havia moças sorridentes e alguns rapazes mais novos, que para seu medo, lhe dirigiram o olhar.
Len sentou-se em uma mesa afastada, junto a uma vidraça nos fundos, que dava visão para um jardim do outro lado. Suspirou, se sentindo um pouco melhor por se sentar, andou muito rápido sem perceber. Olhou para a tela do computador e começou a abrir a página de busca.
-Senhor? -a voz da garçonete chamou sua atenção. O loiro piscou uma vez antes de sorrir.
-Sim? Ah, eu vou quere-...
-Não, me perdoe. Temos uma política de que estudantes fora do horário de aula não podem entrar. -a moça pareceu um pouco decepcionada ao falar isso. Len piscou uma vez sem entender.
-Mas não estou fora do horário.
-Sinto muito. O senhor provavelmente estuda no Colégio Isahara, não é? Pode mostrar sua Carteira Escolar? -ela parecia falar aquilo como se estivesse sofrendo. Len estranhou essa reação, mas fez o que ela pediu, pegou a bolsa e vasculhou sua carteira.
-Hm, cadê? -Len tocou a carteira e a tirou, abrindo-a para ver o documento. Abriu-a e entregou para a moça.
-Sinto muito, eu levarei para os superiores avaliarem. -e ela saiu, deixando Len ali com cara de tacho e sob o olhar de algumas pessoas curiosas. Ótimo. Len virou-se para frente, sem entender o porquê dessas regras. Havia poucos lugares que exigiam esse tipo de coisa e muitas pessoas nem sabiam que isso existia.
O loiro ficou ali, balançando os pés enquanto esperava pacientemente. Mas nossa, como estava demorando! Aproveitou para ir já usando o computador e pesquisar um dos temas que o professor de química exigiu que eles soubessem. O Kagamine usou-se de seus óculos de aro vermelho e focou seu olhar e mente, ignorando qualquer burburinho.
Passou-se mais ou menos dez minutos, quando Len já estava salvando alguns arquivos, sentiu uma mão em seu ombro.
-H-Hm? -ele levantou o olhar, de lado, encarando alguém que o fez abrir a boca e sua voz travar. -N-N-NE-Nero??!!
O outro loiro desviou um pouco os olhos, parecendo incomodado com o olhar fixo de Len. “Tão infantil como sempre.”.
-Olá, Len-san. -Nero cumprimentou educadamente, ainda de pé. Len ficou em silêncio um segundo e se tocou, puxando a cadeira.
-O-Onegai, sente-se! -falou, exasperado e vermelho. -“OH KAMI! E AGORA?!”
-Eu... Te vi quando entrei. Vim dizer só um oi. -o maior continuou cortando o contato visual, mas Len já entendia o porque disso.
-Não, onegai, Nero-kun, não me chame assim. Sei que não nos falamos há muito tempo, mas eu realmente não tive oportunidades de conversar com você. -Len explicou, atrapalhado e gesticulando bobamente para o maior, de olhos estreitos, as bochechas quentes.
-Ano... Tudo bem então. -o loiro sentou-se, buscando manter certa distância.
Len respiro, tentando se acalmar. Virou o rosto para o maior e abriu os lábios para começar uma conversa amigável, mas foi interrompido. A garçonete lhe apareceu, vermelha, sério, parecia ter visto algo como “OHH, QUE PERVO!”, e ela gaguejava um pouco.
-S-Senhor, nós v-verificamos, esá tudo correto nos documentos. Perdoe-nos por esse incoveniente. Ah, o senhor está com ele? -a moça perguntou ao recém-chegado, que assentiu.
-É um estudante fora de horário? -ela perguntou parecendo agressiva, olhando-o da cabeça aos pés.
O loiro suou frio, mas não deixou transparecer. Tá, Nero sim tinha matado aula hoje.
-Não, eu estudo em outro lugar. Vim ver meu amigo apenas. -Nero sorriu de canto apontando para Len, que sentiu uma gota sobre si.
“Bem que ela podia pedir a carteira dele...” Len resmungou em sua mente.
-Certo, o que desejam então? -seguiu a moça, toda sorridente em seguida. Bipolar(?).
-Cappucino. -Nero pediu sem rodeios.
-Um chocolate quente, por favor. -Len voltou os olhos para o compuador, voltando a procurar mais algumas coisas, como músicas e alguns novos modelos de folhas musicais.
