A Casa Imoral

19 Aviso à Empresa


Notas iniciais
Len finalmente está num beco sem saída. Ele se tornará o famoso Idol Kagamine e ficará 2 anos fora? Como Kuro e Rin vão reagir? Boa Leitura!

Esfregou os olhos se sentindo cansado e com os pés doendo. Olhou para o lado...Kyte dormiu ali?

Seu corpo se esticou na tentativa de espantar o sono e se levantou. De primeiro lembrou-se que começou a vestir roupas mais longas e deixou o cabelo solto.

Foi até o banheiro, olhando-se no espelho. A partir daquele dia, ele teria que abandonar seu antigo “eu” e deixar o Len que gosta de vestidos e garotos no passado.

Suspirou. Ele sentia-se mal pensando assim, mas era necessário. Dizem que para uma melhor reflexão, um filósofo se afasta da sociedade para poder entendê-la parcialmente, agora Len queria provar o oposto de sua personalidade, pra avaliar se seus sentimentos ainda eram válidos.

Lembrar do dia anterior o deixava triste. Mas lembrar da conversa com Luki meio que o deixava empolgado.

Foi surpreendido pela porta batendo.

_UWAAA!!!! –Len.

Havia uma garota de camisola com olhos pegando fogo refletida no espelho e parecia prestes a matar um ser de nome Kagamine Len.

_MALDITO! COMO OUSA SUMIR DO NADA?! EU FIQUEI PREOCUPADA, SEU IDIOTA!! –Rin balançando-o fortemente.

Len caiu de bunda no chão do banheiro. Não sabia que essa seria a reação.

Em seguida entrou Kuro no banheiro. Não parecia tão bravo.

_Ohayo... Len, que pena que você sumiu. Se a Lilly não tivesse nos interrompido nós- UHHH!

Rin enfiou pasta de dente na boca do loiro de olhos vermelhos até que ele engasgasse. Estava corada até os cabelos.

_Não ligue pra o que esse baka diz! –Rin.

Len passou a mão na franja e se levantou. Rin o olhou de cima a baixo.

_Você... você não é de sentir frio dessa forma. –Rin estranhando o comportamento do irmão.

_Eu... bem, vou contar pra vocês depois. Agora podemos ir? Preciso ir lá na empresa e falar com Kiyoteru-san. –Len.

_Hm? E o que você iria querer falar com ele? –Rin.

_Já disse que vou contar depois. Podemos ou não? –Len indicando a porta.

Kuro lavava a boca vigorosamente enquanto os dois saíam. Ele já sabia que Len ia tomar sua decisão e que ela não incluía sua família.

_ “Vamos ver o novo Kagamine.” –Kuro passando a toalha e assumindo uma expressão divertida.

A mesa do café estava silenciosa, com exceção de Kuro, que contava para todos como a festa fora legal. Gackpo se perguntava como de repente seu gato tinha sumido e um garoto de mesmo nome começou a morar em sua casa... Kyte pediu para não dar muita bola, que ele ia se acostumar, mas o Kamui tinha medo de que sua família ficasse muito grande.

Len usava um conjunto social despojado, seus cabelos estavam presos em um rabo baixo e ele usava tênis.

_Len, pode me dizer o que está acontecendo? –Rin deixando os hashis e olhando seriamente para o gêmeo.

Len suspirou. Ele devia esclarecer logo, ou sua irmã iria ficar “de mal”.

_Rin, eu vou assinar o contrato.

Foi como se um furacão tivesse atingido a casa e mandado-os de volta para as ruas. Rin parecia segurar os segundos em seu peito para poder digerir o que tinha ouvido.

_Ahn. Ok. Quer dizer que você vai ir embora, cantar pelo mundo, ficar rico e eu não vou junto? –Rin segurando o hashi e torturando sua fruta, uma laranja ainda sem abrir.

Kuro engoliu e seco e olhou para o garoto, meio que pedindo para ele ser mais delicado, ou para ter um bom motivo.

_Mais ou menos.

_MAIS OU MENOS. –Rin com um olhar mortal e um sorriso sarcástico.

Kyte e Gackpo olhavam a cena em silêncio e curiosos para como a história ia terminar. Normalmente Rin pressionava Len até ele desistir, mas dessa vez o loirinho estava perfeitamente em seu direito e estava com garra para exercê-lo.

_Vou viajar por dois anos. Nos termos diziam que vou poder ver todo mundo nos feriados e uma vez por mês.

_Se for pra ser assim, é melhor que você nem volte! –Rin o encarando com raiva.

Len sabia que no fundo não era verdade. Ela iria sentir muito sua falta, e ele a dela... ,mas além de ser um sonho realizando, ele ia poder experimentar um pouco o lado de ser superior.

Kuro abafou o caso, tentando dar bons motivos para o loirinho sacrificar sua fase dos 14 aos 16.

_Você vai ser cercado por milhões de garotas, seu email vazio vai de repente ficar lotado de fãs doidos, você pode ser sequestrado por loucos psicóticos, no aeroporto, na praia, na escola ninguém nunca vai te deixar em paz e eu não posso com tudo isso! –Rin se descabelando ao pensar em seu irmãozinho frágil sendo esmagado com essas novidades.

_Mas...

_MAS, SEM MAS! –Rin levantando-se brutalmente.

_Nem se eu pegar o autógrafo do Roro que você se mataria para pegar?

Uma nuvem negra pairou sobre a cabeça de Rin. A dúvida mortal...

