A Casa Imoral
20 Contrato e Partida (Fim do Arco)
Notas iniciais
Boa Leitura!
_Eu sabia que não demoraria muito e você cederia, Kagamine! –sorria o homem moreno e de sotaque.
Len quase reconsiderava a ideia apenas de olhar para Tonio. Ele era convencido, mulherengo e andava junto com uma moça japonesa muito sexy de óculos.
_Bem, vamos começar. Chibi, essa é a minha secretária Mew. –apresentou o homem de terno para a moça linda que estava segurando uma prancheta e possuía um earphone com um microfone interligado.
Parecia com um daqueles que Kyte usava nas gravações de vídeos promocionais (PV).
_Prazer, Kagamine-kun. Eu vou agendar seus shows e apresentações, eventos e tudo o mais que um artista deve presenciar. Qualquer coisa que queira falar, pode dizer pra mim. –piscava a moça com um sorriso.
Ela tinha os cabelos longos castanhos e seus olhos estavam ressaltados pelo rímel, era linda e aparentava ser madura.
_M-Mew? P-Prazer. –gaguejou o loirinho ruborizando com a beleza da moça e o jeito safado com que ela o cumprimentou.
Rin mordeu a língua de braços cruzados. Ela e Kiyoteru pareciam os mais nervosos ali, e ninguém sabia o porque do homem de óculos estar olhando tão intensamente para a secretária de Tonio.
_Bem, Kagamine-kun. Os termos do contrato, o senhor Hiyama pode explica-lo para você. –Mew entregando algumas folhas de papel para o menor.
Na verdade, Len batia na altura do busto da moça. Estava meio indeciso se olhava pra cima ou pra frente.
Assim que entregou para Kiyoteru, o mais velho pôs-se a ler. Diferente do que esperava, aquele contrato era justo e compreensivo, não abusava dos direitos de Len e até proporcionava bons benefícios.
_Mas eu tenho um pedido. –Len cortou antes que pudesse dar uma reposta.
_O que? Vai insistir em fazer par com sua irmãzinha? –perguntava rudemente em seu sotaque.
Rin franziu o cenho e ia rebater, mas Miku segurou sua mão, impedindo-a de explodir e estragar tudo.
_Eu quero levar um amigo meu, Megurine Luki. –Len pediu com jeitinho para aumentar as chances.
_Megurine? –Tonio arregalou os olhos.
_Ele é muito inteligente, ele pode me ajudar bastante com estudos e caso se eu passar mal. Nós somos próximos e eu confio nele. –Len.
_Oh, um companheiro de viagem. Nós nunca fizemos isso, senhor Len. O que te leva a pensar que eu vou deixar? É caro manter um Idol, imagine manter um Idol e seu amiguinho. –dizia sorrindo com escárnio o moreno coçando a barba rala.
_Eu não me importo, podemos negociar depois. Mas sem pelo menos uma pessoa eu não vou. –Len.
Tonio encarou Len. Os olhos gordos continuavam fofos, mas possuíam seriedade. Tonio sorriu largamente, adorava isso naquele loirinho, sua forma única de atrair as pessoas e obriga-las a fazer o que quer.
_Você é jovem. Mas sabe o que quer, mesmo não conseguindo se impor muito. –sorria mais pequeno o moreno se levantando.
O homem afagou os cabelos de Len e se dirigiu para Rin, fazendo o mesmo.
_Vou cuidar do seu irmão. E Hiyama, eu não jogaria fora uma oportunidade tão maravilhosa. Pode ficar tranquilo. –ria o maior voltando-se para Len –E pode mandar o Megurine arrumar as malas. Estamos viajando para Tokyo em breve.
Len respirou fundo levando o papel consigo, segurando a mão da irmã com força. Iria assinar o contrato em casa, depois de falar direito com Gackpo e Kyte.
XXX
_Luki, não acredito que você concordou com isso! –Luka andando atrás do irmão de um lado pro outro.
A rosada estava incrédula, estava transtornada. O que ia acontecer depois que Luki saísse?! Era um abandono à escola? À sua família?
_Vou me despedir da Meiko. –sussurrou com ar pesaroso.