O outro sentiu-se mais a vontade quando a moça saiu. Pelo canto dos olhos pode ver ela juntando-se a umas outras garçonetes e ouvir algo que Len nem percebeu.
“Você viu?! É ele mesmo, o Kagamine Len! Ele está na nossa loja!” e “Como ele é kawaii!”. Nero não deixou de dar um risinho, voltando-se para Len e recomeçando.
-Sinto muito.
O Kagamine parou o que fazia, abaixando a cabeça. Deixou os dedos deslizarem das teclas e não fitou o maior, apenas juntou as mãos.
-Não tem por que. Eu também sinto muito. -o de olhos azuis sentiu-se novamente frágil. Estar junto com ele era como relembrar dos momentos em que só ele ficou ao seu lado enquanto sofria. Nero era corajoso. Era tudo o que queria de um amigo.
O de olhos dourados soltou um som de zombaria. Len levantou os olhos, mostrando-se irritado por aquela reação. Isso também era algo que era ruim: o jeito de Nero tratar as coisas importantes, como se fossem nada.
-O que? -perguntou rudemente o mais baixo, tirando o pen drive.
Nero o olhou firmemente. Para sua surpresa, ele foi direto.
-Não é como se fôssemos voltar. -seus olhos estavam cristalinos.
Len ficou assimilando as palavras, incapaz de ler as intenções do maior por detrás das palavras.
-Não, eu...
-Você gosta daquela menina, não é? Da Aria. -ele cruzou os braços. -Eu já sabia. Você mudou muito depois dessa viagem. Eu vi como olhava para as meninas, como olhava para todo mundo. Eu sei o que está pensando, eu te conheço melhor do que qualquer um.
-Não. Aria-san é uma amiga. De onde tirou isso? -Len apoiou o cotovelo na mesa, vendo a garçonete se aproximar.
-Hnf. Você se aproxima demais dos outros, você não era assim. -Nero apertou os olhos, pegando os copos assim que a mulher morena chegou.
Len pos os olhos no líquido quente que liberava uma fumacinha cheirosa. Nero é que estava diferente, pensando que ele tinha virado um tarado -é isso o que dá a entender né?-.
-Olhe, eu não sei o que você tá pensando, mas eu agradeço de qualquer forma a sua ajuda no meu primeiro dia. -Len apertou o copo. Sentia que iria explodir. Falar com ele era tão... Ilógico. Não era normal, não soava bem como antes. Pensava que seria fácil, mas não estava sendo, por isso...
-Eu queria confirmar.
-Hm? -Len o fitou instantaneamente.
-Eu quero confirmar se ainda sinto algo por você. -Nero o olhou bem no fundo dos olhos. -E se eu ainda sentir, não me agrada nem um pouco que os outros te toquem.
Len ficou vermelho, mas não de vergonha, de raiva. Hoje era o dia de raiva! Estava transbordando raiva por todos os lados! Como ele ousava?
-C-Como é que é?! -o loiro levantou a voz, sentindo-se praticamente insultado. -S-Seu idiota! Eu não sou “tocado” por ninguém, eu-...
-Você ainda é apaixonado por mim não é? -Nero perguntou, com os olhos sérios.
Len engoliu em seco. “Ah, Kami... Onde está você que não me ajuda?”
-Como assim? Você que está falando que quer confirmar. -Len apertou os olhos, no fundo, não sabia se ainda gostava dele. Sua atração por ele era a mesma, mas seu coração realmente não estava ali. Ele acelerava e ficava descontrolado. Mas ele não era exatamente a pessoa que Len colocaria acima de tudo, acima de Kyte! O loiro olhou para baixo, movendo as mãos nervosamente.
-Eu quero ter certeza.
-Se quer saber, tanto faz. Mas não me peça coisas impossíveis. -Len resmungou, bebendo um gole e tentando acabar logo com aquilo. “Me desculpe, IA-san, eu vou acabar brigando com ele. Como está orgulhoso!”
-O que você fazia com minha irmã? -Nero estreitou os olhos, encostando-se à cadeira.
Len praticamente se engasgou! Ele iria mesmo perguntar algo assim? Jura que desconfiava dele com sua irmã?
-Qual é a sua hein? -Len mostrou-se mais irritado com tudo nesse momento. Como era possível que ele chegasse e já fosse interrogando, proibindo e falando que “QUERIA FAZER UMA CONFIRMAÇÃO”. Quem dava o direito? Len não dava, mostrou isso com um soco.