_S-Se...o autógrafo vir em uma guitarra rosa e laranja... eu *engole em seco* posso pensar. –Rin juntando os dedos indicadores.

Gackpo e Kyte*gota*.

_Ah, Rin, eu te amo também. –Len sorrindo.

A loirinha sentou-se calmamente e terminou seu café da manhã. Limpando a boca e retirando o hashi da pobre laranja.

_Mas eu quero que você tome mesmo muito cuidado. Eu não gosto da ideia das garotas te abraçando assim... e o Nero? –Rin.

_A Lilly não te contou? –Len.

Kuro olhou do azulado para o arroxeado. Eles pareciam muito confusos agora, mas Kyte estava mais.

_Bem, eu falo com ela depois. Mas eu soube que o Mikuo esteve aqui... –Rin avermelhando um pouco.

Kuro sentiu o ar na hora e fez cara feia, encarando a loirinha. Era óbvio que ele se lembrava da paixonite da loira por Mikuo.

_Para de me olhar assim. Len, por isso que você quer ir à empresa? Eu posso ir? –Rin.

O loirinho assentiu.

Kyte apertou um pouco o copo em sua mão, estava perto o momento... e Tonio não pensaria duas vezes para sequestrar Len da família e sumir com ele sem dó nem piedade.

Sabia que Len aos 16 ia parecer um jovem exausto e cheio de desgosto pela música e pela fama. Era um erro que a maioria dos Idols cometiam.

Ao entrar para esse mundo, você virava um escravo da mídia.

XXX

_Sério, Len-kun? Nunca que eu imaginaria... –Kiyoteru coçando a nuca.

O rapaz estava meio abalado. Ele tinha bons planos para o talento dos gêmeos, mas ir contra Tonio seria o mesmo de ficar desempregado.

Rin parecia estar superando bem, a não ser a sua preocupação excessiva quando se tratava do irmão. Mas ela não poderia cuidar dele pra sempre.

_Eu só espero que quando voltar, não fique choramingando sobre o quanto está arrependido. –Rin lhe apontando um dedo ameaçadoramente.

Len assentiu rápido. Não seria bom irritar Rin dos tempos para cá, ela estava realmente brava com toda essa situação.

E o loiro imaginava como seria o ambiente em que teria que viver. Tonio era do tipo mão-de-vaca, então já lhe ocorria que ia sofrer em relação ao “conforto”.

Todos ali presentes lamentavam, Rin e Len não seriam as estrelas que esses planejam a tanto tempo. Mas podiam aguentar 2 anos, podiam e esperariam firmes para que Len voltasse e desistisse da ideia de ser Idol.

Claro, uma vez Idol, sempre Idol. Isso era bem óbvio, mas ele daria um jeito, Len havia passado por muitas coisas, e essa seria a primeira que passaria sem Rin, então se esforçaria ao máximo para vencer os obstáculos que o perturbavam em seu caminho.

_Primeiro, você tem que cuidar bem da sua saúde. Não tome remédios para dormir, nem para stress. Eu vou descobrir quando a gente se ver. Tenha uma DIETA balanceada. Ok? –falava freneticamente sua possessiva irmã.

Rin no fundo estava mesmo preocupada.

_Eu vou ficar bem. Vai cuidar das coisas para mim aqui? –Len.

_Claro! –sorriu a mais velha batendo o punho contra o peito.

Luki estava ali, e tinha decidido ir com Len enfim. Gackpo não gostou muito da idéia, mas Luki era o mais inteligente e responsável, não deixaria Len na mão.

Kiyoteru arrumou os óculos e olhou para Miku. A garota das maria-chiquinhas esverdeadas deu um meio sorriso e afagou a cabeça de Len.

Na época em que trabalhava na mansão, ela se dava melhor com Rin e ficou chateada ao saber que Len ia deixa-la.

_Eu cuidarei da sua irmã e do Kuro também. –Miku sorrindo.

Isso preocupava Rin em parte. Ela sabia do “amor” de Kyte por Len e Miku também, mas o problema era que Miku, mesmo tendo terminado com Kyte, ainda gostava muito do azulado e não suportava a idéia de que um homem daqueles era apaixonado por uma criança e do sexo masculino.

Já Kyte... Este era apenas amigo de Miku, não enxergava o amor da esverdeada, e se enxergava, não queria nem saber. Para Kyte, o único amor que existia era Len.

Era um amor cego e irresponsável.

Len sorriu para Miku, mesmo sabendo que ela não estava tão preocupada consigo, mas sim com sua irmã.

_Ok, tome conta então. Eu ainda vou ter que assinar o contrato então vai ser um problema. –Len falava em seu tom fino e afeminado com doçura.

A loirinha não conteve um pequeno suspiro por seu irmão kawaii. Ele ia ser um sucesso!

_Eu vou ligar pro Tonio-san. –Kiyoteru pegando um telefone.

Ficaram todos em silêncio esperando o que o moreno ia dizer, mas tudo o que houve foi um rapaz com olhos arregalados e sua boca se fechando com força. O telefone foi posto no gancho e Kiyoteru tinha um suor descendo por sua cabeça.

_B-Bem... ele está vindo.

_QUE! Mas... Você nem falou nada. –Rin se exasperando com a cena incomum.

_Não mesmo, ele é um monstro. –Kiyoteru mordendo o lábio.

Len engoliu em seco. Seu futuro era certo: dor, estresse, dinheiro, enchimento de saco e muito barulho.

Continua

Notas finais
Tah ai! Quem deixa review?