O rosado não fazia ideia de como Len convenceu a leva-lo. Pelo que sabia, Tonio era o maior mão-de-vaca. Ocorriam boatos de que ele era pedófilo, somente por esse motivo aceitou ir.
Nunca se perdoaria se algo acontecesse com Len e ele não pudesse fazer nada. Pensando melhor agora, Luki se lembrava de que ele e Len realmente não eram muito apegados, mas passaram a confiar um no outro até mais do que na sombra.
Ele não entendia essa ligação que tinham, de confiança e proteção. Tinham isso desde quando Luka ficava na mansão trabalhando por lá.
Nas brincadeiras, Luki, que era mais velho, sempre tentava proteger os menores e mais fracos, como Len e Mikuo. Sempre fora apegado ao loiro por causa de sua aparência duvidosa e seus “nyah” fofinhos, davam vontade de abraçá-lo e não soltá-lo. Porém o sentimento que tinha por ele era como a de um verdadeiro irmão. Por isso iria sacrificar também dois anos de sua vida, para proteger o Kagamine mais novo.
_LUKII! Me escuta! –gritava a mulher puxando o braço do irmão tentando impedi-lo de sair porta afora.
_Luka, faça o favor, me solte. –Luki dizia suspirando pelo surto da rosada.
Luka fez uma expressão como se não soubesse o que devia fazer. Parecia mais que ela havia algo muito importante a dizer, mas nada saía da boca dela além de incerteza.
_O que foi? –Luki.
_Você tem certeza...? Se for pensar bem, a Meiko vai ficar triste se você ir. –Luka olhava para o lado segurando o braço.
_Aquela bêbada não precisa de mim. –Luki dizia isso com esforço tentando não demonstrar sua fraqueza.
Luka apenas viu a porta se fechando. Tudo o que conseguiu fazer foi deixar o seu corpo cair no sofá da casa com um suspiro sendo liberado.
Ele iria se arrepender disso no futuro.
XXX
O que Luki menos esperava aconteceu. Ao invés da longa gargalhada bêbada e grogue, Luki fitou os olhos vermelhos arregalados, apertando a garrafa marrom com força.
A boca úmida e entreaberta da mulher era quase um convite para o rapaz, mas além de tudo, os olhos dela estavam com pequenas gotas em cada canto, prestes a transbordar dos canais lacrimais.
Luki iria completar sua fala, mas o que nunca tinha acontecido antes aconteceu naquele momento. A ameaça que ela sempre sibilava divertida tomou forma real e violenta, uma garrafa espatifando em sua cara.
Luki caiu sentado em um abafado grito de dor e espanto. A mulher começou a chorar e tampou a boca com as duas mãos, virando o rosto.
Ela parecia sofrer e se culpar por aquela violência.
Luki agradecia por não ter mais nenhuma gota de álcool dentro do vidro. Mas os pedaços machucaram seu rosto. Sua boca tinha um corte e sua face doía muito.
_Meiko! –Luki se levantou, andando com a mão no rosto, andando em direção a ela.
A morena se encolheu no sofá, tentando controlar os engasgos. Ela tinha feito... o que ela temia realmente foi confirmado.
Ela tentou afastar o garoto de perto quando ele segurou sua mão. Mesmo com toda sua força e idade, ela não resistia aquele garoto.
_Eu já me decidi. Mas eu vou voltar... Você me espera?
Meiko não queria aceitar. Já fazia anos e anos que Luki lhe apareceu com Luka, aqueles olhinhos azuis captaram todo seu amor e carinho no mesmo instante. Ela não esperava que o garotinho iria sempre vir com a irmã, que ele crescesse em sua casa praticamente, e ao alcançar seus quinze anos, se tornaria um rapaz tão bonito e que a suportava do jeito que era, bebendo e gritando, fazendo todos em volta pagar mico. Ele não se importava, repreendia-a, brigava e cuidava dela.
Ele era o melhor homem que nenhum outro poderia ser. E ela não conseguia suportar a ideia dele ficar fora dois anos.
_N-Não, Luki... Eu preciso que você fique!