-A minha é eu não quero ficar com alguém que roda de mão em mão. Eu sei que foi até minha irmã para me procurar. -Nero apontou o dedo, contendo sua voz para não ser ouvido pelas pessoas na loja.
-HAA!? -Len abriu a boca, com um calo na testa, e se levantou abruptamente, chamando a garçonete “CONVENCIDO!!”
Nero observou a reação aturdido, como se perguntasse o que o baixinho ia fazer.
-Minha conta. Vou ir tomando no caminho. -avisou, com a melhor faceta sorridente que tinha, mas acima suas sobrancelhas loiras estavam juntas.
Ela assentiu, parecendo triste e suspirou, entregando-lhe o troco.
-Volte sempre, senhor.
-Pode me chamar de Kagamine. -Len sorriu de leve. No fim, acabou vendo um burburinho de que era ele.
-A-Ah! Obrigada! Volte em breve Kagamine-san. -ela sorriu largamente, acenando.
Len olhou feio para Nero e deu as costas, saindo dali. Não iria suportar, se ficasse um grito seu saíria rasgando e o mais velho ia ouvir merda sua!
“Mas que ódio! E eu achando que ia poder voltar com esse bosta! EU NÃO RODO DE MÃO EM MÃO! E NÃO FUI ATRÁS DE NINGUÉM!”
Era assim que o mundo o via? Um pedaço de carne grátis e que podia ceder uma mordida pra todo mundo? Grande carreira de merda!
-Eu nunca deveria ter me tornado um Idol! -Len caminhava rapidamente, sentindo seus olhos doerem. Por que só agora doía? Ele queria falar com Yuma... Ele queria deitar e sentir os braços de Kyte outra vez essa noite. Ele queria brigar com sua irmã e coçar a cabeça de Kuro. Ele queria fazer tantas coisas boas e o maldito traidor vem com “rodar de mão em mão” como se ele fosse uma puta de esquina. Nunca se sentiu tão mal visto na vida. Ele era tão correto, tão bondoso.
Por que as coisas ruins só acontecem com as pessoas boas?
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-LEN!
-Me deixa em paz. -Len falou friamente, não aumentando e nem diminuindo o passo. Nero o alcançou depois de alguns minutos e quase o parou na rua menos movimentada, em direção a um ponto de ônibus afastado para voltar para casa.
-Eu já disse que quero confirmar. -e então sua mão forte prendeu o braço do loirinho, que o olhou nos olhos, mostrando não estar para brincadeira. -Por que está me olhando assim?
-Me solta, Nero-kun. -Len virou o rosto, a franja balançando-se junto ao restante do cabelo com um leve movimento.
-Você... -a voz se tornou calma, chamando Len de volta. A mão de Nero segurou-o pelo queixo e puxou seu pulso de encontro com o corpo do maior. -Você ainda me ama?
Antes que Len pudesse responder, seus olhos se arregalaram e o maior o puxou forte, prendendo-o em uma parede.
Olhando de baixo, Len sentiu seu coração acelerar... De puro medo. Os olhos dourados de Nero brilhavam forte e suas mãos quentes suavam, segurando seu pulso e seu queixo muito mais forte do que realmente necessitava.
O rosto do rapaz se aproximou e o nariz roçou no de Len, o hálito tocando os lábios avermelhados do baixinho que se encolheu, os ombros tensos e as pernas dobrando-se. O rosto de Len tentou escapar de seu agarre, mas foi inútil.
-N-Nero-...
-Você não precisa ter envergonhar. Quanto mais cedo aceitar, mais rápido tudo irá se resolver.
O mais velho fechou os olhos e sobrepôs seus próprios lábios sobre os do mais novo. Foi como choque, Len sentiu uma estranheza com aquele toque, a pele quente, a língua sedenta adentrando, descontrolada e indo devagar conforme tocava a sua, que mal conseguia acompanhar.
A mão livre de Len segurou sua camisa no ombro e tentou empurrá-lo, mas o ato tão forçado o deixou sem escapatórios. Len não sabia mais se pensava. Aqueles sentimentos tão puros de repente foram-se todos... Ele não queria isso. Parou de se mover, não correspondeu e nem o afastou, não era possível mais.