O rosado quase reconsiderava a ideia, mas pensava sem parar na responsabilidade que tinha assumido com Len, além do esforço que o menor tinha feito para poder levá-lo.
_É sério, Meiko, você é uma mulher feita. Não precisa de mim. Escute... Você é linda, talentosa. Sei que vai ficar bem sem mim por aqui. –Luki falava com um sorriso sincero e triste.
Meiko limpou as lágrimas, segurando a mão de Luki com força.
_E-Eu vou esperar... Mas volte logo. Por favor.
Luki sentia os sentimentos dela passando por sua mão. Ela estava muito quente e cansada do dia de trabalho, já devia ter bebido pelo menos três garrafas.
Luki se levantou, ajudando a mulher. Com o peso do medo de abandoná-la nas costas, a encaminhou para o quarto, deitando-a e afagando seu rosto já adormecido.
_Durma bem.
Luki depositou um beijo na testa da morena, cobrindo-a. Aquela casa e suas amigas não o veriam tão cedo.
O rosado deixou ainda uma carta para as pessoas que frequentam. E nem olhando para a casa que ficava pra trás, Luki atravessou as ruas em direção à escola.
XXX
Depois de três horas, as pessoas em grande número ali presentes mantinham olhares pesarosos. Principalmente um loiro chamado Kuro.
_Que injusto. Não vou poder te proteger de tão longe, Len-sama. –sussurrou o loiro com olhar triste e felino.
_Eu sei que você vai me proteger mesmo estando bem longe. Só sua intenção já vale, Kuro-san. –Len apertando as mãos do gato-humano.
Rin não estava com uma cara de derrotada, mas não estava feliz.
_Ei, Len. Gomen, por tudo o que fiz que te magoou. –Rin fazendo um bico irritado.
Len balançou negativamente a cabeça dizendo que não se importava. Ainda ali estavam alguns colegas de classe.
Mas o pior ali eram as expressões de Gackpo e Kyte. O primeiro estava contrariado com a decisão e o segundo super triste.
_G-Gackpo-san, eu vou ficar bem! –Len sorrindo largamente para o arroxeado.
Olhar do mais velho foi para Luki. Ele não confiava totalmente no rosado, assim como o sentimento era recíproco.
_Eu vou confiar. Tenha juízo, viu Len? Não esqueça de escrever. –dizia mudando sua expressão para razoável.
_Hm.
Kyte estava abalado com tudo aquilo. Miku tinha dito que seria bom para esquecer um pouco sua obsessão pelo loirinho.
Ele acreditava nisso também, mas ainda não aceitava. Depois de anos juntos, ter que suportar a ausência por pouco que seja, Kyte não conseguia.
Len lembrou-se do que Luki tinha dito. Lembrou-se da discussão que tiveram. Ele devia muito ao azulado.
_Kyte-nii. Eu vou sentir muito sua falta. Vou sentir saudades e todas as noites eu vou orar pra nossa família. E quero que você não fique triste, eu vou voltar e ficar com vocês, com certeza. Prometo. –disse tocando a mão do maior.
Sua mão pequena e pálida, acariciou a do maior, tentando passar o que pensava. Seu sorriso radiante fez o coração de Kyte dar um salto e sorrir também, se abaixando para abraçar o menor.
_Volte então. Boa viagem, não coma sorvete demais, viu? Luki, por favor...
Luki sentia o pedido do azulado. Kyte estava dando aquela missão: ficar de olho no menor e dar juízo praquela cabecinha que seguia os outros facilmente.
Sua mão acariciou os fios loiros soltos. Sentiria falta disso...
Assim que o corpo pequeno se afastou e se despediu com um aceno e um forte abraço em Rin, quase levantando-a do chão, o menino finalmente conseguiu tirar o sorriso tão bonito do rosto de sua gêmea.
_Tchau pessoal... –sussurrou enquanto ele, Luki e a secretária Mew os acompanhava.
_Espero que gostem de sua nova vida. –comentou a moça com um olhar lascivo e mostrando a saída para o aeroporto.
Lá se encontrava um jato particular de Tonio. O mundo da fama o aguardava.
Final de Arco
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