O maior continuou sobre si, soltando a mão de seu queixo e tocando seu rosto, seu ombro, tocando seu peito e descendo pela lateral, até tocar a cintura e... deslizar para trás, envolvendo seu corpo, pondo a mão por dentro de sua camisa do uniforme e... Acariciar sua pele com a ponta dos dedos.
-H-HM! -Len demonstrou resistência se debatendo. Foi quando o maior abriu os olhos e agarrou os ombros de Len, empurrando-o na parede fortemente.
-LEN! -Nero o chamou, parecendo irritado e o menor não percebeu que desde o início daquilo estivera chorando. -Não faça essa cara, eu...
-EI! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO SE TARADO?!! -a voz feminina alcançou ambos os rapazes, que arregalaram os olhos para a albina. O que ela estava fazendo ali?
Atrás da menina de longos cabelos brancos estava também um rapaz de cabelos brancos, baixo e ao lado dele, estava Yuma.
-Solte ele. -Yuma se adiantou, segurando a gola de Nero e o jogando longe. O rosado não mudou sua expressão facial, ali só se encontrava olhos frios e possivelmente assassinos. Yuma estava assustador.
O loiro mais velho se levantou, batendo a roupa e olhou para Len.
-Nós conversaremos direito. -avisou. -Me desculpe se te assustei.
O loiro deu as costas e Len pode ver nas costas que se afastavam a tensão. Estava arrependido? “OH KAMI, ELE IA ME ESTUPRAR?!!”
O Kagamine, ainda choroso e abalado, olhou para IA, que tocou sua testa e o abraçou.
-Calma, o malvado foi embora. -a menina sentiu os braços envolverem seu corpo e o pequeno deixar suas lágrimas de medo limparem-se na blusa dela.
Yuma se aproximou, afagando os cabelos de Len.
-Ainda bem que saímos do colégio escondido... Imagina o que poderia ter acontecido. -Yuma suspirou.
O outro rapaz que estava acompanhando-os olhava para os dois e novamente para Len, curioso. Aproximou-se um passo.
-A-Acho que devemos levar ele para casa... -sugeriu o rapaz baixinho, de praticamente a mesma altura que Len.
-Sim, Utatane-san, você tem razão. Vamos, está quase na hora da van passar. -Yuma tocou o ombro de Len e acariciou ali. -Vamos, Len-kun.
Len fungou o nariz e passou o braço no de IA, limpando os olhos e fazendo um movimento com a cabeça que indicava que tudo bem. Seus olhos cristalinos encontraram os do rapaz à frente.
-A-Ano... -disse com voz embargada. -Piko-san?
O outro soltou uma pequena exclamação e passou a mão na franja, sem saber rebater aquela pergunta direito. Seu rosto pegou fogo sob o olhar do Kagamine.
-H-Hai, sou o Utatane Piko. Como me conhece, Kagamine-san?
Len riu, mesmo ainda choroso e limpou os olhos de novo enquanto andavam, tentando ficar o mais apresentável possível.
-Eu já ouvi falar de você. As meninas comentam bastante.
Foi como ativar uma bomba atômica, o menino deu um chiado e seu rosto soltava fumaça. Len só conseguiu rir.
Eles tinham aparecido na hora certa. Contudo... Ele ainda precisava entender o que Nero realmente queria com ele.
E sem contar que tinha que falar seriamente com Kuro também.
Precisava dar um ponto final.
Continua
Notas finais
E então? Kuro se metendo de novo. Nero todo esquisitão. Eu sei lá, vou dar fim no próximo assim como prometido.
Dei introdução ao Piko. Bem, ele não terá uma participação forte, é só um enfeite, mas acredito que seja bem legal mais um casal por aqui, mas nada detalhado.
Hm.
Relembrando o cronograma: Darei fim ao Nero (não necessariamente a morte, mas uma explicação do que realmente acontece), em seguida Mistérios do Kuro e KuroxRin, depois KytexLen (enfim) e quem sabe aqui três especiais: Pikox (?) seu par eu não vou contar agora; Luix(?) que não posso contar ainda e Gachax (?) que não vou contar também.
Ok. É o mesmo de sempre: 2 capítulos para cada caso mais ou menos.
Então a previsão de término é>> Capítulo 40 (faltando 8 capítulos).
Credo, está tão perto que eu me sinto até mal. Enfim, reviews?
Obrigada por lerem e chegarem até aqui! Até o próximo.
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